sexta-feira, 26 de agosto de 2016

NADA SERÁ COMO ANTES


Não vai ser apenas mais uma SET Expo. Nunca mais a SET Expo vai ser uma rotina anual, onde profissionais da indústria audiovisual se encontram para conhecer alguma novidade, fechar negócios e contar "causos". Há pouco mais de 10 anos a abertura da SET Expo causou frisson, muita ansiedade com a chegada da TV digital. Havia a forte impressão de que uma página da história da TV estava sendo virada. Ledo engano! Trocaram o livro, que agora tem no primeiro capítulo um manual de sobrevivência.

Na versão 2016 a SET Expo vai passar por este assunto: a sobrevivência da TV aberta terrestre! Quem poderia sonhar, há dez anos, no afã da TV digital, que algum dia iríamos falar sobre o fim da TV aberta? Não existe nenhuma definição nesse sentido, não há sequer uma ameaça significativa. Mas existe uma possibilidade, com data e local marcados para se falar a respeito. Vai ser em 2023, na WRC - World Radiocommunication Conferences. Os 6 MHz que cada emissora aberta mantém no espectro eletromagnético estão sendo cobiçados principalmente pelas teles, as operadoras de telefonia móvel.

Por outro lado é fácil perceber que, se não fossem as teles, seriam outros segmentos de negócios a ameaçar a TV. O mercado está se deparando com as leis da natureza pois, para tudo que nele existe, surgem os respectivos predadores. Daqui pra frente os museus devem se multiplicar, expandir suas dependências, porque estarão chegando muito rapidamente mais e mais objetos "imprescindíveis e muito desejados" até bem pouco tempo atrás. Por isso, a SET Expo, a partir de agora, vai se tornar um encontro de bravos guerreiros, criativos e empreendedores, que estarão sustentando e reinventando esse grande negócio que se chama TV aberta terrestre.

O FUTURO ESCOLHENDO ENTRE AS ALTERNATIVAS


A qualidade Full HD já está pleiteando um espaço dourado num museu com perfil business. Em pouco mais de uma década esses aparelhos fizeram girar bilhões e bilhões de dólares no mundo todo, para populações que se imaginavam confortáveis na sala do futuro. No lugar dela, a geração 3.0 do sistema americano ATSC está colocando o UHD, também conhecido por 4K, como padrão da TV aberta. Mas o Tio Sam já sabe que não foi desta vez que deu a volta por cima. A NHK japonesa está colocando 4 vezes o 4K nos mesmos 6 MHz onde os americanos comprimem o UHD. Essa é a parte divertida, onde os limites humanos começam a se impor e separar o ótimo do inútil. Afinal o olho humano não consegue enxergar toda a precisão que um UHD coloca numa tela de 40 polegadas. Se a partir de 55 polegadas a qualidade UHD vai encantar, mas o padrão 8K japonês não pode ser percebido. Daí a gente começa a se perguntar quantas pessoas têm espaço em casa para telas de 80 polegadas ou mais. Só a partir dessas dimensões é que o 8K começa a acariciar os olhos dos telespectadores.

Mesmo que seja usado um sistema de projeção, onde o tamanho da imagem seja ajustável para cada ambiente, fica difícil imaginar quantas pessoas vão investir numa tecnologia tão cara para, só de vez em quando, curtir um bom filme ou um evento esportivo muito especial com tanta definição. Talvez o sistema de som 22.2, do padrão 8K, seja combinado com o 4K, uma vez que o ganho de qualidade é audível de uma tecnologia para outra. Por outro lado o HDR, um sistema que dá um alcance de contraste muito melhor, pode representar mais qualidade para a imagem do que o aumento de pixels e frames (quadros por segundo). Alguém é capaz de responder qual seria a combinação ideal, para o cliente (que quer pagar por aquilo que efetivamente vai ver) ou para o fabricante (que quer produzir o melhor que o cliente aceite pagar)?

NOSSOS FEITOS OLÍMPICOS


A tecnologia digital tem o lado da altíssima complexidade industrial, infinitamente distante da realidade de muitas nações. Mas também tem o lado soft, diretamente acessível para qualquer inteligência ajustada aos códigos das linguagens de programação. É uma ligação imediata entre cérebro e máquina, onde o teclado e as pontas dos dedos funcionam como tomada. O algoritmo é socializante! E isso tem permitido a nações como o Brasil criar soluções digitais. Esse passaporte a EiTV já conquistou, exportando sistemas até para países do chamado Primeiro Mundo.

Neste ano a EiTV terá como destaques no seu stand na SET Expo, dois sistemas especialmente oportunos para este momento das emissoras brasileiras. O primeiro é o EiTV CC Box, voltado para automatizar a inserção das mensagens obrigatórias a partir dos 12 meses que antecedem o switch off. São avisos à população para resguardar o direito dos telespectadores e os interesses das emissoras, que não querem perder audiência por falta de aviso. O EiTV CC Box simplifica ao máximo uma tarefa com potencial de causar uma enorme confusão na grade de programação. O outro sistema é o EiTV Inspector. Ele explora todo o potencial do hardware que grava e arquiva, por tempo previsto em lei, a programação que foi ao ar. Afinal, além da gravação obrigatória, o sistema grava e analisa todos os parâmetros de qualidade do sinal que vai ao ar. É o mais completo do segmento e o mais simples de ser operado.

Por fim, a plataforma EiTV CLOUD e o aplicativo EiTV Play colocam toda a programação de uma emissora nas mãos de qualquer pessoa que tenha um celular ou tablet, um computador comum ou mesmo uma smart TV. A emissora pode manter todos seus arquivos na nuvem, além da própria programação ao vivo. E o EiTV Play permite o acesso de qualquer pessoa que baixe o aplicativo, em qualquer parte do mundo. O conteúdo pode ser disponibilizado gratuitamente ou monetizado por meio de propaganda ou planos de assinaturas. Esses sistemas colocam toda a emissora, o passado e o presente, ao alcance do público. E ampliam muito as possibilidades de receita para a emissora, uma vez que ela terá mais um canal para venda de propaganda ou assinatura. Portanto, aconteça o que acontecer, a EiTV já tem soluções para que você tenha TV gratuita ainda por muito tempo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

"MATCH POINT" VOLTA PARA O GINGA


O espírito olímpico é especialmente oportuno para explicar o que aconteceu na semana passada com a TV digital brasileira. O Ginga, software 100% nacional que permite a interatividade pela TV, foi mantido. Esse filme você já viu outras vezes, sempre com o mesmo final, frustrante. Por isso desta vez vamos encarar como um "match point", como se diz no tênis, no vôlei, na hora em que um dos lados da disputa só precisa acertar aquela bola para ganhar o jogo. Afinal, cada vez mais, tudo que se promete, jura, assina e registra em cartório, quando tem a ver com política pode mudar por completo de uma hora para outra. No caso do Ginga, mais uma vez voltou a ficar por cima. Mas o jogo ainda não acabou. 

Se bem que, desta vez, vai ficar estranho se tentarem voltar atrás de novo. Porque envolveram instituições fora da política, no caso, o TCU - Tribunal de Contas da União. O Ministro Gilberto Kassab, da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, negou um pedido para excluir o Ginga de um processo de compensações sociais. Ele disse que não é possível porque toda a documentação do processo foi aprovada com o Ginga incluso. Se desta vez o Ministro voltar atrás, estará debochando da lei. Tudo vai parecer apenas a velha estratégia de criar dificuldades, pra vender facilidades. É como se diz nos casos em que uma autoridade demonstra o poder que tem em mãos, criando uma dificuldade apenas para que os interessados se apressem em perguntar "quanto custa". Ninguém quer acreditar que seja isso que está acontecendo.

UMA CONVERGÊNCIA DE INTERESSES


A história é enrolada, mas dá pra recapitular o suficiente para qualquer um entender. Tecnicamente, a faixa de frequência usada nas transmissões de TV é muito boa para quem quer fazer qualquer cobertura grande de sinal de radiofrequência. Não é à toa que, no mundo todo, as operadoras de celular (as "teles") tem olho gordo em cima dessa faixa. As operadoras brasileiras, para expandirem a Internet 4G, há alguns anos já pediam ao Governo Federal que liberasse parte dessa faixa de frequência que as emissoras usam. Na época, o governo tinha outra grande preocupação: o "switch off", ou seja, o fim do sinal analógico para transmissões de TV no Brasil. Em todos os países onde isso já aconteceu, antes do desligamento definitivo do sinal analógico (switch off) foram doados conversores, ou até televisores novos para as famílias de baixa renda. São as compensações sociais. No Brasil, não poderia ser diferente. Afinal, a TV aberta tem um papel social inegável.

Diante do pedido das teles o Governo Brasileiro resolveu juntar as duas coisas. Ele aceitou liberar parte da faixa de TV para as operadoras, desde que elas assumissem os custos das compensações sociais. Fizeram as contas, deu R$ 1,2 bilhão para cada interessada. As frequências são distribuídas através de leilão entre as empresas. No caso desse leilão, que aconteceu em 2014, cada empresa inscrita teve que assumir o compromisso de doar R$ 1,2 bilhão para o fundo de compensações. Só depois pôde entrar na disputa do "quem dá mais", onde o governo fica com o dinheiro dos lances vencedores. No final, o Governo ficou com pouco mais de R$ 5 bilhões (soma dos lances vencedores) e o fundo de compensação com cerca de R$ 3,6 bilhões. O detalhe é que, no Edital do leilão, estava escrito que os conversores doados para a população de baixa renda teriam que ter o Ginga. É disso que o Ministro Kassab está falando agora.

DANDO NOME AOS BOIS


Os R$ 3,6 bilhões do fundo de compensação ficaram em nome de uma empresa criada só pra isso, a EAD - Empresa Administradora da Digitalização. As decisões dessa empresa são tomadas pelo GIRED - Grupo de Implantação e Redistribuição de Canais De TV. O GIRED tem representantes do Governo Federal, das emissoras de TV e das teles. Na semana passada, representantes das teles e das emissoras fizeram um acordo para excluir o Ginga dos conversores que vão ser doados à população de baixa renda. Com isso os conversores podem ser mais simples, ficam mais baratos. Cairiam de um preço estimado em torno de US$ 20,00 por unidade, para cerca de US$ 10,00.

A EAD estaria buscando essa economia por alguns motivos claros. Primeiro porque a empresa Oi, que era considerada uma das interessadas pelo leilão, acabou ficando de fora. Na época ninguém entendeu mas agora, que a situação financeira da Oi chegou às páginas dos jornais e aos cartórios de protesto, ficou claro. Isso fez o fundo ficar menor do que o previsto. Tem ainda o fato de que, além dos conversores, as compensações incluem a doação de equipamentos para as emissoras que usavam as frequências leiloadas. Incluem também filtros de frequência necessários para algumas regiões e os custos de divulgação do desligamento analógico. Por fim, há que se considerar que todos esses equipamentos são importados e o dólar deu um salto significativo no ano passado.

OLHANDO PELO OUTRO LADO


Um conversor (o nome técnico é set-top box) com Ginga permite a interatividade pela TV. Com isso, a população de baixa renda pode acessar uma série de serviços públicos, como saldo do FGTS, informações sobre empregos na região e até cursos profissionalizantes pela TV. O Ministério da Cultura vai disponibilizar ainda um vasto acervo de filmes, que poderão ser baixados pelos interessados, como um “Netflix” gratuito. O Ginga permite ainda que muitas prefeituras façam seus próprios aplicativos, para divulgar campanhas de vacinação, matrículas escolares e até agendamento de consultas médicas. Se a coisa pegar e os conversores interativos chegarem ao mercado, empresas particulares como bancos ou clínicas podem desenvolver aplicativos para clientes utilizarem a plataforma Ginga. Mesmo as emissoras podem incluir mais recursos na grade de programação com o Ginga.

O Ginga deveria ter começado a história por aí, conquistando o mercado. Mas as grandes empresas de tecnologia não se interessaram em investir em equipamentos para um software brasileiro, mesmo sendo considerado o melhor do mundo no segmento, segundo avaliação oficial da UIT - União Internacional de Telecomunicações. O Ginga é uma plataforma estratégica para países pobres, onde a TV aberta domina e tem as maiores redes de cobertura. Nos países ricos fica mais fácil fazer a interatividade pela "segunda tela" (tablets ou smartphones) via Internet. Aqui no Brasil as emissoras já fazem isso por meio de aplicativos, como o Globo Play. Isso já se tornou mais uma forma de faturamento para elas. Foi o que faltou para o Ginga. As emissoras brasileiras não conseguiram encontrar um modelo de negócios para ganhar dinheiro com ele. Pelo contrário, corriam o risco de ouvir reclamações dos anunciantes.

COMO FICA, ENTÃO?


O Ginga tem várias implementações. Uma delas, com poucos recursos, muito limitados, é obrigatória para os fabricantes de televisores com conversor embutido. Na prática é um Ginga que não serve para quase nada. A implementação mais sofisticada é chamada de Ginga C e estava prevista para atender a interatividade exigida no leilão. A implementação escolhida agora fica um pouco abaixo do Ginga C, vai precisar de um hardware com 2 GB de memória flash e 256 MB de RAM. É metade da RAM prevista para o Ginga C e ainda, não vai ter entrada HDMI nem porta ethernet. As duas entradas USB estão mantidas. Não terá também a máquina virtual Java, limitando o uso de aplicativos desenvolvidos em linguagem Java. Com isso, o preço estimado fica em torno de US$ 15,00 por unidade, um valor intermediário.

Se ficar desse jeito o conversor, sem entrada HDMI, só vai exibir qualidade de imagem SD, que é a resolução dos televisores analógicos. Faz sentido, uma vez que se trata de uma compensação para famílias que, teoricamente, não tem condições de comprar um conversor por R$ 100,00. Quando precisar de conexão do conversor com a Internet terá que usar uma das portas USB, conectando um modem 3G ou um dongle Wi-Fi. Uma solução que atende minimamente os dois lados.

E AFINAL, PRA QUANDO FICA O SWITCH OFF ?


Este é o ponto chave da questão. Desde o início da TV digital no Brasil o Governo tinha reunido todas as partes interessadas e fez um planejamento. O processo foi bem conduzido. O desligamento definitivo do sinal analógico ficou marcado para 2018. Só que no ano passado um grupo de emissoras começou a gritar para os quatro cantos que essa data seria impossível e acabou convencendo o governo. Na última portaria publicada pelo Governo Federal em 10 de maio de 2016, foi estabelecido que até 31 de dezembro de 2018 o sinal analógico será desligado apenas nas localidades nas quais seja necessária a viabilização da implantação das redes de telefonia móvel de quarta geração (4G) na faixa de radiofrequências de 698 MHz a 806 MHz.

Com isso, a previsão é de que até 2018, o sinal analógico de TV seja desligado em cerca de 1.400 municípios do Brasil para liberar a faixa. Segundo o Ministério das Comunicações, essas localidades concentram a maior parte da população do país. A data para implantar completamente o sinal digital nas regiões menos habitadas, aparentemente ficou para "algum dia, quem sabe". Só deve acontecer de fato quando não houver mais peças de reposição para os equipamentos analógicos.

Há quem aposte que o motivo dessa mudança por parte das emissoras foi a recessão e a alta do dólar. Os que tinham deixado para comprar os equipamentos na última hora ficaram sem capacidade de investimento com as novas condições econômicas do país. Elas já digitalizaram a transmissão, mas falta digitalizar a retransmissão (RTV), ou seja, os equipamentos das torres que recuperam o sinal depois de alguns quilômetros de distância, formando assim as grandes redes de cobertura.

Nas regiões mais populosas, onde as emissoras faturam bastante, também é onde chegam muitos sinais de radiodifusão, inclusive o dos celulares. É nessas regiões onde o sinal analógico de TV mais atrapalha a expansão do 4G das teles. Nas regiões menos habitadas as faixas de frequência são pouco utilizadas, sobra espaço para o 4G. Isto é, caso as teles tenham interesse em levar o sinal até essas regiões.

Será que, dessa vez vai!? Façam suas apostas.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

MEDALHA DE OURO PARA A FESTA DE ABERTURA


Olimpíadas, essas esportivas, têm um compromisso sério com a realidade. De alguma forma são um congresso da espécie humana sobre os próprios limites. Vidas dedicadas a treinamentos intensivos, vidas, enfim, selecionadas. Para então, nas frações de segundos, nos milésimos do milímetro, conquistar um sutil avanço na fronteira do possível, daquilo que passa a ser real. Na 31ª Olimpíada da Era Moderna, versão brasileira, a escassez do real - a moeda, no caso - abriu um espaço maior para o virtual, aceito no parque olímpico somente até a festa de abertura. Ora, ora, e não é que os macacos latinos mandaram bem!? Não, mais do que isso, mandamos muito bem mesmo!

Virão os ecos desta que será uma das maiores conquistas brasileiras no território do Olimpo! Durante a festa de abertura sensações inéditas foram relatadas entrando ou saindo pelos poros, no coração, na memória. Manchete geral da mídia terrestre, lisonjeira para o Brasil, como jamais.

Essa reação em cadeia, o efeito nuclear em cada expectador, vão repercutir por muito tempo. Numa visão mais simplista, foi o efeito da fusão entre o real e o virtual, uma confusão fantástica dos sentidos. Por algum tempo, o mundo todo entrou no Maracanã. Por exemplo, durante o sobrevoo de Santos Dumont pela Cidade Maravilhosa, a bordo do 14 Bis, praticamente não havia diferença para quem estava no estádio ou diante de uma TV de alta definição. Tudo era só ilusão, como os edifícios que germinavam do gramado, para personagens humanos saltarem entre as coberturas. Atletas de olimpíadas entendem bem disso. Eles não acreditam só no real, e por isso desafiam o próprio corpo e a mente. Preparam o corpo para a ação e a mente para a superação. Vão buscar na virtualidade dos próprios sonhos a projeção da nova realidade. Uma sensação que a tecnologia digital, de certa forma, está colocando ao alcance de gente comum, como a gente.

ELES ESTÃO POR TODA PARTE


Pra quem ainda não percebeu essa invasão do virtual sobre a realidade, as provas mais cabais vão se oferecendo, preparando armadilhas, talvez. Ah, você nunca comprou nada numa loja virtual? Também não acompanhou nem por um momento a saga do Super Mario Bros? E esse Pokemon que está espreitando você dali de perto da porta? Se duvida, pegue logo os óculos “Go”, baixados no seu celular, e veja com os seus próprios olhos.

Só por acaso o Pokemon Go, o jogo que mistura realidade e ilusão, chegou ao Brasil no dia da abertura das Olimpíadas Rio 2016. Espalhou monstrinhos e panacas – estes últimos, em quantidade bem maior – pelo parque olímpico, pelas ruas das grandes cidades. Está sendo uma febre mundial que hoje provoca delírios. Por enquanto é hora de curtir, viver o momento. São coisas do virtual. Nos sonhos do sono quase tudo é non sense, prazeres infantis são experimentados livremente. No entanto sempre foi o único jeito de descobrir o quanto é excitante voar como o Superman. Por isso, relaxe! Parece que finalmente está chegando o “lado bom”. Sim, porque ao longo do tempo o virtual digital já dobrou sua carga de trabalho, zerou o saldo de inúmeras contas bancárias, limites de crédito em cartões, já sequestrou até dados gravados em HDs. Por que agora não pode nos divertir? Afinal também estamos enfrentando limites, desta vez do ridículo. O melhor é que estamos descobrindo que isso é muito prazeroso.

É COISA DA SUA CABEÇA...


O mundo está ficando pequeno, se vê quase tudo pelos satélites. De vez em quando é bom passar por um lugar diferente, onde ousamos mais, podemos mais, e o fim de uma vida se resolve apertando a tecla start. Um pouco disso sempre existiu, mas era individual, como continua até hoje, nos sonhos que projetamos no pensamento. Mais comedidos, pra não confundir o próprio juízo. Mesmo assim, a humanidade produziu os loucos necessários para nos encantarem com a música, o teatro, as artes plásticas, a literatura e até gols de placa.

Essa extensão virtual do mundo deve interferir cada vez mais na realidade concreta. Já se usa para treinar esportistas de alto rendimento, pilotos de avião, operadores de guindastes, trata até fobias, transtornos psiquiátricos. É um mundo que pode nos exigir mais, com a vantagem de nunca punir. Não é o mundo que escolheríamos, mas com certeza não é algo do qual podemos abrir mão. A cada sopro anímico nos algoritmos, se descobre mais maneiras para tornar este Planeta Terra um pouco melhor.

Falando mais objetivamente, essa fonte de ilusões promete ser uma das principais artérias para circulação de dinheiro no mundo concreto. A chamada realidade virtual encontrou no celular um dos seus principais oceanos. Muitos outros navegantes, de várias dimensões da matemática, vão chegar por outros acessórios exóticos. São feixes laser que se transformam em cordas de instrumentos musicais, máscaras por onde interagimos com pessoas distantes, em lugares inusitados, joysticks que viram raquetes. E para cada um desses novos hardwares, vai surgir uma infinidade de aplicativos, cuja principal matéria prima vai vir de lá, da árvore de todas as ilusões, a mente humana. Num futuro breve, os professores não vão mais repreender nenhum aluno por estar com a cabeça em outro mundo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O MUNDO INGRATO DOS NEGÓCIOS DA TECNOLOGIA


Ser consumidor está virando uma coisa engraçada! Cada vez mais idolatrado pelas empresas, adulado pelos vendedores, protegido pelas leis, ... e cada vez mais perdido no jogo dos negócios. Já tem dicionário próprio para embrulhar consumidor. Por exemplo, "descontinuamos" significa "prejuízo total". Então, se a bateria do seu notebook pifou e a assistência técnica disse que foi "descontinuada" a fabricação daquela bateria, pode jogar tudo fora. Consumidor tem até doenças no Cadastro Internacional da OMS, a mais famosa é "comprador compulsivo", diga-se, responsável pela saúde de várias empresas.

Bugiganga eletrônica deve ter o vírus dessa doença aí. Que tem vírus, tem. Mas o problema é aquela coisa que a gente sente quando vê um novo gadget. Algo do tipo que faz um cachorro abanar o rabo. Sabe que aquilo vai ficar "velho" em menos de um ano e que, em três anos, tem grande chance de virar lixo. Mas você vai lá e pá... paga. Consumidor, afinal, é só uma entre as inúmeras "fichas" que se amontoam no cacife dos players que se sentam à mesa do grande jogo do mercado. Cada vez que você compra é como se alguém tivesse empurrado você para o centro da mesa, numa grande aposta. Só o tempo vai dizer qual a jogada comercial que vai levar aquilo tudo pra algum outro canto da mesa. O consumidor sabe que nunca vai sentar em alguma das cadeiras. Mas, para aquele que entender melhor as estratégias dos jogadores, esse desgastante vai e volta pode ficar bem mais ameno.

A indústria da TV, que enriqueceu muito nos últimos anos com a tecnologia digital, está preocupada com uma conversa do "croupier", aquele cara que não manda nada, mas é cheio das regras. É ele que distribui as cartas na mesa. Ultimamente está falando muito em "união de esforços", "não onerar desnecessariamente o consumidor". Que papo é esse!?

DE NOVO A CONVERGÊNCIA TECNOLÓGICA


E se existisse um set-top box que permitisse exibir em qualquer aparelho de TV tanto a Internet como a TV digital aberta? Pois é, existe! Precisa de um hardware semelhante ao do set-top box que foi distribuído aos beneficiários do Bolsa Família em Rio Verde – GO (primeira cidade brasileira onde o sinal analógico foi definitivamente desligado). E precisa de um middleware, um programa como o Ginga. Mas teria que ser um “super Ginga”, ou seja, uma implementação um pouco mais elaborada do que o Ginga C. Uma solução razoavelmente simples de ser concretizada. As emissoras também teriam que acrescentar alguma infraestrutura.

Para o sistema europeu já existe esse set-top box e o middleware chama-se HbbTV. No Japão, o middleware é o HybridCast. Eles permitem interações tanto com a emissora, como na navegação normal pela Internet. Surgiram a partir de uma proposta da União Internacional de Telecomunicações, a UIT (ITU, na sigla em inglês), denominada IBB – Integração Broadcast (sinal de TV) e Broadband (sinal de Internet). As razões que levaram a esta proposta são muitas. Mas podem ser resumidas pelo grande ganho que propiciam ao consumidor – aquele mesmo, que as empresas idolatram! – com pouco investimento a mais dos fabricantes. Muito justo, para quem já pagou pelo televisor, pelo celular, tablet, ... Isso sem contar a racionalização do uso do espectro, onde trafegam as ondas que fazem toda essa comunicação.

O Fórum SBTVD já atua no “Ginga IBB”, mas tudo indica que não vai ser fácil chegar ao consumidor. É que ainda não foi inventado um modelo de negócio capaz de fazer esse serviço render dinheiro, dar algum retorno ao investimento das emissoras. Mais do que isso, pode atrapalhar o modelo atual. Os aplicativos dos vários canais – tipo Globo Play – poderiam ser exibidos em qualquer televisor ligado num set-top box IBB. Porém, cada vez que um telespectador fizesse isso, estaria fugindo das mensagens publicitárias. Aquelas mesmas, que bancam a TV aberta.

OS ASSINANTES DE TV TAMBÉM FORAM LEMBRADOS


A onda da integração de sistemas digitais é assim, vai e volta. Nos Estados Unidos a FCC – tipo a “Anatel” deles – está propondo a integração nas caixas OTT, como o Chromecast, do Google. São serviços de streaming de vídeo que o consumidor pode ter a partir do momento que compra a caixa, que é exatamente um set-top box. Além do Chromecast tem a caixa da Apple TV, da Amazon Fire TV e da Roku, que domina quase metade do mercado. Cada uma delas vende mais de um modelo de caixa, acrescentando recursos na medida em que o preço aumenta.

Como órgão regulador, a FCC quer simplificar para o consumidor, propondo uma caixa única. A ideia é que cada operadora produza o próprio aplicativo em HTML5. O consumidor seria dono da caixa que ele escolhesse no mercado e poderia baixar o aplicativo da operadora que quisesse, com mais recursos ou menos recursos, dependendo do pacote. A questão está em consulta pública e a Roku sugere outro caminho. A empresa alega que o HTML5 deixaria os aplicativos mais “pesados”, demandando mais processamento.

E assim a onda da integração, cheia de boas intenções, pode se tornar mais um gasto inútil. Nada contra, mas a prática tem mostrado que o mercado de tecnologia muda muito rápido. Como a regra de sobrevivência recomenda a diferenciação, os novos sistemas costumam chegar com alguma coisa exclusiva. Quando o negócio de um novo sistema faz sucesso a concorrência aparece e, pra se justificar no mercado, também vai querer se diferenciar. Assim vai, até que num belo dia aparece um órgão regulador recomendando a integração. Ou melhor, “harmonização”, pra ficar mais zen. Êta mundo... cheio de onda!