sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

CADA UM NA SUA ...... TELA


A geração Baby Boomer, hoje na faixa dos 50 anos, viu chegar os primeiros rádios de bolso. Vinham do Japão, até as pilhas eram novidade, tão pequenas. Fones de ouvido eram raros, o jeito era colar o radinho na orelha e esticar a antena, enquanto a atenção dobrava para andar na rua. A cena logo ficou divertida para quem olhava, nem chegou a marcar um momento high tech daqueles tempos.

Mas a audiência das emissoras de rádio cresceu de verdade com a chegada dos motorádios, os rádios para veículos. Ali, na solidão do volante, ou no passeio com a namorada, ficar sem rádio era quase como acabar a gasolina. Afinal, o ambiente do carro, cada vez mais se transforma numa extensão do lar. O conforto, a privacidade, percorrendo pelo parabrisas as imagens que a TV não traz.

Hoje o parabrisas ganhou credenciais mais sérias. É a única imagem autorizada para o motorista, já que a TV entrou nos carros para acabar com o tédio dos passageiros. Mais do que isso, a TV está em trânsito. Está no ônibus, no celular do pedestre, na estação do metrô, na fila do banco. Abusada, está até no volante durante o congestionamento, garantindo mais receita para os órgãos de fiscalização.

DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO


A TV parece estar decidida a garantir, de uma vez por todas, a liderança entre as telas. Elas, as telas, estão inundando o planeta, concorrendo com os acessórios mais variados. As telas tomaram o lugar até do controle remoto. Ninguém disputa mais o poder de mudar a sintonia, quando é mais fácil trazer para a segunda tela o que quiser. O que está acontecendo é uma "escala" de preferência ao longo das gerações.

A tela que vem em primeiro lugar é o tablet. Já está até nos berços. Uma janela para a fantasia, para o faz-de-conta, para os mundos efêmeros da infância, que em breve vão cumprir uma importante missão e desaparecer. Nessa fase preferencial da tela, a TV de hoje pouco vai aparecer.

Logo em seguida a tela preferencial é o celular. Adolescentes já avançam para os mundos adjacentes, das turmas da escola, das fantasias épicas, em busca de conquistas e descobertas. Recriam, na magia da tela, os próprios momentos, as situações e começam a assumir o destino de caminhar em direção aos próprios objetivos, aqueles que eles começam a traçar. Ali, a TV já tem mais espaço.

Finalmente tem a grande tela da sala de estar, aquela que até tem o nome de TV e que está sofrendo o assédio cada vez mais brutal das outras mídias. Lá, a TV sempre vai ter alguns horários preferenciais, com direito a invadir qualquer outra programação, sempre que necessário.

A ALDEIA GLOBAL


É a coexistência dos fatos, selecionáveis pela TV em tempo real, que pode garantir a supremacia da TV em todas as telas. Acontece que, até há pouco tempo, a grande preocupação da televisão era estar em todos os fatos. Agora o desafio está na outra ponta: a TV tem que estar em todos os telespectadores, tem que ser móvel.

Com tantas telas por metro quadrado, o que ainda falta são os dispositivos de sintonia. Mesmo com a reiterada negativa das fabricantes em expandir a produção de celulares com sintonia de TV, o mercado já está disponibilizando apetrechos muito simples, meros "barbantes" que, conectados em qualquer tela, sintonizam o sinal 1-seg da TV digital.

As emissoras estão despertando para essa realidade e agora começam a fazer planos para garantir uma experiência melhor da TV nas telas de celulares. Vão ser formatos mais ajustáveis às pequenas telas, talvez até uma programação diferenciada em determinados horários, o que depende de uma mudança na legislação atual que impede as emissoras ter uma programação diferenciada no sinal 1-seg. E isso pode representar mais do que o passatempo predileto de quem vive o mundo real. Pode passar a ser uma imensa plataforma de serviços, que já conta com um canal de retorno muito ágil, via Internet. Pode ser a nova forma de viver e interagir num mundo cada vez mais conectado e dinâmico.

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