UMA VULNERABILIDADE PREOCUPANTE


Mais um termo difícil de falar, a ser incluído no vocabulário das pessoas antenadas: plataformização. Trata-se da tendência do uso de plataformas de internet para atividades que, mais comumente, são realizadas de forma presencial. É bem mais fácil falar “trabalho remoto” por exemplo, do que plataformização do trabalho. No entanto, o uso do novo termo parece ter um papel importante. Ele foca a questão na plataforma, no instrumento que é usado para determinado fim porém, pode ser indevidamente colocado a serviço de interesses invisíveis.

O caso objetivo se refere à educação. Uma atividade que, no mais das vezes, parece relativamente protegida, mais distante dos riscos  que cercam o trabalho ou a administração dos gastos pessoais. Não é o que revela uma pesquisa publicada ontem, intitulada “Educação em um cenário de plataformização e de economia de dados: problemas e conceitos”. A iniciativa foi do Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.Br, por meio do Grupo de Trabalho sobre Plataformas na Educação Remota. Além desse primeiro volume, outros dois, relacionados à mesma pesquisa, devem ser lançados até o final do ano. De acordo com o site Teletime a pesquisa está relacionada ao “destino e armazenamento dos dados de usuários das plataformas utilizadas no ensino”.


Rafael Evangelista, Coordenador do Grupo de Trabalho e conselheiro do CGI-Br, alertou que “as crianças e adolescentes facilmente se tornam alvo de publicidade, desinformação e manipulação do comportamento, dados os modelos de negócios das plataformas de redes sociais. Isso requer muita atenção". Ele destacou a importância de mais clareza sobre como essas plataformas têm usado os dados pessoais de alunos e professores.


Porém, para além das questões básicas de privacidade, há um olhar estratégico a ser considerado nessa questão. Principalmente durante o período mais crítico da pandemia, as plataformas foram utilizadas de maneira intensiva nas universidades. E, em nível de pós graduação, é onde acontece uma troca frequente de informações sobre experimentos. Trabalhos científicos e tecnológicos são tratados em seus detalhes mais aprofundados, colocando em risco a propriedade intelectual desse conhecimento.


Por enquanto, para determinados segmentos da comunidade educacional, parece estar acontecendo um despertar sobre os riscos mais específicos. De acordo com o CGI.Br esse alerta está sendo observado em vários países. Ao que tudo indica, em breve serão divulgados mais alguns cuidados para o uso seguro das plataformas. As recomendações devem abranger vários setores porém, em algum momento, vão ter que chegar nos algoritmos. É nesse sentido onde a comunidade acadêmica precisa ter mais atenção. As empresas fornecedoras dessas plataformas precisam ter experiência no atendimento desse tipo de necessidade. Devem conhecer as principais vulnerabilidades e estar atentas às novas ameaças que aparecem.


As plataformas de ensino normalmente concentram grupos que seguem programas e conteúdos padronizados. O acompanhamento dessas rotinas, o acesso aos vários grupos, teoricamente podem acontecer por várias portas, nem sempre bem protegidas. Tem ainda uma relação de confiança uma vez que, a instituição que administra a plataforma, ou a que administra o ensino, sabem onde estão os dados dos usuários. Por isso o compromisso ético tem que ser claro e rigorosamente respeitado.


A cibersegurança tem sido um dos temas críticos nos mais diversos foros. O assunto foi um dos temas presentes num acordo de cooperação assinado nesta semana, entre a Anatel e a equivalente americana, a FCC – Federal Communications Commission. O acordo foi assinado no primeiro dia de atividades da Conferência de Plenipotenciários da União Internacional de Telecomunicações. Neste ano o evento acontece em Bucareste, na Romênia, até o dia 14 de outubro. Em princípio, o acordo entre a Anatel e a FCC vale por um ano.


Pela grande extensão da Internet no Brasil e pelo nível de digitalização de serviços públicos e privados, a cibersegurança já deveria estar mais avançada por aqui. Com a chegada do 5G essa vulnerabilidade tende a aumentar. Um levantamento divulgado recentemente aponta que a maior parte dos universitários brasileiros, hoje estuda na modalidade à distância, por meio de plataformas digitais. A tendência é de que esses números continuem crescendo. A plataforma EiTV Play, utilizada por várias instituições de ensino, no Brasil e em outros países, oferece a máxima segurança para as atividades acadêmicas. Foi uma das primeiras desenvolvidas no Brasil e está entre as que oferece mais ferramentas para facilitar o uso, tanto dos alunos, como dos professores. A tecnologia nacional no setor já alcançou um alto nível. A questão agora é normatizar de maneira criteriosa, para que essa segurança seja entregue ao consumidor.

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