O EPICENTRO DA COMPULSÃO PELO CONSUMO DE ELETRÔNICOS


A pergunta antes era até onde a tecnologia poderia chegar. E hoje a grande questão é que parte dessa tecnologia toda vai servir pra alguma coisa. A frase não é de nenhum filósofo existencialista, mas do próprio Shawn DuBravac, o Economista Chefe da CTA - Consumer Technology Association. É a entidade que organiza a CES, a maior feira de produtos eletrônicos para consumo. O evento, que aconteceu em Las Vegas nessa primeira semana de 2016, não poderia começar sem o esculacho do principal responsável. Ele sabe que ali foram apresentados nada menos que 20 mil itens e você, como qualquer outra pessoa, sabe que seria humanamente impossível ele conhecer cada um deles. Fazer discurso ufanista, messiânico, daria ampla margem para atiçar as gozações, já comuns nesse meio, onde aparecem as bugigangas mais bizarras.

Por outro lado, sabemos que o professor Pardal nunca vai roubar totalmente a cena do Pateta e, na verdade, é lá pelo "non sense", nas fronteiras do impensável, onde surgem as grandes soluções. Precisa tentar. E hoje em dia, com tanta tecnologia disponível, é muito fácil tentar.

Por exemplo, a geladeira que tem um tablet pregado na porta e ainda fotografa o que tem dentro. Dá pra saber o que falta até pelo celular. Como se alguém comprasse somente pela necessidade: "-Cerveja pela metade do preço? Deixe-me ver como está a minha geladeira. Ah, não vou comprar, tem bastante em casa." Não parece provável. Cada vez menos os hábitos de consumo são pautados pela lógica. No entanto, é surpreendente, enche os olhos! O que pode ficar dessa brincadeira é um papel que a geladeira disputa com a televisão. Não, não é o segundo lugar entre os aparelhos mais presentes nos lares brasileiros. É a posição do router doméstico.

O NOVO PET DA SUA CASA


As "coisas" estão ganhando um status quase pet nos lares ocidentais. Elas já tem uma Internet, que promete ser, em breve, mais dinâmica do que esta, dos reles mortais. Você acabou de ver que já tem geladeira ganhando tablet, e só pode ser um mimo. Primeiro porque, para os usuários, é antiergonômico usar aquele tablet pregado na posição vertical. Segundo porque tablet foi feito para dar mobilidade, não pra ficar fixo em algum lugar. Seria muito mais fácil se o tablet da geladeira fosse removível e utilizável em outros lugares. Só que aquele é dela. Mas voltando ao status pet, toda essa conversa entre as coisas via Internet precisa de um router. Nessa edição da CES ele se apresentou em geladeiras e televisores.

Aliás, numa feira que começou há quase 50 anos, televisores sempre tiveram um lugar de destaque. Desta vez resolveram investir mais na antiga promessa da tela "dobrável". "Enrolável", na verdade. Um avanço da tecnologia OLED que deu mais uma enroladinha nos consumidores, porque ainda é só protótipo, não está no mercado. Telas com espessura inferior a um milímetro que, fixadas em vidro viram televisores ultra finos. Não chega a ser tão fino quanto um cartão de crédito, também não vamos exagerar. Mas é mais fina do que dois cartões de crédito. Pode exibir uma imagem na frente e outra no verso, ou ficar transparente, totalmente ou em parte. Gasta um mínimo de energia e tem uma qualidade de imagem superior à qualquer outra tecnologia. Como usa um material orgânico, baseado no fenômeno dos vagalumes, ainda precisa ser enrolada com muito cuidado, para não destruir os pixels. Já é largamente usada em celulares.

Mais acessível, nas prateleiras, são as novas TVs smart things. Elas já trazem novos sistemas operacionais e mais recursos, justamente para sediarem as conversas entre todas as coisas da casa.

É A VEZ DAS COISAS


Como antecipado aqui mesmo, na edição anterior do blog, a CES confirmou que a bola da vez é mesmo a Internet das Coisas. O que consolidou essa ideia foi a proliferação de sensores. Afinal uma coisa é só uma coisa. Não vê, não houve, não sente nada. Então é aí onde os sensores fazem uma coisa ser algo mais. Com a vantagem da precisão eletrônica. Por exemplo, um sensor que vai na escova de dentes do seu filho e indica quando cada dente está limpo. Pra não deixar passar nada, a escova é conectada a um jogo, que só pode ser vencido com todos os dentes escovados. Com direito à relatório pro celular da mamãe. Lá vão chegar também relatórios de outro sensor, adesivo, para bebês. Dá a temperatura, a respiração e os batimentos cardíacos. Nem a vovó sabia tanto sobre você.

Tem também outras maravilhas que os sensores estão trazendo e já tomam grande espaço na CES. A mais destacada entre todas está na linha automotiva. Carros inteligentes estão se tornando uma obsessão entre os expositores. O mais rumoroso no momento é o que ainda virá da parceria recentemente anunciada entre a Ford e o Google, tentando desbancar os avanços da Tesla e da Faraday Future. Outro destaque, vamos tratar como uma aposta, que deverá surgir da VR, ou realidade virtual. Os óculos que exibem imagens como se você estivesse em outro ambiente, fazendo as coisas mais diversas, em breve podem estar conectados na final do Superbowl, por exemplo. Quem sabe em arquibancadas virtuais, onde será possível avistar ao lado outros torcedores, também virtuais. Nos displays do campo mensagens específicas para cada perfil de torcedor, de cada país conectado. E o jogo ao vivo. Será!?

A lição que fica, aparentemente, não é dos engenhos curiosos, mas das partes. As soluções que você precisa, ou que você possa vender para outros empreendedores, podem ser apenas um "puxadinho" dessas tecnologias. Ou uma reconstrução, no estilo lego. São as partes, cada vez mais sofisticadas, que devem levar a criações cada vez mais úteis, ao invés de simplesmente surpreendentes.

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