MWC 2018 E O OUTRO LADO DOS SMARTPHONES



Não se sabe se foi o sargento Garcia, o Recruta Zero, o Homer Simpson ou alguém mais trapalhão que teria assumido a segurança das grandes fabricantes de celulares. O fato é que só se fala em grandes “vazamentos” de detalhes dos novos modelos de smartphones a serem lançados na semana que vem, durante o MWC 2018, o Mobile World Congress, em Barcelona – Espanha. Segredos da Samsung, Sony, Motorola, LG, Nokia, dentre outras, teriam fugido do controle dessas ingênuas companhias, aguçando os maníacos do mercado.

O uso coincidente da provável estratégia de marketing – anunciar “vazamentos” para despertar curiosidade – já dá uma ideia da carência de novidades a serem apresentadas. Mas se o MWC 2018 está menos para Disneylândia, cresceu mais uma vez enquanto evento técnico de ponta. É o momento máximo anual para se saber em que direção apontam os circuitos nanoscópicos do segmento mobile. Se não vão embaçar as vitrines de tantos suspiros, com certeza estão viabilizando soluções gigantescas na vida cotidiana.

Os celulares, que já foram telefones, hoje estão mais para computadores. A integração de sistemas mobile não escolhe mais lugar. Está crescendo como ferramenta, a exemplo do que foram os desktops nos anos 90. Você achou curioso quando viu, pela primeira vez, um PC no consultório do seu médico. E achou que o mundo tinha se transformado por completo quando viu outro na padaria. Agora você não vai ver mais celulares aparecendo aqui ou acolá, mas vai ver coisas cada vez mais incríveis acontecendo na tela do seu.

Um caso apontado neste blog como “possibilidade” no ano passado, acabou acontecendo mais cedo do que se previa. A Land Hover, aquela mesma, fabricante inglesa de carros de luxo, agora é também uma marca de celular. Vai levar ao MWC 2018 o Land Hover Explore, um smartphone desenvolvido em parceria com o Bullitt Group. Trata-se de um verdadeiro “ogro”, à prova d’água, doce ou salgada, resistente a quedas. A tela full HD pode ser visualizada mesmo sob intensa luz solar e aceita toques de dedos sujos de lama ou até mesmo cobertos com luvas. Chuva, neve, barro, variações bruscas de temperatura, nada disso deve influir no desempenho do robusto celular. Com certeza, a integração celular/carro deve crescer muito a partir dos próximos meses.

O QUE HÁ DE SMART NOS NOVOS SMARTPHONES


Ah, sim, as câmeras! Serão as principais novidades expostas nos estandes. Brinquedos audiovisuais cada vez mais curiosos. Para os Galaxy S9 e S9 plus, da vedete máxima Samsung, o slogan é “a câmera reimaginada”. Dentre outras novidades, apresenta sensores que permitem boas fotos em ambientes com muito pouca luz.

A Sony, que é câmera desde muito antes de ser celular, vai lançar os smartphones Xperia XZ2 e XZ2 Compact num formato curvado. A fabricante japonesa aposta no aspecto 18:9 para suas telas, mais largo do que o 16:9 do full HD. Para ela, que tem longa tradição na produção de câmeras profissionais para emissoras de TV e produtoras de vídeo, esse novo formato pode render outro negócio bilionário. A tela mais larga tem tudo para cair na preferência popular. O que motivaria lançamentos também de TVs no novo formato e obrigaria a troca de câmeras das emissoras para modelos compatíveis. No mais, o XZ2 deve ter um recurso de música associado ao mecanismo de vibração, um semi segredo a ser esclarecido nos próximos dias, durante o evento.

Outros modelos, como o G6 da Motorola e o Nokia 8 Pro, também chegam com tela de aspecto 18:9. Esse último, que seria o lançamento de ponta da marca – que já foi uma das maiores do mercado – deve vir com lentes giratórias, com zoom que se adapta automaticamente à necessidade do usuário. Mesmo a LG, que abriu mão de lançar mais um modelo de ponta, está repaginando os intermediários K8 e K10, com software de câmera capaz de escolher o melhor frame para cada foto e que propicia melhor definição de cores.

O marketing da Apple, que há tempo aposta na soberba de marca lendária, está fazendo de conta que o MWC 2018 nem vai acontecer. Só fala no lançamento de um celular simples para meados deste ano. A chinesa Huawei fez parecido. Quer lançar seu smartphone de ponta no mês que vem, num evento em Paris. Para o MWC vai levar o Watch 3, um modelo de pulso, no estilo relógio. O sistema seria capaz de projetar nas costas da mão ou no braço uma área sensível, que funciona como uma extensão de algumas funções da tela. Sobre ela, o usuário pode usar o dedo da outra mão para acessar aplicativos.

Na escalada do glamour que (ainda) envolve o lançamento de celulares, a Apple vai perder pelo menos uma posição. O smartphone mais caro deve passar a ser o Galaxy S9 plus. Embora o preço ainda não tenha sido divulgado, aposta-se entre US$ 997,00 e US$ 1.250,00. Se é que isso tem alguma importância para você...

QUEM VÊ CARA, NÃO VÊ CORAÇÃO


Em 2017, pela primeira vez desde 2004, a venda de celulares no mundo não registrou aumento. A queda foi de 5,6%. Possivelmente, trata-se de um sinal de que o gadget mais célebre do mundo está, mais uma vez, mudando de identidade. Começou como telefone, passou para equipamento audiovisual, depois computador de mão e agora se prepara para tornar-se uma ferramenta mais séria, quase indispensável para o futuro breve.

A integração com o carro já é uma realidade e só tende a aumentar. Com o avanço do IoT o celular também vai assumir um papel importante. E além das aplicações para saúde, segurança e muitas outras, o aparelho deve consolidar o potencial de plataforma audiovisual interativa. As funcionalidades tendem ao infinito, quando associado a sistemas cloud.

O grande diferencial na composição dessas duas tecnologias está na qualidade do aplicativo. Ele pode permitir um total controle de exibições e interações, em circuitos abertos ou fechados, submetendo variáveis de tempo e espaço ao comando do usuário, em qualquer uma das pontas: exibidor ou cliente. As perspectivas de monetização aumentam geometricamente. E sem exigir altos investimentos. Palestrantes, profissionais especializados, produtores de cursos on-line, igrejas, departamentos de recursos humanos, profissionais de saúde e muitos outros, já descobriram esse potencial.

O EiTV Play, aplicativo para sistemas móveis da EiTV, lotou a agenda de reuniões da empresa durante o MWC 2018. Em poucos anos já está presente em muitos empreendimentos no Brasil e no Exterior, sempre aprimorando as funcionalidades, de acordo com o que aparece de novidade nas tecnologias mobile e cloud. Com os novos cenários tecnológicos que se aproximam, o uso do aplicativo só tende a aumentar. A grande vantagem é que, neste caso, o glamour está na drástica redução de custos, não no maior preço.

Esta é a face da tecnologia mobile que só aumenta a importância de um evento como o MWC. Pois, independentemente do quão impressionantes possam ser as ferramentas agregadas, a integração do celular às mais diversas soluções vai crescer muito mais por conta da capacidade de processamento e da inteligência na programação do sistema.
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