sexta-feira, 15 de maio de 2015

ENFIM, A TV RESPONDEU!


O aparelho doméstico que mais transformou a sociedade, falando sobre tudo, mostrando de tudo, revelando coisas, lugares e pessoas, agora também é capaz de “ouvir” a audiência e oferecer respostas importantes. Tecnicamente, isso se chama interatividade na TV, que passa a ser uma realidade no Brasil a partir de um conjunto de fatores que, há um mês, era absolutamente improvável. Os detalhes desse evento histórico para a tecnologia brasileira você pode acompanhar, em primeira mão, nos tópicos a seguir.

A HISTÓRIA, DESDE O COMEÇO


A tecnologia de interatividade passou a ser possível no Brasil desde a implantação do SBTVD, o Sistema Brasileiro de TV Digital. Baseado na tecnologia japonesa ISDB, as adaptações brasileiras dotaram o sistema de uma camada de software em nível de middleware. Trata-se do Ginga, desenvolvido pela PUC do Rio de Janeiro em parceria com a Universidade Federal da Paraíba, portanto, 100% “Made in Brazil”. O sistema foi reconhecido internacionalmente como o melhor middleware entre os sistemas digitais pelo mundo. Por isso, ou a interatividade na TV, pela TV, aconteceria aqui no Brasil, ou não aconteceria em outro lugar.

ALTERNATIVA “CHIC”


Nos países ricos a interatividade na TV começou a acontecer pela chamada “segunda tela”, que são os tablets ou celulares mais sofisticados, populares e acessíveis por lá. Por aqui já se vê, nas transmissões de futebol e em vários outros programas, a possibilidade de baixar aplicativos no celular para quem quiser participar de alguma forma. É a interatividade que está acontecendo na TV do primeiro mundo, via Internet e que agora poderá ser realizada diretamente no televisor.

“PREMONIÇÃO?”


As especificações técnicas definidas pelo GIRED para o receptor de TV aberta digital (também conhecido como conversor digital ou set top box) padrão nacional é praticamente a mesma do smartBox, conversor digital lançado pela EiTV no início de 2014. Não é uma coincidência e, quem acompanhou o processo, sabe que seria impossível se tratar de uma informação privilegiada. É puro rigor técnico! Entre as startups brasileiras que atuam no setor, a EiTV é a que mais investiu no desenvolvimento de alternativas Ginga. Para criar o smartBox nossos engenheiros avaliaram todas as possibilidades tecnológicas e as funcionalidades mais práticas para a interatividade via TV num país como o Brasil. A decisão oficial, depois de ouvir especialistas das emissoras privadas e públicas, de instituições de pesquisas e de órgãos oficiais, confirma categoricamente que a nossa equipe técnica estava certa.

POR QUE UM PADRÃO?


As operadoras de telefonia móvel, conhecidas como “teles”, foram ao governo pedir uma faixa de frequência que hoje é ocupada por algumas emissoras de TV. Como estamos na fase de mudança do sistema analógico para o digital, as compensações que as empresas deveriam cumprir atingiram até o direito de recepção da população carente. Ou seja, as teles concordaram em pagar pelos conversores  para as famílias de baixa renda. Elas formam os 14 milhões de lares atendidos pelo Bolsa Família. Faltava decidir o padrão do conversor digital que atenderá este universo formado por mais de 50 milhões de brasileiros, o que ocorreu na reunião do GIRED realizada hoje, dia 15 de maio, em Brasília (DF).

QUAL É A CONFIGURAÇÃO?


Tecnicamente, um conversor digital pode ser considerado um micro computador dedicado. A configuração, agora padronizada, estabelece que ele tenha uma memória RAM de 512 MB, memória flash de 2 GB, duas entradas USB, porta Ethernet (para banda larga), drivers para modem externo (dongle) 3G, 4G ou mesmo Bluetooth, além de uma saída HDMI, outra RCA e uma entrada de RF, para conectar a antena. O fluxo de vídeo para o sinal HD será MPEG4, mas haverá outro MPEG1 para aquela pequena tela usada em traduções para deficientes auditivos. Essa configuração, com o Ginga C – a implementação mais completa do Ginga – permite um nível excelente de interatividade na TV, utilizando apenas o controle remoto.

QUAIS SÃO AS VANTAGENS?


Usando qualquer aparelho de TV, mesmo os mais antigos, um conversor digital permitirá consultar vagas de emprego, fazer cursos profissionalizantes produzidos em vídeo, obter orientações de serviços públicos, como previdência, saúde, FGTS e tantos outros. Isso é o que já está disponível, através de um pacote de aplicativos produzidos pelo Programa Brasil 4D, da estatal EBC – Empresa Brasil de Televisão. Muitos outros aplicativos agora podem ser desenvolvidos e distribuídos via TV, por emissoras públicas e privadas, desde jogos até resumos de capítulos de novelas. O usuário da TV aberta digital que gosta de baixar aplicativos no celular, no tablet e no seu computador, agora poderá baixar também na TV. E descartar, quando não quiser mais este ou aquele aplicativo ou conteúdo.

INTERATIVIDADE 1


Esse nível de interatividade é possível pela TV digital porque, além do som e imagem do canal que você sintoniza, o sinal da emissora pode enviar seguidamente um conjunto de conteúdos ou aplicativos que você só vê se quiser. Pelo controle remoto pode escolher e mandar rodar. Eles ficam se repetindo o tempo todo na transmissão, por isso esse sistema é apelidado de “carrossel”. Durante um jogo de futebol a emissora pode colocar no carrossel as imagens e narração de cada gol que acontecer. Enquanto passa o jogo, pelo controle remoto você vai poder rever o gol que quiser, quantas vezes quiser.

INTERATIVIDADE 2


A interatividade pode ser mais simples, só com textos escritos, ou mais sofisticada. Para a interatividade plena precisa ter um canal de retorno, via Internet. O set-top box que o Governo vai distribuir não vem com a interatividade plena mas tem todo o suporte para instalar. É só plugar a banda larga na porta Ethernet ou um modem 3G. O Ginga C tem capacidade para reconhecer e iniciar imediatamente a conexão. Com isso, o usuário pode responder a uma enquete em tempo real; participar de uma aula ao vivo, escolhendo as respostas para as questões que o professor colocar. Desta maneira, o conversor digital permitirá que o usuário realize quaisquer operações que exijam receber e enviar informações, tais como consultar o saldo bancário; responder enquetes em tempo real; participar de aulas ao vivo, enviando perguntas ou ainda, no caso de um teste, escolhendo as respostas para as questões feitas pelo professor.

AGORA VAI!


Com um padrão de conversor digital definido agora será possível produzir aplicativos que beneficiarão pelo menos, 50 milhões de brasileiros, que formam a parcela da população que mais necessita de acesso à informação e serviços. Isso incentivará o desenvolvimento de muitos aplicativos, que podem tornar a interatividade pela TV digital aberta atraente para muitos outros segmentos da sociedade e possibilitará a criação de um novo mercado para o conversor digital. As pessoas poderão procurar o conversor digital padrão (ou seja, com Ginga C) em lojas e até alguns fabricantes poderão embarcar as especificações em seus aparelhos. Isso poderá representar uma revolução no hábito brasileiro de “utilizar” a TV, e não mais simplesmente “assistir” à TV.

PRODUTO TIPO EXPORTAÇÃO


O elevado nível de qualidade do padrão brasileiro de TV digital, o SBTVD, fez com que ele fosse implantado na grande maioria dos países da América Latina e em alguns países da África. Por isso, os aplicativos que vierem a ser desenvolvidos no Brasil nessa nova onda da interatividade, poderão encontrar um grande mercado nesses países. É uma vitória para a Tecnologia Nacional.

DECISÃO DE GOVERNO


A coordenação de todas as ações de compensação neste mega remanejamento feito com as teles está a cargo do GIRED – Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV, formado por representantes das emissoras, das teles, de fabricantes de equipamentos e do Governo Federal. Através de ações que o Governo Federal vem desenvolvendo há tempo, como o Programa Brasil 4D, a interatividade pela TV digital brasileira se tornou viável tecnicamente. Faltava apenas uma decisão política de valorização da tecnologia nacional, que é muito mais importante do que uma simples proteção. Principalmente em se tratando de uma tecnologia brasileira para necessidades brasileiras. Foi o que o Ministro Ricardo Berzoini, das Comunicações, acabou fazendo através da representação que tem no GIRED. Tudo bem que veio “aos 47 minutos do segundo tempo” – houve um acréscimo de duas semanas na data limite da reunião do GIRED, que acabou definindo só hoje, dia 15 de maio. A questão é que emplacou, os pontos decisivos somaram para o time da casa.

UM NOME


Nem sempre é assim. Mas no caso da interatividade na TV digital brasileira houve uma pessoa, em particular, que mais acreditou, planejou estratégias e ações, entrou de cabeça para que se tornasse uma realidade. O nome é André Barbosa, Superintendente da EBC – Empresa Brasil de Comunicação.

Um comentário:

  1. Perdão, mandei o comentário no blog errado.
    Aqui o meu comentário.
    André Barbosa vem firme ao encontro da interatividade na TV Digital. Como chefe do setor na TV Senado, venho acompanhando de perto essa luta. Estamos ansiosos pela implantação e mudança de paradigma para a TVD Brasileira. Temos consciência da importância de pesquisas e acessos ao material feito pelas TV e em especial para a TV Senado. A participação do Cidadão em decisões no Congresso será de suma importância para o desenvolvimento da Nação e o melhor que será todo Cidadão que desejar, pois a TV chega em 98% dos lares. Parabéns ao grupo que conseguiu a padronização. Vamos em Frente!
    César Augusto Resende - MBA em TV Digital e Novas Mídias e Chefe do setor de Multiprogramação e Interatividade da TV Senado.

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