sexta-feira, 29 de abril de 2016

"REVENDO OS MEUS GUARDADOS..." UM VERSO DO PASSADO


Quem tem uma conta de e-mail ativa há mais de 10 anos, pode procurar: vai encontrar lá e-mails com mensagens marcantes, ou fotos maravilhosas, possivelmente com fundo musical. Pelo menos uma vai estar lá. Prá que!? Possivelmente porque as pessoas acreditam que um dia aquilo vai ter alguma utilidade. Aprendemos isso quando as mães guardam saquinhos plásticos, algumas garrafas de vidro, papel de presente, embalagens de padaria para doces e outras inutilidades domésticas. Ficam ocupando espaço - físico - juntam poeira até que num daqueles dias de faxina geral, vão para o lixo. E o pior, na maioria das vezes, nem são levados para reciclagem.

E o seu celular, já travou? O WhatsApp ocupa mais algumas dezenas de megabytes diariamente na memória. Enquanto dá pra abrir os vídeos e fotos, alguma coisa compensa. Depois que trava, tem que ir lá na pasta de arquivos pra apagar tudo. Tudo!? Não, essa aqui é muito engraçada, essa outra eu vou replicar no segundo turno do campeonato, essa é muito linda... O Facebook, prevendo esse transtorno de comportamento, disponibiliza espaço - digital - à vontade, pra entulhar inutilidades que nunca mais vamos acessar. Porém, dormiremos com a sensação de que aquilo está guardado. Enquanto lembrarmos.

O mundo cibernético é irônico. Ele satisfaz nossos desejos tão completamente, que nos deparamos com um dilema de infância: e se eu conseguisse tudo que eu quero?

CUIDADO COM O QUE VOCÊ QUER


Foi uma areia desse tipo que o Snapchat jogou na maionese onde muitos viajam. Uma história que só poderia acontecer neste Terceiro Milênio. A começar pelo fato de que o fundador da "Não Rede Social" nasceu no ano 2000, quando se encerrava o milênio anterior. Em 2011, o impúbere já tinha seu aplicativo acumulando usuários pelo mundo, num ritmo que permitiu somar mais de 700 milhões de internautas até a última contagem, fechada há algumas semanas. Dentre eles, Hillary Clinton e Bernie Sanders, pré candidatos à disputa pela presidência dos Estados Unidos.

Não se sabe exatamente por que o garotinho Evan Spiegel, criador do Snapchat, não quis que nada ficasse armazenado na memória do sistema. Seria o custo para manter um gigantesco bancos de dados? O mais provável é que ele temia a perseguição dos adultos. O aplicativo se multiplicou inicialmente com a distribuição de imagens pornográficas entre adolescentes de escolas americanas. Como qualquer postagem dura no máximo 24 horas, ou duas exibições, depois disso, tá limpo.

Outra característica estratégica é que os grupos se formam com usuários denominados por um apelido seguido do número do telefone. Quem não souber seu apelido, não tem como se aproximar de você. Assim o grupo fica muito mais fechado, o que leva seu criador a insistir que não se trata de uma rede social. Um conjunto de gangues, talvez. Só entra quem tiver proximidade pessoal com alguém, a ponto de merecer a revelação do apelido. O que você postar vai ser, necessariamente, acessível a todos daquele grupo. Nem mais, nem menos.

DEIXA O TEMPO PASSAR


A verdade é que o poder cibernético de multiplicação da experiência mostrou que a gente é mais assim mesmo. As coisas passam com o tempo, insistir em mante-las pode trazer problemas, no mínimo é um saco. Essa é uma grande parte do sucesso do Snapchat. Imagine se todo visitante super legal que chegasse à sua casa ganhasse um quarto permanente por ali. Ou, mais concretamente falando, quando armazenamos excessivamente o prazer de comer os brigadeiros e beijinhos tão especiais daquela festa. Mais sensato é aceitar a natureza efêmera das coisas, porque só assim estaremos disponíveis para sermos surpreendidos por algo melhor.

É essa simplicidade que está se mostrando tão atraente para o público, principalmente jovens. Os dados mais recentes dão conta de que, entre os 100 milhões de usuários americanos do Snapchat, 86% tem menos de 35 anos. Se as gerações mais antigas tanto se preocupam com o descarte ecológico, o ecológico está passando a ser o descarte nas novas gerações. Pelo menos no espaço digital. Para todos, jovens e velhos, fica a indicação de que precisaremos, cada vez mais, de critérios para guardar e como guardar o que realmente tem algum valor. O conhecimento que geramos, a cultura, as experiências de vida, merecem uma relativa infinitude, uma indexação precisa, para mostrarem utilidade em algum tempo. O resto, é só resto. Se, há tanto tempo, já não temos mais paciência de assistir a vídeos de casamentos, nem de ver álbuns de família, não vai ser nos arquivos do Facebook que vamos encontrar algo que passou e ainda se mantém muito interessante. Vamos nos permitir mais surpresas.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A JANELA PARA O OUTRO MUNDO NO BOLSO DE CADA UM


Se antes todo mundo ia de caminhão, agora é mais comum ir de carro. O destino em questão é o mundo virtual, a Internet, que está sendo mais acessada por celulares do que por PCs. O fato, revelado pelo IBGE no começo deste mês, suscita reflexões. Pode ser porque antes o "caminhão" do tipo desktop era indispensável, dado às pesadas ferramentas que teriam que ser carregadas para curtir devidamente o novo mundo, eletrônico. Agora, com processadores que fazem "centenas de quilômetros por litro", dá pra ir e voltar muitas vezes, as ferramentas cabem no “carro”. 

Essas mudanças de hábito são preocupantes para muitos. Com os dispositivos móveis o internauta chega ao território eletrônico num “veículo” com poucas janelas. A paisagem fica limitada, não se abre um monte de abas no navegador e o passeio vai direto a um ou outro endereço. Isso aponta para questões históricas ligadas à adaptação da vida real com a vida virtual. Chega uma hora em que perde a graça, a curiosidade em relação ao que se pode encontrar na Internet vai diminuindo. Mais fácil é usar o telefone de lá, o chat, a TV, sempre gratuitos e mais práticos, para resolver coisas por aqui, no mundo real. A filosofia ilustrada (e sonorizada) já cansou, as páginas cheias de botões também, sucesso são as conversas no Whatsapp.

Para quem faz a Rede funcionar isso muda tudo. A forma de se relacionar com a Internet altera os modelos de negócios que pagam a conta. Conteúdos mais enxutos representam menos oportunidades para a publicidade convencional. Tem que inventar outras formas de vender.

ISSO É QUE É BOMBAR NA REDE


O fenômeno da vez é este mesmo: Whatsapp. Nunca antes na história deste planeta virtual houve algo tão simples de ser usado e tão poderoso. Mandar um e-mail é complicado, comparado a brincar com vídeos usando o aplicativo. O conteúdo, os próprios usuários produzem, gratuitamente, personalizado para cada audiência. Tornou-se a metáfora do conceito de rede social, esticando olhos e ouvidos para os outros de cada rede, de forma muito espontânea. Tudo na conta de Mark Zuckerberg. Sim, o dono do Facebook, que comprou o Whatsapp, está pagando pra gente usar o aplicativo. Não tem assinatura nem propaganda. E com a recente mudança, a criptografia de cada mensagem, até a obtenção de informações sobre perfis e acessos parece inviável. O novo investimento do bilhardário fedelho só pode ser a telefonia móvel.

Parece brincadeira, aliás, como tudo na Internet. Mas todos estão acompanhando a movimentação das "teles" mundo afora, para cobrar pelo tráfego na rede. Sim, é pedágio a cada gigabyte rodado, tanto pra carro como pra caminhão. Quanto mais agora, que boa parte do faturamento com impulsos telefônicos foi dado de presente aos internautas. Quem quiser as facilidades do mundo virtual, para passar por cima dos serviços caros e complicados disponíveis no mundo real, vai ter que pagar mais. Como acontece também no caso do Netflix, a videolocadora mais barata e eficiente dos mundos.

O REAL, O VIRTUAL E O INTELECTUAL


O lado econômico da Internet é menos polêmico, porque continua dentro da pura matemática, que é a base de tudo que tem por lá. É o jeito para acompanhar algo tão volátil, que faz bilionários aparecerem da noite para o dia. O curioso é como as pessoas encaram o fenômeno social. Por exemplo, as redes sociais. Já se ouviu de tudo sobre elas, principalmente acusações. Fala-se de pessoas isoladas em seus celulares, quando na verdade a maioria delas está se relacionando com outras pessoas reais. Reclamam que ninguém se fala dentro do metrô, como se algum dia aquelas plataformas tivessem sido animadas rodas de conversas. O tradicional cidadão "ensimesmado", diante da janela aberta para um muro de concreto, agora puxa a orelha do seu compadre para o seu perfil eletrônico e fala, em letras ou fonemas, o que achou do jogo de ontem. Nos últimos 50 anos, nunca as pessoas se relacionaram tanto quanto agora. Nunca se conheceram, ou se deram a conhecer tanto.

Enquanto os intelectuais procuram acusações mais convincentes, o grande risco continua no mundo real, onde atropelamentos acontecem de fato, muitos por excesso de atenção na janela do outro mundo. Tem ainda o desgaste visual e outras pequenas agressões aos sentidos. É verdade que, atraídas por suas próprias redes de relacionamento, as pessoas ficam menos disponíveis para as interações presenciais. Mas nunca isoladas, uma vez que essas redes de relacionamento, desde os tempos de chats e ICQ, já construíram muitos relacionamentos, até famílias.

Se há um justo protesto a ser levantado, com certeza, é a conta do provedor. Não precisa ser exagerado, tipo "pelo acesso amplo, gratuito e irrestrito à rede". Mas que contemple a liberdade de trafegar, pagando um valor justo. As empresas de telefonia móvel nasceram e cresceram se surpreendendo com faturamentos cada vez maiores. Estão mal acostumadas. O fato de a Internet ter se diversificado e aprimorado tanto não se deve às teles. São apenas prestadoras de serviço de acesso portanto, que lucrem pela qualidade do que oferecem. Os lucros com a eficiência da rede devem ficar na conta dos internautas.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O AGORA E O FUTURO SÃO A MESMA COISA NA NAB 2016


Quem faz parte da elite da tecnologia de TV certamente vai passar por Las Vegas nesta semana. Caso contrário, corre o risco de se tornar uma carta fora do baralho. A NAB, a associação de emissoras de TV dos Estados Unidos, promove ali o principal evento do setor no mundo. Não exatamente como nos cassinos - que são a marca de Las Vegas - a NAB também está se tornando uma grande "casa de apostas". São grandes investimentos decididos em favor desta ou daquela solução tecnológica, dentre tantas novidades a cada ano. Um jogo que parece não ter fim.

O ritmo de inovação aumentou muito com o advento da TV Digital, convergiu em direção a outros segmentos, que conversam em bits. Gente que nunca tinha entrado antes numa emissora, de repente se torna um profissional indispensável. Arriscar numa alternativa tecnológica hoje não significa mais uma opção definitiva. Porque mesmo que a sua escolha não se revele a melhor, tanto você, quanto outros empresários do setor, terão que mudar tudo em muito pouco tempo. Não se trata mais de previsões futuristas. O sistema digital americano, onde o switch off aconteceu há menos de 10 anos, vai ser todo trocado.

Os americanos quiseram ser os primeiros, num segmento no qual os japoneses vinham investindo há muito tempo. Lançaram o primeiro sistema de TV Digital do mundo, o ATSC 1.0. Pioneiro, como os Estados Unidos gostam, porém caro, complicado e ineficiente. Mais tarde, os europeus lançaram o DVB, superior, que acabou conquistando a imensa maioria do mercado mundial. E finalmente, os perfeccionistas japoneses lançaram o melhor sistema do mundo. Aprimorado aqui no Brasil, diga-se. Pouco depois os Estados Unidos desligaram o sinal analógico definitivamente (switch off) e, mais tarde, lançaram o ATSC 2.0, superior ao sistema japonês em funcionalidades e compatível com a versão anterior, a 1.0. Nesta edição da NAB, a vedete é o ATSC 3.0, com compressão H.265 e um aproveitamento de banda muito maior. Vai transmitir tranquilamente o 4K (ou UHDTV) para TV aberta porém, não é compatível com a versão anterior. E daí? Transmissores, repetidoras, receptores, câmeras, ilhas de edição, tudo que ainda está cheirando novo nas emissoras mais modernas, acabou de ficar velho. Vai ter que trocar em alguns anos.

UMA MENSAGEM SEVERA


O recado americano, desta vez, veio um tanto mais extenso. Reforçou o que Barack Obama já havia dito na campanha de reeleição, ou seja, não aceitam outro lugar que não seja o primeiro. A parte mais relevante, porém, é a importância que o segmento broadcast vai passar a ter no mundo digital. Não seria imposto - tecnologicamente falando - em tão pouco tempo, um investimento tão monumental, se o setor não fosse tão promissor. Mais ainda: nas entrelinhas, percebe-se que o broadcast vai ser o "show room" das novas tecnologias audiovisuais, puxando os produtores de conteúdo, os criadores de software, os estúdios, para a vanguarda tecnológica.

Daqui para frente a preocupação deixará de ser o ritmo de inovação, para ser o ritmo de obsolescência. A inovação tende a avançar numa velocidade tal, que não será possível manter a compatibilidade de uma geração para outra. Ou, mais claramente falando, os setores que estão vinculados a uma grande infraestrutura vão ser submetidos a esse tipo de jogo comercial. Não apenas em Las Vegas, mas em qualquer lugar do planeta, a indústria de tecnologia vai jogar pesado. O intervalo de tempo que tratamos por "agora", tende a ser cada vez menor.

TECNOLOGIA NÃO TEM NACIONALIDADE, SÓ QUALIDADE


É diante dessa realidade que a estratégia de internacionalização passa a ser fundamental para as empresas de tecnologia. O ciclo muito curto dos investimentos só pode se sustentar num mercado de dimensões globais. É exatamente por isso que a EiTV está na NAB, para levantar a mão e dizer "presente", pela oitava vez consecutiva. Rodrigo Araújo, Diretor da empresa, disse que é preciso reafirmar a humildade, mas esquecer o comedimento: "-Ninguém avança tão rápido se não tiver a humildade de aprender, de buscar mais conhecimento a cada dia. Mas aquele que não tem a segurança de trabalhar lado a lado com os melhores, automaticamente se exclui do cenário tecnológico." Ele constatou que, nos segmentos em que a empresa está atuando, não fica devendo para qualquer concorrente presente na NAB.

No momento, há dois pontos prioritários. A digitalização de retransmissoras brasileiras e de emissoras de toda a América do Sul. O Brasil, maior mercado do continente, está em vias de apagão analógico (switch off). A Argentina, que só digitalizou a TV estatal, tende a acelerar a mudança tecnológica nas emissoras privadas, como também o Chile. Peru, Costa Rica e muitos outros países também estão buscando o upgrade. Por isso a EiTV está oferecendo a tecnologia de digitalização do sinal de TV mais compacta, abrangente e de melhor custo disponível no mercado ISDB-T. Trata-se do Dual Channel Encoder e seus periféricos.

O outro foco de atuação é a nuvem, com a EiTV CLOUD. Trata-se da plataforma mais prática e eficiente para armazenamento e distribuição de vídeos on-line. Com o EiTV Play, para dispositivos móveis, é possível acessar qualquer conteúdo, monetizar, interagir, em escala planetária. Tanto para emissoras de TV como para empresas dos mais diversos segmentos. Sem contar as possibilidades com outras tecnologias, como IPTV e VOD. Padrão tecnológico internacional, produzido aqui no Brasil.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

A LEI, ORA A LEI...


Já ouviu falar em "lei que pega"? Então, é a lei que funciona. Todas as outras não funcionam, são simplesmente uma grande perda de tempo, de energia, dinheiro e, um grande teatro. Por exemplo, a lei que limita o tempo máximo de espera numa fila de banco. A cidade de São Paulo e muitas outras regulamentaram a questão, mas a lei "não pegou". Existe até hoje, mesmo assim tem agência bancária que não carimba o horário de atendimento, nem adianta pedir. Não tem mais prova de que um banco infringiu a lei. O tempo que se perde nas filas continua grande, todos os prejuízos que foram demonstrados quando aprovaram a lei, vão continuar na conta do cidadão. Tudo bem, é só uma lei, dirão.

Parece que ainda não compreendemos bem o que é a lei e para que serve. Numa visão de gestão a lei pode ser entendida como o encerramento de uma fase de decisão. Se aquilo ficou decidido assim, o passo seguinte é operacionalizar de acordo com a lei, para que aquela decisão se cumpra. Como acontece com as crianças. Pai e mãe decidem que o filho tem que ir para a escola e tirar boas notas. Nem sempre as coisas acontecem desse jeito, então os pais insistem, conversam, usam corretivos, para fazer valer a decisão. Lá no final vai surgir um adulto preparado para o trabalho e para uma vida autônoma, conforme o planejado.

Voltando ao mundo das leis de papel, o que a gente vê é um permanente desafio à decisão aprovada, até conseguir inviabiliza-la. Sem lei, sem decisão, "faz o que dá pra fazer", do jeito que quiser, quando quiser. Na prática, é o que deixa as ruas sujas, o trânsito travado, o ar poluído, o aedes aegypti evoluído. A senha para saber se a lei pegou é "quebra esse galho, depois eu dou um jeito."

CONSTRUIR UMA NOVA PLATAFORMA DE COMUNICAÇÃO


A lei e as várias outras normas sobre a TV digital no Brasil ainda não pegaram. E nada indica que isso vai acontecer. Mais diretamente, a questão é a criação de uma nova plataforma de comunicação de massa, que pode ser chamada de Ginga C. Para que esta plataforma exista - seria a primeira no mundo - é necessário que os conversores digitais (set-top boxes) estejam equipados com o software Ginga C e tenham capacidades maiores de processamento e armazenamento. A grande vantagem é que a tal plataforma seria integrada pelo sinal de TV aberta digital, que está sendo implantado em todo o Brasil. Não depende nem de Internet, embora possa circular também na Rede.

O que o Ginga C permite num aparelho de TV é algo que a grande maioria dos cidadãos, a partir da classe média-baixa já tem nos micros e até em celulares. Mas abaixo da classe média-baixa existe vida inteligente. E, para eles, essa plataforma seria de extrema utilidade, até mesmo para inclusão digital. Todo o conteúdo para que isso aconteça já está pronto e testado, se chama "Brasil 4D". Muito mais ainda pode ser feito. Por isso, há cerca de um ano, representantes de todos os setores envolvidos se reuniram com o Governo Federal e decidiram que o Ginga C seria distribuído para todos os cadastrados no Programa Bolsa Família, quase 14 milhões de famílias. Fizeram contas, concordaram, decidiram, assinaram. Mas parece que não vai pegar.

UM DIA, QUEM SABE


O sinal analógico de TV aberta foi totalmente desligado na cidade de Rio Verde, em Goiás, com pouco mais de 200 mil habitantes. Teve atraso, aconteceu há pouco mais de um mês, uma primeira experiência do que deve ocorrer em todas as cidades brasileiras. A norma era para trocar o sinal em todo o Brasil até 2018, mas já passou para 2023. Até 2018, não vai ser mais no Brasil todo, só nos 1.400 municípios mais populosos (no total são 5.570 mil municípios brasileiros). Isso significa que as famílias carentes de mais de 4 mil cidades não vão receber o Ginga C. Para compensar, nas cidades onde vai ficar só o sinal digital, vão distribuir conversores também para as famílias atendidas em outros programas sociais, que fazem parte do chamado Cadastro Único. Mas, neste caso, vai um conversorzinho "meia boca", não precisa de Ginga C.

A mudança de sinal em Rio Verde está sendo considerada um sucesso. Não houve reclamações, segundo a EAD, uma entidade criada para a implantação do sinal digital. O pessoal do Cadastro Único nem está procurando pelo conversor (pudera, tão simples, nem vale a pena ir buscar). E agora começam a questionar se alguém deve ganhar o Ginga C. Vão fazer uma pesquisa para saber se o povão está usando a nova plataforma. Ora, uma plataforma de comunicação precisa de um tempo para desenvolver um hábito de uso. E até agora ninguém viu divulgação oficial desse novo recurso. Quem planta uma semente de milho hoje, não pode voltar amanhã para buscar espigas.

Outro fato curioso é a mobilização de emissoras que não querem comprometer a audiência. Ficam brigando para manter o sinal analógico, até que o último telespectador resolva instalar o conversor ou comprar uma TV nova. Mas, a divulgação da data em que o sinal analógico vai ser desligado, das mudanças nos receptores para o sinal digital, eles querem cobrar. E esperam que os conversores distribuídos sejam os mais simples, para sobrar dinheiro para a EAD investir nesses anúncios. Ora, a experiência em Rio Verde mostrou que todas as desgraças previstas eram apenas parte da pressão. Vamos ver se, pelo menos o que sobrou da lei, vai ser cumprido. Seria uma esperança de que estaríamos mais perto do dia em que leis e decisões passarão a ser cumpridas no nosso Brasil.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

O SEU VALOR, MUITO ALÉM DA AUTO AJUDA

 

Como são os preços dos produtos que levam a marca da empresa mais valiosa do mundo? Obviamente os preços são zero, tudo grátis, na faixa, oras! Essa seria a resposta se dita em determinado período do último mês de fevereiro. Foi quando o Google esteve cotado em US$ 500 bilhões e, por alguns dias, foi a empresa mais valiosa do mundo. Pouco depois, a resposta à mesma pergunta seria completamente inversa. A Apple, que já retomou o posto de mais valiosa do mundo, pratica os preços mais altos em tudo que tem sua marca, desde os mouses até os smartphones, notebooks, relógios inteligentes. Tudo tão contraditório quanto lógico.

"Gratuidade" vem da graça, são bênçãos, cujos valores estão muito acima do embate ordinário. Já é consenso há muito tempo, na teoria e na prática, que as coisas mais valiosas do mundo não têm preço. Você, para se entregar em definitivo a alguém, numa união afetiva, só conseguirá fazer acontecer verdadeiramente se isso não envolver preço. Até um dos maiores conglomerados financeiros do mundo, que só vive de preços, incluiu a frase no seu slogan: "não tem preço". E a gente aqui, fazendo de tudo pra pagar as quirelinhas no final de cada mês... Preço só serve mesmo para as coisas de valor intermediário. Quer dizer, a gente paga para viver o cotidiano, o de sempre, na esperança de algum dia alcançar essas coisas verdadeiramente valorosas, uma graça, que não tem preço.

Filosofias a parte, é você que não sabe o quanto você vale. O Google sabe. Produz maravilhas cibernéticas gratuitas, na esperança de merecer a sua atenção. Seu olhar, seus ouvidos, um mero segundo da sua presença, que dirá um "clic"!! Um verdadeiro poema... na conta bancária do Google.

UMA ECONOMIA DO BEM


Dentro do que se pode considerar o "bem" no mundo dos negócios, o Google pode ser considerado o exemplo real da economia "ganha X ganha". Aquela onde o que você ganha não precisa ser subtraído de alguém que perdeu. A utopia, tão reverenciada à esquerda, enfim, estaria contemplada à direita? Tem até o charme do compartilhamento.

O Google investe desde sua origem nessa imagem do bem. "Não seja mau" foi o slogan escolhido pelos fundadores da empresa. A missão assumida foi historicamente humanista, a mesma sonhada por Aristóteles, o Grande Enciclopedista: "organizar a informação mundial e torná-la universalmente acessível e útil". O Filósofo grego, provavelmente, aplaudiria. O Google conseguiu criar critérios para estabelecer quem vai ter mais destaque nas suas páginas de busca, quando isso significar algum retorno comercial. Os anunciantes podem fazer propostas, cuja relevância o Google vai julgar, de acordo com critérios que consideram o interesse do internauta. Até o sistema de leilão Vickrey é utilizado, buscando a decisão mais isenta e o preço mais justo. Por outro lado, o anunciante também tem garantias quanto ao investimento. Ele paga de acordo com os cliques sobre o seu anúncio. Um dado objetivo, que o Google fornece, com reflexos matematicamente confirmados no fechamento de negócios. O anunciante sabe o quanto custa, mas também sabe o quanto vale.

A LÓGICA BINÁRIA NOS NEGÓCIOS


Página de buscas, mapas de localização por satélite, tradutor de textos, aplicativo para e-mails, site de vídeos, sistema operacional para celulares, ... tudo de graça. Ou melhor, tudo pago por quem tem mais interesse. O mercado pagando para ter a atitude mais decisiva do consumidor: um solitário e espontâneo clique. Uma relação que só se tornou possível a partir do mundo virtual - também originalmente grátis - devidamente habitado por exércitos de robôs, conduzindo motores de busca, criteriosamente orientados. Foi assim que o Google ganhou US$ 2,4 mil a cada segundo do ano de 2015, ou então, US$ 75 bilhões no exercício. Há anos é o site mais visitado em todo o mundo.

O fenômeno só confirma a tendência binária na condução de um mundo onde tudo é 1 e nada é zero. A grande descoberta é que zero também vale. No algoritmo desses tempos, a linha "ganhar dinheiro" teria como alternativas "cobrar nada", ou "cobrar tudo". Aqui no nosso exemplo, observa-se que lá nas pontas estão a Apple, no final da linha "cobrar tudo" e o Google, no final da linha "cobrar nada". Uma lógica que a Matemática sempre admitiu e que, agora, tem uma consistente relevância na prática.

Talvez, um dia tudo seja de graça no mundo. Por enquanto, a realidade é que o preço é o que separa a gente das coisas mais imediatas que queremos. Por exemplo, férias inesquecíveis na Polinésia Francesa estão há US$ 50 mil de distância da minha realidade. A grande questão que surge da experiência do Google é de quem cobrar. Há décadas, isso já era verdade em alguns níveis da sociedade. Por exemplo, quem paga para uma celebridade usar um sapato de uma grande marca é o consumidor comum, que fez um carnê lá na sapataria. A marca dá os sapatos para a celebridade e ainda paga um monte, só pra ela nos convencer a usar. Nos dias atuais os robôs do Google, no mundo virtual, já estão encontrando quem pague o nosso e-mail, os mapas de localização, várias coisinhas dessa nossa vida tão comum. E a gente se esforça cada vez mais, na busca do reconhecimento de quanto a gente vale de verdade.