sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

O FACEBOOK NÃO É MAIS AQUELE




Muda a cara dele! Mais simples, o WhatsApp é agora o aplicativo mais popular do mundo, deixando o velho “Face” em segundo lugar. Os dados são da empresa de pesquisas App Annie e foram divulgados na semana passada, no estudo State of Mobile. Desde o último mês de setembro a quantidade de usuários ativos mensais no WhatsApp é a maior, tanto em plataformas Android como iOS.

O estudo indica que na média do ano de 2018 o Facebook ainda ficou em primeiro lugar no mundo. Mas deve ser o último ano de liderança, uma vez que, depois de assumir o primeiro lugar em setembro, o WhatsApp continuou liderando mês após mês. Zuckerberg, o dono do Facebook, deve ter percebido isso antes, quando comprou o WhatsApp em 2014, pela respeitável quantia de US$ 19 bilhões. Dá para comprar 3 Embraer – só para citar uma negociação bem atual – e ainda sobra um troco milionário.

Nessa disputa bem doméstica o que parece estar em jogo não é a qualidade deste ou daquele aplicativo. A briga mesmo é entre celular e laptop, plataforma móvel versus fixa. Afinal, o mundo é mobile, a gente é mais Zap zap (nesse caso a “tradução” brasileira é didática) na vida real do que Facebook. Não há, no celular, apetrechos de interface. E ainda, pelo fato de algum dia, o celular ter sido uma máquina prioritariamente de voz, falar para ele tende a ser o bastante. O dedo que agora tem a função de mouse, fica poderoso na maquininha! Fotografa, filma, desenha, escreve e apaga.

O celular tem o poder de “desaparecer”, não incomoda fisicamente. Vai para a pasta, pra bolsa, porta luvas do carro, bolso, na sacola do supermercado. Tanto que às vezes desaparece mesmo e a gente nunca mais encontra. O tablet, que tentou ser um pouco de cada coisa, não avançou muito. Cresceu mais quando era um ancestral do smartphone, agora vive surtado numa crise de identidade.

Um fato curioso é que esses dados médios de audiência no mundo não refletem o que acontece nos dois maiores mercados. Nos Estados Unidos e na China o WhatsApp não aparece nem entre os 5 primeiros. Embora ninguém tenha dúvida de que o acesso à Internet, nos dois países, também acontece mais pelo celular do que por plataforma fixa.


TECNOLOGIA PRA QUE TE QUERO


Identificada a ameaça, redes fixas e seus interconectores se preparam para concorrer. Inventam vantagens tentando arrastar novamente o mercado para alguma poltrona de suas respectivas casas. Esse mundo que se desloca freneticamente, congestiona as ruas, aeroportos e mesas de bares, fica mais à vontade em qualquer outra parte do planeta que não seja a própria casa.

Tanto que os studios fazem sucesso entre lançamentos imobiliários nas grandes cidades. São “apartamentos” com cerca de 20 m2. Em condomínios com lavanderia, cozinhas mais equipadas, churrasqueiras, academia, salas de reuniões, de festas, de jogos, tudo comunitário. Seu espaço privado é só para tomar banho e dormir.

Por isso, vem coisa por aí... Contra essa tendência, CableLabs, Cable Europe, operadoras de TV por assinatura dos Estados Unidos, Europa e outros países, se uniram à empresas como Arris e Intel para lançar o 10G. Uma conexão simétrica de 10 gigabytes, no padrão DOCSIS Full Duplex, ou 10G FDX.

No momento isso parece mais um desafio para desenvolvedores e engenheiros. Pois, uma vez que a quinta geração de conexão móvel (5G) é considerada uma “conexão instantânea”, por ter velocidade de 1 gigabyte/segundo, há que se pensar o que fazer com os outros tantos que a 10G FDX vai oferecer. As aplicações industriais e empresariais certamente vão se valer disso. Mas entre os empreendedores do 10G elas não estão representadas, senão pelas próprias operadoras de TV por assinatura, cuja clientela é bem diferente.

A iniciativa foi anunciada durante a CES, em Las Vegas, na segunda semana do ano. Por enquanto a repercussão foi tímida, talvez até pela dúvida sobre o que fazer com 10G no roteador.

De fato, quando o volume de possibilidades tecnológicas cresce muito, a ordem das necessidades se altera. O que inventar com tanta tecnologia? Principalmente quando se leva em conta que as invenções de grande sucesso no “varejo” estão fugindo das previsões mais lógicas. O povo quer jogos eletrônicos, redes sociais e outras frivolidades.

O sistema Kinect é um dos exemplos. Originalmente foi criado como sensor de movimento para videogames. Mais tarde foi descoberto como ferramenta para os médicos acompanharem tratamentos de fisioterapia à distância. Passeio virtual no Louvre, na Torre Eiffel ou na lua? Só se for pra cassar Pokemon Go, terroristas virtuais ou zumbis.

É dentro dessa lógica que está surgindo um novo conceito de laptop. Um PC mais mobile ainda, com respostas mais rápidas do que os atuais celulares.


EM BUSCA DA INTIMIDADE


Um laptop cuja bateria dura 20 horas e “acorda” imediatamente quando abre a tampa ou recebe um comando de voz. Um sistema inteligente, que disponibiliza silenciosamente alguns arquivos relacionados com a tarefa que o usuário está realizando. Algo próprio para os momentos em que se exige concentração, foco. Mesmo que seja um videogame de alta performance.

Esse é o projeto Athena, da Intel, que adotou uma abordagem colaborativa incluindo empresas como Dell, HP, Asus, Lenovo, Samsung, Acer, Sharp, Microsoft, e Google. O lançamento está previsto ainda para este ano de 2019 e inicialmente estará baseado na arquitetura Ice Lake, de 10 nm, segundo afirmou Josh Newman, gerente-geral de segmentos de inovação móvel da Intel.

Falar em videogame, uma planilha de custos, a edição de um vídeo ou alterações para o treino da academia faz parte do novo conceito que chega com o Athena. Newman afirma que uma das características do novo sistema é justamente estar pronto para qualquer das tarefas que se alternam durante o dia na vida das pessoas. Isso leva a especular se, junto à AI, não estarão associadas as potencialidades de learning machine, de forma a tornar ainda mais íntima a máquina, de seu usuário. Essa é uma condição que, atualmente, o celular desfruta quase que isoladamente.

Os laptops do projeto Athena não devem ser do tipo ultrafino, o que dificultaria a inclusão de uma bateria capaz de durar 20 horas. Mas tudo indica que vão ser mais leves e trabalhar sem alterar tanto a temperatura. Num futuro próximo os dispositivos podem chegar mais longe, com telas duplas ou dobráveis.

Com a palavra, o desenvolvedores de software. As novas plataformas chegam para dar asas à imaginação desses cérebros, que vão perscrutar comodidades e desejos, ainda que latentes, nessa vida comum que levamos do lado de fora das telas.

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