sexta-feira, 29 de maio de 2015

O TAMANHO PASSA A SER O NOVO DOCUMENTO


Eis que um dia surgiu o computador, a máquina que transformava tudo. E se agora surgisse uma cápsula que transformasse tudo em computador? Poupe a sua imaginação, porque essa pequena cápsula já existe. Com certeza, os Dongles Mini Pcs são novos conceitos no universo TI e devem mudar a maneira de utilizar o computador e até de projetar muitos equipamentos. Em antigos seriados de TV, cápsulas mágicas eram capazes de dotar personagens humanos de forças descomunais. Surgiam super heróis, guiados pela mesma inteligência do personagem humano. Os novos acessórios fazem o contrário, levam a "inteligência" do computador a qualquer outro equipamento que tenha uma entrada HDMI.

Os engenhos são menores do que um aparelho celular e alguns modelos são equipados com processador de 64 bits. Esses processadores tem até 2 GB de cache e podem oferecer um desempenho de até 2,4 GHz. Os dongles tem wi-fi, bluetooth, slot de cartão micro SD para armazenamento extra e a porta USB para conectar periféricos. Qualquer TV com uma entrada HDMI, a partir de agora, já é potencialmente um computador. Com teclado e mouse sem fios, é só partir prô abraço. Enfim, o computador chegou no seu bolso, com tudo que você sonhava.

MAIS UMA BARREIRA QUE SE ROMPE


Numa linha histórica, a arquitetura de 32 bits universalizou a informática doméstica e nas empresas de todos os portes. Com os primeiros laptops o computador ganhou o conceito "portátil". Houve os palmtops e outras tentativas, mas foi o smartphone, principalmente depois do iPhone, que trouxe as feições de um microcomputador para a condição de apetrecho individual. Se Batman fosse mais visionário, teria um no cinto de utilidades. Agora, com o surgimento dos Dongles Mini Pcs, surge literalmente a varinha mágica, capaz de transformar todo display em um computador.

É de se imaginar que várias outras telas do dia a dia vão se abrir para a possibilidade de agregar inteligência a qualquer instante. O carro, por exemplo. Poderá passar a ter opcionais que vão funcionar a base de Dongles Mini Pcs, uma vez que a grande maioria dos computadores de bordo de hoje perde de longe para qualquer celular. Eletrodomésticos poderão oferecer displays com novas rotinas operacionais com inteligência agregada. Independente da tela com a qual você se depara diariamente na sua vida, preste atenção! Agora existe a alternativa de plugar um computador de alto desempenho lá. Seja lá de que tipo for, contando que tenha uma entrada HDMI.

QUAL SERÁ O NOVO LIMITE?


O novo horizonte que os Dongles Mini Pcs já são capazes de atingir pôde ser visto pela primeira vez no Brasil nesta semana, no stand da EiTV, durante a Panorama Show, realizada no recinto da Expo São Paulo. A equipe de engenharia da EiTV já projetou os primeiros saltos de inteligência para serviços de Digital Signage, utilizando Dongles Mini Pcs ligados a displays touch-screen. Porém, as alternativas tendem a se multiplicar. As especulações não tem limites, resta esperar pelos projetos consistentes que devem ser desenvolvidos a partir de agora.

Por serem apresentados com players da solução EiTV de Digital Signage, por enquanto as qualidades mais destacadas dos Dongles Mini Pcs são nos quesitos comunicação e audiovisual. O suporte a vídeos em HD e a facilidade de conexão com a plataforma EiTV CLOUD, proporcionaram tudo que se esperava para os tablets mais espetaculares. Só que, dessa vez, vai para a tela que você desejar. Com o tempo, a tecnologia tende a incorporar novas configurações, apresentar alternativas para outras aplicações. A questão é que a ordem de grandeza física do objeto computador multi tarefas atingiu um outro patamar. Ele é capaz de entrar em espaços que há tempo o esperam, para as mais diversas aplicações, quem sabe até em organismos biológicos.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

MUITO FÁCIL PARA SER LEGAL


Fazer uma carreira no mundo da televisão é um sonho para milhões de jovens pelo planeta. É só procurar entre os universitários que estudam publicidade, ou jornalismo, também cinema, arte dramática, informática, engenharia eletrônica... Os horizontes da tecnologia e a criação de novos conteúdos desafiam e seduzem boa parte desses aspirantes. Mas para quem quer mesmo trabalhar em empresas do ramo é mais seguro estudar bastante para ser um bom advogado.

A questão é que a indústria audiovisual está intimamente associada à tecnologia. Tecnologia está intimamente associada a inovação. E inovação sempre esteve intimamente associada à geração de facilidades. Mas, quando essas facilidades permitem até cortar caminho entre as vias regulamentadas, então começam as intimações. É o que mais está acontecendo entre empresas do ramo. São questionamentos de normas governamentais para o setor, de cláusulas contratuais entre parceiros comerciais. Tudo porque apareceram novas tecnologias que tornaram impraticáveis acordos construídos há pouco tempo atrás.

Não faz nem um mês a ESPN decidiu processar a Verizon, uma operadora americana de TV por assinatura, que colocou no mercado pacotes mais econômicos, com poucos canais. A Verizon não quer perder assinantes, que estão consumindo muito conteúdo acessado por uma tecnologia mais barata, a OTT, da Netflix, por exemplo. Os pacotes mais "magrinhos" da Verizon deixam de fora muito conteúdo da ESPN, que acaba perdendo. Mesmo a Netflix, que ultimamente anda por cima nesse mercado, poucos dias depois foi ao órgão governamental americano do setor - a FCC - reclamar de uma tentativa de fusão entre a AT&T e a Direct TV. Pôs um monte de advogados para estudar a questão.

DECISÃO TAMBÉM SE INVENTA


Em Wall Street a grande preocupação dos analistas que operam com ações de companhias do setor está voltada para as ações regulamentadoras do governo. Do governo americano, sim! A informação é do site Tela Viva. É bom lembrar que, ao regulamentar o setor, o Governo Americano pode privilegiar tecnologias que, na grande maioria, são criadas em solo americano. Sacrificar alguns setores tradicionais pode ser justificável, se abrir portas para que o país exporte novas tecnologias, trazendo mais divisas. Pode haver também interesses estratégicos de toda ordem, uma vez que se trata do governo que tem maior poder sobre a Internet no mundo todo. Essas decisões, logicamente, não são tão simples assim. Mas as hipóteses servem para exemplificar a quantidade de variáveis que a inovação vem colocando nesse jogo. Chega a tornar imprevisíveis as decisões de um governo que sempre confiou na "mão mágica do mercado" e pouco interferia no plano regulatório.

O modelo de negócio da TV americana está se tornando algo como aqueles antigos cartões de ponto: a cada dia, mais furado. Hoje, o número de assinantes que pagam só pela banda larga chega a 56 milhões, 2 milhões de clientes a mais do que os que pagam pelos canais de vídeo. Operadoras, programadoras, geradoras de conteúdo, que até há bem pouco tempo viviam uma simbiose milionária, agora parece que nem se conhecem. As principais ameaças vêm da combinação dos serviços OTT com um pacote de TV por assinatura personalizado que inclua o conteúdo linear de horário nobre como o futebol americano e o baseball, do qual o exigente cliente americano nunca abriu mão. E então, "seo" Juiz, como é que fica!? É o que resta dizer depois de tantos negócios novos surgidos em cima de novas tecnologias.

AUTORIDADE E LEGITIMIDADE


Se hoje a Netflix está preocupada com a fusão entre a AT&T e a Direct TV, que formaria a maior operadora por assinatura dos Estados Unidos, quem perde o sono são os articuladores da fusão. Afinal, a tentativa da Comcast - atual líder do segmento - de se unir à Time Warner Cable, no ano passado, não passou de uma frustração. As exigências da FCC inviabilizaram o negócio. Sinal de que o governo americano vê com bons olhos o crescimento dos negócios na linha do que a Netflix inventou. Pelo menos essa é a interpretação dos analistas, que ficam encaixando as decisões do governo na mesa de um quebra cabeças, na tentativa de entender a lógica oficial.

Mas nem todo poder emana do rei. A construção de modelos decentralizados nos negócios tem a vantagem de garantir certa precedência àqueles que tem maior responsabilidade no processo. É legítimo que os produtores de conteúdo, aqueles que "sobem no picadeiro" pra oferecer o que o público quer, tenham um papel decisivo nessas situações. É o que ficou claro na observação feita por Marci Ryvicker, analista da Wells Fargo Securities. O modelo da Netflix é mais barato para os assinantes, mas os produtores de conteúdo ganham menos. Logo, logo eles vão cobrar mais pelo que entregam, o que poder tornar o negócio OTT não tão vantajoso assim para o cliente.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

ENFIM, A TV RESPONDEU!


O aparelho doméstico que mais transformou a sociedade, falando sobre tudo, mostrando de tudo, revelando coisas, lugares e pessoas, agora também é capaz de “ouvir” a audiência e oferecer respostas importantes. Tecnicamente, isso se chama interatividade na TV, que passa a ser uma realidade no Brasil a partir de um conjunto de fatores que, há um mês, era absolutamente improvável. Os detalhes desse evento histórico para a tecnologia brasileira você pode acompanhar, em primeira mão, nos tópicos a seguir.

A HISTÓRIA, DESDE O COMEÇO


A tecnologia de interatividade passou a ser possível no Brasil desde a implantação do SBTVD, o Sistema Brasileiro de TV Digital. Baseado na tecnologia japonesa ISDB, as adaptações brasileiras dotaram o sistema de uma camada de software em nível de middleware. Trata-se do Ginga, desenvolvido pela PUC do Rio de Janeiro em parceria com a Universidade Federal da Paraíba, portanto, 100% “Made in Brazil”. O sistema foi reconhecido internacionalmente como o melhor middleware entre os sistemas digitais pelo mundo. Por isso, ou a interatividade na TV, pela TV, aconteceria aqui no Brasil, ou não aconteceria em outro lugar.

ALTERNATIVA “CHIC”


Nos países ricos a interatividade na TV começou a acontecer pela chamada “segunda tela”, que são os tablets ou celulares mais sofisticados, populares e acessíveis por lá. Por aqui já se vê, nas transmissões de futebol e em vários outros programas, a possibilidade de baixar aplicativos no celular para quem quiser participar de alguma forma. É a interatividade que está acontecendo na TV do primeiro mundo, via Internet e que agora poderá ser realizada diretamente no televisor.

“PREMONIÇÃO?”


As especificações técnicas definidas pelo GIRED para o receptor de TV aberta digital (também conhecido como conversor digital ou set top box) padrão nacional é praticamente a mesma do smartBox, conversor digital lançado pela EiTV no início de 2014. Não é uma coincidência e, quem acompanhou o processo, sabe que seria impossível se tratar de uma informação privilegiada. É puro rigor técnico! Entre as startups brasileiras que atuam no setor, a EiTV é a que mais investiu no desenvolvimento de alternativas Ginga. Para criar o smartBox nossos engenheiros avaliaram todas as possibilidades tecnológicas e as funcionalidades mais práticas para a interatividade via TV num país como o Brasil. A decisão oficial, depois de ouvir especialistas das emissoras privadas e públicas, de instituições de pesquisas e de órgãos oficiais, confirma categoricamente que a nossa equipe técnica estava certa.

POR QUE UM PADRÃO?


As operadoras de telefonia móvel, conhecidas como “teles”, foram ao governo pedir uma faixa de frequência que hoje é ocupada por algumas emissoras de TV. Como estamos na fase de mudança do sistema analógico para o digital, as compensações que as empresas deveriam cumprir atingiram até o direito de recepção da população carente. Ou seja, as teles concordaram em pagar pelos conversores  para as famílias de baixa renda. Elas formam os 14 milhões de lares atendidos pelo Bolsa Família. Faltava decidir o padrão do conversor digital que atenderá este universo formado por mais de 50 milhões de brasileiros, o que ocorreu na reunião do GIRED realizada hoje, dia 15 de maio, em Brasília (DF).

QUAL É A CONFIGURAÇÃO?


Tecnicamente, um conversor digital pode ser considerado um micro computador dedicado. A configuração, agora padronizada, estabelece que ele tenha uma memória RAM de 512 MB, memória flash de 2 GB, duas entradas USB, porta Ethernet (para banda larga), drivers para modem externo (dongle) 3G, 4G ou mesmo Bluetooth, além de uma saída HDMI, outra RCA e uma entrada de RF, para conectar a antena. O fluxo de vídeo para o sinal HD será MPEG4, mas haverá outro MPEG1 para aquela pequena tela usada em traduções para deficientes auditivos. Essa configuração, com o Ginga C – a implementação mais completa do Ginga – permite um nível excelente de interatividade na TV, utilizando apenas o controle remoto.

QUAIS SÃO AS VANTAGENS?


Usando qualquer aparelho de TV, mesmo os mais antigos, um conversor digital permitirá consultar vagas de emprego, fazer cursos profissionalizantes produzidos em vídeo, obter orientações de serviços públicos, como previdência, saúde, FGTS e tantos outros. Isso é o que já está disponível, através de um pacote de aplicativos produzidos pelo Programa Brasil 4D, da estatal EBC – Empresa Brasil de Televisão. Muitos outros aplicativos agora podem ser desenvolvidos e distribuídos via TV, por emissoras públicas e privadas, desde jogos até resumos de capítulos de novelas. O usuário da TV aberta digital que gosta de baixar aplicativos no celular, no tablet e no seu computador, agora poderá baixar também na TV. E descartar, quando não quiser mais este ou aquele aplicativo ou conteúdo.

INTERATIVIDADE 1


Esse nível de interatividade é possível pela TV digital porque, além do som e imagem do canal que você sintoniza, o sinal da emissora pode enviar seguidamente um conjunto de conteúdos ou aplicativos que você só vê se quiser. Pelo controle remoto pode escolher e mandar rodar. Eles ficam se repetindo o tempo todo na transmissão, por isso esse sistema é apelidado de “carrossel”. Durante um jogo de futebol a emissora pode colocar no carrossel as imagens e narração de cada gol que acontecer. Enquanto passa o jogo, pelo controle remoto você vai poder rever o gol que quiser, quantas vezes quiser.

INTERATIVIDADE 2


A interatividade pode ser mais simples, só com textos escritos, ou mais sofisticada. Para a interatividade plena precisa ter um canal de retorno, via Internet. O set-top box que o Governo vai distribuir não vem com a interatividade plena mas tem todo o suporte para instalar. É só plugar a banda larga na porta Ethernet ou um modem 3G. O Ginga C tem capacidade para reconhecer e iniciar imediatamente a conexão. Com isso, o usuário pode responder a uma enquete em tempo real; participar de uma aula ao vivo, escolhendo as respostas para as questões que o professor colocar. Desta maneira, o conversor digital permitirá que o usuário realize quaisquer operações que exijam receber e enviar informações, tais como consultar o saldo bancário; responder enquetes em tempo real; participar de aulas ao vivo, enviando perguntas ou ainda, no caso de um teste, escolhendo as respostas para as questões feitas pelo professor.

AGORA VAI!


Com um padrão de conversor digital definido agora será possível produzir aplicativos que beneficiarão pelo menos, 50 milhões de brasileiros, que formam a parcela da população que mais necessita de acesso à informação e serviços. Isso incentivará o desenvolvimento de muitos aplicativos, que podem tornar a interatividade pela TV digital aberta atraente para muitos outros segmentos da sociedade e possibilitará a criação de um novo mercado para o conversor digital. As pessoas poderão procurar o conversor digital padrão (ou seja, com Ginga C) em lojas e até alguns fabricantes poderão embarcar as especificações em seus aparelhos. Isso poderá representar uma revolução no hábito brasileiro de “utilizar” a TV, e não mais simplesmente “assistir” à TV.

PRODUTO TIPO EXPORTAÇÃO


O elevado nível de qualidade do padrão brasileiro de TV digital, o SBTVD, fez com que ele fosse implantado na grande maioria dos países da América Latina e em alguns países da África. Por isso, os aplicativos que vierem a ser desenvolvidos no Brasil nessa nova onda da interatividade, poderão encontrar um grande mercado nesses países. É uma vitória para a Tecnologia Nacional.

DECISÃO DE GOVERNO


A coordenação de todas as ações de compensação neste mega remanejamento feito com as teles está a cargo do GIRED – Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV, formado por representantes das emissoras, das teles, de fabricantes de equipamentos e do Governo Federal. Através de ações que o Governo Federal vem desenvolvendo há tempo, como o Programa Brasil 4D, a interatividade pela TV digital brasileira se tornou viável tecnicamente. Faltava apenas uma decisão política de valorização da tecnologia nacional, que é muito mais importante do que uma simples proteção. Principalmente em se tratando de uma tecnologia brasileira para necessidades brasileiras. Foi o que o Ministro Ricardo Berzoini, das Comunicações, acabou fazendo através da representação que tem no GIRED. Tudo bem que veio “aos 47 minutos do segundo tempo” – houve um acréscimo de duas semanas na data limite da reunião do GIRED, que acabou definindo só hoje, dia 15 de maio. A questão é que emplacou, os pontos decisivos somaram para o time da casa.

UM NOME


Nem sempre é assim. Mas no caso da interatividade na TV digital brasileira houve uma pessoa, em particular, que mais acreditou, planejou estratégias e ações, entrou de cabeça para que se tornasse uma realidade. O nome é André Barbosa, Superintendente da EBC – Empresa Brasil de Comunicação.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

AS APOSTAS ESTÃO CRESCENDO NA TV ABERTA


TV aberta regional: este é o nome de um negócio que está se consolidando no espaço empresarial confuso da TV americana. Quem garante é ninguém menos do que Gordon Smith, presidente da NAB, a associação de emissoras dos Estados Unidos.

A confusão é obra da Internet. Necessária, sem dúvida, é o rumo da história. Mas, ao contrário do que acontece nos programas de televisão, a história não pode garantir final feliz para todos os protagonistas. São milhares de radiodifusores americanos, que giram um negócio de mais de US$ 100 bilhões/ano, e ainda estão sem saber exatamente o que vai acontecer nos próximos 18 meses. A boa notícia é que a tecnologia, até então uma perversa algoz das práticas tradicionais no chamado "segmento broadcasting", agora começa a trazer mais soluções. E a história, que resolveu acelerar seus fatos, está deixando um precioso rastro de notícias, que a mídia pode vender bem.

Outro gato desse balaio, que está ficando por cima, são os serviços OTT - Over The Top, que distribuem conteúdo via Internet, como o Netflix. Eles tem a facilidade multiplataforma e oferecem muitas opções ao alcance de um click, sem necessidade de esperar pelo horário da programação. Especialistas do setor broadcasting estão lançando uma avalanche de pesquisas entre os usuários, cujos resultados revelam o que faz a preferência dos consumidores do tipo de lazer que, em algum dia, chamou-se apenas televisão.

A SECRETA IDENTIDADE DA AUDIÊNCIA


O que está em jogo é um terço da vida dos americanos adultos. Pesquisas indicam que lá - como acontece também aqui no Brasil - os adultos passam, em média, pouco mais de cinco horas ao dia em frente à TV. Descontando um mínimo de oito horas de sono, esse tempo representa cerca de um terço da vida ativa. Na realidade americana, onde 85% dos lares tem TV por assinatura - cabo ou satélite - esse lazer sai principalmente do bolso do telespectador, que paga mensalmente. Os anunciantes brigam por essa audiência e pagam uma parcela menor, ao contrário do que acontece no Brasil.

Apesar da onda "cordcutter" americana - os usuários que estão cancelando a assinatura de TV - pesquisas da HorowitzResearch mostram que 75% dos assinantes acham importante ter a disponibilidade de multicanais. Pode ser mais ou menos como acontece com o telefone fixo aqui no Brasil. A grande maioria das pessoas não usa mais em casa, só fala pelo celular, mas sente alguma segurança em contar com aquele aparelho que enfeita uma estante qualquer. Porém, a necessidade objetiva do serviço multicanal aparece no horário nobre, quando entram no ar os noticiários com o resumo da última volta da Terra e as criações mais elaboradas dos especialistas em comunicação, transformadas em programas de TV. Esse conteúdo é considerado essencial para pouco mais de 65% dos entrevistados.

O emaranhado de dados das várias pesquisas revela que o usuário de TV, antes considerado muito passivo, na verdade é bem mais complicado do que parece. Não basta medir o que ele consome e pensar em oferecer quase a mesma coisa por outras vias. A simples combinação OTT e TV aberta não atende o que o assinante de TV espera para essas horas de lazer. Tanto que no Brasil, com uma TV aberta de alto nível e disponibilidade de séries e filmes via OTT, a TV a cabo vem crescendo de forma consistente. Seria ótimo para as empresas do setor se esse crescimento não estivesse aumentando tanto a concorrência e reduzindo os preços.

O ESPECTRO DE FREQUÊNCIAS DOS EUA DEVE AJUDAR


No final das contas essas questões acabam encontrando solução no velho clichê da qualidade. Por mais surpresas que a tecnologia tenha usado para enfeitar conteúdos e inebriar os consumidores, eles ainda estão em busca das qualidades essenciais. A Internet distribui fofocas e suspeitas de todos os tipos, que são vendidos baratinho, mas por pouco tempo. Isso só fez aumentar a necessidade de um Jornalismo confiável, de credibilidade, produzido profissionalmente. Os "filmes cabeça", produzidos por amadores narcisistas, também já passaram do tempo e perderam o capacidade de impactar.

O que Gordon Smith vê nas TVs abertas regionais é a agilidade para produzir Jornalismo rigorosamente "up to date" e, segundo ele, com mais independência que as grandes redes. Além, é claro, de muito mais proximidade com a realidade das pessoas. O custo de produção é estável entre os serviços dos profissionais, como repórteres e apresentadores e cai a cada dia na tecnologia.

É a tecnologia, afinal, que agora está tornando os ventos para os lados da TV aberta regional. Smith espera que, no próximo leilão de faixas de frequência, que vai acontecer em breve nos Estados Unidos, as emissoras abertas regionais possam compartilhar boa parte do espaço de transmissão. As novas tecnologias, como as de compressão e de modulação de sinais no sistema ATSC-2, devem aumentar a capacidade de transmissão da TV digital americana, ocupando apenas 60% da faixa do espectro que ocupam atualmente. A outra parte elas devem compartilhar com operadoras de telefonia móvel. É a chave para conseguir mais audiência em dispositivos móveis e a segmentação da publicidade, que vai distribuir os anúncios de acordo com o perfil de cada telespectador, num mesmo horário.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

ALGUMA COISA ACONTECE...


A quase mil quilômetros da Ipiranga com avenida São João, uma reviravolta de última hora, por parte do Governo Federal, mudou totalmente as perspectivas da interatividade na TV Digital brasileira. Pelo menos pelos próximos 15 dias, que antecedem a próxima reunião para decidir sobre a questão.

Retomando rapidamente o assunto que agora está prestes a saltar ao topo da pauta política nacional: no último leilão de frequência para a Internet 4G, parte da faixa de 700MHz, ocupada por algumas emissoras de TV analógica, foi repassada para as "teles", como são chamadas as operadoras de telefonia móvel. Como compensação, as vencedoras tiveram que bancar um fundo de R$ 3,6 bilhões. O fundo é administrado pelo Gired, um grupo com representantes de todos os setores envolvidos, inclusive o governo. A missão do Gired passa por garantir o acesso à TV digital para 14 milhões de famílias carentes, por definição, as atendidas pelo Bolsa Família. Isso significa doar os set-top boxes, as "caixas" conversoras de sinal, para que qualquer aparelho de TV possa sintonizar a transmissão digital.

Na última quarta-feira, dia 29 de abril, o Gired se reuniu para definir qual o modelo de set-top box seria distribuído às famílias. Estava tudo preparado para anunciar a escolha de um modelo intermediário, onde a interatividade é bastante limitada. Porém, de última hora, a representação do Governo bateu o pé em favor do modelo mais sofisticado, com o Ginga C e canal de retorno em 3G. Esse modelo permite a máxima interatividade entre público e emissoras. Algo que ainda não se vê em nenhum lugar do planeta.

NO CORAÇÃO DA TV DIGITAL


O Ginga é um software, da "categoria" middlleware, que permite a interatividade. Ginca C é a implementação mais completa do software, que trabalha com o canal de retorno 3G, pela banda do celular. Isso permite, por exemplo, que o telespectador responda a enquetes pelo controle remoto, sem interferir na programação que está no ar. Com um equipamento desses o Ginga pode abrir no seu televisor uma tela com a movimentação da sua conta bancária, ou um cadastro pra você preencher e matricular seu filho em uma escola pública. O telespectador pode também procurar emprego, acessar a Internet ou fazer um curso pela televisão, respondendo as questões do professor com o controle remoto, através do canal de retorno.

Se você achou tudo isso maravilhoso, certamente você não é um anunciante de TVs comerciais. De imediato, não se vê aí nada que interesse a um anunciante. Pelo contrário, há o risco desses serviços serem acessados pelos usuários na hora em que os comerciais entraram no ar. Além disso, o público de "nível consumidor" tem celulares sofisticados e tablets, por onde a interatividade que interessa aos anunciantes pode acontecer, sem ofuscar suas marcas. Talvez por isso as emissoras privadas nunca tenham demonstrado maior interesse pelo Ginga. Nos outros países, pelos mesmos motivos - associados ao fato de não terem um middlleware à altura do Ginga - o caminho da interatividade tem sido pela "segunda tela" (celulares e tablets) ou pelas SmartTVs, que acessam a Internet.

PRA QUEM CHEGOU E NADA ENTENDEU


A reunião do Gired foi suspensa porque nunca o grupo tomou uma decisão que não fosse unânime. Diante da intransigência do governo, em favor da interatividade, foi marcada uma outra reunião para o dia 15 de maio. O problema é o custo do set-top box com Ginga C, que pode tomar cerca de R$ 2,5 bilhões do fundo. É muito, levando em conta os outros custos de compensações devidas. Resta entender exatamente por que o governo fez essa reviravolta.

Pode ser só uma encenação, que vai apenas adiar em 2 semanas uma decisão que já está tomada. Porém, vai permitir que o governo se posicione politicamente perante a comunidade científica nacional, como alguém que lutou por uma alternativa brasileira. Pode ser muitas outras coisas, dentre elas, um "projeto Kirchner" brasileiro. A comparação é com o projeto de comunicação oficial empreendido pela presidente argentina, visando uma presença maior do governo na mídia. Lá, o sinal digital foi implantado inicialmente através da TV estatal, que tem também o monopólio de exibição das partidas de futebol nos grandes campeonatos. No caso brasileiro, a hipótese é de que o Governo estaria apostando na interatividade da TV pública federal como um diferencial em relação às TVs comerciais, até que as outras emissoras aderissem à moda. Seja como for, ter acesso interativo e remoto com 50 milhões de pessoas, não deixa de ser um sonho pra qualquer governo.

Pelos lados das empresas brasileiras desenvolvedoras de softwares o que resta fazer nas próximas duas semanas é torcer. Se o governo emplacar o Ginga C um parque de 14 milhões de televisores estará apto a receber uma infinidade de aplicativos, que só brasileiros vão saber produzir. Bancos privados, consultórios particulares e muitas outras empresas poderiam entrar na onda. Como o SBTVD, que usa o Ginga, é o sistema de TV em praticamente toda a América do Sul, as perspectivas de exportação dos aplicativos seriam ótimas. Por enquanto, o que as software houses brasileiras devem estar produzindo é um aplicativo pra repetir a Novena de Santo Antônio o dia todo.