MITOS E LENDAS QUE UM CELULAR PODE MATERIALIZAR


Todo mundo sabe que celular desempenha muitas tarefas, além de ligações telefônicas. Mas a tarefa de uma nova geração que acaba de ser lançada é especialmente complexa. O Samsung Galaxy S8 – e seu irmão maior, o S8 plus – vieram com a missão de salvar a credibilidade da marca.
Os pecados capitais da maior fabricante mundial de celulares coincidentemente apareceram a partir da geração anterior. O Galaxy Note 7 explodiu literalmente no mercado, para desespero de usuários surpreendidos com baterias que pegavam fogo de repente. Teve também o escândalo da “Lava Jato coreana”, que mandou para a cadeia um vice-presidente e herdeiro da Samsung e levou ao impeachment e posterior prisão a presidenta, ou melhor, a presidente do país. Mais um trote derrubaria de vez a ligação com os consumidores.
No próximo dia 21 ele chega às prateleiras, apenas na Coreia do Sul e “mercados selecionados”. Depois daqueles clientes sisudos apresentarem alguma reação, ele começa a sair mundo afora. Por enquanto as expectativas são promissoras.
No lançamento tudo foi preparado para impressionar. Para o Galaxy S8 a empresa organizou um evento estilo “Steve Jobs”. Um ambiente tipo sala de cinema, com uma super tela, serviu de palco para a apresentação. O presidente da Divisão Mobile, Koh Dong-jin disse que quer levar os clientes da marca a experiências inéditas.
De fato, não há nada no mercado, de brincos a boeings, tão vocacionado a trazer surpresas. Qualquer celular novo que chega traz a expectativa de algo muito diferente. A marca histórica que deve ficar com o S8 é a chamada “tela infinita”. A imagem vai até as arestas mais longas do aparelho, o que dá a sensação visual de uma tela maior. O botão home não existe mais fisicamente, o que permite utilizar todo o espaço da tela para as imagens. E o formato do aparelho é um pouco mais longo. Como desta vez a Samsung fez o lançamento depois da MWC, a feira Mobile de Barcelona, outras marcas lançaram modelos com um desses recursos aqui, outro no modelo acolá. Mas isso não tira do S8, pelo menos por enquanto, o título de atual estado da arte do celular.

A REFERÊNCIA E A RIVALIDADE

Uma das medidas do sucesso do lançamento – que ainda não é sucesso de vendas porque não se sabe nem o preço – é a quantidade de vezes que se ouve a palavra iPhone quando se fala do Galaxy S8. De fato o concorrente da Apple é a referência, o adversário a ser batido. E surfa na fama, inclusive com aquela mania de exclusividade até para falar da tinta especial que coloriu o anel lateral da objetiva da câmera. É aquele estribilho famoso “... não é apenas como um outro qualquer...”, que agora também aparece na ode ao S8. O fone de ouvido é da AKG, marca consagrada no segmento, que foi adquirida pela Samsung. O preço para quem quiser um avulso é de US$ 99,00.
Mas como hoje em dia celular é mais uma máquina pra se ver do que para se ouvir, foi na tela que o pincel da engenharia da Samsung mais carregou a mão. A tela do S8 tem 5.8 polegadas e o S8+ 6.2 polegadas, ambas com resolução Quad HD+ (2960 x 1440). O processador é Octa core, 2.35GHz, 64 bit, 4 Gb de RAM, câmera traseira dual pixel 12 MP e a frontal com 8 MP, sistema operacional Android 7.0 e vai... Nem os iphonistas roxos discordam que o S8 é superior.
Esse, aliás, é um detalhe que hoje em dia se nota em tudo que possa despertar algum tipo de paixão. Tem torcida pra tudo! De futebol à política tem aquele que defende tudo que faz o partido p, outro que defende tudo do repartido r. Um comportamento essencialmente passional, onde a realidade aparece retorcida como num rescaldo, de onde cada parte pinça as provas em seu favor.
Por isso tem gente que reclama da bateria do S8 que – mesmo não sendo explosiva, como jura o fabricante – tem a mesma capacidade da anterior para fazer funcionar uma tela razoavelmente maior. Claro que não é perfeito. Mas não tem como dizer que, na vitrine e no catálogo, é um baita celular. Vamos ver se quando estiver na estrada vai confirmar.

ALGUMA COISA ACONTECE

É verdade que já faz um tempo que celular não traz nada de revolucionário, uma vez que surpreender, no caso, é a regra. Mas os prenúncios de uma nova revolução ecoam cada vez mais vibrantemente. A grande chance é de que aconteça por algum assistente.
Desta vez a Samsung deixou de lado as opções do Google e desenvolveu o Bixby, o próprio assistente. Alguns analistas acham que por enquanto é muito estrondo para um pequeno buraco em direção ao futuro. A principal característica é permitir que se faça com a sua própria voz o que até agora precisou de menus para o seu dedo selecionar. Por exemplo, pode-se escolher uma foto e enviar para alguém só com comandos de voz.
Mas o Bixby vai mais longe. O usuário pode fotografar uma jaqueta que alguém está vestindo para que o assistente pesquise a marca, o modelo, a loja onde pode ser encontrada e até o preço. O banco de dados a ser pesquisado reúne o que a Samsung chama de parceiros comerciais. O assistente do S8 tem mais, você vai ter que testar, mas por enquanto não vai encontrar nada muito superior ao Siri ou ao próprio Google Assistant.
A geração S8 veio preparada para toda uma linha de produtos inteligentes que vem por aí. Ele é integrável a várias possibilidades IoT ou mesmo a um teclado, mouse e monitor, para virar um verdadeiro PC. Ou terá sido o PC que se tornará um celular? É, o mundo em que vivemos está ficando muito diferente.

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