sexta-feira, 25 de setembro de 2015

INOVAÇÃO É PARA DESTRUIR OU CONSTRUIR?


Inovação tem algo meio contra intuitivo: quanto mais rápida, melhor a gente vê. Fica muito perceptível quanto o mundo se transforma em tão pouco tempo. Inovação, oras! E olha, vendo assim, nos detalhes, é um bicho de sete cabeças. Em cada cabeça, uma carinha mais linda que a outra, mas no todo é assustador.

Na primeira metade do século passado, quase numa profecia, o economista Joseph Schumpeter cunhou um termo para inovação que hoje está parecendo mais um conceito: destruição criativa. Genial! Praticamente dois antônimos que se alinham para apontar um significado preciso. Para o economista austríaco o surgimento de uma inovação é a razão suficiente e necessária para que a economia saia de um estado de equilíbrio e entre numa disparada. Lembrando que, do equilíbrio à disparada, tem muita destruição.

O caso mais emblemático, no momento, é a criação Uber destruindo taxistas. Eles formam quase uma nação sem estado, fruto da diáspora automobilística, de um ciclo econômico anterior. Em todo lugar do mundo "ser taxista" é mais ou menos a mesma coisa. Um tipo meio anestesiado, talvez pela necessidade de enfrentar clientes apressados pra chegar onde não sabem exatamente, fora o stress do trânsito, cada vez mais caótico. Então o aplicativo Uber veio para libertá-los dessa rotina estafante. A anestesia volatilizou e eles revelaram a verdadeira face guerreira da "etnia do volante".

Mas conflito mesmo é o que vem pela frente, uma briga de dois pesos pesados. E o "card principal" vai ser aqui no Brasil.

OPERADORAS MÓVEIS X WHATSAPP/FACEBOOK

Elas estão indignadas! As teles, as quatro grandes no Brasil, Tim, Claro, Oi e Vivo já anunciaram que vão à guerra contra o WhatsApp, o aplicativo para celulares do Facebook. Enquanto era só mensagens escritas, tudo bem. A Tim e a Claro até passaram a oferecer acesso gratuito ao aplicativo. Mas quando começaram ligações de voz, o caldo entornou. Em recente entrevista, Amos Genish, presidente da Telefônica, que controla também a marca Vivo, chamou o WhatsApp de "operadora pirata". E prometeu reclamar na Anatel, responsável pelo "arcabouço regulatório".

Os argumentos são criativos. As teles pagam R$ 26,00, sem qualquer zero a mais na direita, para a ativação de cada linha móvel. E depois, a cada ano, pagam mais R$ 13,00. Para quem ainda não está comovido, as operadoras acrescentam que estão permanentemente sujeitas a fiscalização e tem um compromisso de qualidade. Qual? Essa aí, que você comprova todos os dias. E finalmente: o WhatsApp utiliza o número que a operadora coloca no seu celular. Quanto custa um número?

Falta ainda as teles explicarem porque, sendo empresas internacionais, resolveram questionar o WhatsApp justo no Brasil. Seria pelo fato de a Justiça aqui ser muito lenta, o que permitiria longo período de repercussão na mídia, com tantos recurso e contestações? Seria por decisões exóticas que saíram de tribunais brasileiros em outros casos polêmicos? Ou será porque, em nenhum outro país do mundo, o retorno do investimento das operadoras é tão farto?

UM MUNDO QUE NÃO DÁ VOLTAS

A realidade inescapável é que a inovação já criou pelo menos um mundo paralelo, mas que não vai destruir o nosso mundo. É a Internet, ou simplesmente web. Um mundo onde não existe distância, porque tudo está no mesmo lugar e o tempo é mais relativo ainda. As máquinas web, virtuais, fazem coisas que nenhuma outra seria capaz, e fazem muitas coisas que as máquinas tradicionais também fazem. No começo, parecia uma ameaça para as companhias de correio, mas descobrimos que o mundo se comunicava menos que o necessário. Os aparelhos de fax, esses sim, não teve jeito, quase viraram relíquias. Aqueles armários enormes, aquela papelada toda, foi tudo pro outro mundo. Até o quintal das crianças está mais lá do que em qualquer outro lugar.

Num mundo assim, tudo fica mais fácil. Chamar um táxi? Ora, por que não o mais próximo de onde você está? Vídeo locadora é na hora, tem todos os filmes que você quiser. Bibliotecas, museus, mapas pra chegar em qualquer lugar, coisa de outro mundo! Fica assim: daqui acessa lá, faz o que tem que fazer e manda para o mundo de cá. Telefone, por exemplo, lá não tem fio, nem torre. E em breve muitos utensílios também vão vir de lá para este mundo, numa impressora 3D.

Na Terra muitas coisas ainda vão tremer por conta do que acontece lá. Mas não se preocupe. Será sempre melhor aqui pelas incontáveis maravilhas, por exemplo, "aves que aqui gorjeiam", que "não gorjeiam como lá". Nesse particular, a única semelhança é que as maravilhas da natureza são gratuitas, exatamente como muitas coisas que tem por lá.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A CIÊNCIA HUMANA E A TV


"-Amor, você acha que esses brincos combinam com o meu corte de cabelo?" Ela fala na maior felicidade. Para as mulheres em geral, se enfeitar para aparecer em público é algo excitante. O "Amor" pode estar irritado. Não só porque não entende o que brincos tem a ver com corte de cabelo, mas pelo atraso que aquela decisão vai causar ao compromisso. "Coisas de mulher", diriam os machistas.

Pois esses ogros deveriam ouvir o que Barack Obama confessou a respeito da tarefa de se vestir: "-Vocês devem ter percebido que só uso ternos cinzas ou azuis. Não quero decidir sobre comida ou roupas, porque tenho tantas outras decisões a tomar." Veja só, macho que enfrenta terroristas, confessando que escolher roupas, cansa. Não é só ele. Mark Zuckerberg, o bilionário do Facebook, que usa camiseta cinza idêntica todos os dias, explicou que quer liberar a vida dessas questões, "para que eu precise tomar o mínimo possível de decisões sobre qualquer coisa que não seja a melhor maneira de servir a esta comunidade." Como superstição é coisa de brasileiro e um diagnóstico de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) não cai bem para celebridades, resolveram investigar melhor esses argumentos. E não é que são consistentes!? Para a Psicologia, trata-se de "fadiga decisória", um fenômeno que tem a ver com uma parte do cérebro encarregada do "controle executivo".

A HIPNOSE, DO DIVÃ AO SOFÁ


O controle executivo ficou mais popular quando foi substituído pelo controle remoto. Ou não exatamente substituído, mas colocado no modo "stand by". Hoje existem bases científicas para afirmar que a decisão de trocar de canal cansa. O controle remoto permitiu zapear rapidamente, pra um lado e pro outro, sem que o cérebro precisasse decidir. De repente aparece alguma coisa na tela que arrebata a atenção do detentor do controle do ambiente, garantindo o conforto típico do sedentarismo televisivo.

Esse é apenas um dos detalhes ocultos no complexo fenômeno chamado TV aberta. Hoje, convertida numa "internet" com fluxo unidirecional gigantesco de dados, a TV digital. Com certeza, se ainda não tivessem inventado a TV aberta ela viria como um aprimoramento da Internet. Por que ter uma estrutura de comunicação tão gigantesca sem contar com a capacidade de falar a todos de uma vez? Ela já antecipou uma tendência presente em todos os grandes "cases" da Rede, que é a gratuidade. Ou alguém tem boleto de mensalidade do Youtube, do Facebook ou WhatsApp?

A TV aberta antecipou as tendências que a Internet veio pra consolidar como a universalidade, a gratuidade, a massificação. E agora terá também a interatividade. Tanto que, o lado mais capitalizado da tecnologia está preocupado, não para de arrumar apelidos desabonadores para a tela mais popular do mundo. Foi o que se viu durante a última edição da IBC, na semana passada, em Amsterdã. O maior evento da engenharia de televisão da Europa teve rodas e rodas de especialistas apostando no fim da TV aberta.

PRA QUEM GOSTA DE PROFECIAS


No hot site do evento era difícil saber o significado da sigla IBC - International Broadcasting Convention. A origem "broadcast" hoje é um peso para a maioria dos expositores, ligados à área de TI. Eles não querem aceitar que a TV aberta é a solução que a Internet precisaria algum dia. Neste ano, apenas um contrato da NFL, a liga de futebol americano, chegou a R$ 1 bilhão, para dar visibilidade ao tablet da Microsoft, exatamente na televisão. Todos os times receberam o produto para que os técnicos das equipes aparecessem usando o gadget... na televisão!

Vai demorar para inventar uma maneira mais interessante de não fazer nada. Não é comum, numa tarde de outono, alguém dizer que não vê a hora de chegar em casa, relaxar e consultar o line up dos canais, ou o menu do Netflix, pra escolher o que quer ver. O povo quer apertar apenas um botão pra chegar do outro lado da vida, que é o lado relax. É esse comportamento passivo da massa que vende. É a massa que faz das Casas Bahia a mais poderosa rede de varejo de aparelhos domésticos, sem se incomodar nem um pouco por ser uma referência brega. Não por acaso, a maior anunciante da TV brasileira. Nos Estados Unidos também é a popular rede Walmart que figura entre os blue chips da Bolsa de Nova York e não a maior rede de joalherias do país.

O ineditismo, diante de uma tecnologia que ainda está sendo descoberta, faz uma adolescente boca suja virar uma celebridade instantânea do Youtube, confirmando a profecia hippie de Andy Warhol: "algum dia todos vão ter direito a 15 minutos de fama". Com certeza a mocinha sonha em se cacifar, nesses "15 minutos", para chegar à TV aberta, verdadeiro palco da notoriedade.

Se parece irônico que uma tecnologia do século passado se confirme como uma premonição dos hábitos de comunicação, o mais inacreditável ainda pode estar por vir. A experiência de interatividade na TV pela TV, que o Ginga e o "Brasil 4D" estão viabilizando, pode se tornar o novo paradigma de uso da televisão no mundo todo. Com a integração com a Internet, a TV aberta digital passará a ter um fluxo bidirecional, que abrirá um leque maior de conteúdos para serem acessados pelo tradicional controle remoto. Mas será o suficiente para o telespectador descobrir a plataforma ideal de entretenimento? O futuro dirá.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

ENTRE MITOS E HERÓIS, O JULGAMENTO DA HISTÓRIA


Construir mitos é uma técnica sofisticada e muito lucrativa. Já faz um tempo que os marqueteiros perceberam a necessidade que o povo tem de se projetar em pessoas perfeitas, acreditar em infalibilidade, em onisciência. Um mito costuma ter tudo isso e, hoje em dia, também uma marca. Por exemplo, Steve Jobs, o mito da marca Apple. Ele tornou-se uma existência tão proeminente que já virou filmes, livros, "cases" dos mais diversos e, sintomaticamente, o patrono da marca mais valiosa do mundo. Na China, o empreendedor da marca de celulares Xiaomi chama-se Lei Jun e é conhecido como o "Steve Jobs mandarim", numa tentativa de aromatizar, com uma pitada do mito americano, a receita de um mito chinês. São negócios, tudo negócio.

Não que os nomes citados não façam jus às respectivas posições alcançadas. A questão é que, enquanto é negócio, todo enfeite que couber, vale, porque atende requisitos de marketing. A maior parte do que é realmente verdadeiro vai demorar um pouco pra brilhar com toda a autenticidade. Vai ter que passar pelo implacável julgamento da História, aquela ciência meticulosa, que avalia um longo período de tempo de forma objetiva, confere os reflexos de cada descoberta ou criação, para então separar o que vale de fato, da mera poeira sedimentada. Como isso demora muito, os verdadeiros heróis de hoje só vão ser revelados no futuro, como sempre foi. Vai ser no futuro que vamos saber se existiu um "Steve Jobs brasileiro" ou, quem sabe, muito mais que isso.

SIM, NÓS PODEMOS


Tomando o mesmo exemplo, Lei Jun gosta de apresentações bombásticas dos novos produtos, exposição pessoal na mídia, ele faz bem o tipo Steve Jobs. Mas e se tivesse um mito brasileiro da TI, como ele seria?

Brasileiro é um povo menos fissurado em dinheiro. Claro que a gente gosta, mas na escala de valores nacional tem concorrentes fortes, o dinheiro às vezes fica pra trás, é até esnobado. Pra ser um mito mesmo, se brasileiro, teria que ser um grande cientista, um estudioso, mas alguém reconhecido no mundo todo. Tipo assim, o criador de um padrão internacional de tecnologia. É, tem um caso brasileiro pelo menos, que é inclusive na área de TI. Mas um mito TI tem que ser mais específico. O Steve Jobs, por exemplo, foi o criador de uma marca de microcomputadores, já o Bill Gates, fez sucesso com um sistema operacional. Cada mito tem um espaço próprio pra dizer que ali, não tem pra ninguém. O brasileiro já iria pra cabeça, algo popular, que todo mundo tem. Celular é mais individual, a gente é mais família, que tal a TV? Isso, TV digital, daí já manda a TV também pro celular e não fica dúvida.

Nosso mito TI, como seria um intelectual, teria aquelas credenciais científicas de peso, como a formação sólida, mestrado, doutorado, pós doutorado no Exterior, muitas publicações em periódicos internacionais, membro de destaque em órgãos científicos do setor, conceituado no mundo inteiro e o que mais se pode pensar para o top acadêmico. Pra finalizar, o perfil ideal do nosso mito é de um cara sangue bom, sem estrelismo, amigo, uma liderança inquestionável. Pois é, esse cara existe!

MUDANDO DE PLANO, MAS MANTENDO OS PLANOS


O Prof. Dr. Luiz Fernando Gomes Soares, da PUC-Rio, é considerado um dos pais do middleware Ginga, reconhecido pela União Internacional de Telecomunicações como o melhor do mundo. No momento em que o Ginga vai se revelar uma revolução na TV mundial, vai tornar o Brasil pioneiro na plataforma de informática mais prática e inclusiva do planeta, o LF - como era conhecido o professor - foi num streaming lá pro céu, no último dia 8. Pegou todo o segmento científico e empresarial do setor de surpresa, colocando-nos numa orfandade profissional precoce, inimaginável.

O Eng. Raphael Barbieri, aqui da casa, trabalhou ao lado dele até esses dias, no desenvolvimento dos casos de testes para a implementação C do Ginga. E relatou como foi o privilégio de estar ao lado do grande cientista: "-Como verdadeiro mestre, ele nunca se afastou do perfil "professor" da carreira dele. Aquela pessoa que ouve atentamente, deixa você apresentar seu pensamento, pra depois devolver a luz de toda aquela sabedoria." Barbieri fala também da extrema dedicação do mestre ao que ele tanto amava e compartilhava com todos: o trabalho. Dedicado incansavelmente, perfeccionista, fé inabalável na possibilidade de melhorar. E dinheiro, para ele, nunca encheu os olhos. Pelo contrário, foi ativista e ao mesmo tempo soldado da causa "software livre".

Não dá pra dizer que LF morreu. Ele vai continuar no nosso trabalho, nos aplicativos que vamos desenvolver para a TV digital, na integração com outras mídias, no sorriso de tantos que vão curtir muito mais a sala de casa, no conhecimento que vai incluir legiões ISDB-T afora. Vai estar nos livros que escreveu, no cotidiano dos profissionais que formou, em capítulos especiais de livros de História. Ou seja, enquanto estivermos ligados nessa área da ciência, o "carrossel" do nosso sinal vai rodar permanentemente o querido LF. Quem sabe, lá no céu, ele já está configurando uma plataforma nova? Se for o caso, pode ter certeza de que a conexão vai melhorar, e muitas bênçãos vão chegar mais rápido ao cotidiano de quem trabalha nesse mundo da TV digital.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O IMPOSTO SOBRE VALOR DESAGREGADO


Na arquibancada de um estádio, intervalo de jogo, um dentista comentava a técnica eficiente para sossegar seus pacientes. Ele posiciona a cadeira de uma forma que fica muito difícil o paciente enxergar o que ele tem nas mãos. Os movimentos são bem discretos, para esconder os instrumentos. O dentista garante que essa manobra psicológica alivia muito o incômodo dos, digamos, "impacientes". A agulha de injetar o anestésico, por exemplo, se transforma num Alien aos olhos de quem está na cadeira. Sem ver, relaxa mais. Moral da história: quando você não vê, dói menos.

Os impostos em geral seguem essa lógica. Tanto que algum oposicionista conseguiu aprovar uma lei pra exibir a dor do consumidor na nota fiscal. Mas aquele número não é tudo, pode ter certeza. A cascata de impostos é tão alta que forma aquela nuvem d'água, não dá pra perceber toda a massa fria que arrepia os contribuintes. Assim, os preços carregam muito dinheiro que não vai ser lucro do comerciante e nem serviços públicos para a população.

Uma das soluções adotadas em alguns países é o IVA - Imposto sobre Valor Agregado. Na cadeia de valor cada um paga o correspondente ao valor que agregou. O fabricante paga o IVA sobre o preço de fabricação. O atacadista paga imposto apenas sobre o valor que acrescentou, o varejista faz o mesmo. Assim ninguém paga imposto sobre imposto.

Inovação sempre agrega muito valor. Mas está passando a pagar certos "impostos" que ninguém vê. Um advogado não autorizaria a conclusão, mas o que dizer de um custo que o consumidor é obrigado a assumir na compra de um produto ou serviço, sem levar mais nada em troca?

A CULPA É DO PROGRESSO


Quem está de boca aberta desta vez são as operadoras de TV por assinatura. Já faz tempo que essa inovação chegou ao Brasil, uma solução tecnológica para trazer muitas opções a mais para a TV. Ou seja, uma tecnologia que agregou muito valor às horas de lazer que mais desocupam os brasileiros. Pois agora, em função de uma lei específica para esses serviços, as empresas do setor podem ser obrigadas a um investimento de  bilhões de reais, para não acrescentar praticamente nada aos clientes. Perante a lei as TVs por assinatura são classificadas como "Serviço de Comunicação Audiovisual de Acesso Condicionado" (SeAC), porque só acessa quem paga. A Lei foi aprovada em 2011 mas as operadoras foram ao STF - Supremo Tribunal Federal para questionar a constitucionalidade de uma série de exigências.

A questão mais polêmica é o "must carry", a "obrigação de carregar" todos os canais abertos no line up das operadoras. Ou não carrega nenhum, opção que não se aplica na realidade brasileira. Aqui, o sinal local da TV Globo é a grande preferência nacional, não pode ficar de fora. As operadoras pagam pra levar a Globo até o assinante. Mas não querem abrir espaço no line up para todos os canais locais, como as TVs educativas municipais e outras que existem por aí. Elas vão ocupar um espaço na banda sem render nada, mas trarão custos. As operadoras, como Net ou Sky, terão que mexer em toda a infraestrutura de distribuição de sinal para disponibilizar ao assinante o que ele já recebe de graça, pela antena do sinal aberto. O objetivo é garantir a isonomia, manter condições de igualdade entre todas as emissoras abertas.

MAIS QUE UM DESEJO, UMA SINA


Para as operadoras DTH, que usam as pequenas antenas parabólicas, a alternativa mais em conta seria um investimento na casa de R$ 60 milhões no prazo de cinco anos. É o que indica um estudo da Anatel. Contudo as operadoras divergem e estimam que o investimento seja bem maior, em torno de R$ 640 milhões no mesmo período. Imagine onde chega essa conta para todas as operadoras! Quem vai pagar, claro, você já sabe. Tudo em nome da isonomia, um compromisso genérico que o Governo tem com todas as emissoras. Faz sentido, a isonomia é um princípio indispensável para o bom funcionamento de uma sociedade como a nossa. Mas ela desafia a eficiência, porque as novas tecnologias tornam as coisas muito desiguais. As inovações em geral tem de chegar com a eficiência capaz de viabilizar não apenas o novo negócio, mas também suportar o custo social pelas mudanças decorrentes. Ou, no mínimo, o custo judicial, se der sorte. Em vários casos é a própria lei que proíbe e ponto final.

Ponto de táxi, por exemplo. Os governos venderam um direito permanente para uma atividade econômica que não iria ter fim. Até que um dia todo mundo passou a ter um computador no bolso e alguém inventou o Uber, um dos aplicativos da "Economia Compartilhada". No Brasil causou tanta confusão que agora não interessa mais se é bom ou se é ruim, tanto faz se é mais em conta, a questão é estar contra a lei. O preço que se paga por isso é o que poderia ser chamado de "Imposto sobre Valor Desagregado", para pagar o estrago que a inovação provocou nos paradigmas anteriores. É o custo de viver numa sociedade movida pelos interesses de grupos, onde o interesse da maioria se dilui, enfraquece. Ainda bem que o destino da Sociedade Humana é o progresso. Nós podemos até atrasar um pouco os fatos, mas que as mudanças virão, ah..., virão sim!