sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A PRINCIPAL SEMANA DO ANO PARA AS PLATAFORMAS MÓVEIS


A natureza mobile do humano levou a espécie a criar certos hábitos. Sempre houve algo inseparável na vida de cada pessoa e sempre pensamos e aprimoramos maneiras para ter essas coisas conosco. As mulheres criaram as poderosas bolsas, onde pode-se encontrar de tudo. Um verdadeiro desafio para a tecnologia, que só foi respondido a altura depois do lançamento dos celulares digitais inteligentes.
Os smartphones – que já estão nas mãos de 79% dos usuários da telefonia móvel no Brasil – de fato, já são quase uma bolsa de mulher. Aquela surpreendente tecnologia carrega máquina fotográfica, câmera de vídeo, um videogame, bloco de anotações, máquina de escrever, rádio, bip, caixinha de música, televisão, espelho, agenda, despertador, ... ah, tem até telefone. E tem mais uma coisa que o celular carrega, talvez a mais importante. É um grande enigma para os futuros próximo e distante: as perspectivas de um mundo totalmente conectado, onde todas as pessoas vão estar permanentemente online.
Essas perspectivas são o tema da MWC – Mobile World Congress, que acontece em Barcelona, Espanha, durante este período de Carnaval aqui no Brasil. A EiTV, também neste ano, está entre as 16 empresas que vão representar o Brasil no estande da Softex - Apex. É o maior evento de tecnologia móvel do mundo.

UM PLANO NACIONAL ANUNCIADO NO EVENTO

O que os dispositivos móveis estão se tornando é algo que nunca existiu, nem em bolsa de mulher. Um tipo de controle remoto do Planeta Internet, onde tudo acontece. Os dispositivos móveis são a origem da maioria dos acessos à Internet vindos das nações mais avançadas, assim como acontece em tantas outras, caso do Brasil. Uma tendência que só deve se acentuar.
O uso de inteligência artificial em sistemas IoT está criando soluções em muitos segmentos, inclusive com o uso de plataformas móveis. Por exemplo o Chat Bot, um sistema remoto que interage com clientes através de chat. Ele tem um repertório muito maior de respostas e consegue identificar, no texto digitado pelo usuário, as respostas correspondentes àquela demanda.
O Ministro Gilberto Kassab, da Tecnologia, Inovação e Telecomunicações decidiu que a MWC-17 seria a oportunidade para anunciar o Plano Nacional de Internet das Coisas (IoT). A área está intimamente relacionada com os dispositivos móveis e está crescendo irreversivelmente no mundo. Além da praticidade, economia de tempo e de dinheiro que pode trazer, o IoT tem um valor estratégico para as nações. É um tipo de plataforma que vai exigir grandes investimentos em segurança de redes. Mas o Ministro Kassab não está enfatizando esses aspectos, pelo menos por enquanto. Ele fala do uso social de aplicações IoT, detalhes que devem ser mais conhecidos na medida em que forem publicados e analisados os termos do Plano.
A MWC-17 também traz muito otimismo ao presidente da Softex, Ruben Delgado. Ele prevê a geração de US$ 30 milhões em negócios para as empresas brasileiras, a partir dos contatos realizados durante o evento.

ELAS ESTÃO SOBRE AS NOSSAS CABEÇAS

Um outro segmento tecnológico que ganha mais importância ainda no mundo mobile é o cloud computing, a “nuvem” cada vez mais carregada no céu da Internet, que “irriga” generosamente as mais diversas aplicações. Os sistemas cloud no mundo mobile são a macro ferramenta de acesso a uma carga infinita de conteúdos – e também aplicativos. Tudo que tinha de útil naquelas toneladas de móveis, equipamentos e documentos que o cloud fez desaparecer do espaço físico da sua empresa, ele também faz aparecer a qualquer momento, em qualquer lugar onde você levar um dispositivo móvel. Por isso é um dos temas de destaque durante a MWC–17 e é também a contribuição que a EiTV está levando ao evento.
A plataforma EiTV CLOUD é voltada para o armazenamento e gerenciamento de conteúdos audiovisuais. Ele pode disponibilizar vídeos dos mais diversos temas em aparelhos móveis ou não, de forma aberta ou direcionada, gratuita ou paga, em horário livre ou pré-determinado, com possibilidade de interatividade. A plataforma está aberta a muitos outros comandos que possam ser necessários ao gerenciamento dos conteúdos. Bastante flexível, a EiTV CLOUD vem sendo utilizada para as áreas de treinamento e marketing de conteúdo, o que a torna especialmente indicada para empresas e profissionais de treinamento, de vendas, palestrantes, profissionais de assistência técnica e pós venda, educação à distância (EAD) e metodologias de conscientização.
A grande vantagem é que, tomando como base de operações a plataforma EiTV CLOUD podem ser desenvolvidos aplicativos para uso em praticamente todas as áreas de atuação. Esse amplo espectro está fazendo com que as softhouses envolvidas com essa tecnologia procurem empresas para detectar novos espaços para aplicação. De certa forma a tecnologia cloud foi inventada também para o futuro e não apenas para o presente. Empresários e gestores que utilizam o sistema muitas vezes se surpreendem com os ganhos que obtiveram em áreas onde não sentiam uma necessidade de aprimoramento. É mais ou menos como a gente se sentia, enquanto criança, ao ver a mãe tirar uma bala de leite da bolsa. Era sempre na hora em que a gente menos esperava.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O CONHECIMENTO, MAIS PODER DO QUE DIREITO


A parábola do Bom Samaritano, uma das mais conhecidas da Bíblia, é um exemplo histórico de que nem todos gostam de simplificar. Ela foi criada por Jesus como um recurso didático quando Ele falava da importância de se “amar o próximo”. Alguém levantou e questionou: “-Quem seria o meu próximo?” Veja se isso é pergunta que se faça! E então, a parábola foi contada.
Quatro séculos antes Diógenes de Sinope andava durante o dia com uma lanterna acesa na mão. Dizia estar a procura de um homem honesto, num claro questionamento sobre o que é ser honesto. Diógenes era um filósofo cínico, e isso não é um xingamento. Os filósofos dessa corrente acreditavam que a única razão da existência era a virtude, por isso, em desprezo às normas e valores da sociedade, viviam pelas ruas como mendigos. Daí serem comparados a cães, do grego, “cínicos”.
Engraçado, é justamente o contrário do cínico que hoje se vê tanto por aí, aquele que prega uma pureza mas vive na esperteza. Essa mudança de significado só aconteceu no Século XIX, quando as pessoas contestaram a seriedade de quem só pensa em virtudes e nega os prazeres da vida. A filosofia cínica passou a ser vista como uma grande conversa fiada.
O que nunca ninguém soube era que luz vinha da lanterna de Diógenes, capaz de iluminar dúvidas tão sutis. E tão importantes!
Por exemplo, o que é “bipolaridade”? Hoje deve ser essa vida em dois mundos, tanta gente com a cara colada no celular, entre o mundo concreto e o digital da Internet. E o que é privacidade? Ah, esta deve ser uma longa discussão para os próximos anos. Vai ser necessário encontrar um novo significado para não perde-la por completo.

DIREITOS FUNDAMENTAIS E FUNDAMENTOS COMERCIAIS

A “privacidade dos dados sensíveis”, por exemplo, já existe na lei americana. São as informações sobre finanças, seguridade social, geolocalização, saúde, a vida das crianças, o histórico de navegação do internauta, os aplicativos que costuma utilizar e o conteúdo das mensagens escritas e recebidas. Foi o que a FCC, que regula as telecomunicações nos Estados Unidos, conseguiu no ano passado livrar do assédio por parte das teles, as grandes operadoras de telefonia móvel e banda larga. Mas o Governo Trump está mais sensível ao apelo das empresas e a privacidade corre o sério risco de se tornar somente aquilo que o cidadão for capaz de esconder.
Ainda no ano passado, o FBI de Obama quis acessar dados de clientes em servidores da Microsoft que estavam fora das fronteiras americanas. A empresa foi à Justiça e conseguiu que uma juíza barrasse a bisbilhotagem. Mas neste mês de fevereiro foi o FBI de Trump que quis a mesma coisa do Google, e conseguiu de um juiz o sinal verde para avançar. O Google recorreu e ninguém arrisca um palpite sobre o que virá.
A privacidade, que era sua, agora vai ter preço para você pagar, não mais para vende-la. Porque foi no governo passado que a FCC proibiu as teles de cobrar mais de quem quisesse sigilo. E ainda garantiu o direito do cidadão escolher, caso a caso, os dados que aceitaria compartilhar. Com Trump, o melhor que o cidadão terá é a escolha entre compartilhar todos os dados ou não compartilhar nada – pagando por essa discrição.
Ao que parece, esse Direito Fundamental não existe no mundo da Internet. Quem quiser passar por lá vai ter que ficar nu na porta giratória. É aí onde se confirma o aforismo do “almoço grátis”. Quem paga o acesso – que seria o “ingresso” – não tem garantido mais nada free. Estaríamos chegando ao final de um longo período de “degustação” da Internet livre? Não se faz aqui uma tentativa de justificar toda essa invasão à privacidade alheia. É apenas a contemplação da realidade árida dos novos tempos.

ALGUÉM JÁ DISSE ISSO ANTES

A tecnologia, de certa forma, teve um efeito “socializante” pelo mundo. Quem sonharia com computadores dentro de favelas e de escolas públicas? Quando se esperava que o Brasil tivesse mais linhas de celulares do que habitantes? Mas agora começa a aparecer um custo sinistro, que avança sobre valores que nunca estiveram à venda.
A razão disso parece estar em poderes que extrapolaram regiões, nações e oceanos, para atingirem dimensões planetárias. E esse poder está no conhecimento. No passado, quem conhecia bem uma determinada região se consolidava comercialmente lá. Agora, quem conhece mais a tecnologia prevalece sobre os que conhecem menos. E o tal efeito “socializante” parece explicar o monopólio.
É fantasioso pensar em marcas nacionais de processadores de ponta, por exemplo. Os custos para desenvolvimento e fabricação são altos demais. Só se pode pensar em escala global, para atingir a redução de custos capaz de incluir mais e mais pessoas. É onde se constitui a “base de usuários”, tão cara à divulgação de marcas.
Não se vê no horizonte um concorrente para a Intel, por exemplo, capaz de superar a qualidade que ela alcançou. Pudera, com o faturamento que ela obteve historicamente, os investimentos sustentaram a hegemonia. Quem estaria capacitado a desenvolver um concorrente comercialmente poderoso para enfrentar a marca Windows? Haveria processador compatível?
É por aí que uma Internet nova se torna impossível. Então, se quer continuar navegando, a alternativa não é alternativa, é única.
O conhecimento está se aproximando cada vez mais do poder. O “equilíbrio de forças” vai se dar por aí, pondo à prova a fragilidade do modelo de sociedade em que vivemos. Ah, só pra lembrar: a Internet que está aí é o principal meio de divulgação do conhecimento que existe na Terra.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A NATUREZA EVOLUTIVA E A INOVAÇÃO EMPRESARIAL


Darwin emplacou sua brilhante teoria no século retrasado e então a inovação – ou evolução – passou a ser o quinto elemento conhecido da natureza: terra, fogo, ar, água e... inovação! Tudo que existe a partir da surpreendente armação engendrada pelos quatro primeiros, está destinado à evolução. As infinitas espécies que surgiram têm a missão de reproduzir e concorrerem entre si. E, assim, dar oportunidade para que a evolução nos leve sabe lá pra onde.
Inovação, portanto, foi a primeira coisa que aconteceu no mundo e nunca parou. A vida é apenas a mais disruptiva de todas. Você pode discordar, mas não vai ter a explicação correta para argumentar. De Aristóteles à NASA, filósofos e cientistas buscam uma definição que explique todas as formas de vida, mas ainda não encontraram. E sabe porque isso é mais importante agora? Para encontrar o ET, leia-se, um extraterrestre qualquer. Seria a segunda inovação mais disruptiva de todos os tempos e uma provável fonte de conhecimento, para gerar mais inovação.
Não é piada. Depois de trilhões de dólares os programas espaciais vislumbram encontrar vida em outra parte do Universo. O marketing para a indústria, esnobando tecnologia, “já deu” e as expedições ainda não trouxeram nada de curioso para cá. Nem papel, pólvora, nem um macarrão cósmico, ou seres de olhinhos puxados, nada. Assim o ovo de Colombo não para mais em pé.
Uma corrente filosófica, da qual faz parte a americana Carol Cleland, acha que a solução começa por esquecer tudo que já tentamos como definição do que seja vida. "A definição pode, na verdade, atrapalhar a busca por nova vida", diz ela. "Nós precisamos nos afastar do nosso conceito atual, para que possamos estar abertos e prontos a descobrir a vida como ainda não conhecemos." Ou, como ela diria aos amigos, pensar fora da caixa.
Por isso, esqueça o que se viu em Varginha, ou mesmo o personagem de Spielberg. Se até com a vida tem de ser assim, como é que você pensa enfrentar seu concorrente com os mesmos conceitos de sempre?

A REVIRADA DO VÍRUS

Uma das principais encruzilhadas para quem queria definir vida veio depois dos vírus. Até então, uma das abordagens mais aceitas relacionava sete processos envolvidos com todo tipo de vida: movimento, respiração, sensibilidade, crescimento, reprodução, excreção e nutrição. Quase nada disso acontece com os vírus, por isso muitos cientistas passaram a admitir que essa coisa microscópica não é viva. Outros distinguiram vida como algo relacionado a informações codificadas. Os vírus não comem, não respiram mas têm DNA ou RNA, que são códigos que carregam informações. É isso que lhes permite “parasitar” células que passam a fazer tudo que eles não são capazes para reproduzir o próprio DNA viral.
Mais um ponto para aquele pessoal que faz palestras em empresas: “-Informação é vida”, um bordão que já se ouviu em muitas delas. Se eles não acertaram em cheio, passaram bem perto.
Outra grande corrente que estuda a essência da vida está empenhada em produzir vida artificial, algo que seja vivo mas que não saia de dentro de outra coisa viva. Eles desenvolvem programas de computador baseados no padrão PMC - program, metabolism and container, que numa tradução livre ficaria "programa, metabolismo e recipiente". Nesse modelo o DNA poderia ser um programa e a parede de uma célula, o recipiente. É mais ou menos o que eles tentam esquematizar sem a bioquímica que conhecemos.

“INOVAR É PRECISO. VIVER, MAIS AINDA”

A gente vai para a escola pra aprender, mas logo criam uma confusão na cabeça da gente com aquela conversa de que “ponto, reta e plano não se definem”. O tempo passa e a definição de ácido exclui o limão, amor também “não tem explicação” e agora até a vida, que está diante de nossos espelhos, ninguém sabe dizer o que é. E o pior, se souber, pode não conseguir mais evoluir, vai ficar preso na própria verdade. O que é mesmo que eu fui fazer na escola, se não conhecer verdades?
Não dá para escapar da escola, temos que continuar ouvindo os professores dizerem para depois esquecermos o que aprendemos. Porém, a sabedoria, que está além do mero conhecimento, mostra que a única certeza nessa vida é a mudança. Por isso adianta, sim, conhecer tanto sobre tantas coisas que vão mudar em breve.
O importante talvez seja saber utilizar o conhecimento que você tem agora para resolver as questões de agora. E isso, com certeza, passa pela sua vida pessoal. A vida, para você, também é algo desconhecido? Você não sabe exatamente o que significa vida? Essa dúvida está no cotidiano de muita gente. Talvez algum dia a Justiça tenha que decidir, como tem acontecido no Brasil com as questões mais candentes: “-Meritíssimo, quero requerer a indenização do meu seguro de vida. Posso provar que ela não pulsa mais na maior parte da minha rarefeita existência.”
Nessa hora os magos da auto ajuda costumam enfileirar verbos no modo imperativo como quem quer passar uma receita milagrosa: “dê um abraço em alguém, plante uma rosa no seu jardim, dance debaixo da chuva, adote seu próximo assaltante”. A melhor solução para as suas questões possivelmente não está no almanaque de algum guru, nem nos programas de educação permanente da sua empresa.
Se não houver criatividade e interesse em utilizar o saber para fazer o mundo um pouco mais a seu gosto, procurar mais conhecimento pode ser uma grande perda de tempo.
Mais do que nunca, para inovar no ritmo que se exige, as empresas precisam de pessoas e não de mais máquinas. Precisam da sabedoria que cada um desenvolve a partir das próprias experiências.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

NOVA POLÍTICA AMERICANA E A COMUNICAÇÃO DE MASSA


Enfim, um homem de televisão na presidência dos Estados Unidos! O que isso deveria significar para o setor? Afinal a televisão está numa encruzilhada histórica, com ônus e bônus de novas tecnologias, vindas de todas as direções.
Por enquanto, para o grande público, a única coisa que ainda lembra Donald Trump na televisão é a desenvoltura com que ele dava as más notícias aos seus aprendizes: “-Você está demitido!” O novo presidente parece agora querer repetir a mesma sentença contra todos os “fantasmas” que lembrem o estilo Barack Obama. E já começou a faze-lo também na FCC, a entidade do governo americano que regula o setor de telecomunicações, semelhante à Anatel aqui no Brasil. Para o lugar de Tom Wheeler, chairman da FCC na gestão anterior, Trump escalou Ajit Pai. O que começa a ser anunciado é um retorno às práticas que favorecem os grandes do mercado.
Wheeler estava empenhado, por exemplo, em padronizar um único set top-box para todas as companhias de TV por assinatura do país. Facilitaria para o consumidor, que sempre pagou o set top-box e a rede exclusiva de cabos da operadora de TV que escolhe. No modelo proposto por Wheeler o set top-box padronizado deixaria os clientes muito mais à vontade. Poderia mudar de operadora sem ter que comprar outra caixa. Mas Pai está acolhendo um pedido de políticos republicanos para esquecer essa mudança. Também na Internet as grandes comemoram a chegada de Trump ao governo.

A ESTRATÉGIA COMERCIAL ZERO-RATING

Por enquanto o assunto que mais chama atenção na FCC quando se trata de Internet é o chamado “zero-rating”. Um tipo de acesso gratuito à Internet que empresas do setor oferecem, porém, limitando a navegação a um conjunto de sites de interesse da empresa. Isso ofende o princípio da neutralidade da rede e prejudica os objetivos de uma Internet pluralista.
Só empresas grandes têm condições de oferecer toda a infraestrutura para o acesso sem cobrar nada. Óbvio que não fazem isso por puro espírito caritativo. Assim sufocam a concorrência das pequenas e fecham todo um mundo virtual, para entregar aos incautos apenas alguns “bairros” para navegar. A FCC tinha se posicionado contra essa prática e criticou a AT&T pelo DirectTV Now, que se encaixa nesse modelo. Com a chegada de Pai a AT&T se declarou otimista e já anunciou que vai expandir o zero-rating por meio de outros projetos.
Essa postura atual da FCC agita todo o setor de comunicação de massa, e isso não é um trocadilho. O momento para a indústria da televisão é muito delicado. O ATSC 3.0, sistema de radiodifusão aberta desenvolvido pela NAB – a associação americana de broadcasters, deve estrear neste ano na Coreia do Sul, nos Jogos de Inverno. A parceria coreana, neste momento, deve estar tranquilizando bastante os empresários da NAB.
O ATSC 3.0 promete colocar no ar, na mesma banda de 6MHz, imagens 4K (UHDTV), canal de retorno para o telespectador, distribuição customizada dos comerciais, tudo gratuitamente, no modelo TV aberta. Isso pode desequilibrar a disputa que TV aberta e TV por assinatura estão em vias de encarar, uma contra a outra, no mercado americano. O grupo de consumidores cord cutter – que estão trocando a TV paga pela aberta, com apoio do OTT (tipo Netflix) para a programação premium – pode crescer muito rapidamente com o ATSC 3.0. E, como todos sabem, a comunicação de massa tem um peso político preponderante nas nações em geral. Nos EUA, a tradição da TV por assinatura parece pender para o lado do grupo de Trump. Como isso poderá interferir?

“OU ESTÁ CONTRA OU ESTÁ A FAVOR”

Neste momento é importante atentar para a situação histórica sem precedentes. Ela possivelmente exigirá cuidados que nunca foram adotados antes, justamente por ser inédita. É prudente encarar a realidade de que o cidadão Donald Trump não é apenas o empresário fanfarrão, o candidato sem papas na língua. Ele agora é o presidente da nação mais poderosa do mundo.
Em dez dias de mandato ele já havia acumulado confusões com a União Europeia, com a ONU, com países de maioria muçulmana, países vizinhos e até com a mais premiada estrela do cinema americano. E não teve nada light nesses atritos. Cogitou-se invasão do México, viu-se um êxodo de cidadãos americanos para o Canada, o Presidente do Conselho Europeu classificou o Presidente Americano como uma “ameaça à UE” e o Embaixador americano anunciado tende a ser rejeitado pelo Parlamento Europeu. Na ONU, a Embaixadora Nikki Haley, recém indicada, assumiu seu posto fazendo ameaças públicas e dividindo o planeta entre nações que apoiam os EUA e nações que prejudicam os americanos: “-Vamos anotar nomes”, advertiu, sem reconhecer a possibilidade de protagonistas neutros.
Fica difícil elogiar algo ou alguém que se proclama fechado unicamente com os próprios interesses. Porém, vociferar contra não deve ser uma missão de todos que rejeitem a adesão. Até nas guerras há quem lute trocando tiros, mas há também os que lutam na diplomacia, ou simplesmente produzindo alimento para as tropas. Todos lutam em seus respectivos espaços. Empresas em geral devem refletir muito sobre a abordagem que pretendem adotar neste delicado momento histórico.