NOTÍCIA BOA OU NOTÍCIA RUIM. VOCÊ DECIDE!




“-Rapaz, eu tenho duas notícias para você. Uma boa e uma ruim. Qual você quer ouvir primeiro?”

“-Caramba! Fala logo a notícia ruim, pra diminuir a minha ansiedade.”

“-Acabou de acontecer um acidente nuclear aqui na sua cidade.”

“-Deus do céu! Depois de uma notícia dessas, qual pode ser a notícia boa!?”

“-A boa notícia é que você está sendo avisado a tempo para seguir até um local seguro e escapar ileso desse acidente.”

A estorinha já é bem conhecida, em várias nuances. Na maioria dos casos como piada, humor negro, que combina com um final trágico. Do jeito que está apresentada aqui, pode até se tornar realidade, uma vez que sistemas de segurança para uso em massa estão cada vez mais presentes nas atividades humanas.

Nesta semana, o teste de simulação para evacuação da cidade de Angra dos Reis, onde está o maior complexo nuclear brasileiro de geração de energia, incluiu um novo dispositivo. Um sistema de alerta que, uma vez acionado, por um único botão, manda uma mensagem sobre acidente, para ser exibida em todos os televisores ligados. Ele funciona nos aparelhos compatíveis com o sistema EWBS, que são os modelos recentes vendidos no mercado. A mensagem pode ser configurada da maneira escolhida pelos órgãos de segurança local, incluindo sinais sonoros.

O sistema foi testado na TV Rio Sul, emissora afiliada da TV Globo em Angra dos Reis. Ele vem de uma parceria da EiTV com a Hitachi, com o Fórum SBTVD – Sistema Brasileiro de TV Digital e o Governo Federal, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação. A televisão é o tipo de lazer mais consumido no mundo portanto, qualquer alerta divulgado pela telinha, terá as maiores chances de chegar ao maior número de pessoas. A cidade pode optar por estender o sinal de alerta das TVs para todos os aparelhos celulares, usando algumas adaptações. Assim vai ser difícil alguém não ficar sabendo.

A EiTV tem fornecido o sistema para vários países andinos, onde os riscos de terremotos sempre estão presentes, em alguns casos, também tsunamis. Uma tecnologia que faz refletir sobre uma certa ironia envolvida. Por exemplo, o fato de ser um investimento que precisa ser feito, na esperança de que jamais seja usado. Ou ainda, por ser um dispositivo que fica num lugar de destaque, ligado e pronto para funcionar, recebe manutenção preventiva ordinariamente, tudo porque, se num único instante for necessário usar, ele jamais poderá falhar.

Ou seja, quem se propõe a oferecer segurança, precisa estar habituado a só produzir com qualidade, eficiência e segurança. Com esses “ingredientes” só lida quem está devidamente habilitado, quem nunca deixa de usar em nenhuma das “receitas” da casa.

As novas tecnologias se relacionam com esses paradigmas com crescente intimidade. Primeiro porque elas surgem para serem produzidas em altíssima escala, pois só assim se viabilizam economicamente. A decorrência natural é que, qualquer falha nessas tecnologias será muito custosa para o fabricante.

Tem ainda o fato de que o mundo está se acostumando a elas, a convivência é muito frequente, os laços de confiança se consolidam. Vamos imaginar sistemas de IoT falhando! Quantas pessoas direta ou indiretamente seriam afetadas? O que dizer do transporte de pessoas por drones ou veículos autônomos?

A palavra “falha” vai esvanecendo no dicionários da engenharia. Vai migrando para a página dos horrores e dá lugar a uma série de novas técnicas e protocolos de prevenção e antecipação. É a questão que se coloca de forma ostensiva diante de todos que querem produzir tecnologia: você está preparado para perseguir a perfeição incansavelmente?

Como corolário natural, essa mesma questão vai se impondo a quem vende, quem opera e principalmente para quem fabrica. Qualidade, eficiência e segurança não são escolhas triviais. É um compromisso para o qual deve haver um extenso preparo, até que se tenha clareza do significado dessa escolha.

Nos últimos anos o Brasil teve exemplos históricos de falhas de segurança em Mariana, no Museu Nacional do Rio, em Brumadinho, e agora somos vítima de uma falha que está poluindo todo o Litoral Nordestino. O rigor de novas rotinas de qualidade precisam passar a serem aceitos com naturalidade nas esferas de governos, nos órgãos de fomento, entre os fornecedores de produtos e serviços. Caso contrário, nossa história pode ficar mais à mercê do humor negro, comum nas piadas sobre a notícia ruim e a notícia boa.

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