sexta-feira, 27 de abril de 2018

QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ




É politicamente incorreto dizer. Mas, quando “a solução está na educação” é porque os responsáveis pelo problema não sabem o que fazer. A frase engana bem, é bonita, tem um quê intelectual, agrega rápidas concordâncias. No fundo, está se passando todas as responsabilidades para a geração seguinte, os educandos natos da atualidade.

Pode conferir! O debate mundial sobre meio ambiente é bem antigo e agora descobrem que, só uma das ilhas de plástico descartado no Oceano Pacífico, é equivalente às áreas dos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro somadas. Há décadas são gastos bilhões de dólares em programas sobre resíduos sólidos e agora os problemas ultrapassam as piores previsões. “A solução está na educação”, oras! Também para o uso de drogas, brigas nos estádios, acidentes de trânsito, uso racional da água, repertório musical insuportável e outros problemas virtualmente impossíveis de serem resolvidos.

Já começaram a dizer que no caso das nefastas fake news também “a solução ...”. Sinal de que vamos conviver por muito tempo com o problema. Problema? Depende da posição de quem vê.

Pesquisas científicas comprovam que fake news despertam mais interesse do que notícias de qualidade. Quer dizer que dão audiência. E audiência não é exatamente um problema para o YouTube, por exemplo. Se você entendeu que fake news interessam ao YouTube, a conclusão é sua. O fato a ser destacado é que, ao anunciar medidas que também reduzem as chances de remuneração para os produtores de conteúdo, a plataforma de vídeos do Google citou, dentre os motivos, a proliferação das notícias falsas.

Susan Wojcicki, CEO do YouTube, numa recente postagem em um blog, disse que as novas regras de monetização, implantadas neste ano, aumentaram a confiança do anunciante. Ela associou os critérios mais rigorosos ao esforço contra conteúdos impróprios.

O programa de parceria do YouTube, que prevê participação do produtor de conteúdo no faturamento publicitário, começava a valer para os canais que atingissem 10 mil visualizações. Com as novas regras passaram a ser necessárias 1.000 inscrições no canal (bem mais difíceis de obter) e 4 mil horas de exposição, no prazo máximo de um ano.

Ficou mais complicado ganhar dinheiro produzindo para o YouTube. E quem acompanha o ranking dos canais mais acessados, vai perceber que a solução para conseguir mais destaque não tem, necessariamente, nada a ver com educação.

O RÁDIO ENSINA


O YouTube, cada vez mais, é uma vitrine de uma grande loja de departamentos, que por trás está forrada de quinquilharias de R$ 1,99. Também tem os produtos premium, o espaço cibernético acomoda tudo. A dificuldade está na segurança quanto à qualidade do que você encontra ali.

É o lugar ideal para quem não sabe o que quer. Onde se encontra uma Kéfera, o Winderson, ou alguém mais habilitado a tomar o tempo de quem tem sobrando. O hólon da criação audiovisual onde, quem entra, lembra dos Tribalistas nos versos “eu sou de ninguém/ eu sou de todo mundo/ e todo mundo é meu também”.

O fenômeno da massificação é algo a ser convenientemente explorado. Chega um momento em que você não quer mais ser confundido com a massa. Quer ter sua personalidade moldada acima da multidão.

O rádio talvez tenha sido o primeiro espaço onde um pedacinho de você, a sua voz, podia ser universalizada por alguns instantes. Em plena Era do Rádio tupiniquim, durante os anos 50 do século passado, os shows de calouros traziam uma esperança: “-Se a pessoa certa me ouvir, sei que chegarei ao sucesso!”. Em termos. Muitos dos que eram escalados para entrar no ar estavam ali mais para divertir o público, para retratar o eclético, o risível.

A grande Rádio Nacional do Rio de Janeiro, líder absoluta da audiência de então, projetou muitos nomes que hoje estão na história da música, e até da Cultura Brasileira. Mas raríssimos foram os que saíram dos programas de calouros. Quem arriscou entrar pela porta do amadorismo, poucas vezes se firmou entre os profissionais.

A META É CONQUISTAR ESPAÇO


Mesmo com problemas como fake news, sequestros de arquivos, vírus, roubo de senhas, invasões de privacidade e tantas outras ameaças, ninguém pensa em deixar de lado a Internet. Como também não é inteligente, para quem precisa projetar a própria imagem, fazer de conta que o YouTube não existe.

A grande plataforma de vídeo ainda não chegou ao apogeu, merece muita atenção. O que é um grave erro para empresas e profissionais é acreditar que só existe o YouTube. Novas tecnologias, inspiradas no mesmo modelo de exibição de vídeos, já avançaram algumas gerações à frente.

Acima do plano amadorístico, hoje se fala em gestão de arquivos audiovisuais. E as ferramentas dessa gestão crescem a cada instante, em funcionalidades, segurança e eficiência. Para começar, na maioria dos casos ela dispensa as interfaces físicas, que exigiriam os mais altos investimentos.

A EiTV CLOUD atualmente é a mais completa plataforma profissional de mídia digital, com clientes no Brasil e no Exterior. A empresa contratante do serviço recebe seu site responsivo e apps Android e iOS personalizados, com a própria marca (white label). Os apps ficam disponíveis para qualquer interessado. Para quem já tem um canal no YouTube, basta importa-lo e fazer a sincronia pela EiTV CLOUD. Agora é só escolher as ferramentas para construir virtualmente uma escola, ou centro de treinamento, sala de palestras, seminários, igreja, uma emissora de TV e, provavelmente, outro ambiente que você está inventando agora.

Comece a adicionar vídeos, e-books e quaisquer outras mídias, organizadas como quiser, em aulas, módulos, cursos, também em disciplinas, autores, temas ou qualquer outra sequência didática. Você controla o que é gratuito e o que é pago, divisão de grupos e respectivas séries, sabe o horário em que cada membro acessou e, se preferir, define um horário específico para este ou aquele conteúdo. Pode programar a aplicação de provas, quizzes ou outras modalidades de avaliação, definir o tempo para resolução das questões e emitir certificados. Até transmissões ao vivo de eventos ou webinários estão ao seu alcance.

A sua audiência vai ser estendida para outras telas e dispositivos, como Apple TV, Android TV, Fire TV, Chromecast e Roku. Uma Área de Membros para os seus produtos digitais estará integrada com Hotmart, Eduzz, Monetizze e Shopify. A estimulação de um grupo pode ser feita através de games, gerando competitividade e maior engajamento, além de ser possível o atendimento direto, em tempo real, como numa conversa entre professor e aluno. Vendas avulsas de conteúdo, planos de assinatura, ofertas e promoções, pesquisas de satisfação. Tudo isso ainda não é tudo.

O seu conteúdo vai estar totalmente protegido, o tráfego de dados é criptografado, com streaming adaptativo de mídias. E a distribuição tem alcance global (CDN). Este é o cenário para profissionais. Porque possui as mais modernas ferramentas de gestão dos arquivos, e pode agregar outras, que serão desenvolvidas para atender necessidades específicas. É o que tem feito a EiTV CLOUD crescer no ritmo de 10% ao mês. É assim que uma imagem passa a valer muito mais do que mil palavras.


sexta-feira, 20 de abril de 2018

FOI SÓ O GOVERNO CHEGAR NO CÉU...




A quem interessa a lua? Hoje em dia só a poetas, pescadores, comunidades primitivas, iminentes carecas, mulheres grávidas, ... Agora imagine o que aconteceria se alguém, em algum lugar do mundo, resolvesse reivindicar, sob qualquer argumento, a propriedade da lua. Com certeza haveria contestações, acusações e muitas teses sobre a legitimidade dessa “propriedade”.

Tem alguma similaridade com outro satélite – no caso, artificial – que o governo brasileiro mandou ao espaço. Por sinal, o primeiro “território” verde amarelo no firmamento. O SGDC-1, ou Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação, entrou em órbita em maio do ano passado. Pela banda X atende exclusivamente ao uso militar, como na fiscalização de fronteiras. Mas tem também uma capacidade em banda Ka que interessa muito ao bilionário mercado de telecomunicações. Além do potencial para atender muitos e muitos programas sociais.

Pois é, a Telebrás tentou leiloar essa capacidade, fazendo exigências específicas. “-Assim não tá bom”, disse o mercado, ao não apresentar uma única proposta nos termos do edital. Sem postulantes, a estatal achou na lei um meio para contratar, sem concorrência, uma empresa para criar a infraestrutura terrestre para o sinal do SGDC-1 na banda Ka. A escolhida foi a americana Viasat. Desde então o que vem do céu está sendo razão de muita discórdia e brigas. Uma ação na Justiça do Amazonas suspendeu o acordo Telebrás-Viasat.

O fato é que na próxima semana o imbróglio completa um mês e esse período vai ser somado na conta do desperdício de dinheiro público. Como o satélite tem combustível e equipamentos para um período fixo de vida útil, cada volta “desligado” da Terra sai muito cara para o Brasil. Deve haver uma audiência nos próximos dias para pôr fim ao impasse. Mas seria solução para apenas uma das contestações. Outros interessados também podem ajuizar ações, com base em outros argumentos.

O nosso primeiro apetrecho sideral, tão desprezado desde o início, agora inspira lutas épicas, e não poesias. Está fazendo muita gente arrancar os cabelos e pode parir um problema em hora errada, bem próximo às eleições.

DISCURSO BEM ATUAL


No final da semana passada Telebras e Viasat divulgaram comunicado conjunto onde apontam o interesse da oposição – ôps, da concorrência – em “evitar que essa parceria avance”. Dizem que tudo está dentro das leis brasileiras.

Em outro comunicado a Viasat, que chegou por aqui em fevereiro, mostrou que já aprendeu refrãos bem populares. Disse ser uma empresa reconhecida internacionalmente que trabalha com “governos em todo o mundo para conectar os desconectados”.

Mas o SindiTelebrasil, que representa as operadoras de telecomunicações, não dá muita importância a esses detalhes. Quer saber dos detalhes do contrato Telebrás-Viasat. Quer conhecer as condições que despertaram interesse de uma empresa que nunca antes tinha pisado aqui. Afinal, ela chegou para operar um serviço que foi apresentado ao mercado em condições nada atraentes.

Por enquanto, o que está na Justiça é a liminar de uma ação de perdas e danos, que não deve prosperar. A empresa amazonense Via Direta, do empresário Ronaldo Lázaro Tiradentes, alega que a Telebrás teria assegurado “direito a adquirir parte da capacidade satelital ...” e que, para tanto, investiu milhões de dólares na “aquisição e instalação de equipamentos para realização de testes". A Via Direta é parceira, aqui no Brasil, da iDirect, empresa internacional que concorre com a Viasat.

Mesmo estando no Brasil, não dá para acreditar que a Telebrás teria feito uma promessa dessas. De acordo com o site Teletime, o que se comenta no mercado é que a Telebrás autorizou, a pedido da Via Direta, testes com o sinal do satélite por 60 dias.

Porém, no caso do SindiTelebrasil, os advogados querem ter o contrato Telebrás-Viasat em mãos para comparar ao edital, e então entrar na Justiça. Se for o caso, tudo indica que as bases da eventual contestação serão mais concretas.

Enquanto isso, muita gente vem abusando da ignorância alheia para levantar a torcida. Afinal, quem entende de operação de satélites? Já disseram que a Viasat vai ter a senha do satélite (??) e que ela teria acesso à banda X (militar). O próprio Ministério da Defesa, por meio de nota técnica, garantiu que tais possibilidades não existem.

No comunicado conjunto Telebrás-Viasat o que se afirma é que a Viasat vai repartir com a estatal brasileira eventuais receitas com serviços privados. Mesmo assim, a prioridade seriam os programas sociais. O trabalho da empresa americana seria unicamente implantar a estrutura satelital em terra para receber a banda Ka e dar manutenção à rede.

HISTÓRIA CELESTIAL, PORÉM, SEM ANJOS


Em se tratando de um assunto complexo, recém-chegado aos domínios nacionais, é natural que haja certa dificuldade em compreender, por enquanto, o que está acontecendo exatamente. Porém, o que se viu até agora permite concluir que não tem nenhum anjo em nenhum dos lados.

A negativa do mercado em relação aos termos do edital pode ter sido um ato de esperteza. Todos sabiam que o satélite já estava gastando milhões de reais em órbita e só a banda X estava em operação. Toda a capacidade em banda Ka, para uso civil, estava parada e o Governo precisava encontrar uma solução. Teria sido uma aposta em um segundo leilão, com um edital mais generoso? Talvez. Mas a principal preocupação ventilada desde o início estaria nas imprecisões no edital. Elas poderiam gerar exigências mais tarde, principalmente num novo Governo, cujo perfil ninguém pode supor, pelo menos por enquanto.

Para ajudar, o Ministro relacionado mais de perto com a questão, Gilberto Kassab, resolveu acrescentar mais uma frase de efeito. No início da semana, durante evento realizado em Uberlândia – MG, disse que "nenhum brasileiro ficará sem banda larga no país, independente de onde morar”. Uma frase que sugere uma coisa, mas, na verdade, garante outra.

O Programa Internet para Todos não depende apenas das antenas e da rede que a Viasat vai colocar – caso a Justiça passe a reconhecer o contrato com a Telebrás. A estatal brasileira ainda vai precisar encontrar pequenos empreendedores locais, que tenham interesse em se tornarem pequenos provedores. Depois a mesma Telebrás terá de treinar todo esse pessoal para que, finalmente, possam oferecer os serviços a preços mais baixos para as respectivas populações.

Porém, o satélite, assim como tudo que existe no mundo, tem limites de capacidade. Ao reconhecer que atualmente existem 20 milhões de domicílios sem acesso à Internet no Brasil, o Ministro Kassab ultrapassa em muito a capacidade do SGDC-1. O que o satélite pode, é levar o sinal de banda larga para qualquer ponto do Brasil, conforme análise do Jornalista Samuel Possebon, do site Teletime. Quanto à quantidade de domicílios atendidos em cada um desses pontos, as limitações são muito mais restritas. Conversa de pescador (pra ficar entre os interessados em “satélites”)!

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sexta-feira, 13 de abril de 2018

TECNOLOGIA E QUALIDADE NO BRASIL



“Tchiii.” É assim ou faz “Tsschiiii”?

Tanto faz a grafia da onomatopeia. O assunto é qualidade e todo mundo conhece os timbres dessa curta “sinfonia”, levada à mesa quando se abre uma garrafa. De refrigerante ou cerveja. Esse barulhinho é um indicador de qualidade, principalmente no caso das cervejas, que têm maior valor agregado.

Mas esse é só um, entre tantos outros detalhes. Começa pelo rótulo, depois as pontas dos dedos no gargalo, medindo temperatura. Vem o “tchiii” e ainda vai longe, passa pela boca da garrafa, que não pode estar trincada, o copo americano ou tulipa, se vem gelado ou não, a espuma, ... Tudo isso antes de falar do sabor.

É uma das poucas ocasiões em que a força do consumidor brasileiro aparece. Em qualquer dessas fases pode levantar um cartão vermelho e aquela garrafa vai ser substituída, sem mais delongas. No caso de produtos muito mais sofisticados, em que a qualidade pode ser medida de forma mais objetiva, em números, deveria prevalecer mais ainda a força do consumidor.

Os serviços de telecomunicações não acompanham essa lógica. O setor é campeão de reclamações ano após ano e, ao que parece, vai garantir o título por mais um bom tempo.

Está em Consulta Pública a proposta para um RQUAL - Regulamento de Qualidade dos Serviços de Telecomunicações no Brasil, que abrange as operadoras de telefonia fixa, móvel, de TVs por assinatura e de acesso a Internet. A proposta veio da Anatel, a agência reguladora que deve fiscalizar a qualidade desses serviços. Mas as prestadoras não demonstram a mínima boa vontade. Estão batendo firme no anteprojeto, que parece mesmo ter sido feito para apanhar.

O histórico dessa relação, entre reguladora e reguladas, é bem parecido com o de uma mãe muito tolerante com um filho estroina. Ela impõe uma série de censuras que sempre acabam não dando em nada. Só a Oi tem mais de R$ 11 bilhões em multas a serem pagas, sabe-se lá quando.

Com o RQUAL a Anatel pretende “trocar o sistema de punições por um sistema focado no interesse do consumidor” (??). Alega que as multas não deram certo. Por conta disso vai reduzir drasticamente os índices a serem medidos na avalição da qualidade, trocar as avaliações mensais por semestrais e praticamente acabar com as multas. Coisa de mãe, não é!? Mesmo assim as operadoras continuam batendo o pé.

“-OLHA O AVIÃOZINHO...”


Talvez as multas não tenham dado certo porque nunca foram efetivamente cobradas. Ficam pulando de instância em instância, nas esferas administrativas e judiciais, até serem declaradas impagáveis. Ou seriam incobráveis?

Numa comparação com a mais popular das multas, as de trânsito, quando elas atingem os 21 pontos em 12 meses está previsto um breque. Não se espera acumular mais. Toma-se a carta do cidadão, que vai sentar no colo do delegado até repetir de novo todas as normas que tem de seguir. Reciclado, depois de 6 meses, volta ao volante. Se insistir nas barbeiragens, pode ter a carta recolhida definitivamente.

As multas das operadoras não deram em nada até agora. Tentaram TACs, os Termos de Ajuste de Conduta, mas os termos nunca estão “de acordo” para as teles. Então a Anatel está tentando o tal RQUAL, que também não está bom.

Claro e Sky já entraram com contestações muito semelhantes. Ou melhor, “contribuições”, porque o regulamento ainda está em consulta pública. Elas não querem, por exemplo, que eventuais interrupções de serviço estejam entre os índices de qualidade. Para um advogado do tipo que defende réus da Lava Jato, possivelmente faz sentido. Como avaliar a qualidade de uma transmissão que o consumidor nem viu ou ouviu? A compensação automática para o consumidor, pelo tempo que o serviço foi interrompido, também não dá. Afinal, a empresa não teria como contestar o fato judicialmente, cadê a “ampla defesa”?

Ah, outro hábito regulatório brasileiro também está sendo reivindicado. As operadoras de Internet de médio porte querem um tratamento diferenciado. Já a associação das operadoras de pequeno porte quer que os filiados fiquem a salvo desse regulamento. Ora, facilidades fiscais e burocráticas já deveriam ser suficientes para empresas menores. Porém, flexibilizar a qualidade do que é oferecido ao cliente, parece um atestado de que o incentivo fiscal não implicou em vantagem para o cidadão comum.

Tendo como base uma retórica evidentemente “garantista”, as empresas do setor parecem só encontrar problemas no novo regulamento. E, de fato, a proposta apresenta vários pontos questionáveis no que diz respeito à efetiva aplicação. Parece ter sido feita para não ser aplicada.

O QUE SERIA MELHOR?


Num recente parecer do Advogado Carlos Ari Sundfeld, contratado pelo Sinditelebrasil e divulgado no site Teletime, a proposta da Anatel é duramente atacada. Há ressalvas apenas em relação às intenções da agência, que teria demonstrado interesse num modelo de regulação responsiva, ao invés de manter o atual paradigma punitivo.

Surpreende o fato de as teles proporem um clima na relação com a agência, que não é nada do que elas mesmas trazem para a discussão de um anteprojeto, ainda em consulta pública. Criticam com base num formalismo legal rigoroso, da mesma natureza daquele que reclamam, quando a agência pune, ou ameaça faze-lo. Ao final de tantas críticas, a “contribuição” que as teles oferecem como sugestão é um modelo de qualidade baseado na confiança. Cada empresa a ser fiscalizada contrataria uma “entidade privada idônea, de sua livre escolha, para auditar” os serviços e depois apresentaria os dados levantados para a Anatel. Simples assim.

O parecer jurídico se apega à regulação atual, dita “inaplicável” pelo excesso de rigor, para lembrar que à Anatel são permitidas, como sanções, apenas “advertência, multa, suspensão temporária (até aqui, já vimos acontecer), caducidade e declaração de inidoneidade”. Por isso, uma quebra de fidelização contratual, um dos itens propostos no modelo responsivo em discussão, estaria fora da lei. Ou seja, a operadora pode deixar de cumprir o que prometeu, mas a promessa de fidelidade do consumidor precisa ser mantida.

Ora, a lei prevê alguns atalhos para facilitar relações jurídicas, a partir de acordos. Como, por exemplo, o que ocorreu em 2011 entre a associação dos supermercados paulistas e o Procon do estado. O consumidor que encontrar na loja um produto vencido, tem direito de levar para casa um outro, dentro da validade, gratuitamente. Mais prático para o consumidor do que apresentar uma denúncia formal. E muito mais vantajoso para o supermercado, que escapa do rigor do código legal para o caso.

Será que as operadoras preferem as sanções maiores previstas, como a “caducidade”, que equivale a uma cassação da licença? Ou a declaração de inidoneidade?

Ao que parece, o que as operadoras de telecomunicações querem é uma Anatel “mãezona”, suave, para as coisas continuarem mais ou menos como estão. As chances de isso ser mantido, por enquanto, são concretas.

O Brasil ainda não demonstrou capacidade de gerir serviços de alta tecnologia, que movimentam bilhões de reais anualmente. Assim como jamais demonstrou capacidade de moralizar as próprias empresas estatais que administrava. Se fosse diferente, considerando a qualidade média das empresas privadas nesse setor, talvez fosse melhor manter os serviços com estatais eficientes.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

DA TV VEIO E À TV VOLTARÁ




Há dois anos a NAB – National Association of Broadcasters redefiniu seu principal evento anual: o que era a maior feira e o maior congresso sobre tecnologia de televisão do mundo, aumentou a abrangência para se tornar um M.E.T. Effect. Ou, um evento englobando o “fenômeno” Mídia, Entretenimento e Tecnologia. Consequência natural, depois do avanço tecnológico que multiplicou os meios audiovisuais e as plataformas para comunicação entre eles.

Neste ano o hot site da NAB Show 2018 anuncia, dentre o que será apresentado por expositores e conferencistas, “...soluções poderosas para profissionais que desejam criar, gerenciar, entregar e monetizar conteúdo em qualquer plataforma.” De fato, muito esclarecedor. Mas, curiosamente, muito “televisor” também!

A New Gen TV – NGTV, materializada no sistema ATSC 3.0, é assim. Um sistema audiovisual completo por onde chegam conteúdos de TV aberta, das redes sociais, da nuvem, de OTTs ou de qualquer outro endereço da web, via radiofrequência ou Internet, com qualidade que pode variar do SD ao 4K. Essa realidade permite a interação do público com essas fontes, a qualificação dos consumidores e a personalização da publicidade, reunindo assim todas as vantagens que qualquer player desse ecossistema pode sonhar. O “televisor” NGTV é tudo isso, é o fenômeno M.E.T. por completo, ressurgindo integralmente em seu ancestral de origem.


O que vai significar a NGTV enquanto possibilidade para o mercado M.E.T., deve começar a ser definido exatamente nesta edição da NAB Show. Pois o sistema acabou de passar por sua maior prova de fogo, durante as Olimpíadas de Inverno de PyeongChang, na Coreia do Sul. A NGTV foi testada lá e pode se tornar o novo sistema de TV aberta naquele país, onde também foi desenvolvida boa parte do hardware do ATSC 3.0.


Com todas essas vantagens diante de usuários e produtores de conteúdo, a NGTV tem um sério gargalo a ser enfrentado. Ela torna praticamente inútil toda a tecnologia de transmissão de TV que a antecede. O que significa a necessidade de mudar quase tudo nas emissoras de TV aberta que eventualmente quiserem utilizar o sistema. Para o telespectador seria possível acessar parte do que o sistema oferece utilizando televisores do tipo smart TV. Mudar tudo para a NGTV seria algo tão complexo quanto foi transição da TV analógica para a digital.


UM MUNDO MAIS SIMPLES


A NGTV é uma confirmação enfática da convergência tecnológica para os paradigmas digitais. Ou melhor, da convergência doméstica. Afinal a universalização do digital já está nos carros, no transporte público, nos bancos, nas escolas, nos equipamentos médicos e odontológicos, até nos bisturis que operam remotamente. Em todos esses segmentos a digitalização só tende a crescer, além dos muitos outros que deve envolver. Faz sentido! Se podemos responder todos os desafios com arranjos de zero e um, por que complicar?


A força que move decisões desse tipo está nos negócios, nos interesses legítimos que vão direcionar investimentos. E, numa primeira análise, a NGTV se acomoda facilmente nesta mesa. Ela não ameaça particularmente nenhum dos outros participantes desse jogo no seu mercado, à exceção das TVs por assinatura. Tecnicamente, elas são perfeitamente conciliáveis. Porém, com tantas alternativas no mesmo aparelho, talvez reduzisse o interesse em pagar pelo serviço, pelo menos da forma como é apresentado hoje. De resto, imagine a facilidade de se ter na TV toda estrutura para consoles de jogos, o roteador para distribuir sinais para tablets, notebooks, desktops, com total liberdade de uso para cada um desses equipamentos.


Essa facilidade vem da codificação totalmente inovadora do sinal da NGTV. Ele combina protocolos IP com o TS exigido para o tráfego na radiofrequência. E cada aparelho conectado faz a leitura do próprio conteúdo. Só os canais de retorno vão contar unicamente com a Internet.


Nos Estados Unidos o sistema está autorizado como alternativa. A emissora que decidir implantar, além de fazer um alto investimento, terá de convencer também sua audiência a investir na infraestrutura de recepção.

No Brasil, pelo menos um laboratório de testes e avaliações deverá estar funcionando a partir do início da Copa da Rússia. Paralelamente, correm os estudos de mercado. A NGTV pode ser a tecnologia que vai reaproximar das emissoras de TV uma grande quantidade de anunciantes que migrou para a Internet. Terá ainda o potencial de incluir no mercado de TV anunciantes que nunca antes tiveram experiência nessa mídia.


TECNOLOGIA BRASILEIRA NA NGTV


Durante a NAB Show 2018 estarão sendo lançados, no estande da EiTV, os equipamentos EiTV ATSC 3.0 MMT Server e EiTV ASTC 3.0 Route Server. Os equipamentos, desenvolvidos pela EiTV para emissoras, fazem parte do sistema que implementa funções no sinal NGTV. Ele vai ser produzido pela filial americana da EiTV e, desde esse primeiro momento, estará disponível também para as emissoras sul coreanas.


Ao comentar o desafio de apresentar tecnologia brasileira para concorrer na ponta do mercado mundial, Rodrigo Araújo, Diretor Comercial da EiTV, afirma que as fronteiras tecnológicas seguem outra lógica: “- quanto mais você aprofunda o conhecimento numa tecnologia, mais território você conquista naquele saber. Hoje somos “cidadãos natos” do mundo da TV digital.” Segundo ele, a EiTV está investindo para trazer ao Brasil, o quanto antes, a NGTV.


Enquanto isso, o expertise da empresa em ISDB-T produz soluções pensadas para a realidade sul americana. Como a digitalização compacta do sinal de uma geradora com apenas dois aparelhos: EiTV Dual Channel Encoder e EiTV Remux Datacaster.


A qualidade do sinal fica por conta do EiTV Inspector. A versão para emissoras monitora o sinal RF (Nível, CNR e BER), analisa o Transport Stream com decodificação das tabelas e descritores do ISDB-T e ainda grava o BTS/TS e todos os outros serviços. O EiTV Inspector Box é a caixa que pode conferir tudo na outra ponta, em cada local de recepção. Por isso cresce como ferramenta para assistências técnicas. Antes de abrir um aparelho, é possível avaliar se o problema não está na transmissão que chega da torre.

Outro lançamento da EiTV para ISDB-T é o sistema Matriz CC. Ele gera um switcher virtual no controle mestre para que o operador possa escolher a fonte de closed caption em cada momento da programação (geração local, geração rede, re-speaking, estenotipia, etc). Tudo por comunicação TCP/IP. O sistema também faz download dos conteúdos nos formatos SRT ou SCC, integrações com o painel de botões Magellan (Imagine/Harris) RCP-32LCD e a automação Pebble Beach.

A plataforma EiTV CLOUD chega com mais soluções para gestão e distribuição de conteúdos audiovisuais na nuvem. Ela combina as tecnologias cloud e mobile. Treinamentos e campanhas motivacionais podem ser disponibilizados entre funcionários, que só precisam acessar o site ou baixar os apps da empresa em seus celulares. Os conteúdos podem estar abertos ao público em geral, ou estarem destinados a públicos específicos. O sistema recebe pagamentos e pode interagir, como no caso da aplicação de enquetes, testes de conhecimento ou provas, com tempo determinado para finalização. Realiza até transmissões ao vivo, em tempo real.