sexta-feira, 14 de setembro de 2018

SERIAM 20 ANOS LUZ?




“O que não está no Google, não está no mundo”. Ainda não é exatamente assim, mas a cada dia fica mais perto de ser. Da ameba ao Sumo Pontífice, passando por todo o espectro das coisas vivas, animadas e inanimadas, até os minerais. As artes em todas as formas existentes, os momentos de especial fruição, grandes construções históricas ou a casa onde você mora, está tudo ali. São as luzes do conhecimento, toda espécie de conhecimento, a luz do seu caminho.

Faz 20 anos que a Terra tem seu próprio índice. É o Google, portal de toda a Internet. Lá estão o presente, o passado e até o futuro, que nem existe. Desde o futuro agendado, pelo menos, até o futuro sonhado, mais fantasioso. O Google é a grande panaceia do início deste século. Os números, quase inútil falar sobre eles. Representam grandezas difíceis de imaginar. Por exemplo, a quantidade de informações processadas pelo Google em um único dia é algo em torno de 20 petabytes (o número dez, seguido de quinze zeros). Se considerar tudo que já foi escrito no mundo, em todos os idiomas, desde que a escrita existe, em arquivos computacionais somaria um total de 50 petabytes.

Acho que nada disso conseguiu impressionar você, não é mesmo? Nas últimas semanas você deve ter lido alguma outra coisa mais surpreendente. Que encontrou pelo Google, muito provavelmente. Se o Google fosse uma emissora de TV americana, há muito tempo já teria sido objeto de intervenção do governo, por causa da “audiência” hegemônica. É o endereço mais acessado da Internet, cerca de 63 mil vezes. Por segundo!

É aí onde está o assunto. O negócio Google é algo fantástico, que nesses 20 anos nos chamou atenção progressivamente. Algo muito diferente daquilo que nasceu para ser. Que foi se descobrindo ao longo do tempo, pelas funcionalidades que ele próprio ia revelando na vida das pessoas.

O Google é o espaço digital por onde todos passam, apenas passam. Não produz conteúdo e tem o maior conteúdo disponível. É apenas uma porta que, ao adentrar, você está no ambiente que queria, o que estava procurando.


MUDANÇAS RADICAIS


O grande site de buscas, porém, está se tornando o elemento mais devastador com o qual o mundo midiático já se deparou. E, ao contrário dos sobressaltos anteriores, esse caso está sendo cruel. Após a chegada do rádio, que fez tremer a imprensa de então, o que se viu foi uma potencialização das duas mídias. A TV também chegou assustando, mais o efeito prático confirmou as mesmas alvíssaras. A Internet talvez pudesse também ser conciliada, mas não com o Google.

Comerciais de TV traziam grandes produções. Primores em técnicas de iluminação, direção. Até o elenco. Você lembra daquele anúncio em que Michael Schumaker disputava uma largada com um avião militar de caça? Grandes vídeos da Coca-cola, cigarros Hollywood, lançamentos de carros de luxo. Foi desse nível de excelência de produção que saiu a maior parte dos diretores de sucesso no Cinema Brasileiro. Mas, no caixa dos anunciantes, nada disso demostrou melhor custo/benefício do que um “tijolinho” no Google. Aquele anúncio básico do básico, um retângulo com algumas palavras e um link.

A propaganda do tipo boca a boca, há muito tempo considerada a mais eficiente, foi superada pela tela a tela. Primeiro pela escala, mas principalmente pela personalização alcançada. Quando o servidor lê seu IP você deixa de ser um potencial cliente, como acontece nas outras mídias, para ser um quase-cliente. Sua barriga bateu no balcão de quem vende aquilo que procura. Aquele anunciante é parte da sua intimidade, o conhece melhor do que o companheiro de pelada. Ou a amiga do salão de cabeleireiro. Uma vantagem tão grotesca que permite ao Google dizer algo do tipo “só paga por clientes que entrarem na sua loja, em função do anúncio”. Toda a operacionalização por conta de bots que não custam salários nem benefícios, e são de uma eficiência notável.

O Consultor Neil Patel, relacionado pelo The Wall Street Journal entre os mais influentes do mundo, considera a tecnologia do motor de buscas do Google uma das mais complexas existentes. Taí, não é pra amadores. Todo mundo já ouviu falar em algum outro site de buscas, mas quase ninguém passa por eles. O Google domina 78% desse serviço. Mesmo assim não cansa de investir em aprimoramentos.

Essa performance inalcançável faz do Google um alvo, não apenas de polêmicas, mas de conspirações públicas. Especialistas de várias áreas inventam e propõem formas de estabelecer controles sobre o site. E isso só não deve ter acontecido até agora porque se trata de uma empresa nativa dos Estados Unidos, maior mercado mundial e que possui as forças armadas mais poderosas do Planeta. Que contam com a colaboração estratégica do site. Com tanto conhecimento sobre todos, o grande site de buscas está destinado a continuar colecionando polêmicas.


O PESO DO SUCESSO


A despeito de abusos, que em alguns casos aconteceram, essa coisa de ser único, o máximo, tem um preço. Tanto que até em suas virtudes o Google é criticado. Por exemplo, por oferecer pequenas “amostras grátis” de conhecimento capazes de simular, em vaidosos ignorantes, ares de intelectualidade. Os verdadeiros (intelectuais) protestam pois, esses fragmentos do saber podem levar pessoas a formar opiniões sem entender exatamente do que estão falando. Como se esse tipo de problema não acontecesse também entre os acadêmicos, por limitações pessoais ou até por vieses impostos durante a formação. O conhecimento sempre acrescenta. Porém, saber identificar, classificar e associar os fragmentos faz parte da consolidação do conhecimento como verdade universal.

A postura de erudito, a cultura cheia de estilo, podem ser simulados com mais eficiência, ou menos. Não há necessariamente uma relação com o verdadeiro saber. A estética do saber é a humildade. Se no passado, determinadas informações só poderiam ser obtidas em círculos restritos, hoje os menos estudados podem atenuar a ignorância passeando pelo Google.

Nesse contexto, há que se destacar o Wikipedia. A ferramenta colaborativa tem compromissos didáticos, universalistas e até fraternais. Uma linguagem de programação simples, abrindo espaço para que o conhecimento se manifeste, com as ressalvas devidas em cada caso. Quem já não usou, e com sucesso? Ainda assim, o wiki é o retrato do “conhecimento fácil” imputado ao Google.

Tem ainda o vício de se exigir uma certa disciplina, uma espécie de sacrifício devido ao conhecimento. A academia conserva e até reverencia esse sofrimento. Desde os tempos de Sócrates até as narrativas atuais de sucesso, há uma virtual expiação nas tramas do saber. Isso pode ser responsável pela ignorância, apesar da inteligência que determinadas pessoas, de fato, possuem. Uma visão elitista que, possivelmente, será ultrapassada por metodologias de ensino mais eficazes. Não causará nenhuma surpresa se essas novas metodologias incluírem ferramentas do tipo Google entre seus instrumentos transformadores.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

O OVO QUE NÃO QUER CALAR




Este sólido, insurgente da revolução elíptica, o ovo, começa a ganhar um significado relevante nesses nossos dias. No Brasil eleitoral, logo após um período tão conturbado, o debate político aponta problemas e dúvidas de um país que quer recomeçar. Ou será que ainda nem começou enquanto nação? O dilema remete ao ovo (da culinária), que não pode existir senão a partir de uma galinha e esta, que não pode existir senão a partir de um ovo. Qual teria vindo primeiro?

A Era das Grandes Navegações, que deixou o mundo redondo, veio antes do GPS, o que pode parecer uma contradição, se vista pelos protocolos atuais. Mas a bússola veio antes, e isso só deve ter acontecido porque ainda antes, o homem, errante, decidiu deixar um lugar em busca de algumas respostas.

Muito bem, é a partir desse tipo de enrolação, dessa falta de objetividade, que são abordadas questões importantes de gestão para o Brasil onde navegamos. E as coisas não acontecem não é por falta das condições ideais, das verbas ou provérbios.

Já faz quase uma década que se ouve falar uma dúzia de nomes equivalentes, trocados ao longo do tempo e de partidos, visando a expansão da banda larga no Brasil. Gastaram até alguns bilhões com um satélite que ficou quase um ano perdido no espaço. Mas até hoje, no país "verifica-se que não existe uma política pública de banda larga com visão de longo prazo, ...”. As aspas são devidas porque as palavras fazem parte de um acórdão do TCU, o Tribunal de Contas da União, assinado na semana passada. Mais do que isso, o documento aponta que “... não existe (sequer!) uma instância de coordenação atuante para integrar as iniciativas, suas inter-relações com outros setores e outras esferas de governo.”

Agora não se trata de intriga de oposição. O TCU explica que constatou a existência de muitos brasileiros que não têm acesso a Internet, o que representa uma ampla desvantagem para essas pessoas. Por isso decidiu elaborar o estudo, analisando centenas de documentos e decisões. Eles contradizem toda a propaganda que você pagou para ver na TV, enaltecendo medidas para universalizar o acesso à Internet no Brasil. Propaganda enganosa, agora, comprovadamente enganosa.


QUE PLANO É ESSE!?


A decisão do TCU tem quase tudo para repercutir bastante nas próximas semanas. O único atenuante é a impopularidade do atual governo, cuja fragilidade já tem sido exaustivamente comentada. No entanto, as falhas de gestão apontadas no caso específico, possivelmente são rotina em programas e políticas públicas há muito tempo, não são exclusividade do atual governo.

Dentre os vários trechos do acórdão apresentados por Samuel Possebon, em artigo para o site Teletime, vê-se que foi necessário descer até os detalhes mais elementares da elaboração de um plano de ação qualquer. O documento do TCU aponta que não houve "previsão de fontes de financiamento e de recursos necessários à sua implementação, (...) definição de ações, metas, indicadores, prazos, responsáveis por ações, competências de atores envolvidos, instâncias de coordenação, mecanismos de monitoramento e avaliação e previsão da periodicidade de sua atualização". Chega a sugerir que o MICTIC – Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação se aproxime de uma comissão do Senado para propor mudanças na lei que regulamenta o FUST. Para que o FUST possa destinar recursos para a banda larga. Basicão, não é mesmo!?

O Tribunal recomenda ainda que a Telebrás divulgue em 90 dias a “definição de localidades onde inexista oferta adequada de serviços de conexão ...". Não ter ainda a definição dessas localidades seria um sinal de que a Telebrás não sabe nem a quem, ou a quantos, seus esforços vão servir. Como escolher uma camisa de presente a alguém que você não conhece e não tem nenhuma noção do tamanho que a pessoa veste.

Para o TCU está claro que esse mapeamento é fundamental, uma vez que “os investimentos públicos são componente importante para viabilizar a construção de redes onde a atratividade econômica seja menor e, portanto, em áreas que não atrairiam investimentos privados por si só". Destaca ainda que os termos do Plano Nacional de Conectividade "não possuem mecanismos que evitem o direcionamento de recursos públicos para áreas, que mesmo desassistidas em um primeiro momento, apresentam grandes probabilidades de constarem, no curto prazo, nos planos de expansão das operadoras privadas... ".

Ainda sobre o programa Internet para Todos – nome mais recente da universalização da banda larga – o TCU quer que o MICTIC apresente "os critérios de escolha das localidades atendidas pelo programa (…) assim como o critério para adesão das localidades que manifestem interesse em participar do programa". Sem essa transparência, fica fácil para favorecer as localidades lideradas por aliados políticos.

Por fim, o acórdão do TCU cita as "dificuldades de negociação para compartilhamento de infraestrutura (postes, dutos, torres e fibras ópticas) entre prestadoras de serviços de telecomunicações e concessionárias de outros serviços públicos". Isso levaria a investimentos em duplicidade.


ASSIM É A VIDA NO TRONO


Depois de relatos tão pormenorizados, fica difícil acreditar que essa prática – ou melhor, essa impraticável gestão – esteja restrita a um programa de um único ministério. Em outros recentes governos houve casos de obras de construção civil em aeroportos, sem qualquer projeto: “-Tá vendo aqui? Levanta uma parede de tantos metros de altura até lá naquela ponta. Depois eu resolvo onde vai levantar as outras paredes e qual vai ser a cobertura.” Mais ou menos assim.

Não é de se estranhar que não haja dinheiro que sustente a máquina pública. Não tem como sobrar alguma coisa para os hospitais, para as escolas, muito menos para a segurança do principal museu da América do Sul. Um cineasta, que iniciou um projeto no Museu Nacional, disse que depois de cumprir a burocracia para obter a autorização, ficou sozinho com sua equipe, durante várias noites, sem que ninguém se importasse com o que poderia acontecer com o acervo.

A gente ouve tanto falar em mazelas na gestão pública! Informações desse tipo já não causam estranheza a muitas pessoas. A questão é que, dessa vez, está tudo documentado por um tribunal. Como tribunais de conta não têm poder judicante, para determinar obrigação de fazer, vai depender da mobilização de outras instâncias. De imediato, o que nos resta, é procurar fazer uma boa escolha para o próximo dia 7 de outubro.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O QUE É QUE VOCÊ SABE?




Sócrates, o sábio, se reaparecesse hoje na Terra teria, logo de cara, um emprego de destaque. Provavelmente seria Gerente de Recursos Humanos. E do Google!

Poderia gerenciar a área também na Apple, ou na Ernst & Young, Bank of America, IBM e outras tantas grandes corporações empresariais, que não exigem mais diploma de nível universitário. É o que aponta recente levantamento do Glassdoor, um site de empregos americano. As grandes empresas, cada vez mais, valorizam o conhecimento, ao invés das credenciais mais tradicionais dele. Tudo isso tem muito a ver com Sócrates.

Primeiro porque Platão, seu discípulo mais notável, nos diálogos de “A República” deixa claro o quanto era caro ao seu mestre o verdadeiro significado de conhecimento. Depois porque, sem ter em mãos a tradicional coleção de certificados e diplomas, os gerentes de RH têm de ser mais inteligentes para conseguir encontrar os melhores. E por fim, Sócrates não deixou nada escrito, pelo menos que tivesse chegado às mãos de alguém próximo dos nossos tempos. Há quem desconfie que ele era analfabeto. No mínimo, não tinha aquela mania de relatórios longos, fazia o estilo mais informal.

Essa visão menos acadêmica do conhecimento está pondo em cheque os modelos mais tradicionais de ensino. Eles demonstraram eficiência em treinar pessoas para enfrentar tarefas muito específicas: entrar em uma faculdade concorrida, de renome, passar num concurso público para um cargo de destaque, ou até mesmo para formar alunos em universidades rigorosas. A questão é que, na vida real, muitas dessas pessoas não demonstram verdadeira aptidão para fazer frente aos principais desafios da função.

Lazlo Bock, um entre os VPs do Google, lançou um olhar lógico sobre a questão: “Quando você olha para as pessoas que não vão para a escola e conseguem seguir o seu caminho no mundo, eles são seres humanos excepcionais. E deveríamos fazer todo o possível para encontrar essas pessoas.”


INTELIGÊNCIA PODE SER INÚTIL?


A dúvida de Sócrates parece estar longe de uma resposta qualificada. Quase 2.500 anos depois de ele ter dado um nó na cabeça de Teeteto, ao perguntar “o que é o conhecimento”, ainda não sabemos dizer exatamente nem o que é a inteligência. Até uma afirmação aparentemente fantasiosa do sábio quase se revelou uma premonição genial. Só que não.

Sócrates acreditava que cada homem tinha dentro de si todo o conhecimento do mundo, mas faltava aprender como acessa-lo. Em 1887, portanto, mais de dois mil anos depois, o psiquiatra inglês John Langdom Down relatou cientificamente um fenômeno que ficou conhecido como savantismo. Um paciente dele era capaz de lembrar qualquer parte do extenso texto “Declínio e Queda do Império Romano”, que se apresenta em seis volumes. Outros casos de pacientes semelhantes passaram a ser notificados a partir de então. Não era a genialidade oculta dos humanos, prevista por Sócrates. Na grande maioria são autistas ou vítimas de lesões neurológicas, normal não tem nenhum.

São pessoas incapazes de tomar um ônibus sozinhas, abotoar as próprias roupas ou sequer conversar sobre qualquer assunto. Mas conseguem fazer cálculos muito complicados de cabeça, antes que alguém consiga dedilhar metade dos algarismos numa calculadora. O resultado prático dessa capacidade dos savants é nulo, uma vez que eles não conseguem usar para nada todas essas habilidades intelectuais e de memória. Talvez por isso esse curioso perfil de retardamento mental também tenha sido denominado “síndrome do idiota prodígio” ou “idiota savant”. O termo savant, em francês, significa “sábio”.

E então, o que adianta decorar um livro de 300 páginas em 40 minutos – como era o caso de Kim Peek, outro savant bem conhecido pela Medicina – se não haverá qualquer utilidade prática para isso? Seria esse o conhecimento que Sócrates tanto buscou conceituar?

Voltando ao gerente de RH... Fica difícil se virar para decidir uma contratação, depois de conhecer um savantista numa entrevista de empregos. Alguém que consegue aprender um novo idioma sozinho, em poucas semanas, usando apenas dicionários e alguns outros livros, certamente seria muito útil a uma empresa. Mas até hoje essa hipótese não se confirmou em nenhum caso concreto.

A inteligência artificial é uma prova de que já foram identificados caminhos para obter soluções autônomas a partir de dados. Robôs já conseguem tomar conta de parte dos SACs de lojas de departamentos. No entanto, nada disso passa perto das decisões capazes de levar uma empresa ao sucesso. Muito menos de produzir a autêntica inovação. 


TEM AULA DEPOIS DO EXPEDIENTE


Isso não quer dizer que podemos esquecer MBAs, faculdades ou pós-graduações. Aponta simplesmente para a necessidade de os especialistas do setor pesquisarem e repensarem por completo os atuais sistemas de ensino. Começando pelo que se conhece por “educação básica”, que atualmente não tem nada a ver com educação e não serve de base para quase nada.

No que diz respeito às decisões pessoais quando o assunto é qualificação profissional, possivelmente a análise exija um raciocínio bem contextualizado. No Brasil, em algumas áreas da Agricultura, como citricultura ou setor sucroalcooleiro, estamos em condições de produzir tecnologia de alto nível, com soluções inovadoras. Na grande maioria dos outros setores a tecnologia tende a chegar pronta. O que nos resta é fazer as adaptações e, para isso, especializações rápidas, de perfil mais prático, devem ajudar. Pós-graduação aprofundada, stricto sensu, só se for na área de Administração.

O Ginga, um middleware totalmente desenvolvido aqui, para sistemas de TV digital, é um caso emblemático. O software passou a ser reconhecido mundialmente pelas instituições de maior prestígio como o ITU. No entanto, a indústria de televisores decidiu investir em outras alternativas. Preferiu soluções que faziam parte de modelos de negócios globais, como as aplicações de OTT, mais importantes para as metas de longo prazo das fabricantes. E o Ginga passou a ser mais um troféu da nossa Academia, sem que tivesse alavancado nenhum grande negócio.

Por fim, para decidir como se preparar para o futuro próximo, considere também o seu perfil pessoal. Como você se sentiria trabalhando numa repartição pública ou num banco estatal? Se isso lhe soa bem, tenha certeza de que diplomas e certificados vão ajudar muito. Há aumento de salario e funções superiores garantidas em lei para quem tem mais diplomas. Pode observar que, entre seus amigos de juventude mais capacitados, muitos estão em empregos públicos. Vivem a tranquilidade da estabilidade, num país como o Brasil.

“Em tempos de inovação a única certeza é de que, em 10 anos, você vai fazer quase tudo de um modo diferente, mesmo que esteja no mesmo emprego e na mesma função.” É o caso dessa frase, que você já ouviu antes. Há 10 anos era instigante, surpreendente e hoje é a típica “frase feita”, mero lugar comum. Enquanto a gente procura por aqui uma maneira diferente de exemplificar inovação, você vai aprendendo por aí algo inovador para apresentar como alternativa para o seu chefe.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

UM NOVO NEGÓCIO BROADCAST VAI NASCER




Não vai ser, com certeza, mais uma edição da SET EXPO, apenas. Tem tudo para ser uma edição discretamente histórica. Discreta porque, enquanto estiver acontecendo, vai parecer só um evento de sucesso. Depois passa algum tempo até que os fatos decorrentes aconteçam, acumulem efeitos e assim, os registros apontem 2018 como o ano em que a nova televisão começou no Brasil.

Previsões costumam ser uma insensatez. Mas, em alguns casos, elas conduzem a reflexões importantes. É o que vamos tentar aqui. Num momento em que o fim da TV nunca foi tão anunciado.

Até há elementos para construir a lógica do swicht off das emissoras. Assim como levar a família numa pizzaria pode ser considerado um completo absurdo, já que, nos dias atuais, é bem mais lógico a pizza vir até em casa. Esses tempos de muita concretude estão servindo para mostrar mais ainda o quanto o ser humano ignora a lógica em várias decisões. Ou melhor, o quanto a emoção é mais convincente do que a razão.

Na SET EXPO 2018 a TV começa a ser contemplada com um novo elemento. Ela vai incorporar mais amplamente o ambiente web, vai assumir seu papel de Suprema Tela, diretamente integrada à todas as outras. O modelo híbrido RF/IP deve estabelecer um canal privilegiado de comunicação com o smartphone, o controle, remoto e in loco, do cidadão do Século XXI.

Em breve, todos vão entender que broadcast não é apenas um sistema de difusão. É um fenômeno social que acompanha a espécie desde a Ágora grega. É a voz e a visão que, em determinados momentos da vida social, precisam ser levadas a todos num mesmo instante, em todos os lugares. Vai ser pelo menos arriscado – além de entediante – cessar essa experiência.

Sob esse olhar, o novo plano de negócios da TV brasileira vai começar a ser desenhado na SET EXPO 2018. Novos atores devem se aproximar, para dar outra forma a essa indústria jornalística, de entretenimento e de prestação de serviços, pelo menos. O “lego” tecnológico está com todas as peças na mesa. Algumas certamente vão estar em algum lugar do projeto. Agora o mundo broadcast começa a escolher as outras peças e os melhores encaixes, até chegar à “estética” e às funcionalidades mais vendáveis da nova TV brasileira.

INTERATIVIDADE ATÉ AS ÚLTIMAS CONSEQUÊNCIAS


No começo deste século a grande promessa no Brasil, com a chegada da TV digital aberta, era a interatividade. O sistema japonês, base do que foi adotado por aqui, tinha essa questão solucionada. Mas acabou não acontecendo, inclusive por força do lobby da broadband.

Agora é a própria Internet, via aplicativos específicos, que propicia a mais ampla interatividade na TV aberta. Ela vem de um “endereço” que tem o mesmo nome do local por onde transitam os sinais de radiofrequência (RF): as nuvens. Só homônimos, uma vez que os verdadeiros locais não têm qualquer proximidade física. A tecnologia cloud, que está transformando os próprios sistemas de informática, tem tudo para ser a conciliadora ideal na disputa broadcast x broadband.

Justamente por isso que a plataforma EiTV CLOUD se tornou a mais completa do Brasil e conquistou clientes em outras partes do mundo. Integrada a aplicativos para celulares, tablets, TVs e a um portal web – tudo 100% personalizado, com marca e layout definidos pelo cliente – torna-se a onipresença da emissora em qualquer hora e lugar do mundo. Ela pode ser considerada a interatividade de quarta geração, pois dá acesso aos dois lados da tela – o de fora e o de dentro – para qualquer pessoa logada. E a emissora tem o poder de enviar e receber qualquer arquivo audiovisual, definir quem tem acesso, por quanto tempo, gratuitamente ou não, com total controle de pagamentos. Pode interagir com grupos ou individualmente, aplicar testes, com tempo limitado ou não.

Com esses e outros recursos que a plataforma oferece qualquer cliente coloca no ar uma emissora de televisão, ou uma universidade virtual, lojas, serviços de streaming de vídeo e muitos outros. Tudo programado para funcionar com total autonomia. Basta contratar o serviço e o custo varia de acordo com a quantidade de arquivos movimentados na nuvem.

No caso de uma emissora, imagine o ganho com a liberação de todo o espaço físico, uma vez que os arquivos ficam na nuvem. Qualquer editor poderá acessar ou inserir os arquivos que quiser, contando com indexação e buscas com total eficiência. Ao mesmo tempo, os telespectadores que baixarem o aplicativo passam a ter acesso aos arquivos que o administrador liberar, pagando o preço estabelecido, a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer lugar do mundo, tudo automaticamente.

A NOVA GERAÇÃO BROADCAST DTVi


O Brasil é assim. Enquanto algumas emissoras se preparam para implantar o sinal digital, outras já estão trocando equipamentos com mais de 10 anos de uso. Tem ainda o ritmo digital, que evolui muito rápido, em muito pouco tempo surgem soluções mais eficientes, os preços caem. A EiTV tem soluções broadcast para todas essas situações, da implantação ao upgrade.

A mudança para o sinal digital hoje pode ser feita com um único equipamento, entre a saída SDI do controle mestre e o transmissor. É o EiTV Dual Channel Encoder. Geradoras e retransmissoras, no Brasil e América do Sul, já adotaram e recomendam.

Para quem vai tirar definitivamente o sinal analógico do ar, o EiTV CC Box é a maneira mais prática e segura para orientar a audiência. A pequena caixa recebe o sinal digital e gera o simulcast (analógico e digital) a partir dele. No sinal analógico insere os avisos da data do switch off, nos dias e horários previamente programados ao longo de um ano.

A linha EiTV Inspector foi desenvolvida para apurar todos os parâmetros de qualidade do sinal. Analisa também as tabelas e outras funções. Grava toda a programação, como arquivo legal, por um período de até 3 meses. A versão EiTV Inspector Box trabalha na outra ponta. Faz a leitura da qualidade do sinal em qualquer ponto da área de cobertura. Para serviços de assistência técnica de televisores o equipamento aponta se o defeito está mesmo no televisor ou na qualidade do sinal.

O EiTV CC Studio automatiza toda a função de geração de legendas ocultas. Converte em texto o áudio da programação, sem exigir operação humana. E ainda reconhece automaticamente o closed caption de qualquer outra fonte, da rede, de locução, script, etc.

E como as telas são a especialidade da EiTV, a empresa lançou no mercado uma tecnologia que desenvolveu para o centro de comunicações da Copa do Mundo. O sistema é indicado para hotéis, por exemplo, onde dezenas, ou até centenas de aparelhos de TV cabeados precisam funcionar de maneira independente em cada apartamento. É o EiTV IPTV Server, um set-top box que disponibiliza para cada aparelho o acesso a todo o sinal que o hotel oferece. Pode ser usado também como hotspot WIFI para reforçar o sinal da Internet, além de acesso a serviços de quarto. O cabeamento pode ser o mesmo que já estiver implantado. O sistema reduz drasticamente os custos de manutenção e de operação.

A Engenharia de Televisão vai ganhar cada vez mais importância, num mundo que nunca antes teve tantas telas. E que terá cada vez mais. A EiTV faz parte do ecossistema imagético global e por isso tem um estande de tradição na SET EXPO.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O MUNDO NÃO É PEQUENO




O aquecimento global é um dos raros entes da atualidade que faz jus ao sobrenome. Os demais “global” estão mais para apelido da mídia, não são exatamente aquele global raiz. Economia global, moda global, tendências, nem petróleo pode ser chamado de combustível global. Pois 33% da população mundial ainda usa madeira como a principal fonte de energia. Aqui no Brasil só na Década de 1970 o petróleo passou a ser uma fonte de energia mais importante do que a boa e velha lenha.

Daí que o Facebook também não é tão planetário assim. E o principal motivo é que ele não entra na China, onde hoje vivem quase 20% dos habitantes da Terra. A gente aqui contemplando o umbigo e muitas vezes se esquece de que, somando a população da China com a da Índia, passa com folga um terço da espécie humana. Só dois países, existem quase 200 pelo mundo. Que coisa! E olha que hoje não dá para dizer que não tem televisão por lá.

O mais significativo nessa conversa é que a China é a segunda maior economia. A taxa de crescimento dessa economia é bem maior do que a americana, que (ainda!) é a nação mais rica em nível global (raiz, no caso).

Os mandarins não têm exatamente um “Facebook”. Por lá essa interação virtual entre as pessoas acontece de um jeito muito mais centralizado. A grande rede social chinesa é uma evolução do chat, cujo nome popularmente se pronuncia weixin. No “registro”, o aplicativo chama-se WeChat.

Nasceu de uma cópia do pioneiro ICQ. Como negócio, patinou no prejuízo durante quatro anos mas contou com a conhecida “reserva de mercado” chinesa e apoio financeiro estatal, erguendo um conglomerado poderoso chamado Tencent. O valor de mercado hoje ultrapassa o do Facebook. Muito mais ainda que os similares ocidentais, é a quantidade de ferramentas disponíveis no aplicativo chinês.

Por exemplo, pelo Facebook até dá para procurar um emprego, ou uma namorada. Pelo WeChat, também pode. E ainda pedir uma refeição, chamar táxi ou mesmo fazer compras online. Já é algo mais. Tem outras ferramentas que tornam o principal aplicativo da Tencent um acesso completo a vários bancos. Puxa vida! Porém, tirar um documento de identidade e até se divorciar, não é coisa que se espere de uma rede social. Pelo WeChat, qualquer chinês consegue, além de vários outros serviços.

LIÇÕES DE BENCHMARK, VINDAS DE ESPECIALISTAS


Entenda por “... além de vários outros serviços” não apenas os que já são oferecidos na plataforma WeChat, mas muitos outros que ainda virão. Pois este é o negócio da Tencent: lucrar com os serviços que ela disponibiliza aos usuários, cobrando uma taxa por isso. Por exemplo, um corte de cabelo agendado por meio do WeChat vai render 10% do valor do corte para a plataforma.

Um estudo da Golden Sachs, citado pelo portal UOL, concluiu que o WeChat, enquanto negócio, é uma plataforma de distribuição. Um canal ideal para conseguir serviços mais práticos e eficientes, também para dar visibilidade à novidades que são lançadas. Tanto que a publicidade, carro chefe do Facebook, é limitada no WeChat, para não poluir demasiadamente a experiência de cada usuário.

A versão mobile do Facebook estaria adotando essa mesma estratégia, segundo o entendimento de alguns especialistas. Digamos, um benchmark adotado por Zuckerberg, a partir de um produto do “reino” do benchmark mundial, a China. É por isso que a conversa entre usuários, ou seja, o chat do Facebook, teria migrado para o aplicativo Messenger, acessível aos dispositivos móveis. O Messenger permite que clientes instalem apps, para vender serviços aos internautas logados.

Tantos apelos pela inovação mas o sucesso financeiro dos negócios ainda depende muito de boas cópias ou, no mínimo, de alguma esperteza. Se nesse caso do benchmark do Facebook não há o que censurar, a história da empresa em si tem, na esperteza, um capítulo decisivo. Muito parecido também teria acontecido com o DOS, da Microsoft, na sociedade que deu origem ao McDonalds, no avanço espantoso da indústria chinesa. A lista é muito longa.

É mais ou menos como se, nos tempos de criança, alguém pegasse a sua bicicleta e conseguisse pedalar mais rápido do que você. Mesmo que um amigo lhe emprestasse outra, você não alcançaria o espertalhão. Daí a bicicleta passaria a ser dele e não mais sua. Com direito a condecoração do “diretor da escola”, como vimos ser enaltecidos por autoridades públicas, alguns desses “vencedores”.

Talvez esses lances curiosos no jogo empresarial estejam mais em evidência agora, nesses tempos em que os bilionários são mais conhecidos. No passado, quase ninguém conhecia os nomes que a revista Forbes divulgava no topo do poder econômico. Também pudera, eles vendiam petróleo. Ou outros minerais, commodities, coisas que a grande massa vai adquirir como matéria prima de vários produtos do varejo, depois do processamento em longas cadeias. Hoje é bem diferente, o que enriquece são tecnologias que as massas adquirem diretamente das marcas que produzem. Por isso os empresários que estão à frente desses negócios usam a própria imagem pessoal para promover seus produtos, gerar alguma empatia e mais credibilidade. Os ricos do passado precisavam ser discretos, não havia tanta exposição, o que pode ter feito algumas trapaças passarem em branco.

PODEMOS FAZER MELHOR


Se o global ainda está mais para apelido, mesmo assim muita gente está acreditando e investindo nele. Parece que depois da fase de descobertas de novas terras, da consolidação de estados e fronteiras, o poder não persegue mais o desconhecido, mas sim, formas de expansão sobre o que já é de domínio dos outros.

Nesse caso, ganha muito importância a experiência desse “intra planeta” China, onde se produz tudo que se possa imaginar, e tem um mercado interno capaz de sustentar qualquer negócio. Um micro-global por excelência. Quando grandes empresas de TI começam a projetar veículos com suas marcas, o Netflix adquire estúdios, o Facebook compra o Instagram e o WhatsApp, percebe-se uma tendência à expansão em nível global. Assim como a Tencent adquiriu algumas das maiores fabricantes de games de sucesso, um dos principais produtos que ela oferece.

O risco aí, mais uma vez, é do indivíduo. Ele está perdendo espaço para o consumidor, embora ambos sejam perfis de um mesmo ser. Depois do episódio Snowden, dos vazamentos do Facebook, das suspeitas sobre o Google, o que não pensar sobre os dados pessoais dos cidadãos chineses? Essas grandes corporações de TI são muito íntimas nos círculos do poder e a facilidade de transferência de dados em massa dificulta qualquer esforço de fiscalização.

Tudo isso nos faz pensar no mundo que vem por aí. Não se trata de uma ladainha derrotista, recalcada, sob uma atitude vitimista. É apenas mais um toque de alerta, para lembrarmos da importância prática que a ética terá de alcançar em nossos próximos dias.


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