sexta-feira, 26 de setembro de 2014

POR QUE PAROU, PAROU POR QUE!?


A pressa era tanta que as empresas que operam a telefonia móvel no Brasil - as "teles" - estavam dispostas a gastar alguns bilhões de dólares para antecipar. Mas agora enxergam problemas em quase tudo. Trata-se da massificação do serviço 4G no Brasil, a quarta geração de Internet móvel. Se você já sabe como vai funcionar, ou se acabou de almoçar, pule os próximos três parágrafos e continue lendo a partir do quarto parágrafo. Agora, se tiver estômago para entender a confusão, siga para a próxima linha.

Para viabilizar o serviço em larga escala em todo o Brasil as operadoras precisam utilizar a faixa de frequência de 700 MHz, que atualmente é usada por parte das emissoras de TV. A liberação dessa faixa de frequência exige novos equipamentos para as emissoras operarem em outras faixas - a serem cedidas pelo governo - no padrão digital. Aí está parte dos bilhões que as teles vão gastar, como compensação para essas emissoras. As outras compensações ficariam por conta dos set-top boxes, os conversores digitais, que devem ser dados para os quase 14 milhões de lares atendidos pelo bolsa família. As famílias carentes precisam do conversor para não ficarem sem TV, já que o sinal analógico vai ser desligado de uma vez antes do prazo previsto. Finalmente, são necessários filtros de sinal em muitos lares, onde eventualmente o tráfego 4G atrapalhe a sintonia de canais de TV. Isso é tudo que precisa acontecer para que as teles possam, o quanto antes, massificar o 4G no Brasil. A questão é como isso vai acontecer.

O edital publicado pela Anatel - encarregada de descascar o abacaxi - determinou um leilão onde vão ser oferecidos três lotes para operar 4G em todo o Brasil (nacional), mais outros 3 lotes para operar, cada um deles, em 3 regiões diferentes do país (regional). As empresas que ganharem devem, em seguida, constituir a EAD - Entidade Administradora do Processo de Redistribuição e Digitalização dos Canais de TV e RTV. Guarde bem o nome dessa nova empresa, porque ela deve dar muito o que falar nos próximos anos! Tem ainda um grupo que vai ser criado pela Anatel só para acompanhar toda a transição. Vai ser o GIRED - Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição de Canais. O grupo vai ser formado por representantes da Anatel, do Ministério das Comunicações, das empresas vencedoras do leilão e de entidades representantes dos radiodifusores.

O edital exige que as empresas vencedoras constituam um fundo de cerca de R$ 3,6 bilhões para a EAD. É esse dinheiro que vai pagar as compensações para as emissoras de TV, os conversores que vão para as famílias carentes, os filtros de frequência, estudos de qualidade do sinal e até campanhas publicitárias para explicar à população o que está acontecendo. O processo todo - concorrências públicas para compra de equipamentos, conversores, filtros, contratação de especialistas, espaço publicitário, etc - vai ser administrado pela EAD. Sempre sob a supervisão do GIRED, que terá a responsabilidade de não deixar o abacaxi azedar.

Claro que é tudo muito complicado! Mas é o jeito que o governo encontrou para fazer tantas coisas acontecerem de uma só vez. E ainda, faturar cerca de R$ 8 bilhões com a venda das outorgas. Cada um dos três lotes nacionais e cada um dos três lotes regionais representa uma outorga. O preço mínimo somado das 6 outorgas chega a mais de R$ 7,9 bilhões. Como cada outorga vai a leilão na base do "quem dá mais", a concorrência entre os participantes deve levar a soma dos valores a R$ 8 bilhões, segundo previsões do mercado. Isso é dinheiro para o Governo Federal, pela concessão do serviço. Não tem nada a ver com os outros R$ 3,6 bilhões que vão constituir o fundo da EAD, para pagar as compensações.

A grande disputa vai ser em cima dos 3 lotes nacionais. E, à época do planejamento do edital, o grupo das teles estava formado pelas quatro grandes operadoras, Oi, Claro, Vivo e Tim. De algumas semanas para cá começaram as especulações em torno da venda da Tim, que seria dividida entre as outras 3 grandes. E parece muito óbvio que é melhor pagar por áreas de exploração de serviço de telefonia e Internet móveis - dividindo a Tim - do que ver o valor de cada outorga crescer lance a lance, numa disputa mais concorrida no leilão. Esse parecia ser um dos motivos que estaria levando as teles a tentar adiar o leilão, com tantas contestações do edital. Elas estariam ganhando tempo para primeiro dividir a Tim entre elas, e depois entrarem no leilão sem disputas, com uma outorga nacional para cada empresa. Definitivamente, a tal concorrência de mercado é algo que, no Brasil, sempre tentam sufocar.

Mas na semana anterior ao leilão a concorrência ficou desenhada: a Tim apareceu como uma das concorrentes, num confronto onde também sentam à mesa Telefonica/Vivo, Claro e Algar Telecom. A surpresa ficou por conta da Oi, que preferiu ficar fora do leilão. Vale lembrar que o Brasil é um dos maiores mercados do mundo em telecomunicação móvel, com potencial para elevar valores em qualquer disputa desse tipo.

O outro lado curioso desse grande negócio público é a disposição do governo em levar adiante um empreendimento. Nesse momento, os R$ 8 bilhões são fundamentais para fechar a conta do déficit primário. Então a gente percebe que, no Brasil, quando um governo quer - seja ele de qualquer corrente partidária - ele faz acontecer.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

"MÃO PRA CABEÇA!" SEU COMPUTADOR ESTÁ SENDO INICIALIZADO



O Brasil tem hoje mais de 150 milhões de computadores, segundo a última pesquisa da Escola de Administração FGV. Em média, a cada segundo um computador é vendido no país. No entanto, se você quiser comprar capas para cobrir a torre, o monitor e o teclado, vai ter dificuldade em encontrar quem venda. Há 20 anos, as capas eram acessórios obrigatórios nas empresas. Uma recomendação técnica dos especialistas que chegou a balançar o emprego de alguns funcionários mais distraídos.

Na cibernética, até as lendas são rápidas. Quase todo mundo cai numa, quase todo mundo nega. Mas não tenha dúvida de que isso vai continuar acontecendo. O computador é a janela do foguete onde estamos sentados, de onde olhamos o que vem chegando. E é por esta janela que entram em nossas vidas as coisas mais surpreendentes e ameaçadoras.

As primeiras gerações a receberem os computadores no escritório, em casa, tinham uma reação curiosa. Uma geração que vinha de uma relação muito diferente com qualquer tipo de máquina. Sabia-se que operar erradamente uma máquina levava a algum tipo de prejuízo, como uma avaria, ou até poderia provocar um machucado. De repente, aquela nova máquina era a primeira que saía dos filmes de ficção científica e caía na nossa escrivaninha. Tinha que assustar! Mas o computador veio para ser algo que até pode ser operado erradamente. O que ele não admite é ser operado ingenuamente.

Começaram a aparecer os vírus. No começo, circulavam pelos disquetes (quem não ouviu falar em disquetes, favor procurar no Google). Depois, com a Internet, criaram asas. E dentes, boca de dragão, tudo que possa representar ameaças assustadoras. A mais recente dessas ameaças - ou uma das mais momentosas - é da família ransomware. Trata-se de um malware que, ao infectar seu computador, tem o poder de criptografar todos os arquivos que encontrar. Pronto, eles estão sequestrados, correndo o risco de serem liquidados. No capítulo seguinte um hacker faz contato com você pedindo um resgate em dinheiro - alguns exigem pagamento em bitcoins - para liberar a chave que lhe permita ter seus arquivos de volta. Se você achou engraçado, abra os seus diretórios de arquivos e comece a pensar como ficaria a sua vida se tudo aquilo desaparecesse agora. Se continuar rindo não conte para os seus amigos, eles vão achar que você não faz nada sério na vida.

Para aqueles que se assustaram, poderia ser recomendado acender uma vela, pendurar uma fita do Senhor do Bonfim no monitor ou até comprar uma capa de computador a prova de ransomwares. No desespero, muitos seguiriam as recomendações. Mas como se trata de um assunto muito sério, é melhor você perguntar para o gestor da rede da sua empresa o que pode ser feito. Se ele disser que trata-se apenas de um vírus que fecha a sua tela e pode ser eliminado com um simples software de segurança, peça para ele fazer o teste imediatamente. Porque esses foram os primeiros ransomwares, que circularam há alguns anos e eram apenas um blefe. Os atuais são perigosíssimos.

A mídia especializada já fala de uma versão desse tipo de malware chamada CryptoWall. De acordo com uma pesquisa da Dell SecureWorks, ele já teria infectado cerca de 625 mil sistemas e criptografado mais de 5,25 bilhões de arquivos desde meados de março deste ano. Uma vítima desesperada dos EUA teria pago aos hackers US$ 10 mil. A média dos resgates é de US$ 500 a US$ 1.000. Quadrilhas já faturaram muitos milhões de dólares nesse novo tipo de delito. E muito dinheiro ainda vai rolar, entre bandidos e mocinhos, aqueles que vendem proteção a todos nós, que já aprendemos a fazer de tudo com microcomputadores, mas ainda não acostumamos a gravar backups sistematicamente.

Não importa quantas vezes vamos ser objeto das gozações alheias. O computador continuará trazendo ameaças, as mais diversas e curiosas. Imagine, por exemplo, uma tela hipnótica que tenha o poder de sequestrar a sua libido. Ou ainda, uma melodia que tenha a capacidade de aumentar a vontade da sua sogra falar. Se acontecer, não conte a ninguém, mas leve em consideração cada possibilidade dessas. Prevenir é indispensável. Afinal, mesmo que você visse alguém de capa preta por aí, com um plug instalado na nuca, não deveria se iludir. Do jeito que andam as coisas dentro dos computadores, mesmo que esse alguém de capa preta seja o Neo, de Matrix, ele vai se recusar a correr os riscos que hoje trafegam por aqueles nanicos circuitos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

DESAFIOS BANAIS QUE ESVAZIAM A SUA MENTE


O que você faria agora se pudesse escolher?

A maior parte das pessoas possivelmente nem para pra pensar na resposta. Continua esta leitura na tentativa de encontrar logo, nas próximas linhas, uma alternativa convincente. Mas em algum momento dos próximos minutos a memória vai voltar à pergunta. Então alguns vão olhar pela janela e dependendo do tempo vão escolher entre o sofá de casa ou o balcão de uma padaria, quem sabe o próprio travesseiro. Outros vão sentir um frio na barriga e lembrar dos compromissos, dos trabalhos que poderiam antecipar. Os mais sonhadores podem pensar até em viagens.

Essas são coisas que a gente faz pelo lado real da vida, quando atuamos no mundo concreto. São coisas que exigem alguma programação de tempo e lugar. E por isso, cada vez mais, estão perdendo espaço na agenda. O desafio maior é o que fazer do pensamento, que não exige quase nada para provocar sensações. Quando o filósofo anunciou "penso, logo, existo" ele estava falando de algo mais banal do que poderiam supor os eruditos da época. De fato, quem está vivo respira e pensa. Para os monges do Tibet, esses dois reflexos parassimpáticos podem ser suficientes para preencher boa parte da vida. Mas aqui entre os comuns, despoluir as atmosferas física e mental representa um grande desafio.

Ler pode ter sido uma das primeiras distrações do pensamento. Nesse caso, acabou revelando grande utilidade para o desenvolvimento humano. Não é sempre assim com os passatempos. Vieram as palavras cruzadas, jogo dos sete erros, ligar os pontos para formar figuras e outras coisas que não devem acrescentar nada aos praticantes. Nem por isso perderam espaço. Ao contrário, estão crescendo e se tornando grandes negócios. A Amazon, gigante do varejo virtual, está investindo pesado nesses passatempos, esses "conteúdos vazios", como videogames e outras diversões eletrônicas. Pode não ter sido exatamente por isso, mas em 2014 a empresa desbancou o Google no segundo lugar do ranking publicado pela revista americana Fortune, que indica as empresas mais admiradas do mundo. Em primeiro lugar continua a Apple, mas a posição de vice, que há tempo era do Google, agora está com a Amazon.

No mês passado as duas empresas também apareceram como rivais numa outra disputa, novamente vencida pela Amazon. Pode ter sido só especulação, mas a mídia especializada vinha anunciando como certa a compra do portal Twitch pelo Google. Antes de qualquer pronunciamento das partes, a Amazon se antecipou e anunciou a compra do portal por US$ 970 milhões. O Twitch é um portal de streaming de videogames que reúne numa plataforma web jogadores individuais, desenvolvedores e editores de games, além de organizações de esporte. Nada que possa minimizar a fome no mundo ou resolver qualquer outro desafio desses tempos. Mesmo assim Emmet Shear, o CEO da mais nova empresa da Amazon, não economizou no tom de cidadania ao falar das perspectivas a partir da aquisição: "-Fazer parte da Amazon vai nos permitir fazer ainda mais pela nossa comunidade. Esta mudança vai significar muitas coisas boas para nossa comunidade, e vai nos permitir levar o Twicth para ainda mais pessoas pelo mundo". A comunidade da qual ele fala tem apenas 3 anos de existência, reúne milhares de membros pelo mundo e tem a missão de ajudar a esvaziar sua cabeça, já que quase todo o resto do planeta está empenhado em encher seu cérebro de obrigações.

A plataforma do Twitch está disponível nos consoles de nova geração, como PlayStation 4 e Xbox One, além de dispositivos móveis tipo iPad. É frequentada por produtores de conteúdo que, de maneira individual ou colaborativa, desenvolvem games e outras alternativas de entretenimento eletrônico. Um espaço virtual integrado a um modelo de negócio parecido com o YouTube, da concorrente Google, que se baseia em visualizações e propagandas.

Por esses esforços em disputar a mente das pessoas, de navegar no espaço do pensamento delas, é provável que os ambientes passem a ganhar um aspecto muito diferente daqui em diante. Você já reparou como os vagões do metrô ou mesmo os ônibus estão diferentes? São cada vez mais pessoas olhando atentamente para a tela do celular ou de um tablet. Em pouco tempo, esse hábito pode crescer tanto que você vai sentir a sensação de entrar num local de trabalho, tal será a concentração das pessoas fincadas nas respectivas telas. Isto é, se você conseguir desviar o olhar da sua própria tela, quando passar pela porta do ônibus.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A FORÇA DO PENSAMENTO


Com a sua licença, vamos propor uma experiência diferente, mas muito simples. Estique seus braços para frente, como se fosse tomar o volante de um carro. Em seguida, abra as mãos e agite, como se elas estivessem molhadas, e você tentando seca-las. Observe cuidadosamente o que acontece enquanto você balança suas mãos com os braços esticados. Mentalize algo e veja se aquilo não se projeta no mundo real, mesmo que de forma sutil. Algo vai acontecer em muito pouco tempo! No mínimo, você vai pagar um mico.

Não se intimide. Sua experiência tem bases globais, de Primeiro Mundo. Bilhões de pessoas assistiram, pela TV, aos torcedores holandeses, milhares deles, repetindo o mesmo gesto. Foi durante a disputa de pênaltis contra a Argentina, na semi final da Copa do Mundo do Brasil. Toda a torcida da Holanda em pé, com braços esticados, mãos tremulando, querendo secar, sim, a Argentina. Entre eles um sorriso, como se fosse só brincadeira. Mas ninguém abaixava as mãos! Se não aconteceu da forma mentalizada, pode ser por inexperiência dos europeus, tradicionalmente céticos. Mas em países como o Brasil, vanguarda da metafísica, experiências desse tipo são mais significativas e consistentes.

Esse imperativo cósmico se impõe desde a infância. Não apenas pela sugestividade dos contos árabes de Sherazade, mas também pela versão americana do mágico Merlyn, da Disney. Mãos e braços se movem de variadas formas para alcançar efeitos arrepiantes, que as crianças repetem diante dos adultos. Com muito pouco a mais, só com um leitor Kinect instalado, já realizam maravilhas em desafios virtuais.

Foi mais do que messiânica a obra do Psicólogo e Linguista francês Pierre Weil, radicado no Brasil, quando escreveu o livro "O Corpo Fala", em parceria com Roland Tompakov. Tanto que a tecnologia Kinect, desenvolvida pela Microsoft para os consoles X-Box de videogames, já traduz alguns dos idiomas mais divertidos falados pelos nossos músculos e esqueletos. Muito além dos efeitos virtuais que descreve nos ambientes dos jogos, a Kinect está sendo associada a muitas outras tecnologias, para solucionar antigos problemas, num passe de mágica.

A Bloomingdale, loja de departamentos americana, desenvolveu um aplicativo com Kinect que permite aos clientes experimentar calças jeans sem que precisem vestir cada uma delas. Para as mulheres, principalmente, é uma maravilha. "Derrubam prateleiras" inteiras em poucos minutos. O sistema capta as formas da cliente que, em seguida, através de acenos, seleciona roupas que são aplicadas virtualmente sobre seu corpo. Ela pode girar a imagem para conferir cada ângulo em que será observada vestindo a calça. Até selfies podem ser feitos, se quiser pedir opiniões mais tarde para as amigas.

O aplicativo da Jintronics é bem mais sério, embora tenha sido desenvolvido até para provocar risos. Ele combina exercícios de fisioterapia com jogos divertidos, que aumentam a motivação dos pacientes. Em pouco tempo foi constatado um grande aumento de pacientes que cumprem rigorosamente as sessões recomendadas. O aplicativo também transmite o desempenho de cada paciente ao respectivo médico, em tempo real, para avaliar os progressos alcançados e a efetividade do tratamento. A Síndrome de Dravet, uma doença caracterizada por convulsões que precisam ser assistidas, tem o tratamento muito simplificado pelo sistema que usa a tecnologia Kinect. Ele é capaz de detectar os sinais de uma convulsão iminente e avisar o cuidador que, até o aviso, poderá descansar tranquilamente.

É este verdadeiro "lego" de tecnologias, combinando sistemas independentes, que pode gerar soluções inesperadas. Quem sabe a solução que você procura já não está por aí, espalhada em pequenos engenhos, esperando um olhar mais curioso da sua parte. Só não se esqueça de avaliar com profundidade cada detalhe técnico e testar exaustivamente. Por enquanto, a grande força do pensamento conhecida é o raciocínio lógico combinado com a criatividade. Confiar apenas nas avaliações subjetivas, do tipo "significativas e consistentes", sem se preocupar com números e dados concretos, pode acabar em prejuízos. Os números reais do seu esforço um dia vão aparecer, e podem virar um vexame. Que digam aqueles que viram o 7 x 1 no placar, debaixo de um monte de mãos estendidas e tremulantes.