A TORCIDA MAIS PERTO DO CLIMA DOS ESTÁDIOS



Construções monumentais, não apenas em tamanho, mas principalmente no estilo, linhas arquitetônicas e instalações. Camarotes inigualáveis, restaurantes de alto luxo e tudo isso cercado por uma cidade que, para um E.T., pareceria a capital do planeta. A Copa do Mundo do Qatar deu ao evento quadrienal detalhes curiosos, além da grande celebração esportiva.

Nos tempos idos, um evento desse calibre só aceitaria as tecnologias consagradas, amplamente testadas, com a máxima segurança quanto ao desempenho. No século 21 as coisas estão bem diferentes. Num ritmo alucinante de inovação um mega evento, com recordes de audiência no mundo todo, se transforma num espaço preferencial para testar novas tecnologias de consumo. No Brasil, uma dessas avaliações foi a transmissão experimental da TV Globo para padrões de TV 2.5 e 3.0. Nos dois casos o grande avanço fica por conta da integração broadcast, aquele sinal digital básico, recebido em todos os televisores, com o broadband, a banda larga da Internet. Em espaços na própria sede da emissora, parceiros, funcionários e outros convidados estão vivendo a experiência de assistir a jogos pelos novos padrões.


A TV 2.5, que teve especial interesse da TV Globo, foi desenvolvida sob a coordenação do Fórum SBTVD – Sistema Brasileiro de TV Digital, a entidade privada sem fins lucrativos que reúne emissoras, fabricantes de aparelhos, centros de pesquisas, universidades, anunciantes e outros setores próximos da TV aberta. O sinal 2.5 é retrocompatível, ou seja, ele funciona normalmente nas redes que já estão instaladas. Porém, para quem tem smartTV com a versão D do Ginga, comercialmente conhecida como DTVPlay, é possível ter uma experiência bem diferente. O Ginga é o software 100% brasileiro que tem a função de middleware, um integrador de novas funcionalidades no sistema. Começa pela interação que ele permite, dando ao telespectador a possibilidade de, por exemplo, comprar uma blusa do mesmo modelo que um personagem estiver usando numa cena, ou um móvel do set da gravação. Pode votar em enquetes, enviar respostas, trocar opiniões com amigos.


Porém, para o telespectador, o que deve chamar mais atenção na TV 2.5 é a qualidade de som e imagem. O sistema HDR permite um equilíbrio na intensidade das cores e no jogo de luz e sombra, tornando a imagem muito mais próxima daquilo que o olho humano identificaria no cenário natural. O áudio se torna imersivo e até personalizado. A imersão acontece pelo tratamento do som como um objeto. Num jogo de futebol o telespectador percebe o som vindo de outros pontos da sala, mesmo sem que haja caixas espalhadas. O que permite, por exemplo, ouvir o som da torcida atrás do sofá e o som da batida na bola vindo da tela. A personalização é a opção de escolher qual som o telespectador quer destacar mais. Ele pode aumentar o som do campo e reduzir o som da torcida (ou vice versa), pode diminuir o volume da voz do narrador ou até retira-la por completo.


Na sala da transmissão 3.0, além desses recursos a imagem chega com qualidade 4K. Outras implementações estão sendo acrescentadas ao padrão. A TV 3.0 foi desenvolvida a partir de uma iniciativa da NAB, a entidade que reúne as emissoras dos Estados Unidos. No Brasil, o Fórum SBTVD está certificando os componentes que devem ser usados tanto na fabricação dos televisores, como nos equipamentos de geração e transmissão do sinal. A TV 3.0 exige a troca de todos os equipamentos e sistemas, como foi na troca do sinal analógico pelo digital. Nos Estados Unidos a 3.0 já está autorizada porém, como rede opcional, que será distribuída em comum acordo entre a emissora e os telespectadores que optarem pelo sinal.


É difícil imaginar como seria viabilizada no Brasil a implantação de um sistema de TV totalmente diferente, que exigisse a troca até dos aparelhos domésticos. Por isso, estrategicamente, a funcionalidade mais importante passaria quase despercebida pelos telespectadores. É o direcionamento de anúncios simultâneos, onde cada domicílio assiste, num mesmo intervalo comercial, a um anúncio diferente, relacionado com as demandas daquele domicílio. Isso permitiria ampliar muito a base de anunciantes. E assim, elevar o faturamento das emissoras, condição para que possam investir e sustentar tecnologias tão inovadoras.


Os avanços na qualidade do audiovisual estão trazendo, a cada Copa, maior fidelidade de som e imagem, buscando aumentar a sensação de que o telespectador está dentro do estádio. Depois do resultado de hoje, mais do que se “aproximar dos estádios”, nossa torcida terá de fortalecer a esperança de se aproximar mais do título.


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