REVIRANDO PLATAFORMAS EM BUSCA DE NEGÓCIOS



“Digitalização”. É como um tapinha na bunda do bebê, um embalo pra começar uma função vital que não vai parar mais. O celular começou como um aparelho analógico. Pouco anos depois de chegar ao Brasil já saíram as primeiras versões digitais. Vieram com joguinhos e mais algumas funções. Até que, mais tarde, ganhou um sistema operacional e virou parte de nossas vidas, como a roupa que vestimos. Não se sai na rua sem ele.

No caso da TV o processo de digitalização também segue. Começou pelo sistema de transmissão, uma forma muito mais eficiente para levar o sinal até os televisores. Foi um salto olímpico de qualidade em todos os sentidos. Pareceu que já estava bom demais. Foi só impressão. Avançou muito mais, e pela frente tem um horizonte que a visão não alcança. Dentre os avanços vieram os sistemas operacionais em caixas (set-top box) que agregam muitas funcionalidades à TV em que estiverem conectados. Serviços de streaming mudaram a identidade dos televisores, que passaram a ser mais do que apenas exibidores de programações de canais lineares. São as novas plataformas transformando aparelhos e hábitos antigos.


Em conversa recente com a publicação Digital TV Europe, Anthony Wood, fundador da Roku, falou do esforço da empresa para ajudar os consumidores a descobrirem ao que assistir: “O público da TV está gastando cada vez mais tempo olhando para a tela... tentando descobrir o que assistir e onde encontrar”, disse o executivo. Ele entende que “com o enorme aumento no conteúdo e serviços de streaming, junto com as frequentes mudanças de onde um programa/filme/evento específico podem ser assistidos, a experiência do consumidor tornou-se fragmentada e confusa.” A Roku desenvolveu, há pouco mais de uma década, um sistema operacional, inicialmente oferecido em caixas. Hoje é também adotado por alguns grandes fabricantes de smartTVs do mundo como Philco, TCL Semp, AOC. Surgiu de uma parceria com a Netflix que achou melhor não ter sua própria caixa, entre outras que já estavam no mercado. Agora, além da Netflix, o set-top box Roku suporta aplicativos de streaming dos mais diversos, como o brasileiro Globoplay. Mais do que isso, permite que o cliente rastreie onde encontrar determinado filme ou outro conteúdo qualquer de seu interesse.


Esse modelo de negócio, surgido a partir da digitalização da TV, atende hoje mais de 65 milhões de clientes, inclusive no Brasil. Tem ações na Nasdaq e um faturamento global anual de US$ 670 milhões. Por aqui ainda não existe o Roku Channel, um canal próprio mantido também por anunciantes. A estratégia adotada pela empresa é chamada de “modelo trifásico”. Em cada mercado que a plataforma chega, inicialmente é adotado um esforço para alcançar escala. Na fase seguinte o foco na marca aumenta, em busca de maior engajamento dos clientes. A última fase é a monetização, onde se encaixa o Roku Channel. A plataforma em si não é cobrada mensalmente, o usuário só paga o que consumir em plataformas de streaming.


Depois da digitalização da TV, “sem ruídos ou interferências”, os vários negócios surgidos em função dela, somam valores bem maiores do que a TV já conseguiu movimentar em seus melhores momentos. O mercado de televisores cresceu muito em vendas, e a substituição dos aparelhos é feita em muito pouco tempo, se comparado com o que acontecia antes. Novas tecnologias tornam evidentes as vantagens em trocar o televisor com frequência cada vez maior. A quantidade de novos lançamentos de várias franquias está crescendo muito. Mais espaços estão surgindo para produção de conteúdos. Roteiristas, atores e diretores estão tendo muito mais trabalho pela frente. E as agências de publicidade criam novas modalidades de anúncios e desenvolvem métodos diferentes de produção.


Até as preocupações são novas. Por exemplo, as cotações dos papéis dessas empresas nas bolsas. O fluxo de capitais é muito intenso, essas empresas precisam investir muito a cada ano. Um bom desempenho nas bolsas vai atrair investidores e abrir mais portas de bancos para conseguir financiamentos. Afinal, cada produção é uma criação e, como tal, surge de uma centelha. Tem quase tudo pela frente a ser feito. Nos aparelhos e sistemas o ritmo de inovação também impõe grande fôlego nos investimentos. Por isso tudo, faz muito sentido dizer que você nunca mais vai olhar para a sua TV como antigamente.


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