sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

UM SINAL DO TEMPO


A máxima situação de conforto que alguém experimenta é no ventre da mãe. Parece estranho, mas a ciência garante ter elementos suficientes para afirmar isso. É o calor daquela barriga que acaricia e preenche aquelas duas mentes. Vidas incubadas, uma na outra, que compartilham de alguma forma até corações. Depois vem a luz e fica só um frio na barriga, por tudo que pode acontecer aqui fora, nesse mundo tão competitivo, desafiante.

É assim que por trás da alegria, das brincadeiras, as crianças também passam por algum stress, uma vez ou outra. E se você esqueceu, é bom saber que pelo menos em algum momento da infância, é comum crianças terem medo de crescer. Sim, temem aquela vida complicada, cheia de compromissos que nos levam a confrontar situações diferentes a cada dia. É nos momentos mais divertidos onde esse medo dá um frio naquelas barriguinhas. Todos reunidos, envolvidos com alguma brincadeira, as risadas, e então o primo mais velho tem que sair porque é hora de estudar para o vestibular. Outro tio aproveita pra passar na obra e vistoriar o trabalho. Pronto, com dois a menos, não dá mais pra brincar! E assim a infância vai sendo ameaçada por essa razão incompreensível de gente grande.

Mas os pequenos também tem coragem. A seu jeito, muitos entendem que a dedicação aos estudos, a sinceridade com os adultos e com as outras crianças, o esforço, vão conduzir a um crescimento feliz. Vão conquistar o respeito até daqueles que concorrem conosco em diversas situações, e a admiração daqueles que contam com a gente. É assim que se chega a uma adolescência saudável, sem ter ódio da criança que ainda somos, mas também sem desrespeitar o adulto que, afinal, queremos ser.

A EiTV um dia também foi incubada, um embrião fertilizado numa das mais conceituadas universidades do Hemisfério Sul. Da Unicamp fomos ao mercado para caminharmos com as nossas pernas, confiando no esforço para avançarmos e falando com sinceridade sobre o que podíamos oferecer aos nossos clientes e parceiros. Também tivemos dificuldade em compreender os grandes, estabelecemos uma relação de respeito com eles e com os pequenos e assim, enfrentamos o nosso medo de crescer. Nesses dias, ao completarmos 10 anos de existência, já nos acostumamos com um saudável frio na barriga, vez por outra, nesse cenário de tantos desafios. Vivemos uma adolescência saudável, fortalecida pela crença em nossos valores. São eles que, apesar da rapidez nos ciclos de desenvolvimento, nos fazem uma empresa mais humana a cada dia.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O MEU É MAIOR DO QUE O SEU


Tamanho até pode ser um diferencial favorável. Mas nem sempre isso é verdade, sem contar os casos em que, ao contrário, traz algumas reclamações. No momento, a indústria de aparelhos de TV está engajada no marketing do "quanto maior, melhor". Por isso muitas pessoas vão tentar convence-lo de que o seu televisor está pequeno, que alguma situação inesperada pode fazer você se sentir humilhado.

O apelo desse marketing está na melhor definição que a tecnologia já pode propiciar, mesmo em telas maiores. A geração de televisores Ultra HD tem 4 pixel para cada pixel da TV Full HD, o que permite detalhar mais a imagem. A curvatura da tela também ajuda, considerando a largura, que cresce proporcionalmente. Mas as razões desse marketing, ao que tudo indica, está no desempenho fraco das vendas de televisores em todo o mundo. A tecnologia Ultra HD, também conhecida como 4K, não traz vantagens perceptíveis nas telas menores e ainda está limitada pela falta de programação gerada com essa qualidade. São apenas alguns programas em TVs por assinatura ou streaming.

Na prática, uma TV 4K por enquanto é mais uma questão de status do que uma vantagem na sua experiência com TV. A tela curva tende a ser um sinal rapidamente identificável de que a sua sala está "up-to-date". Mas tenha a certeza de que isso vai exigir novas mudanças em breve, caso você não estabeleça a sua clara necessidade em termos de qualidade de som e imagem.

O TESTE DO SOFÁ


A qualidade da TV ganha importância na medida em que o tempo de consumo desse tipo de lazer aumenta entre os brasileiros, como aconteceu no ano passado. Pesquisa Ibope indica que, em 2014, a média que a nossa brava gente esteve assistindo à TV foi de 5 horas, 52 minutos e 39 segundos por dia. O que equivale a dizer que durante quase três meses, a única coisa que o brasileiro fez foi ver televisão.

"-Ora, então não é importante melhorar a qualidade da sua TV?", dirão os fabricantes. A resposta óbvia é sim, mas o sentido de "melhorar a qualidade" é que precisa ser mais avaliado. Na mesma pesquisa Ibope consta que o maior estímulo ao crescimento do consumo de TV está relacionado ao aumento de acesso a serviços pagos via televisores conectados à internet e TV por assinatura. É exatamente o que oferecem as "caixas", os set-top boxes sofisticados, que estão sendo colocados no mercado pela Apple, Roku, Amazon, ou o modelo brasileiro EiTV smartBox.

Os fabricantes de televisores sabem bem disso. O Gerente de Novos Negócios da Philips no Pólo Industrial de Manaus afirma que a meta para 2015 no mercado de televisores é ter 50% da linha Smart. Se considerar a Philips, isoladamente, a meta para a fábrica de Manaus é produzir 80% de seus televisores com capacidade de conexão pela Internet, ou seja, da linha Smart.

PAGANDO BEM, QUE MAL TEM ?


Mas a indústria sabe também o potencial das "caixas" neste mercado. Elas podem oferecer quase tudo que uma TV Smart oferece para a imensa maioria dos usuários. O Gerente Werner Gropp, do setor de SmartTVs da Samsung, afirma que “o acesso maior à internet, com indicadores de velocidade e números de usuários maiores, além do aumento no número de aplicativos com oferta de programação como Netflix e Spotify, influenciaram na mudança do perfil do consumidor e no interesse por esse produto”. Ou seja, os usuários não ligam a TV para bater papo no Facebook ou rastrear sites. Eles procuram mais aplicativos e serviços de streaming, que as "caixas" disponibilizam até em televisores do século passado.

Nos últimos 15 anos, a onda de troca da tecnologia de TV em todo o mundo, a partir do surgimento da TV digital, acostumou os fabricantes a um ritmo de crescimento que não está se sustentando. Mas eles estão no papel deles. Para quem fabrica, os aparelhos de 50 polegadas agora são os "mascotes" da linha. Já se fala em modelos de 58 polegadas, 65 e até 78, com metas para distribuição em todo o varejo.

Se você está preocupado em ver seu vizinho indiscreto com a maior cara de tacho, ou deixar em silêncio aquela visita inconveniente, fique à vontade, o mercado tem boas opções, desde que pague muito bem. Mas se você quer apenas tornar mais agradáveis os meses do ano em que vai estar na frente da sua TV o caminho é outro, muito mais em conta.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

CADA UM NA SUA ...... TELA


A geração Baby Boomer, hoje na faixa dos 50 anos, viu chegar os primeiros rádios de bolso. Vinham do Japão, até as pilhas eram novidade, tão pequenas. Fones de ouvido eram raros, o jeito era colar o radinho na orelha e esticar a antena, enquanto a atenção dobrava para andar na rua. A cena logo ficou divertida para quem olhava, nem chegou a marcar um momento high tech daqueles tempos.

Mas a audiência das emissoras de rádio cresceu de verdade com a chegada dos motorádios, os rádios para veículos. Ali, na solidão do volante, ou no passeio com a namorada, ficar sem rádio era quase como acabar a gasolina. Afinal, o ambiente do carro, cada vez mais se transforma numa extensão do lar. O conforto, a privacidade, percorrendo pelo parabrisas as imagens que a TV não traz.

Hoje o parabrisas ganhou credenciais mais sérias. É a única imagem autorizada para o motorista, já que a TV entrou nos carros para acabar com o tédio dos passageiros. Mais do que isso, a TV está em trânsito. Está no ônibus, no celular do pedestre, na estação do metrô, na fila do banco. Abusada, está até no volante durante o congestionamento, garantindo mais receita para os órgãos de fiscalização.

DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO


A TV parece estar decidida a garantir, de uma vez por todas, a liderança entre as telas. Elas, as telas, estão inundando o planeta, concorrendo com os acessórios mais variados. As telas tomaram o lugar até do controle remoto. Ninguém disputa mais o poder de mudar a sintonia, quando é mais fácil trazer para a segunda tela o que quiser. O que está acontecendo é uma "escala" de preferência ao longo das gerações.

A tela que vem em primeiro lugar é o tablet. Já está até nos berços. Uma janela para a fantasia, para o faz-de-conta, para os mundos efêmeros da infância, que em breve vão cumprir uma importante missão e desaparecer. Nessa fase preferencial da tela, a TV de hoje pouco vai aparecer.

Logo em seguida a tela preferencial é o celular. Adolescentes já avançam para os mundos adjacentes, das turmas da escola, das fantasias épicas, em busca de conquistas e descobertas. Recriam, na magia da tela, os próprios momentos, as situações e começam a assumir o destino de caminhar em direção aos próprios objetivos, aqueles que eles começam a traçar. Ali, a TV já tem mais espaço.

Finalmente tem a grande tela da sala de estar, aquela que até tem o nome de TV e que está sofrendo o assédio cada vez mais brutal das outras mídias. Lá, a TV sempre vai ter alguns horários preferenciais, com direito a invadir qualquer outra programação, sempre que necessário.

A ALDEIA GLOBAL


É a coexistência dos fatos, selecionáveis pela TV em tempo real, que pode garantir a supremacia da TV em todas as telas. Acontece que, até há pouco tempo, a grande preocupação da televisão era estar em todos os fatos. Agora o desafio está na outra ponta: a TV tem que estar em todos os telespectadores, tem que ser móvel.

Com tantas telas por metro quadrado, o que ainda falta são os dispositivos de sintonia. Mesmo com a reiterada negativa das fabricantes em expandir a produção de celulares com sintonia de TV, o mercado já está disponibilizando apetrechos muito simples, meros "barbantes" que, conectados em qualquer tela, sintonizam o sinal 1-seg da TV digital.

As emissoras estão despertando para essa realidade e agora começam a fazer planos para garantir uma experiência melhor da TV nas telas de celulares. Vão ser formatos mais ajustáveis às pequenas telas, talvez até uma programação diferenciada em determinados horários, o que depende de uma mudança na legislação atual que impede as emissoras ter uma programação diferenciada no sinal 1-seg. E isso pode representar mais do que o passatempo predileto de quem vive o mundo real. Pode passar a ser uma imensa plataforma de serviços, que já conta com um canal de retorno muito ágil, via Internet. Pode ser a nova forma de viver e interagir num mundo cada vez mais conectado e dinâmico.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A QUÍMICA POSSÍVEL


Há um suspense no ar! Será!? O YouTube quer você ansioso por saber quem fez mais sucesso entre os adolescentes no último domingo, durante o intervalo da final do Super Bowl: o show de Katy Perry ou uma demonstração científica que foi ao ar pelo canal Ad Blitz. O canal, hospedado no YouTube, preparou um show próprio, com curiosidades da química e muitos personagens frequentes em vídeos do site, que eles tratam de "celebridades do YouTube".

Os americanos chamam as finais do Super Bowl de "maior evento da televisão no mundo". Para eles, finais de copas do mundo de futebol não existem. Neste ano, a NBC registrou o recorde histórico da TV americana, com 114,4 milhões de televisores sintonizados na final do Super Bowl. Os números se referem ao território americano. No quarto período da partida o pico da audiência chegou a 120 milhões de televisores. Na média, a segunda maior audiência foi no ano passado, pela Fox, com 112 milhões de televisores ligados, também na final do Super Bowl. Os números deste ano apontaram uma porcentagem de 47,5% da audiência, que ainda ficam atrás da decisão da modalidade em 1986, com 48,3% e do percentual mais alto já registrado, em 1982, de 49,1%.

Esse momento midiático é a meca do marketing americano. Empresas e profissionais sonham com espaços e oportunidades entre os ecos desse estrondo de audiência. Parece que é exatamente isso que o YouTube está tentando com o show de curiosidades da química.

E O GRANDE SUCESSO FOI ......


O suspense que o YouTube está sintetizando - já que ele escolheu a química como estrela - é em torno das estatísticas de audiência do canal Ad Blitz durante o evento. Os números ficaram para ser anunciados cerca de uma semana depois do evento. Difícil imaginar por que, uma vez que as ferramentas de registro de audiência na Internet são tão rápidas. É mais fácil acreditar que eles usariam esse tempo todo para estudar todos os cruzamentos possíveis dos dados, até achar algo que pareça dar mais peso à audiência, digamos, "científica" daquele domingo.

Um momento como esse é algo que a humanidade só pode experimentar pela TV! Não existe outra tecnologia capaz de colocar tantas pessoas tão próximas de um único evento, acontecendo num ponto do planeta. Só a boa e velha broadcast, filha legítima da radiofrequência, tem capacidade para propiciar uma convergência dessa magnitude.

ACOMODAÇÕES DISPUTADAS


Pois é, quando se fala de TV x Internet, fatos como esse parecem decisivos. A grande conquista que o YouTube espera são os traços de audiência no intervalo, sim, no intervalo do grande evento. Fica até engraçado. Mas atenção! Esse também é um sinal da disposição desses players do mercado de mídia. Eles não vão sossegar, não vão deixar passar nada, nem a mínima possibilidade. Se é no intervalo onde eles podem aparecer, é lá que eles vão investir pesadamente.

Certos conteúdos, como os grandes eventos programados ao vivo, dependem da televisão. O tempo presente é o único que existe, real e concreto, e para o presente só existe a televisão. Só a televisão pode dar esta grandeza, a dimensão global de um fato qualquer. Só naquele momento as pessoas estarão no estado de atenção de quem quer ver algo acontecer. Quantos downloads vão acontecer é coisa para o futuro, que também ainda não aconteceu. A condição mental de quem já sabe o que aconteceu é muito diferente.

Essa vantagem que a natureza reserva à televisão é a que vai estar sendo combatida ao máximo pelos canais de Internet. Do lado deles está a grande maioria das ferramentas tecnológicas, encantando as pessoas com mundos inacessíveis por outros caminhos. O que cabe a todos que estão nessa disputa é lutar pelo melhor conteúdo. Só ele é absoluto. Se a final do Super Bowl não fosse gerada ao vivo pela televisão, pode ter certeza de que o rádio iria suplantar qualquer audiência. Porque o conteúdo estaria lá.

Talvez seja nisso que o YouTube investiu nessa última final do Super Bowl. Tentaram ao vivo conseguir a maior proeza da história da química, digna de um Premio Nobel: transformar um intervalo do Super Bowl em uma aula de ciências.