sexta-feira, 25 de novembro de 2016

SE QUISER, PODE CHAMAR DE CRISE


Pensa numa crise! Pois é, o segundo trimestre deste ano apresentou o pior resultado financeiro trimestral desde 1999. Estamos falando do mercado brasileiro de TI, que atingiu essa situação “trágica” ao crescer apenas 2,7%. Isso mesmo, cresceu, mas muito pouco para os padrões deste mercado. A pesquisa realizada pela Advance Consulting, no entanto, não traz apenas más notícias. No terceiro trimestre, o crescimento já saltou para 4,6%, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Taí um setor que desafia até a lei da oferta e procura. Se comparar com as indústrias mais convencionais, como a de petróleo por exemplo, elas têm uma expectativa em torno do quanto pode crescer a demanda de um ano para outro, se vai ser necessário investir mais, ou menos. De certa forma, todos os bens disponíveis podem ser objeto de projeções desse tipo para planejamento dos negócios. Até que um dia uma inovação elimine a necessidade daquele produto, como aconteceu com as máquinas de escrever, com os carburadores de motores a explosão, com as centrais de recados via “bip”. Por sinal, todos eles superados por soluções de TI, dentre muitos outros.
O setor de TI, se é que tem uma matéria prima, só pode ser o bit. Nesse caso, a oferta é infinita. Quanto à demanda é impossível estimar, porque ninguém sabia que precisava tanto de LinkedIn, para citar um dos casos. É uma indústria onde a gente pensa que transforma algo, mas é ela que nos transforma, muito rapidamente. Por isso os modelos de negócios que envolvem esses produtos são diferentes, às vezes invertidos porque quem paga não é quem usa, ou ninguém paga nada, e por aí vai. Ela estabelece até parte do perfil das nações.

PONTO FINAL OU APENAS DE PASSAGEM

O segundo trimestre de 2016 teve outra marca negativa “história”, uma vez que no mundo da Tecnologia da Informação a história muda em muito pouco tempo. Também foi o primeiro, desde 1999, a registrar um percentual de empresas demitindo maior do que o percentual de empresas contratando. No trimestre seguinte, como já vimos, o resultado financeiro se recuperou. Mas a tendência de demissões continuou crescendo. E é aí onde se vê como essa indústria estabelece alguns perfis diferentes. O Brasil ainda é um país com perfil mais de revenda do que de produção de soluções. Por isso, os rumos que os produtores apontam, podem exigir profissionais com perfis diferentes. Ou podem ser comercializados mais diretamente, sem passar por revendas, como indicam algumas tendências.
Outra característica muito acentuada da indústria de TI fica evidente na pesquisa da Advance Consulting. A média de crescimento de 5,7% no resultado financeiro, observado em determinado período, levou em conta quedas superiores a 30%, registradas em 17% das empresas pesquisadas. Não foram poucas. Porém, do outro lado, 9% das empresas da amostragem tiveram crescimento acima de 30%. A comparação teve por base o período de janeiro a outubro, de 2016 sobre 2015. Essa lógica deve incluir o fato de que novas soluções têm o poder de arrasar, da noite para o dia, os bons negócios no mercado de TI e vice-versa.
Mesmo diante de tanta imprevisibilidade, as perspectivas de crescimento e de reação às dificuldades ficaram favoráveis a quem mais investiu em planejamento estratégico. É com base nesse esforço que se constrói uma carteira de ofertas mais competitiva. Para o próximo ano, a tendência de crescimento continuará favorecendo empresas de consultoria em TI e, principalmente, fornecedoras de produtos e serviços de computação em nuvem.

NUVENS, SINAL DE TEMPO BOM

Aqui neste nosso mundo as nuvens ficam lá em cima, vão pra lá e pra cá, formando bichinhos ou caretas. Elas carregam a ideia de “endereço indeterminado”, volume flexível, movimento constante. Por isso o nome cloud deve ter servido de referência lá no outro mundo, o digital, ou da Internet. Na prática, as nuvens digitais, acessíveis de qualquer ponto do planeta, fazem a alegria de mais e mais setores empresariais. E, ao mesmo tempo, propiciam um ganho brutal de energia na distribuição de conteúdos, no compartilhamento de soluções, de informações.
A EiTV CLOUD é uma solução “da casa” para gerir conteúdos de vídeo na nuvem. A escolha do vídeo vem do expertise da empresa nesse tipo de conteúdo e, principalmente, do potencial que o audiovisual oferece para todas as atividades empresariais – e até mesmo pessoais.
O marketing de qualquer empresa pode utilizar vídeo para vender ou para promover a qualidade de seus produtos. O treinamento então, nem se fala. Setores de desenvolvimento, de pós-venda, também encontram no vídeo uma ferramenta poderosa. A dificuldade era fazer chegar no endereço certo, na hora certa, com a configuração específica para cada grupo, com possibilidade de interatividade. Em tempos de dispositivos móveis, faltava apenas um meio para gerir tudo isso. É a EiTV CLOUD.
A experiência vivida nesses últimos anos com produtos e serviços de cloud computing faz da EiTV uma testemunha a mais para avalizar os dados da pesquisa em questão. O presente e o futuro estão nas nuvens.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O APAGÃO EM BRASÍLIA


Quer dizer que, a partir de agora, quem quiser assistir à TV em Brasília ou em outros nove municípios do entorno, só conseguirá usando um aparelho com sinal digital. Precisa explicar logo porque, nesses nossos dias, falar em “apagão em Brasília” pode virar uma grande confusão. O termo apagão foi quase um palavrão que inventaram em 2001, quando o Governo Fernando Henrique anunciou que a energia elétrica produzida no país não era suficiente para atender a todos. Uma desmoralização que pode ter sido decisiva na eleição do ano seguinte, vencida pela oposição, com Lula.
O apagão de agora, ao contrário da concepção inicial do termo, é uma coisa boa. Significa que a população daquela região do Brasil tem o melhor sistema de TV aberta do mundo. E que, as frequências ocupadas por sinais analógicos de TV vão servir para a expansão da telefonia móvel.
Fica a dica para os adeptos do “turismo de protesto”. Quem for a Brasília, numa dessas excursões que acaba em acampamento em frente a prédios públicos, nem adianta levar aqueles televisores com tela 3 x 4, de 5 polegadas, porque não vai pegar nada. Em alguns anos, corre o risco de entrar na frequência de alguma operadora. Não vai decodificar nada. Mas já pensou se confundem com um grampo?
O apagão em Brasília encerrou o sinal analógico de TV que chegava a 1,26 milhão de domicílios naquela região. O sinal das 13 geradoras locais, que é distribuído por 25 canais, agora só vai ao ar com a tecnologia digital.

UM SIGNIFICADO ESPECIAL

Essa mudança, ao acontecer em Brasília, tem sim uma força simbólica. Principalmente nesse momento da História nacional, em que a programação da TV inclui prisões de ex-governadores. O sinal digital representa mais um passo em direção a uma grande mudança que vai acontecer no país todo e que tem poucas chances de um escândalo envolvendo dinheiro público. Porque, além da nova tecnologia que vai para o ar, no Brasil a TV digital trouxe também uma nova tecnologia de gestão.
A principal característica desse novo modelo de gestão foi a posição de mobilizador que coube ao Governo Federal. As ações ficaram por conta de agentes privados de toda a cadeia de geração de valor, articulados entre si. Emissoras, fabricantes de televisores, de equipamentos de transmissão, produtores de softwares e o mundo acadêmico participaram ativamente de todo o processo. Hoje está confirmado que a escolha do padrão japonês, otimizado com tecnologia brasileira, foi um grande acerto. Aliás, foi o primeiro entre muitos acertos. A criação do Fórum SBTVD, onde os agentes dos vários segmentos se encaram para discutir todas as questões, deu transparência ao processo. Cada representante sabe que vai ter que defender seus pontos de vista diante de todos os outros interessados. E que vai ser difícil ignorar os argumentos técnicos.
Tudo bem, houve vários atrasos nas fases de implantação e vai haver outros. Tentou-se voltar atrás em algumas decisões. Mas o principal é que as coisas acabam acontecendo do jeito que tem que ser. A possibilidade de algum escândalo com dinheiro público é pequena por falta de alguns requisitos chave. Afinal, as decisões são transparentes e o dinheiro público quase não entrou nessa transição. A liberação das antigas faixas de frequência para as operadoras móveis é um caso emblemático. O modelo para antecipação, então apresentado pelo Governo, fez com que as compensações para as famílias de baixa renda acontecessem diretamente das empresas para os beneficiários, sem interferência do Poder Público.

MAIS ACERTOS DO QUE ERROS

Dentre as falhas a serem citadas no caso de Brasília, ainda não foram entregues 63 mil conversores digitais para famílias de baixa renda. Mas a boa notícia é que mais de 310 mil já chegaram aos inscritos em programas sociais. A promessa é atender os quase 400 mil beneficiários até o final do ano.
Uma forma bem sucedida, para uma finalidade muito vantajosa. Ao final desse processo de transição, a tecnologia digital de TV vai disponibilizar som e imagem de alta definição, sem interferências, para a grande maioria dos brasileiros. Para aqueles que moram em regiões mais isoladas, o upgrade da TV vai depender de outras mudanças.
Enquanto isso, a maior parte do Brasil vai contar ainda com uma plataforma de comunicação muito eficiente, integrada ao mesmo sistema de transmissão do sinal de TV. É a plataforma Ginga, capaz de distribuir serviços públicos e privados gratuitamente, ou sob demanda, através de qualquer televisor comum. O telespectador vai poder interagir, manifestar opiniões e tomar decisões, tudo através do controle remoto do televisor. No Brasil, este será o grande diferencial da TV digital, com potencial de exportação para muitos outros países, que adotaram o sistema nipo-brasileiro.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

UM OUTRO JEITO DE ENTENDER A INOVAÇÃO


Quem inventa as coisas é... o consumidor. Inventor, portanto, é o nome que se dá a quem melhor interpreta o que consumidores manifestam através de suas “assembleias”, ocorridas diariamente em inúmeros locais de uma instituição chamada mercado.
Vide o caso das sandálias Havaianas. Foram criadas para ser o calçado mais banal do mundo, a própria identidade do “pé de chinelo”. Era aquela borracha colorida, recortada no contorno do pé, com uma superfície branca (onde logo ficava carimbado o pisão do usuário). Ter uma pele calejada na sola dos pés era o mínimo necessário para calçar uma "chulapa" daquelas que caminhavam diretamente no chão do sítio.
Depois ganhou estilo, virou “biquíni de pé”. O povão consumidor percebeu que o colorido da borracha era mais bonito e inverteu as tiras, virou a sola para cima. O fabricante entendeu o novo recado e hoje as Havaianas são exportadas com estampas, lacinhos, frescuras.
E a televisão? Começou com o povão das cavernas, produzindo imagens rupestres. Com o tempo ficou mal riscar a parede, inventaram a tela para produzir imagens, desenhando ou pintando o ambiente, as pessoas. Depois do pincel veio a fotografia, desenhada pela própria luz, num papel com uma geleia química. Muitas fotografias seguidas e veio o cinema, até que o escocês John Logie Baird usasse as ondas do rádio para transmitir imagens, dando origem à máquina chamada televisão.
É assim mesmo, vai mudando, evoluindo. Até o homem já foi macaco um dia.

É TELA, MAS PODE NEM SER TV

A visão evolucionista explica só um lado da natureza. Há vários outros. A economia, por exemplo, explica tudo com “modelos de negócios”. Para eles, talvez o cinema tenha surgido com uma tela grande, numa sala repleta de cadeiras, porque era o jeito de pagar o negócio, de vender tanto aquele entretenimento. A televisão, para pagar a conta teve que intercalar o conteúdo com anúncios. E o smartphone usa os dois: exibe anúncio e cobra ingresso, não pra entrar na sala, mas na frequência.
Veja o caso do Globo Play, o aplicativo da TV Globo para oferecer conteúdos através de uma plataforma digital, paga em parte por anúncios – gratuita para o usuário – e outra parte paga pelo usuário. Na semana passada completou um ano do lançamento do aplicativo. Mas, para esse tipo de plataforma, um ano não são apenas 12 meses. No primeiro ano do Globo Play foram 12 mil anos de consumo de vídeo, ou seja, 6,3 bilhões de minutos. É só imaginar quantos minutos cada um dos 14 milhões de usuários mensais (em média) consumiu com cada capítulo de novela que baixou. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Minas Gerais o aplicativo oferece a programação ao vivo. Pode ser assistido pelo smartphone, tablet, notebook, desktop ou por uma smart TV, esta última, a grande meta para a plataforma. Um fabricante de televisores já está lançando no Brasil um modelo smart que tem, no controle remoto, um botão para o Globo Play. O aplicativo oferece até imagens em 4K HDR, um luxo que só pode ser percebido numa tela grande.
A emissora – que agora não apenas “emite” o sinal pelo ar, mas também distribui conteúdo via Internet – não para de redesenhar seu modelo de negócio, cada vez mais “smart”. No mundo digital, a manifestação do consumidor – que é o grande inventor – é muito mais rápida e detalhada. Fica mais fácil de interpretar e a inovação transforma a plataforma do dia para a noite. Aparecem novas formas de exibição de anúncios, novos tipos de anúncios, menu vira grid para facilitar o uso, o celular avisa quando vai começar algo que você não quer perder, relaciona as opções de acordo com o tempo disponível no momento, etc, etc, etc... Cada dia mais parecido com o que quer o consumidor, ou seja, mais próximo da ideia que vem na manifestação do grande inventor. O limite? É o mesmo da criatividade humana.

UM “PLAY” PARA CADA NEGÓCIO

Esse nível de customização, a dinâmica de mudanças, podem crescer ainda mais rapidamente. Depende da rapidez da resposta nas implementações da plataforma e do crescimento de manifestações do “público inventor”. Isso indica que o aprimoramento desse modelo de negócio – ou dessa tecnologia, como preferir – tende a sair dos departamentos das emissoras, para prosseguir em empresas especializadas em desenvolvimento de software.
O EiTV Play, aplicativo para o mesmo tipo de plataforma, pode acrescentar muitas ferramentas e características, de acordo com a necessidade apresentada em cada tipo de negócio. Pode ser adaptado à realidade de redes de TV com menor alcance, à tipos diferentes de produções, sem que a emissora – ou outra empresa produtora de conteúdo – tenha que manter uma equipe própria de desenvolvedores. Os profissionais que atendem um espectro maior do mercado de software, conhecem muito mais rapidamente as novidades que aparecem. Estão mais próximos das novas formas de uso que o mercado está apontando. As experiências que chegam de lado a lado são mais numerosas do que um laboratório de uma única emissora pode obter.
Portanto, o caminho está pronto para que produtores de conteúdo em geral ofereçam seus produtos, sem desviar o foco do próprio expertise. Alguma coisa está surgindo além da TV. E tem a mesma função das telas desenhadas ou pintadas, da fotografia, do cinema, da própria TV que é apresentar um tipo de conteúdo, que evoluiu do visual para o audiovisual. A consequência deve ser um crescimento exponencial da demanda por vídeo que, cada vez mais, se revela reprimida ao longo do tempo. Que tal começar pelo acervo que você tem guardado nas suas prateleiras?

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

QUANDO A INFORMAÇÃO PERDE PARA O CONTEXTO


A gravação em vídeo da negociata foi acompanhada pelo Ministério Público e pela Polícia, o político ou agente público foi flagrado pedindo propina, contando o dinheiro. Depois que tudo foi ao ar, o advogado do corrupto tenta convencer, pela imprensa, de que “o trecho da gravação estava fora do contexto da conversa”. O exemplo é genérico, mas você certamente já viu na mídia fatos idênticos ou muito parecidos, que aconteceram na esfera federal, ou em nível estadual e até mesmo municipal.

No Brasil essa é uma possibilidade jurídica – porque juízes acatam argumentos nesse nível – e política – porque tais candidatos conseguem se reeleger jurando a inocência sobre o que foi visto em vídeo por todo o eleitorado. Ou seja, a informação pouco vale, ou até é nociva ao modelo organizacional sobre o qual o país é gerido. O vídeo periciado, onde as pessoas e respectivas vozes são inquestionavelmente identificadas, conversando no idioma nativo e tratando de assuntos nos quais estão envolvidas, é de uma informação objetiva. É a documentação de um fato. Só que pode estar fora do contexto, se for no Brasil.

Em plena Era da Informação, quem despreza a informação está marchando para um quadro grave. Esse é apenas um tipo de desprezo da informação que arruína o Brasil. Pois a prática é recorrente nos mais diversos níveis e setores. Até mesmo na indústria da informação. O desligamento do sinal de TV analógico em Brasília, que já deveria ter acontecido na semana passada, precisou ser adiado – mais uma vez! – para o próximo dia 17. O motivo foi a “falta de informações” necessárias para a implantação definitiva do sinal digital. Será que vai acontecer mesmo no dia 17? Mais importante é começar a pensar como isso atinge a sua vida, mesmo que você more bem longe do Distrito Federal.

O DITO PELO NÃO DITO


O que está em jogo é o funcionamento eficiente de celulares, Internet móvel e emissoras de televisão. Aponta também para riscos no funcionamento das telecomunicações por radiodifusão, que utilizam o chamado espectro eletromagnético. O tamanho desse risco ninguém sabe, exatamente porque faltam informações técnicas a respeito.

Então você olha para o futuro e vê que, no Brasil, se investidores nacionais ou estrangeiros quiserem construir uma unidade fabril, comercial ou de serviços, vão levar em conta que não existem dados disponíveis sobre a infraestrutura de telecomunicações. Dá coragem de tirar dinheiro do bolso?

A televisão aberta, o lazer mais consumido no Brasil, serviço público essencial, ferramenta imprescindível para importantes segmentos econômicos, é uma grande desconhecida das autoridades do setor. E olha que é um dos segmentos mais burocratizados! Mesmo assim, sabe-se muito pouco. A ponto de não ser possível fazer a passagem definitiva da tecnologia de transmissão analógica, para a transmissão digital. Pela Pesquisa por Amostra de Domicílios, feita pelo IBGE, o Governo Federal tem dados sobre a quantidade de aparelhos de TV no país. Passou disso, cai numa verdadeira guerra de dados gerados no mercado. Cada um diz o que mais lhe interessa.

O problema só estava esperando uma oportunidade para aparecer. Depois do primeiro calendário da mudança definitiva de sinal, teve o sério agravante da venda de parte da faixa de frequência de 700MHz. É a faixa ideal para grandes redes de comunicação, até então utilizada pela TV aberta. As operadoras de celulares pediram parte da faixa para expandir a Internet 4G no Brasil. O Governo impôs algumas condições e vendeu uma parte, que custou mais de R$ 9 bilhões às operadoras. Elas estão esperando receber, dentro do prazo estabelecido, as faixas que compraram. E esta liberação está diretamente relacionada ao desligamento do sinal analógico de TV. Está armada a confusão.

ONDE PODEMOS CHEGAR?


As emissoras de TV aberta vendem a visibilidade da audiência. Se o sinal analógico for desligado antes da maioria dos telespectadores ter acesso ao sinal digital (por meio de conversores ou aparelhos de TV novos), as emissoras perdem audiência e o mercado percebe nas vendas. Isso faz com que as emissoras tentem adiar ao máximo o desligamento. Mas o problema pode nem estar nas dificuldades da audiência para recepção do sinal digital. Muitas emissoras deixaram para última hora a compra de transmissores digitais e agora, com a crise econômica, tudo fica mais difícil.

Do outro lado estão as operadoras, tentando provar que parte significativa da audiência já tem acesso ao sinal digital. Afirmam que as transmissões analógicas de TV já podem ser desligadas em muitas cidades para dar espaço ao 4G. Nesta guerra, já houve o confronto de duas pesquisas feitas por um mesmo instituto, numa mesma área, com “contextos” diferentes sobre receptores digitais.

Não há um fiel da balança. Quantos aparelhos de TV são do tipo tela fina? Quantos deles têm conversor digital embutido? Quantos lares dependem de set-top boxes (caixinha conversora de sinal)? Quantos contam com TV por assinatura ou satélite? Ganha um doce quem souber dizer. Até lá, vamos amargar mais alguns adiamentos.

A expansão do 4G, além dos benefícios de conectividade para todo o país, vai gerar grandes investimentos em equipamentos, construções, mão de obra muito especializada e também pouco especializada, empregos no comércio e no setor de serviços, arrecadação de impostos, ... Mas enquanto faltar “informação contextualizada” sobre serviços essenciais – como a TV aberta – tudo isso vai ser adiado ou mal feito. São dois caminhos diferentes para se chegar ao mesmo atraso de sempre.