NÃO EXPLODIU, SIMPLESMENTE APAGOU


Quase um mês! Sentado no sofá sem fazer nada esse tempo seria uma “infinitude”. Isso quer dizer que o desligamento definitivo do sinal analógico de TV na Grande São Paulo foi um sucesso. Caso contrário o celular – que nesses tempos já divide com a TV as atenções do sofá – já estaria gritando via WhatsApp, Facebook, Instagram, Twitter e outras salas de estar virtuais.
Foi uma operação complexa. Mas muito bem planejada pela TV aberta, confirmando ser este o único segmento no Brasil com competência para operar um serviço de atendimento em massa com tecnologia de ponta.
Assim se encerra um suspense de cerca de 5 anos sobre o desligamento do sinal analógico. Houve muito mi mi mi, um certo “terrorismo” em torno do que seria o day after switch off, pra ficar mais parecido com um título do cinema de catástrofe. Mas agora, depois da troca de sinal no maior conglomerado urbano da América Latina, tudo que vem pela frente nesta área tende a ser muito mais simples.
Até setembro a TV analógica deve desaparecer em todo o Estado de São Paulo, além de algumas outras praças do país. Devemos entrar em 2018 com cerca de metade da população brasileira conectada na nova tecnologia. Lembrando que a tal metade da população está concentrada em uma área muito menor do que a metade do território nacional. Estamos caminhando para um belo final feliz.
No entanto, se você gosta de intrigas e emoções, saiba que o switch off não vai ser um completo tédio. O barulho esperado para o dia do desligamento só começou, bem tímido, mas promete causar algum estremecimento em breve.

A SIMBA E A CAÇA AOS ASSINANTES

Onda nova, lei nova. Nas áreas de transmissão digital do sinal aberto de TV a regulamentação é outra. Por exemplo, admite-se que as emissoras cobrem pelo sinal que as operadoras de TV por assinatura repetem para seus clientes. Foi nessa brecha que nasceu a Simba Content, uma empresa que representa SBT, Record e RedeTV!. Os planos apontam para produções conjuntas, venda de conteúdo e outros novos negócios para essas três redes. Mas a função originalmente planejada para a Simba foi a negociação unificada dos sinais com as operadoras.
A Simba entrou de sola. Tirou o sinal das redes das operadoras e carimbou em R$ 15,00 por assinante o preço para liberar o acesso. Do outro lado pagaram, mas não pelos sinais das redes, e sim pra ver se era apenas um blefe. Ficou cada qual em seu lado, solitário, esperando alguma coisa acontecer na outra ponta.
Quase um mês, também. Claro TV e Oi estão negociando. Porém, segundo uma publicação especializada, a NET, maior operadora do Brasil, não aceita onerar clientes no atual momento da economia nacional. A Sky, segunda maior, está fazendo de conta que não aconteceu nada, nem entrou na conversa.
Não se sabe se é fato ou boato mas a perspectiva de valor também seria bem aquém das expectativas das redes. Quando os indicadores econômicos melhorarem, o repasse aos assinantes estaria em torno de R$1,00 para o SBT, outro R$ 1,00 para Record e R$ 0,30 para a RedeTV!. A ser verdade, a reação da NET aponta no sentido de dividir o bloco, o que seria o fim da Simba.
Durante esse mês de embate as emissoras viram a pressão crescer contra elas. A mesma publicação especializada afirma que a Record, que tem 39% da sua audiência classes A e B via operadoras, perdeu força no mercado publicitário.
Quanto às 3 redes como um todo não houve protesto de assinantes pela saída do line up, sequer reclamações congestionando o Procon. Dependendo do horário a perda de audiência chegaria a 35%, que só assistiam pelo sinal pago. Do lado das operadoras, o Kantar Ibope apontam um crescimento de 14% no período (número aparentemente exagerado!).
Pela lógica, se a Simba começou radicalizando, ela deveria ter uma noção do que poderia vir do outro lado. Se ceder agora corre o risco (teórico) de ter de pagar para voltar às operadoras.

O BRASIL QUE NÃO CONHECEMOS

Na TV aberta o trabalho de desligamento do sinal analógico prossegue. E não tem data para acabar.
No Brasil “incluído” um calendário prevê que o switch off continue acontecendo por etapas até 2023. Mas nos rincões mais distantes, onde qualquer sinal de TV ainda é uma novidade, o desligamento é tido e havido como inviável. São emissoras que não têm faturamento para trocar todos os equipamentos de uma vez, repetidoras instaladas em áreas isoladas, quase hostis. Esses locais só devem receber o sinal digital quando a manutenção restauradora não encontrar mais peças no mercado. Até lá, pelo volume de vendas já deve ter baixado muito os custos da tecnologia digital e os receptores terão sido substituídos pelo movimento natural do mercado.
Como nessas regiões o tráfego de sinais pelo espectro é muito baixo, as operadoras de telefonia móvel não precisam das faixas de frequência da televisão. Então fica assim, todos estão de acordo. É, tem o povão que não vai receber as muitas vantagens do sinal digital. Mas esse tipo de mudança é muito mais complicado, coisa da História do Brasil.
Aqui entre os incluídos, barbas de molho apenas para o tráfego do sinal 4G que vai ocupar a faixa de freqüência do antigo sinal analógico de TV. Ele vai estar próximo da frequência da TV digital e isso representa um risco de interferência. Mas, se for bem feito, não vai incomodar ninguém.

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