sexta-feira, 28 de outubro de 2016

CAPER ENCERRA O CALENDÁRIO DE FEIRAS 2016


Oportunidades e Obstáculos formam um “casal” inseparável e isso fica mais claro quando se exibem num tango. O Obstáculo parece poderoso, intransponível, até que a Oportunidade vira de pernas para o ar e surge por cima dele, até cair do lado de fora; ele a cerca, passos circulares e arrastados, desliza o bico do sapato para nem tirar os pés do chão. Mas a Oportunidade gira como uma bailarina e se distancia, exibindo a silhueta para os bons observadores.
O enredo desse tango ilustra bem o que aconteceu nesta semana, em Buenos Aires, na 25a Exposição da CAPER – Cámara Argentina de Proveedores y Fabricantes de Equipos de Radiodifusión. A Argentina, em pleno processo de transição política, ainda enfrenta obstáculos expressivos na economia. Mas no espaço da Exposição, o que mais chamou atenção foram as várias oportunidades. Se preferir chamar de crise o conjunto dos obstáculos, tudo bem, mas vai entrar numa longa discussão sobre a realidade que nossos hermanos estão vivendo.
A Argentina adotou há anos o sistema brasileiro como tecnologia DTV. As transmissões digitais começaram pela TV estatal, fortalecida no Governo de Cristina Kirchner. Com a mudança nos rumos políticos, ainda não se tem uma diretriz clara para a expansão do sinal digital, muito menos uma data para o apagão analógico. E daí!? O VOD – Video on Demand, modelo de negócio do Netflix, Hulu e outros, está crescendo muito por lá. Trata-se de um mercado onde a TV por assinatura é proporcionalmente bem maior do que no Brasil. Isso sem contar as várias outras plataformas que suportam vídeo. Agora que tudo é byte mesmo...

A AUTONOMIA DO VÍDEO

A movimentação de pessoas durante a 25a CAPER foi intensa. Comparativamente, maior do que na edição anterior. Já os negócios estão demorando mais para se efetivar. Ainda faltam definições importantes para o mercado broadcast de lá e a própria regulamentação do setor pode ter que passar por uma repactuação com o Governo. Enquanto isso, os investimentos das emissoras caminham com muita cautela.
Por outro lado a Argentina tem uma densidade de banda larga semelhante à do Brasil e, quando se trata de dispositivos móveis, como os celulares, a proporção de aparelhos por habitante é maior ainda. A demanda por vídeo é global, não se limita à fronteiras e as soluções baseadas nessas plataformas surgem a cada dia. No caso da plataforma EiTV CLOUD, por exemplo, pode funcionar de maneira praticamente autônoma. Baseada na nuvem digital, dá ao usuário a opção de escalonar o custo de armazenagem de acordo com a demanda. E ainda, por meio do EiTV Play, conta com uma série de aplicativos para atingir o público que quiser, por tempo livre ou programado, de forma aberta ou direcionada, gratuitamente ou monetizado, dentre outras possibilidades de escolha. No atual cenário da economia argentina a plataforma caiu como uma luva para vários segmentos. A partir de agora fica aberto o período de testes e de customização para os diversos clientes, contando com o apoio dos representantes EiTV na Argentina.

A VERDADEIRA NATUREZA DA CRISE

A CAPER fecha o calendário anual de exposições para o ISDB-T, o melhor sistema de TV Digital em operação no mundo. Nesse período de dificuldades econômicas e políticas no continente, a sensação é de que a volatilidade tecnológica é um desafio maior do que a instabilidade econômica. E essa volatilidade só tende a aumentar.
Portanto, os empreendedores do segmento de tecnologia precisam de muita resiliência, que é a capacidade de se reinventar após um projeto mal sucedido. E precisam estar muito bem informados, para direcionarem os próximos investimentos. A ligação umbilical entre inovação e crescimento econômico, identificada por Schumpeter na primeira metade do século passado, está se evidenciando mais e mais a cada dia. É o mundo mais cerebral para o qual estamos caminhando.
O dinheiro, enquanto elemento central da economia, está preso a uma série de regras e convenções que limitam as alternativas em caso de crise. Já no mundo da tecnologia, o elemento central é a criatividade, e esta não está limitada a qualquer tipo de regulamentação. É o surpreendente produto entre o nada e a vontade de realizar.
O mundo está simplesmente seguindo o rumo previsto. Os negócios em tecnologia já ultrapassam em muito os mercados das commodities mais essenciais. Por isso especular tende a render menos do que conhecer; enfeitar deve vender menos do que aumentar a eficiência; simplificar é mais importante do que sofisticar. Esses são alguns movimentos que já podem ser observados. E representam também diretrizes importantes para os produtos e serviços a serem ofertados pela EiTV nas feiras e exposições de 2017.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

PEQUENOS APARELHOS, GRANDES NEGÓCIOS


Tem aplicativo de celular pra tudo! Mas não pode ter sido o do filme “Missão Impossível”: “-Esta gravação se auto destruirá em 5 segundos.” (poff!!) Pelo sim, pelo não, fica aqui mais uma hipótese, entre as muitas que tentam explicar as “explosões” de alguns aparelhos Galaxy Note 7. As muitas informações nebulosas e desencontradas até dão um clima de filme de ação e suspense, como aqueles que Tom Cruise protagonizou. Já virou até crime federal subir num avião de carreira nos Estados Unidos com um aparelho desses. E os valores envolvidos por conta do episódio estão estimados em US$ 17 bilhões. Sem dúvida, uma bela trama!
Não é humor negro, porque nada é engraçado nessa história. Mas o suspense em torno do assunto está ficando cinematográfico. Há mais de 10 anos caíram em descrédito os e-mails com narrativas de explosões de celulares. O consenso que foi se formando era de que algo tão terrível teria maior repercussão, se realmente tivesse acontecido. E agora a gente fica sabendo que aconteceu! Nos primeiros casos do Galaxy Note 7 a Samsung, fabricante do modelo, chegou a trocar os aparelhos sinistrados por novos. A conclusão é de que é possível acontecer algo tão terrível como explodir um celular, e ninguém ficar sabendo.
A própria natureza do acidente é desconhecida. Fala-se em “explosão” nos títulos das reportagens, mas a sucinta descrição do que aconteceu, sempre cita combustão. Não se sabe quantas vítimas, nem em quais países, o que sofreram e sequer o nome de uma delas. Sinal de que um batalhão de advogados e assessores de imprensa deve estar negociando, pela empresa, de forma muito convincente.

AS CAUSAS

Os motivos técnicos do “defeito” – vamos chamar assim – ainda não foram anunciados de forma conclusiva. Mas telas, capas de plástico e chips não explodem, o que leva à bateria uma suspeita natural. As últimas gerações de baterias usam uma tecnologia conhecida como “íon de lítio”, que inclui um líquido altamente inflamável, protegido por uma blindagem. Elas são capazes de armazenar muita energia em exemplares muito finos e leves. Além disso, configurações do processador do aparelho podem acelerar o processo de carregamento da bateria, outro conforto que agrada os usuários, mas aumenta a temperatura. Suspeita-se ainda de uma falha de projeto, que teria colocado os polos da bateria muito próximos e mesmo o design do aparelho pode ter alguma culpa, por facilitar a pressão mecânica sobre a fonte de energia.
Um detalhe é que a Samsung seria a única entre as grandes fabricantes de celulares que testa suas baterias em laboratórios próprios. Em parte faz sentido, por ser a maior entre todas. Mas os testes em laboratórios credenciados, como fazem as outras empresas do setor, podem permitir uma visão mais ampla dos riscos, com base na observação de experiências por todo o mundo.
Por fim, tem aquele “componente” que fica do outro lado do teclado. Trata-se de um ser que, além das vestes, tem como acessório pessoal mais comum o celular. Isso dá uma ideia do tamanho da responsabilidade que pode estar nas mãos da indústria desse segmento. Uma responsabilidade que muitos desdenhavam, diante daquele aparelho tão íntimo e aparentemente inofensivo. O Galaxy Note 7, cuja fabricação já foi oficialmente encerrada pela Samsung, pode mudar a posição da empresa no mercado. O marca “Galaxy” possivelmente vai desaparecer, deve dar lugar a outro nome para enfrentar iPhoneXperiaMotoPixel e tantos outros. Mas, o quanto o consumidor poderá se sentir seguro diante daqueles que inventam, a cada dia, uma nova forma de ganhar mais dinheiro?

A CAUSA POR TRÁS DAS CAUSAS

A indústria da tecnologia está dominando o topo dos negócios no mundo e essa tendência só deve se acentuar. O ranking das comoditties sempre estará bem próximo, mas nunca mais deve chegar ao topo. Os alimentos, indispensáveis à vida humana, não podem cair tanto, mas também nenhum deles vende mais do que o petróleo. A tecnologia, sim, deixou definitivamente o petróleo para trás. Na medida em que a tecnologia alcança um patamar tão importante, a pressa excessiva de lançar produtos surpreendentes no mercado, é um óbvio risco para os consumidores.
Nesta semana, o caso da Mineradora Samarco aqui no Brasil trouxe um alerta no mesmo sentido. Segundo a denúncia encaminhada pelo Ministério Público Federal, a ânsia de produzir mais e mais, a um custo menor, levou executivos da empresa a ocultar laudos e relatórios que indicavam o risco iminente de rompimento da barragem. Teriam até contabilizado os custos de um eventual desastre e optado por manter o mesmo ritmo, como alternativa compensadora. A Justiça ainda vai avaliar se as acusações procedem.
Força para tomarem essas decisões, as grandes corporações já demonstraram que têm. Por isso aqui, mais em baixo, o consumidor deve criar instrumentos de dissuasão de abusos nesse nível. Sim, celulares incendeiam e grandes barragens rompem. Falta decretar que grandes corporações e executivos gananciosos são submetidos a prejuízos brutais quando se atrevem a ignorar esses riscos na busca de lucros. E essa decisão nenhum juiz do mundo é capaz de tomar isoladamente. Tem que ter o mercado agindo ao seu lado, a população mostrando que não aceita ser cobaia.
Mesmo que todas essas notícias sejam apenas mal entendidos, já ficou claro que são possíveis. E o consumidor, até onde ele pode?

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

MUITO IMPORTANTE!


Se o seu time está entre os primeiros do campeonato, cuidado! Ele pode perder este título. Se está entre os últimos, cuidado! Ele pode cair para uma divisão inferior. Também muito importante não esquecer das bactérias ultra resistentes que o excesso de antibióticos está gerando, nem da crise econômica no Brasil, as ameaças do terrorismo internacional, as eleições americanas, a crise dos refugiados na Europa, o excesso de calorias na sua próxima refeição.
Tem muita coisa muito importante. Na última semana a mídia divulgou – de novo! – a importância de limpar corretamente a esponja usada na cozinha: todo dia tem de colocar no microondas, em alta potência, por dois minutos. Mesmo assim, a cada semana tem que jogar fora a esponja e substituir por outra nova. Sabe por quê? Porque isso é muito importante. Como os cuidados para andar na escada rolante de um shopping. Também, muito importantes!
Assim a gente se convence de que "muito importante" são aquelas coisas que quase nunca acontecem, mas vez por outra pegam algum azarado. Então, melhor colocar numa placa. Na verdade, coisas muito importantes existem, sim. Mas são tão importantes que ninguém fica falando. Você sabia que a regulamentação do VOD - video on demand - já deveria ter sido feita há um ano no Brasil e que vai ser objeto de uma "notícia regulatória" ainda em 2016? Pois é, quem disse foi Manoel Rangel, o novo presidente da Ancine. Mas atenção, será só uma notícia regulatória. A regulamentação mesmo ainda vai demorar. Porque é muito importante, então tem que ser votada no Congresso. O que!? Você não ouviu falar nada sobre isso até agora!!? (Se você ler o que tem pela frente vai perceber que este é, de fato, um assunto muito importante, por isso está meio na surdina.)

MUITO IMPORTANTE?

Quando se fala em video on demand o primeiro nome que vem à cabeça é Netflix. Aqui e praticamente no mundo todo. Alguém percebeu que os vídeos mais procurados são produções cinematográficas e notícias. Essas últimas, envelhecem em algumas horas. Sobrou então aquilo que enriquece salas de cinema e que também já enriqueceu locadoras de vídeo. Os piratas foram os primeiros a abandonar a nau dos CDs e utilizarem aquela que é a maior rede de distribuição de conteúdo do mundo: a Internet. Se não fossem tão focados na sacanagem teriam ficado ricos honestamente. O Netflix usou o modelo para abrir uma empresa, pagando todos os direitos autorais e os impostos incidentes.
Foi a confirmação de um fenômeno impressionante: o consumo de vídeo, entendido como obra audiovisual, não tem um limite visível! No começo eram só os cinemas. Décadas depois veio a TV, primeiro a aberta depois por assinatura, e muitos profetizaram o fim das telonas. Mas não, o consumo de audiovisuais aumentou. Vieram as locadoras e, dessa vez, os cinemas não iriam resistir. Ao contrário, mudaram para os endereços mais caros e concorridos, os shoppings. Com a banda larga mandando vídeo em todas as direções, só se vê a demanda aumentar. A receita do grande cineasta baiano Glauber Rocha está mais na moda do que nunca: “cinema se faz com uma ideia na cabeça e uma câmera na mão." O que talvez ninguém previsse à época é que as câmeras chegariam às mãos de todos antes das boas ideias. Mesmo assim, audiovisual vende. Abra o WhatsApp, o Youtube, outras redes sociais, e confira entre as piadas, produções – mambembes ou mais técnicas – que pagam cachês de atores e remuneram pequenas cadeias de valor. São muitas delas, pelo mundo todo. Imagine que, aqui no Brasil, nada disso está sob alguma lei específica. Os gestores públicos olham também o potencial de tributação. É importante ou não é?

IMPORTANTE, SEM DÚVIDA.

No Brasil, o Netflix atingiu 4 milhões de assinantes em cerca de dois anos, mesmo sofrendo a concorrência de outros provedores que atuam aqui. As TVs por assinatura demoraram 10 anos para ter 3,5 milhões de assinantes brasileiros. Ironicamente, foram elas que pavimentaram as vias de sucesso do VOD, enquanto arrastavam os cabos da banda larga. Os dados divulgados pela Ancine destacam o potencial do mercado de VOD no país. Além da arrecadação de impostos, esse mercado pode gerar muitos empregos e divisas.
Um “muito importante” que não sai de pauta é o cinema nacional. Ele tem lugar garantido no line up das TVs por assinatura, portanto terá algum amparo já a partir da notícia regulatória. Alias, o Presidente da Ancine antecipou que o documento terá como base resoluções já aprovadas no Conselho Superior de Cinema. Há outras questões de praxe, como parâmetros de qualidade do serviço e isonomia entre os provedores, principalmente se referindo às diferenças entre locais e estrangeiros. A Condecine, taxa que pesa sobre os títulos comercializados, deve dar lugar a outro modelo de arrecadação governamental, proporcional ao faturamento dos provedores. Por aí já dá para esperar uma breve reação das operadoras de TV por assinatura, que se sentem preteridas e submetidas a obrigações onerosas.
Quem já levantou a guarda foram os estúdios americanos. Eles já sabem que haverá obrigações em torno da promoção do cinema brasileiro, mas estão preocupados com a intensidade desse esforço. Temem que qualquer fator que torne mais caros os serviços dos provedores, acabe por empurrar a demanda para a pirataria. Essa sim, o grande ralo do faturamento de toda a cadeia, também dos operadores fiscais. Para os brasileiros, a experiência mostra que modelos de proteção da produção nacional podem trazer efeitos inversos. Basta dizer que a medida mais efetiva para que o cinema brasileiro desse um salto de qualidade foi a extinção da Embrafilme, há mais de 20 anos. Quem melhor promove qualquer produto é sempre o mercado, esse sim, muito importante!

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

QUANTO MAIS MEXE, MAIS COMPLICADO FICA


A proposta de recompra de set-top boxes “sociais”, anunciada pelo Ministro Gilberto Kassab, é uma das medidas mais polêmicas hoje no setor. Aparentemente, o Ministro quis fazer um agrado à Eletros, associação que reúne os fabricantes de TV da Zona Franca de Manaus. A Eletros anda meio triste porque não queria mais carregar um software brasileiro, que é obrigatório nos aparelhos montados aqui no Brasil. É o Ginga, aquele personagem da mais longa e confusa “novela” da TV brasileira. Segundo a Eletros, o Ginga encarece cada aparelho em R$ 50,00 e não serve para nada.

O Ministro começou explicando à Eletros que não poderia fazer isso, porque há alguns anos, vários documentos assinados preveem a obrigatoriedade do software, que torna os aparelhos de TV máquinas interativas. A questão é que a família Ginga cresceu e as coisas ficaram muito diferentes. A implementação que ainda é obrigatória nos aparelhos de TV é o “avô” do Ginga, muito limitado, quase não conversa. O Ginga C, “neto” mais novo, é o ninja da família Ginga. Faz de tudo, precisa ver! O Ginga C é justamente a geração que está no set-top box “social”. O apelido “social” vem do fato de ele ser gratuito, distribuído pelo Governo Federal para as famílias carentes que fazem parte do Cadastro Único da Assistência Social. Esse tipo de compensação se vê em todos os países onde o sinal analógico está sendo desligado, foi assim até nos Estados Unidos.

O que Kassab anunciou agora, como estímulo para a Eletros, é a recompra dos set-top boxes sociais que as fabricantes aceitarem de clientes, como parte do pagamento de um televisor novo. O raciocínio é simplista demais. Considera que uma TV nova sintoniza o sinal digital, portanto dispensa conversor (set-top box). Se você perdeu o lance, faça um “replay” nessa leitura e vai perceber que o Ministro está propondo trocar um Ginga da geração “avô” – que está embarcado nos televisores – por um Ginga C (“ninja”) que está no conversor social. Agora entendeu?

NÃO SE RESOLVE EM FAMÍLIA


O custo de uma versão para outra é o mesmo, porque o Ginga é gratuito para a população. O que está em jogo é a questão social, que o Governo jura ter como prioridade. Um pacote de aplicativos, com várias funcionalidades para a população, está disponível, também de graça, para qualquer interessado. Mas só roda no Ginga C. O pacote inclui o Brasil 4D (serviços públicos em geral), o aplicativo “Bolsa Família” (facilita muito a gestão do serviço social) e o “Quero Ver Cultura” (um OTT com filmes, documentários e outras produções nacionais). Esses aplicativos foram desenvolvidos há poucos anos pela estatal EBC – Empresa Brasileira de Comunicação e outros órgãos do Governo Federal. Nos dias de hoje, depois de tantos avanços nos celulares e tablets, o vovô Ginga não consegue oferecer nada interessante, muito menos rodar um Brasil 4D, por exemplo. Portanto, a população carente perderia a possibilidade de contar com serviços públicos gratuitos, para entrar numa dívida por um televisor novo. Isso sem falar na infinidade de outros aplicativos que podem ser desenvolvidos, com várias funções. Desde que tenha um Ginga C na plataforma do televisor para rodar.

Ademais, você já fez as contas do custo de toda a logística reversa para esses conversores sociais chegarem de volta até o Governo? Depois o armazenamento e redistribuição, sabe-se lá como e para quem? E tem o principal, o pagamento do valor para os fabricantes que venderem o televisor novo e pegarem o conversor como parte do pagamento. Será que ninguém na praça vai pensar em um mercado negro, pagando baratinho pelo conversor social que algum carente recebeu de graça? O Governo pode pagar com descontos fiscais, pode encontrar caminhos para evitar parte desses riscos. Mas onde vão parar os conversores recomprados é um tipo de problema para o qual vai ser muito difícil encontrar solução.

O Ministro Kassab poderia ajudar a todos dando uma outra sugestão aos fabricantes. Já que mais de 80% dos televisores vendidos hoje no Brasil são do tipo smart, eles poderiam aproveitar a plataforma de informática disponível nesses modelos para carregar o Ginga C. Assim estariam oferecendo muitas funcionalidades a mais em seus produtos. Porém, se o interesse dos fabricantes de TV é inviabilizar uma solução brasileira, que tende a crescer muito e fazer concorrência a outros equipamentos que eles produzem, então não é o caso de um Ministro brasileiro se preocupar em atende-los.

A COISA ESTÁ CRESCENDO


O Ginga C é uma plataforma capaz de turbinar uma smart TV sintonizada em canais da TV aberta. E esses canais estão conquistando mais espaço entre as opções de lazer do público. Um levantamento recente, feito pelo Ibope na cidade de São Paulo, mostra que o consumo de canais de TV aberta subiu 7% este ano, em comparação com o mesmo período de 2015. Enquanto isso, os canais pagos tiveram uma leve queda, inferior a 1%. O crescimento da audiência nas redes gratuitas foi constatado em todos os horários medidos pelo instituto.

A TV aberta está crescendo muito em qualidade, com avanços tecnológicos surpreendentes. O mundo todo está lançando um novo olhar sobre essa via de comunicação, que no Brasil é a de maior penetração. Essa realidade só faz aumentar a importância do Ginga C, enquanto tecnologia brasileira competitiva, num cenário de negócios onde só os países desenvolvidos têm espaço. Ele expande o potencial da TV para além do entretenimento através do vídeo, ou informação ao vivo. Por isso, pode acrescentar muito à experiência que deu nova importância à sala de estar em todo o mundo.