sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A QUÍMICA POSSÍVEL


Há um suspense no ar! Será!? O YouTube quer você ansioso por saber quem fez mais sucesso entre os adolescentes no último domingo, durante o intervalo da final do Super Bowl: o show de Katy Perry ou uma demonstração científica que foi ao ar pelo canal Ad Blitz. O canal, hospedado no YouTube, preparou um show próprio, com curiosidades da química e muitos personagens frequentes em vídeos do site, que eles tratam de "celebridades do YouTube".

Os americanos chamam as finais do Super Bowl de "maior evento da televisão no mundo". Para eles, finais de copas do mundo de futebol não existem. Neste ano, a NBC registrou o recorde histórico da TV americana, com 114,4 milhões de televisores sintonizados na final do Super Bowl. Os números se referem ao território americano. No quarto período da partida o pico da audiência chegou a 120 milhões de televisores. Na média, a segunda maior audiência foi no ano passado, pela Fox, com 112 milhões de televisores ligados, também na final do Super Bowl. Os números deste ano apontaram uma porcentagem de 47,5% da audiência, que ainda ficam atrás da decisão da modalidade em 1986, com 48,3% e do percentual mais alto já registrado, em 1982, de 49,1%.

Esse momento midiático é a meca do marketing americano. Empresas e profissionais sonham com espaços e oportunidades entre os ecos desse estrondo de audiência. Parece que é exatamente isso que o YouTube está tentando com o show de curiosidades da química.

E O GRANDE SUCESSO FOI ......


O suspense que o YouTube está sintetizando - já que ele escolheu a química como estrela - é em torno das estatísticas de audiência do canal Ad Blitz durante o evento. Os números ficaram para ser anunciados cerca de uma semana depois do evento. Difícil imaginar por que, uma vez que as ferramentas de registro de audiência na Internet são tão rápidas. É mais fácil acreditar que eles usariam esse tempo todo para estudar todos os cruzamentos possíveis dos dados, até achar algo que pareça dar mais peso à audiência, digamos, "científica" daquele domingo.

Um momento como esse é algo que a humanidade só pode experimentar pela TV! Não existe outra tecnologia capaz de colocar tantas pessoas tão próximas de um único evento, acontecendo num ponto do planeta. Só a boa e velha broadcast, filha legítima da radiofrequência, tem capacidade para propiciar uma convergência dessa magnitude.

ACOMODAÇÕES DISPUTADAS


Pois é, quando se fala de TV x Internet, fatos como esse parecem decisivos. A grande conquista que o YouTube espera são os traços de audiência no intervalo, sim, no intervalo do grande evento. Fica até engraçado. Mas atenção! Esse também é um sinal da disposição desses players do mercado de mídia. Eles não vão sossegar, não vão deixar passar nada, nem a mínima possibilidade. Se é no intervalo onde eles podem aparecer, é lá que eles vão investir pesadamente.

Certos conteúdos, como os grandes eventos programados ao vivo, dependem da televisão. O tempo presente é o único que existe, real e concreto, e para o presente só existe a televisão. Só a televisão pode dar esta grandeza, a dimensão global de um fato qualquer. Só naquele momento as pessoas estarão no estado de atenção de quem quer ver algo acontecer. Quantos downloads vão acontecer é coisa para o futuro, que também ainda não aconteceu. A condição mental de quem já sabe o que aconteceu é muito diferente.

Essa vantagem que a natureza reserva à televisão é a que vai estar sendo combatida ao máximo pelos canais de Internet. Do lado deles está a grande maioria das ferramentas tecnológicas, encantando as pessoas com mundos inacessíveis por outros caminhos. O que cabe a todos que estão nessa disputa é lutar pelo melhor conteúdo. Só ele é absoluto. Se a final do Super Bowl não fosse gerada ao vivo pela televisão, pode ter certeza de que o rádio iria suplantar qualquer audiência. Porque o conteúdo estaria lá.

Talvez seja nisso que o YouTube investiu nessa última final do Super Bowl. Tentaram ao vivo conseguir a maior proeza da história da química, digna de um Premio Nobel: transformar um intervalo do Super Bowl em uma aula de ciências.

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