sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A FORÇA DO PENSAMENTO


Com a sua licença, vamos propor uma experiência diferente, mas muito simples. Estique seus braços para frente, como se fosse tomar o volante de um carro. Em seguida, abra as mãos e agite, como se elas estivessem molhadas, e você tentando seca-las. Observe cuidadosamente o que acontece enquanto você balança suas mãos com os braços esticados. Mentalize algo e veja se aquilo não se projeta no mundo real, mesmo que de forma sutil. Algo vai acontecer em muito pouco tempo! No mínimo, você vai pagar um mico.

Não se intimide. Sua experiência tem bases globais, de Primeiro Mundo. Bilhões de pessoas assistiram, pela TV, aos torcedores holandeses, milhares deles, repetindo o mesmo gesto. Foi durante a disputa de pênaltis contra a Argentina, na semi final da Copa do Mundo do Brasil. Toda a torcida da Holanda em pé, com braços esticados, mãos tremulando, querendo secar, sim, a Argentina. Entre eles um sorriso, como se fosse só brincadeira. Mas ninguém abaixava as mãos! Se não aconteceu da forma mentalizada, pode ser por inexperiência dos europeus, tradicionalmente céticos. Mas em países como o Brasil, vanguarda da metafísica, experiências desse tipo são mais significativas e consistentes.

Esse imperativo cósmico se impõe desde a infância. Não apenas pela sugestividade dos contos árabes de Sherazade, mas também pela versão americana do mágico Merlyn, da Disney. Mãos e braços se movem de variadas formas para alcançar efeitos arrepiantes, que as crianças repetem diante dos adultos. Com muito pouco a mais, só com um leitor Kinect instalado, já realizam maravilhas em desafios virtuais.

Foi mais do que messiânica a obra do Psicólogo e Linguista francês Pierre Weil, radicado no Brasil, quando escreveu o livro "O Corpo Fala", em parceria com Roland Tompakov. Tanto que a tecnologia Kinect, desenvolvida pela Microsoft para os consoles X-Box de videogames, já traduz alguns dos idiomas mais divertidos falados pelos nossos músculos e esqueletos. Muito além dos efeitos virtuais que descreve nos ambientes dos jogos, a Kinect está sendo associada a muitas outras tecnologias, para solucionar antigos problemas, num passe de mágica.

A Bloomingdale, loja de departamentos americana, desenvolveu um aplicativo com Kinect que permite aos clientes experimentar calças jeans sem que precisem vestir cada uma delas. Para as mulheres, principalmente, é uma maravilha. "Derrubam prateleiras" inteiras em poucos minutos. O sistema capta as formas da cliente que, em seguida, através de acenos, seleciona roupas que são aplicadas virtualmente sobre seu corpo. Ela pode girar a imagem para conferir cada ângulo em que será observada vestindo a calça. Até selfies podem ser feitos, se quiser pedir opiniões mais tarde para as amigas.

O aplicativo da Jintronics é bem mais sério, embora tenha sido desenvolvido até para provocar risos. Ele combina exercícios de fisioterapia com jogos divertidos, que aumentam a motivação dos pacientes. Em pouco tempo foi constatado um grande aumento de pacientes que cumprem rigorosamente as sessões recomendadas. O aplicativo também transmite o desempenho de cada paciente ao respectivo médico, em tempo real, para avaliar os progressos alcançados e a efetividade do tratamento. A Síndrome de Dravet, uma doença caracterizada por convulsões que precisam ser assistidas, tem o tratamento muito simplificado pelo sistema que usa a tecnologia Kinect. Ele é capaz de detectar os sinais de uma convulsão iminente e avisar o cuidador que, até o aviso, poderá descansar tranquilamente.

É este verdadeiro "lego" de tecnologias, combinando sistemas independentes, que pode gerar soluções inesperadas. Quem sabe a solução que você procura já não está por aí, espalhada em pequenos engenhos, esperando um olhar mais curioso da sua parte. Só não se esqueça de avaliar com profundidade cada detalhe técnico e testar exaustivamente. Por enquanto, a grande força do pensamento conhecida é o raciocínio lógico combinado com a criatividade. Confiar apenas nas avaliações subjetivas, do tipo "significativas e consistentes", sem se preocupar com números e dados concretos, pode acabar em prejuízos. Os números reais do seu esforço um dia vão aparecer, e podem virar um vexame. Que digam aqueles que viram o 7 x 1 no placar, debaixo de um monte de mãos estendidas e tremulantes.

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