sexta-feira, 24 de junho de 2016

O LIMITE DE CUSTO DAS BRIGAS POLÍTICAS


“Na hora de jogar fora a água da bacia, depois do banho, atenção pra não jogar junto o bebê.” Sabedoria popular, coisa que não dá Ibope mas fica na cabeça de quem entendeu. No caso, o aforismo é próprio para um tipo de situação bem complicada. Aponta para alguma coisa tão importante e promissora como um bebê e, ao mesmo tempo, para algo turvo e descartável, no entorno daquela presença.

O assunto é a EBC – Empresa Brasil de Comunicação, criada para atender uma necessidade citada na Constituição: um Serviço Público de Comunicação Social, em nível nacional. De 2007, quando foi criada, até os dias atuais, além de alguns programas difíceis de serem justificados, a EBC também produziu intrigas e altos números orçamentários, que alcançam repercussão maior do que suas mídias. É o que traz a certeza de que há uma “água cinza” a ser descartada, e uma incerteza sobre a real existência de um “bebê”, um valor a ser preservado.

De toda a estrutura montada pela empresa, a TV Brasil é a mais polêmica. Além dela a EBC administra também algumas emissoras de rádio, agências de notícias e acompanha eventos governamentais. A TV consumiu metade do orçamento de toda a empresa no ano passado. No total, desde a fundação da EBC, o Tesouro Nacional colocou R$ 2,6 bilhões na estatal como um todo, segundo dados oficiais. No ano passado os funcionários da EBC fizeram uma greve contra o que eles chamavam de aparelhamento do projeto. Pouco mais de dois meses após a greve, o mesmo problema teria motivado o pedido de demissão do jornalista Américo Martins, então Diretor Presidente da estatal, que estava no cargo havia seis meses. Ele foi acompanhado espontaneamente pelo Diretor Geral Asdrubal Figueiró, mas nenhum deles fez qualquer reclamação pública, alegaram apenas questões pessoais.

 

SÉRIE C DO CAMPEONATO PAULISTA EM REDE NACIONAL


Por que um morador do Interior do Acre, do Piauí ou do Rio de Janeiro se interessaria em assistir a um jogo de futebol da Série C do Campeonato Paulista? Possivelmente foi o que Américo Martins questionou, ao tirar da grade a exibição da pelada. Mesmo assim o jogo foi ao ar e esta teria sido a gota d'água para o pedido de demissão. Em fevereiro a revista "Carta Capital" divulgou nota conjunta do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal e da Comissão de Empregados da EBC, criticando o aparelhamento da empresa a partir de indicações da Secom, então comandada pelo Ministro Edinho Silva. A nota cita ainda intervenções no Jornalismo da emissora, pois “pautas positivas para o governo, como a transposição do Rio São Francisco, foram impostas sem abrir o devido espaço para o contraditório."

O então Ministro Edinho Silva negou ingerências e afirmou que nunca fez qualquer contratação política na empresa. O histórico da estatal não confirma as palavras do Ministro. Quando ele assumiu a pasta, os funcionários mais antigos da EBC notaram a intensificação de substituições de colegas, sem razão aparente. As vagas eram depois preenchidas com salários bem acima da média da empresa, segundo eles. O quadro de funcionários inchou nos últimos anos. Dos 1.462 inicialmente contratados, saltou para 2.564 no final de 2014. A EBC foi constituída de forma a impedir ingerências políticas, primando por um projeto de Comunicação Pública, jamais político-partidária. Tem um Conselho Curador com membros escolhidos em consulta pública, com mandato de dois anos, assim como o Presidente da empresa. Em fevereiro, Rita Freire, atual Presidente do Conselho, demonstrou preocupação com a saída intempestiva de Martins, e falou publicamente da importância do projeto de Comunicação Pública autônoma. Mas ficou só nisso.

 

CADÊ O BEBÊ, O VALOR A SER RESGATADO


Nos últimos dias Rita Freire está furiosa e em prontidão, contra o desmantelamento da EBC. O Presidente Interino Michel Temer, que não conseguiu intervir no comando da estatal, decidiu enviar um projeto de lei para mudar toda a estrutura da EBC. O Conselho Curador vai ser extinto e a TV Brasil deve sair do ar. Agora é todo o Conselho da empresa que protesta veementemente contra as ingerências políticas.

O que o Presidente Interino não está percebendo é que, antes mesmo de ele assumir, os funcionários mais antigos já zelavam pelo projeto de Comunicação Pública. Eles arriscaram os próprios currículos numa mobilização em favor desse projeto, na greve do ano passado. Em pouco tempo o aparelhamento não se sustentaria mais e a EBC partiria decisivamente para o atendimento das necessidades citadas na Constituição. Desmanchar tudo isso pode se revelar um erro caro contra o cidadão que paga impostos. Mais do que isso, o atual staff político do país está acusando falhas injustamente, contra projetos de claro interesse nacional. Um deles é o Brasil 4D, baseado na versão C do software Ginga, desenvolvido 100% no Brasil. Ele é capaz de transformar qualquer aparelho de TV numa tela interativa, para oferecimento de serviços públicos, desde contagem de tempo de serviço para aposentadoria até cursos profissionalizantes.

Para que o projeto seja posto em prática é necessário conectar ao aparelho de TV um conversor digital com o Ginga C. A versão aperfeiçoada do Ginga exige mais memória e maior capacidade de armazenamento. Os conversores serão doados para a população carente pelas empresas de telefonia móvel, como parte do acordo de concessões já assinadas pelo Governo, que previa compensações. Não haverá custos para os cofres públicos. No entanto, fontes do Planalto tratam o projeto como sendo "ultrapassado", um esforço sem lógica, em vista dos avanços já alcançados no setor. Os avanços citados não atenderiam absolutamente as áreas que o Ginca C contempla. Para produzir algo semelhante, o investimento em infraestrutura seria monumental, começando por exigir Internet banda larga em cada hectare deste imenso país. O Ginga é um projeto brasileiro, na medida para as necessidades brasileiras.

Prestigiar os funcionários da EBC seria a reativação de um projeto de Comunicação Pública de interesse nacional. E seria ainda o mais contundente revide ao aparelhamento partidário da empresa. As autoridades precisam ser chamadas às suas responsabilidades para não impor mais um sério prejuízo a este Brasil tão endividado.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

VOCÊ VIRTUAL, O GRANDE NEGÓCIO DESSES TEMPOS


O fato é verídico. Aconteceu entre o final da década de 60 e início dos anos 70. O “milagre brasileiro” colocava muitos carros nacionais nas ruas, falava-se em TV em cores, carrinhos guiados com controle remoto. Viva a tecnologia! Ao Norte, a Transamazônica invadia mansamente os cofres públicos e a floresta, para marcar uma nova fase de desbravamento. Várias tribos tiveram um primeiro contato com o civilização naquela época.

Representantes de uma delas, já acostumados a usar calças de brim coringa, foram convidados a ir para São Paulo, conhecer o outro mundo. Antropólogos explicavam as “pajelanças” do homem branco, que mudaram tão drasticamente o ambiente. Viram edifícios, automóveis, grandes avenidas, telefone, TV, energia elétrica, etc. Passados alguns dias, em conversa com jornalistas, um deles perguntou a um dos índios o que mais o havia encantado na civilização, o que ele gostaria de levar para sua tribo. Pensou – só um pouco – andou até o fundo da sala e apontou uma torneira. O índio sabe a importância da água e o peso de transporta-la. Aquela maquininha que jorrava de forma tão simples foi, para ele, o milagre mais convincente dos brasileiros civilizados. Ele não sabia a grandeza e a complexidade que, da torneira para trás, traziam a água limpa até o lavabo.

Uga, uga, agora é nossa vez. As grandes soluções tecnológicas estão aparecendo assim na vida civilizada. Tem uma aparência simples pra quem usa, mas mobilizam estruturas de alta complexidade tecnológica. E conquistam valores surpreendentes no mercado.

GIGA DÓLARES, POR UM MUNDO DE GIGABYTES


A Microsoft pagou, em 2013, US$ 7,2 bilhões pela Nokia, uma das marcas de celular mais bem posicionadas no mercado. Dois anos antes ela mesma tinha pago US$ 8,5 bilhões pelo Skype. Ora, uma fábrica de celulares exige projetos sofisticados, microchips avançados, com zilhões de componentes microscópicos. Muitas máquinas de altíssima precisão, um capital gigantesco investido em instalações, logística, mão de obra altamente qualificada, pesquisa e desenvolvimento permanentes para acompanhar a concorrência. A gente vê na mão, quando pega um celular, os indícios de toda essa complexidade. Já o Skype, que custou mais caro, é muito mais simples para quem abre o aplicativo. Parece apenas uma das formas de usar toda essa tecnologia. A verdade é que a produção de um software que transforma um computador num vídeo fone envolve muita inteligência. O capital instalado para cria-lo são microcomputadores e alguns periféricos. Depois de pronto se multiplica quase que sozinho. Mas toda uma estrutura altamente complexa precisa ser mantida e atualizada, longe porém, dos olhos de quem já se acostumou a simplesmente acessar a Internet.

No começo deste mês a mesma Microsoft fechou a compra da rede social de profissionais LinkedIn por US$ 26,2 bilhões. É mais do que o triplo do que foi pago na compra da Nokia. Quase toda a tecnologia envolvida no desenvolvimento da interface de uma rede social é algo que há muito tempo já estava disponível. Precisa muita criatividade para reunir tudo de uma maneira diferente, de forma a tornar aquele novo espaço virtual tão atraente e tão útil. É coisa para pessoas desligadas, como aqueles índios da Era Hippye, que se encantaram com o mais simples dos milagres brasileiros. Bom que nem pensem na complexidade que existe por trás do aplicativo.

OLHA O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO


Sempre teve assunto de trabalho e assunto entre amigos. Hoje temos as redes sociais para os amigos, onde o Facebook é o exemplo onipresente. O LinkedIn é a rede social do trabalho, do lado profissional. Por falar em Facebook, taí algo que aconteceu contra todos os paradigmas de então. Os primeiros bilionários digitais faziam um tipo prodígio, o gênio que se revelava. Foi assim com Steve Jobs e Bill Gates, pra citar os mais conhecidos. De fato, o que eles trouxeram ao mercado surpreendeu todo mundo, mudou sistemas de produção, rotinas de trabalho, coisas que balançaram os telhados. E o Facebook? O dono usou um modelo feito por um grupo de colegas de universidade, pôs os amigos pra trabalhar por ele – inclusive um brasileiro – e depois ficou com a torneira de dólares no colo. Ao conectar o engenho à Internet, o sucesso foi tanto que precisou desenvolver uma estrutura muito complexa, pra ligar tanta gente, de um modo tão simples.

O mundo está se reconstruindo assim, habitando a memória eletrônica. Amigos nessas redes sociais, trabalho nessas outras. A praxe é free – pelo menos no começo – pra inverter a lógica tradicional. É o caso do WhatsApp, foi assim com o Snapchat – que já começa a ser pago indiretamente, pela publicidade – e outros aplicativos que prestam serviços sérios, ou apenas divertidos. Parece que o objetivo é só atrair cada vez mais pessoas para o mundo on-line, o máximo de tempo possível. Jazidas de bits são vendidas a preço de diamantes e você fica cada dia mais virtual. Um dia, os antropólogos vão ter de encontrar explicações mais consistentes para esta migração em massa de nativos civilizados, para os domínios digitais.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

"QUEM NÃO SE COMUNICA, SE TRUMBICA"


Se o sistema público de saúde brasileiro tivesse sido inventado hoje muita gente seria contra, suspeitando que só serviria para tratar os amigos dos políticos. Agora que já existe, todo mundo sabe o quanto é necessário. A suspeita, no entanto, não é de todo absurda. Há quem diga que, nos casos mais complexos, para conseguir atendimento precisa de um empurrãozinho de alguém que anda de carro oficial. Em todos os serviços públicos se percebe esses dois lados: a necessidade da população, que depende do serviço, e o uso político, que desmoraliza a administração.

Em vários países se observa que, no caso do serviço público de comunicação social, o jogo de influências é pesado. É assim na PBS, nos Estados Unidos, na Deutsche Welle (Alemanha), na France Télévisions (França), TVE (Espanha), RTP (Portugal), RAI (Itália), NHK (Japão), BBC (Reino Unido), todas emissoras públicas nacionais de TV. Todas sofrem pressões políticas, mas prestam serviços fundamentais nesses países. São ações de saúde, educação, cidadania e cultura. No caso da NHK japonesa, até no desenvolvimento tecnológico do setor ela fez história. A televisão de alta definição foi uma experiência iniciada lá. Hoje está presente no mundo todo e gera bilhões de dólares em divisas para o país.

Um dia o Brasil vai ter que ter um sistema completo de comunicação pública. A Constituição determina que seja assim e a necessidade é grande. Embora nos grandes centros urbanos não seja tão fácil perceber esta necessidade.

UM PASSO A FRENTE, UM PASSO EM FALSO


A partir de 2008 o Brasil montou parte importante da infraestrutura para um serviço nacional de comunicação social. Foi criada a EBC - Empresa Brasil de Comunicação, que administra a TV Brasil, a Agência Brasil, a Rádio Nacional da Amazônia, a Radioagência Nacional, e mais seis estações de rádio AM e FM. Enquanto isso, setores de governo manifestavam inquietação com a imprensa em geral, falavam em regulamentação para "democratizar" jornais e emissoras privadas, sempre demonstrando um nítido viés ideológico. Essa movimentação repercutiu muito e, na prática, teve pouco efeito. O próprio governo se incumbiu de conter esses setores, que não percebiam ser impossível avançar contra a tradição da comunicação social brasileira.

Esta é, portanto, apenas uma das provas de que, no Brasil de hoje, o senso crítico comum é suficiente para impedir que um governo qualquer interfira tanto na liberdade de imprensa. O que se vê na Venezuela, o que aconteceu na Argentina de Cristina Kirchner, são extrapolações impossíveis para a realidade brasileira. No Brasil o governo, mesmo reclamando abertamente da imprensa, sequer direcionou a propaganda oficial milionária como forma de boicote.

"LEVANTA, SACODE A POEIRA E DÁ A VOLTA POR CIMA"


Como ninguém é capaz de prever o futuro, nem falar em nome de todas as pessoas, vamos ao menos lembrar que toda ação envolve algum risco. E o risco de alguém tomar conta da cabeça do povo brasileiro, em nome de uma ideologia qualquer, parece estar longe de ser algo preocupante. O risco de uma ditadura é muito maior quando se tem o controle das forças armadas, como foi o caso dos últimos governos no Brasil. Nem por isso a democracia acabou, ou alguém propôs a dissolução das instituições militares.

A EBC, mesmo com os problemas que possa ter, representa um avanço para a formação de um serviço público de comunicação social, como exige a Constituição Brasileira. Tem uma estrutura autônoma, composta por um Conselho Curador com representação da sociedade civil escolhida por consulta pública. Foram criados parâmetros técnicos de atuação através do manual de jornalismo da EBC, manuais de coberturas eleitorais, o manual com as diretrizes jornalísticas da Agência Brasil e tem critérios específicos para a nomeação do Ouvidor-Geral da EBC. Muita coisa importante para o país pode ser feita a partir daí, desde que se corrija os desvios que, de fato, ocorreram. O que não parece inteligente é o isolamento e esvaziamento da EBC, que está sendo urdido por setores do atual Governo. No contexto político atual é natural que haja confrontos partidários, mas que se preserve o que vai servir ao povo e que foi construído com o orçamento público.

Não precisa ir longe para buscar exemplos de autonomia na programação de emissoras públicas. A TV Cultura, de São Paulo, passou pelo regime militar e por governos de praticamente todas as correntes partidárias. E a emissora não perdeu sua identidade. Uma emissora nacional, neste momento, poderia até servir ao desenvolvimento de uma tecnologia de comunicação essencialmente brasileira. O programa Brasil 4D, baseado no software Ginga C, 100% nacional, pode criar uma plataforma interativa através da TV, inédita no mundo todo. A comunicação pública brasileira só precisa ser administrada com seriedade. O Brasil tem tradição na qualidade da comunicação social, acumulando conhecimentos, desde os tempos que precederam o "velho guerreiro", o nosso lendário Chacrinha.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

A VIDA PODE TER MAIS CONTEÚDO


Depois que a gente sai da barriga da mamãe, a única coisa indispensável que a natureza não vai deixar no jeito pra todo mundo é roupa. Desde que Adão e Eva adotaram o histórico modelito folha de figueira, viver em sociedade exige roupa. E o que mais? Celular, com certeza! Já se disse antes que no mundo tem mais celular até do que óculos. Um olhar mais filosófico revela que celular é sinônimo de conexão. É só medir o tempo de uso de um celular em chamadas telefônicas e comparar com o tempo dedicado à Internet no mesmo aparelho.

Até aí, nada de novo. Será!? A cada dia surge uma prova mais contundente de que alguém muito antenado ainda não tinha percebido isso. No mês passado, quem descobriu o celular foram as empresas americanas de TV a cabo. Elas até convidaram a AT&T, recém proprietária da DirecTV, para falar no INTX 2016, o principal evento de TV a cabo por lá. Veja bem o que isso significa: no universo da TV paga (ou TV por assinatura) a tecnologia a cabo concorre com a tecnologia DTH – essa que usa uma anteninha parabólica – como é o caso da DirecTV, da Sky, dentre outras. E hoje, nos Estados Unidos, a segunda maior operadora de TV paga é justamente a DirecTV, tecnologia DTH. Em primeiro lugar ainda está a Comcast, que só opera cabo. Pois é, os tradicionais adversários se uniram para enfrentar exatamente os celulares.

A grande força dos celulares eclodiu quando eles se tornaram digitais. Desde então, a cada novo programa, a cada novo aplicativo, novos poderes. Como o WhatsApp, por exemplo, que tirou até o telefone do próprio celular. Ficou de graça a comunicação de pessoa pra pessoa, é só se encostar num Wi-Fi da vida e pronto.

Agora um outro tipo de aplicativo para celulares promete surpreender mais ainda. Pode mudar hábitos que se repetem por longas décadas. Uma história impactante!

A HISTÓRIA EM TRÊS ATOS


O enredo dessa história é simples e passa por três cenários diferentes. O primeiro é um emaranhado de antenas, a protagonista pode ser a AT&T, uma das operadora de telefonia que viu na tecnologia móvel seu caminho natural. Empresas desse tipo são conhecidas como “teles”, aquelas que “se achavam”, porque conectavam os celulares. E que só faturavam, sem agregar nada a mais.

Com o tempo a tecnologia digital e seus aplicativos trouxeram para a tela do aparelho os serviços para habilitar ligações telefônicas via Internet. Foi justamente na chegada do WhatsApp e similares – que além de ligações telefônicas, trocam conteúdos gratuitos gerados entre comunidades –  onde tudo ficou mais claro ainda: a importância de qualquer conexão está intimamente ligada ao conteúdo. Daí a gente entende por que uma tele gigante como a AT&T resolveu comprar uma TV por assinatura. É que elas já tinham percebido essa importância do conteúdo há algum tempo. Tanto que o sonho de consumo de toda tele é ter uma TV por assinatura, caso da Claro TV, Oi TV, Vivo TV...

O segundo cenário logicamente é uma tela. O protagonista agora é o tal “aplicativo surpreendente”, um legítimo OTT Móvel. Ele conecta o celular a uma espécie de Netflix, para o usuário baixar filmes e séries. Tem ainda vantagens típicas da TV por assinatura, como acesso a programação de TV ao vivo, serviços de DVR como catch up, biblioteca de VoD, dentre outros. É o grande temor do momento... para as teles e TVs pagas.

O MELHOR E TAMBÉM MAIS BARATO


A AT&T/DirecTV tem o pensamento fixo no celular. John Stankey, CEO da AT&T Entertainment, deixou isso claro ao afirmar que "queremos ser um provedor de entretenimento premium e trazer isso para o mundo móvel, com a possibilidade de estar em todas as plataformas...”. No INTX 2016, perante os mais recentes aliados (os antigos concorrentes a cabo) ele vaticinou que a TV paga tem de estar em todas as plataformas para ser competitiva. Pode-se traduzir isso por “estar em todas as telas”. Afinal, tela é audiovisual. E considerando os cinco sentidos que os humanos tem por enquanto, não há recurso mais poderoso do que o audiovisual para apresentar qualquer conteúdo.

A tela móvel, cujo representante mór é o celular, rompe a limitação decana de lugares próprios para conteúdos. Nem sala de cinema, nem sala de estar, o conteúdo tá-na-mão. É quando aparece o terceiro cenário dessa história, quase celestial. É a nuvem, o ambiente cloud, que pode levar o conteúdo até onde a tela móvel quiser se esconder. É o ambiente quase infinito integrado ao OTT Móvel. As plataformas mais avançadas de TV na nuvem, como a EiTV CLOUD, tem os recursos para necessários para habilitar as verdadeiras experiência de TV everywhere. Qualquer empresa produtora de conteúdo, desde emissoras de TV até universidades, pode personalizar o próprio aplicativo e disponibilizar na Apple Store, no Google Play ou outras lojas.

Que fique claro: aqui ninguém está falando do que vai desaparecer do mercado. Trata-se apenas de uma reflexão sobre o que tende a liderar. Há 2 anos este blog, contra todas as correntes majoritárias, questionava a lógica do “fim da TV aberta”, apostando no contrário, numa TV aberta mais competitiva. Pois o que se tem visto nos EUA e Europa é o conteúdo local, gerado por TVs abertas, se aliando ao Netflix, para concorrer com as TVs pagas. E o que tem garantido essa iminente dianteira das TVs abertas são os avanços da transmissão digital e os aplicativos do tipo OTT Móvel. As emissoras estão personalizando esses aplicativos, a exemplo do Globo Play aqui no Brasil, para disponibilizar desde a programação ao vivo até uma extensa biblioteca com o arquivo digital da emissora. Está tudo lá na nuvem digital, a maior parte gratuita, alguns conteúdos são cobrados caso a caso.

A raiz disso tudo está no modelo de negócio da TV aberta, consagrado por todas as novas tecnologias. É o financiamento através da publicidade, que também pode ser aplicado nos aplicativos OTT. Nenhuma das grandes TVs pagas americanas projeta o futuro sem a receita de publicidade. É na disputa da atenção dos consumidores com um leque infinito de produtos e serviços, que vai se firmando a lógica de tanta aparente gratuidade.