DA TV VEIO E À TV VOLTARÁ




Há dois anos a NAB – National Association of Broadcasters redefiniu seu principal evento anual: o que era a maior feira e o maior congresso sobre tecnologia de televisão do mundo, aumentou a abrangência para se tornar um M.E.T. Effect. Ou, um evento englobando o “fenômeno” Mídia, Entretenimento e Tecnologia. Consequência natural, depois do avanço tecnológico que multiplicou os meios audiovisuais e as plataformas para comunicação entre eles.

Neste ano o hot site da NAB Show 2018 anuncia, dentre o que será apresentado por expositores e conferencistas, “...soluções poderosas para profissionais que desejam criar, gerenciar, entregar e monetizar conteúdo em qualquer plataforma.” De fato, muito esclarecedor. Mas, curiosamente, muito “televisor” também!

A New Gen TV – NGTV, materializada no sistema ATSC 3.0, é assim. Um sistema audiovisual completo por onde chegam conteúdos de TV aberta, das redes sociais, da nuvem, de OTTs ou de qualquer outro endereço da web, via radiofrequência ou Internet, com qualidade que pode variar do SD ao 4K. Essa realidade permite a interação do público com essas fontes, a qualificação dos consumidores e a personalização da publicidade, reunindo assim todas as vantagens que qualquer player desse ecossistema pode sonhar. O “televisor” NGTV é tudo isso, é o fenômeno M.E.T. por completo, ressurgindo integralmente em seu ancestral de origem.


O que vai significar a NGTV enquanto possibilidade para o mercado M.E.T., deve começar a ser definido exatamente nesta edição da NAB Show. Pois o sistema acabou de passar por sua maior prova de fogo, durante as Olimpíadas de Inverno de PyeongChang, na Coreia do Sul. A NGTV foi testada lá e pode se tornar o novo sistema de TV aberta naquele país, onde também foi desenvolvida boa parte do hardware do ATSC 3.0.


Com todas essas vantagens diante de usuários e produtores de conteúdo, a NGTV tem um sério gargalo a ser enfrentado. Ela torna praticamente inútil toda a tecnologia de transmissão de TV que a antecede. O que significa a necessidade de mudar quase tudo nas emissoras de TV aberta que eventualmente quiserem utilizar o sistema. Para o telespectador seria possível acessar parte do que o sistema oferece utilizando televisores do tipo smart TV. Mudar tudo para a NGTV seria algo tão complexo quanto foi transição da TV analógica para a digital.


UM MUNDO MAIS SIMPLES


A NGTV é uma confirmação enfática da convergência tecnológica para os paradigmas digitais. Ou melhor, da convergência doméstica. Afinal a universalização do digital já está nos carros, no transporte público, nos bancos, nas escolas, nos equipamentos médicos e odontológicos, até nos bisturis que operam remotamente. Em todos esses segmentos a digitalização só tende a crescer, além dos muitos outros que deve envolver. Faz sentido! Se podemos responder todos os desafios com arranjos de zero e um, por que complicar?


A força que move decisões desse tipo está nos negócios, nos interesses legítimos que vão direcionar investimentos. E, numa primeira análise, a NGTV se acomoda facilmente nesta mesa. Ela não ameaça particularmente nenhum dos outros participantes desse jogo no seu mercado, à exceção das TVs por assinatura. Tecnicamente, elas são perfeitamente conciliáveis. Porém, com tantas alternativas no mesmo aparelho, talvez reduzisse o interesse em pagar pelo serviço, pelo menos da forma como é apresentado hoje. De resto, imagine a facilidade de se ter na TV toda estrutura para consoles de jogos, o roteador para distribuir sinais para tablets, notebooks, desktops, com total liberdade de uso para cada um desses equipamentos.


Essa facilidade vem da codificação totalmente inovadora do sinal da NGTV. Ele combina protocolos IP com o TS exigido para o tráfego na radiofrequência. E cada aparelho conectado faz a leitura do próprio conteúdo. Só os canais de retorno vão contar unicamente com a Internet.


Nos Estados Unidos o sistema está autorizado como alternativa. A emissora que decidir implantar, além de fazer um alto investimento, terá de convencer também sua audiência a investir na infraestrutura de recepção.

No Brasil, pelo menos um laboratório de testes e avaliações deverá estar funcionando a partir do início da Copa da Rússia. Paralelamente, correm os estudos de mercado. A NGTV pode ser a tecnologia que vai reaproximar das emissoras de TV uma grande quantidade de anunciantes que migrou para a Internet. Terá ainda o potencial de incluir no mercado de TV anunciantes que nunca antes tiveram experiência nessa mídia.


TECNOLOGIA BRASILEIRA NA NGTV


Durante a NAB Show 2018 estarão sendo lançados, no estande da EiTV, os equipamentos EiTV ATSC 3.0 MMT Server e EiTV ASTC 3.0 Route Server. Os equipamentos, desenvolvidos pela EiTV para emissoras, fazem parte do sistema que implementa funções no sinal NGTV. Ele vai ser produzido pela filial americana da EiTV e, desde esse primeiro momento, estará disponível também para as emissoras sul coreanas.


Ao comentar o desafio de apresentar tecnologia brasileira para concorrer na ponta do mercado mundial, Rodrigo Araújo, Diretor Comercial da EiTV, afirma que as fronteiras tecnológicas seguem outra lógica: “- quanto mais você aprofunda o conhecimento numa tecnologia, mais território você conquista naquele saber. Hoje somos “cidadãos natos” do mundo da TV digital.” Segundo ele, a EiTV está investindo para trazer ao Brasil, o quanto antes, a NGTV.


Enquanto isso, o expertise da empresa em ISDB-T produz soluções pensadas para a realidade sul americana. Como a digitalização compacta do sinal de uma geradora com apenas dois aparelhos: EiTV Dual Channel Encoder e EiTV Remux Datacaster.


A qualidade do sinal fica por conta do EiTV Inspector. A versão para emissoras monitora o sinal RF (Nível, CNR e BER), analisa o Transport Stream com decodificação das tabelas e descritores do ISDB-T e ainda grava o BTS/TS e todos os outros serviços. O EiTV Inspector Box é a caixa que pode conferir tudo na outra ponta, em cada local de recepção. Por isso cresce como ferramenta para assistências técnicas. Antes de abrir um aparelho, é possível avaliar se o problema não está na transmissão que chega da torre.

Outro lançamento da EiTV para ISDB-T é o sistema Matriz CC. Ele gera um switcher virtual no controle mestre para que o operador possa escolher a fonte de closed caption em cada momento da programação (geração local, geração rede, re-speaking, estenotipia, etc). Tudo por comunicação TCP/IP. O sistema também faz download dos conteúdos nos formatos SRT ou SCC, integrações com o painel de botões Magellan (Imagine/Harris) RCP-32LCD e a automação Pebble Beach.

A plataforma EiTV CLOUD chega com mais soluções para gestão e distribuição de conteúdos audiovisuais na nuvem. Ela combina as tecnologias cloud e mobile. Treinamentos e campanhas motivacionais podem ser disponibilizados entre funcionários, que só precisam acessar o site ou baixar os apps da empresa em seus celulares. Os conteúdos podem estar abertos ao público em geral, ou estarem destinados a públicos específicos. O sistema recebe pagamentos e pode interagir, como no caso da aplicação de enquetes, testes de conhecimento ou provas, com tempo determinado para finalização. Realiza até transmissões ao vivo, em tempo real.

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