sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

INCOMPATIBILIDADES E UM CERTO DESCONFORTO


A briga discreta entre a poltrona e o sofá é antiga, mas pouca gente se deu conta. Na sala de estar parecem viver em completa harmonia, um ambiente aparentemente feito para eles. Mas quem acompanha a história sabe que a poltrona nunca se contentou com a rotina doméstica. Foi para os grandes teatros, assistiu às grandes óperas e viu nascer o cinema, que se tornou o principal negócio da economia americana desde a segunda metade do século passado.

Aliás, foi nesse período que o sofá começou a dar o troco. Com seu jeito sedentário, mais informal, começou a acolher em seus limites a vasilha de pipoca, a lata de cerveja. Os chinelos ficam mais por lá do que em baixo da cama. É que a televisão, ao contrário da poltrona, resolveu encarar de frente a realidade do sofá, levando até ele os grandes clássicos do cinema, os grandes eventos, cada vez com mais qualidade. Esta união muito bem resolvida trouxe frutos como o home theater, o videogame e ameaça conquistar, para a boa e velha sala de estar, o posto de principal foco da indústria audiovisual e de entretenimento. Todo o glamour que a poltrona acomodou durante séculos, entre rendas e cashmere, agora vai desfilar para bermudas e malha de algodão.

SEMPRE ELA, A INTERNET


Mais uma vez, quem desestabilizou a relação foi a Internet. Os serviços de "streaming" parecem ter engolido as bilheterias do planeta. Nos Estados Unidos, estima-se que 30% do tráfego da Internet seja dominado hoje pelo download de séries, documentários e filmes distribuídos pelo Netflix, pioneiro do setor. Aliás, pioneirismo típico americano. Ted Sarandos, idealizador e chefe de conteúdo da empresa, está decidido a testar todos os limites da sua criação, investindo em qualidade. Séries como "House of Cards" e "Orange Is the New Black" foram originalmente criadas para os assinantes do Netflix e hoje disputam os principais prêmios da TV mundial. Até porque os canais a cabo, principais adversários do streaming, se renderam ao nível das produções e negociaram os direitos de exibição com o Netflix. A nova meta da empresa agora é criar duas novas séries por mês.

Não existe nenhum milagre até agora nessa história. Sarandos tem a determinação de produzir com qualidade, aliada a um faturamento de US$ 1,18 bilhão, só em 2013. Os números de 2014 ainda estão sendo fechados, mas devem exceder em 20% esse faturamento. Os estúdios dependem desses empreendedores, determinados e bem sucedidos, para produzirem a arte cinematográfica, cada vez mais fabulosa e cara. Depois disso, pouco importa se vai ser entregue à poltrona ou ao sofá.

ARRISCANDO PROJEÇÕES


O cinema, em suas origens, parece ter seguido alguns paradigmas de outros espetáculos para salas, como o teatro e a ópera. A duração das peças foi se estabilizando em torno de 2 horas. Talvez um limite de conforto para quem está numa poltrona, e também para quem está trabalhando no palco. No cinema, a cena se repete incansavelmente na tela, mas a poltrona ainda deixa alguma coisa quadrada entre os espectadores. Já o sofá, arredonda. Vira pra cá, deita pra lá, cabe mais um, o conforto só aumenta. Foi essa magia nas fronteiras do sofá que fez surgir, no final do século passado, a visualização compulsiva de vídeos, ou "binge watching". Na época, dominavam os vídeos locados pelas esquinas da vida. Dentre os milhões de locadoras pelo mundo, em Los Gatos, na Califórnia, estava o Netflix. Foi ele que acabou colocando a Internet no trajeto e a distância até as salas de estar ficou a mesma, saindo de uma locadora ou das grandes distribuidoras.

Conhecendo bem a "síndrome", o Netflix lança as séries com todos os episódios prontos, para agradar tanto o telespectador dito normal como os "binge watching", que assistem à série inteira num final de semana. Para Sarandos, é uma forma de atender as necessidades dos clientes, da forma mais customizada possível. Nesse caso, ele tem razão em dizer que a forma de assistir à televisão está mudando. Mas o "esquecimento" da programação cultural pela TV, em favor de esportes e jornalismo, pode ser um engano. A TV precisou assumir suas prioridades. O jornalismo sempre foi a identidade de um canal e o esporte nunca vai perder seu lugar, tanto pelo envolvimento inevitável como pelos patrocinadores, que fazem parte do modelo de negócio das emissoras.

Por isso os serviços de "streaming", com certeza, tendem a complementar a TV, numa convivência que possivelmente vai encontrar um equilíbrio. Assim como o sofá e a poltrona se complementam e sempre vão ser o charme da sua sala de estar.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

POR QUE PAGOU, PAGOU POR QUE!?


A televisão, cada vez mais, vai deixar a tela tradicional. Pra entender essa projeção futurista é melhor pensar a partir da definição do que é exatamente "televisão".

Um bom começo é o Wikipédia, que traz definições curiosíssimas quando quer explicar as coisas mais comuns deste mundo. Lá está: "televisão é um sistema eletrônico de reprodução de imagens e som de forma instantânea." Para esta nossa reflexão, a parte mais importante da definição do Wikipédia está numa advertência, logo em seguida: "o televisor ...... às vezes recebe erroneamente também o mesmo nome do sistema...... ". Ou seja, "televisão" é um sistema todo que manda som e imagem para o "televisor", que é apenas uma tela. Claro, quando não tinha tela em nenhum outro lugar, televisor e tela eram uma coisa só. Mas agora, do mesmo jeito que o seu microcomputador pode ser uma máquina de escrever, depois uma máquina de calcular, ou de jogar xadrez, também pode virar um televisor. O seu celular, computador que é, vira televisor. Isso você já sabe faz tempo.

Onde está então a televisão, o sistema que fornece o principal entretenimento doméstico do mundo? Ela está no set-top box, que é quase um microcomputador. O Brasil e outros poucos países onde a TV aberta lidera, eram exceções. Mas com a TV digital o set-top box passou a dominar, assim como já acontecia nos países onde a TV por assinatura sempre exigiu set-top boxes. Agora, set-top boxes tem acesso à Internet. Então......

MAIS UMA VEZ, A INTERNET


Ainda nos ecos da CES - Consumer Eletronics Show, a exposição que aconteceu no início de janeiro em Las Vegas, esse novo conceito de TV criou um alvoroço. A Dish Network, uma operadora americana de TV por assinatura, anunciou o serviço via Internet. O novo sistema é denominado Sling TV. Custa US$ 20,00 por mês, um valor que já se encaixa nos padrões "cord-cutters", os consumidores que não aceitam mais pagar muito por um sistema de TV por assinatura. Eles surgiram nos Estados Unidos depois que o sinal digital passou a garantir total qualidade de som e imagem. No mesmo rastro "cord-cutters", HBO e CBS também anunciaram que vão lançar os próprios serviços de streaming independentes e a Sony, com o PlayStation Vue, coloca na praça o próprio serviço de TV alternativo.

Com TV por assinatura pela Internet, então vem a questão: e se o set-top box passar a ser a nova máquina absorvida pelo celular? Então "televisão", que é um sistema, vai virar um apetrecho de bolso. Daí, em qualquer tela disponível, o cliente poderá instalar a sua "televisão", onde vai assistir ao que quiser, com a comodidade das próprias configurações e downloads. Naquela tela que enfeita a sua sala, pode ser instalada tanto a sua televisão, quanto a televisão que está no celular do seu filho, com todas as preferências dele. Enfim, a televisão terá saído da tela e rompido os grilhões que a aprisionavam na sala dos mais diversos lares.

SEM RUMO


Devaneios a parte, a TV está cumprindo o destino que lhe fora atribuído desde que surgiu o sinal digital: nunca mais seguir previsões, existir sem destino. De fato, qualquer coisa que vira digital dá aquele "siricutico" de inventar daqui, reinventar dali e não para mais, não sossega num formato só. O lançamento do Sling TV traz ainda uma novidade que vai atingir em cheio o modelo de negócios associado a essa mídia: os comerciais segmentados, onde um telespectador pode estar assistindo um comercial só para ele. No mesmo intervalo, outro telespectador estará recebendo a mensagem publicitária de outro anunciante. O que é um diferencial estratégico de anunciantes de algumas mídias via Internet, estaria agora na TV.

A Dish entrou nesse novo negócio com uma vantagem especial. Ela tem um acordo com a Disney que dá acesso aos canais da ESPN, um detalhe de peso para quem decide por uma TV por assinatura. Nesse modelo que está sendo criado estão excluídas as TVs abertas, que custam pesadas taxas de retransmissão. A Sling TV não quer onerar seus clientes para disponibilizar um conteúdo que é oferecido gratuitamente, por outra sintonia.

Em 2013 as assinaturas de serviços de TV caíram pela primeira vez nos Estados Unidos. Os críticos do Sling TV dizem que o sistema "vai ser uma coisa menor", mas concordam que ele veio para ficar. As novas gerações engrossam a cada dia a comunidade "cord-cutters" e os comerciais segmentados prometem ser uma fonte de dinheiro extra. O que está se desenhando agora é um duro golpe nas operadoras de TV por assinatura, como a própria Dish. Ela vai perder contratos de um lado, com a expectativa de compensar com muitos contratos vindos do Sling TV. Há até a possibilidade do próprio Sling TV oferecer uma programação aberta pela Internet, com uma grade mais modesta, a custo zero para o telespectador, suportada apenas com receita publicitária.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

UM NOVO OLHAR SOBRE AS VELHAS TVs


Lixo e reciclagem formal um "casal" de palavras que costuma aparecer em textos "cabeça" das mais variadas editorias de jornais. Como a reciclagem é a vedete do momento e o lixo o vilão, estão procurando algum parceiro mais adequado para frequentar a consciência dos leitores. E o Brasil vai ter uma oportunidade especial em breve para melhorar esse enredo. Dos cerca de 110 milhões de aparelhos de TV existentes no país, quase um terço não é digital. E é só isso! Sim, não deem ouvidos ao lixo e ouçam o que tem a dizer a dócil reciclagem.

Tem muita gente falando que as TVs analógicas vão para o lixo, o que seria uma atitude pouco inteligente, antes de ambientalmente incorreta. O destino dos aparelhos vai ficar entre a reciclagem e um companheiro próximo dela, muito simpático, o reuso. Afinal, a reciclagem remeteria a uma transformação mais radical do aparelho, o que não é o caso, e o reuso, por si só, não pode garantir um novo destino à velha televisão. O que deve unir definitivamente o novo casal é o set-top box, um sacerdote estilo "moderninho", que prega o aumento de eficiência energética e de qualidade através das técnicas digitais. O novo casal tem tudo pra dar certo na trama que começa ainda este ano, em grandes cidades brasileiras.

O CONTEÚDO DA SUA IMAGINAÇÃO


O apagão analógico, até agora, aconteceu prioritariamente em países ricos, que saíram na frente na nova tecnologia. Muitos deles são lugares onde jogar fora um aparelho de TV já é hábito. Passam alguns anos, aparece uma novidade qualquer, lá vai o nosso vilão arrebatar mais um apetrecho que ainda tinha muito pra dar. Mas por aqui, abaixo da linha do equador, a realidade é outra. Povo mais criativo, faz até música com caixinha de fósforo, com triângulo de metal, casca de coco. É claro que, na Ginga certa, vão inventar um destino glorioso para esses cubos cheios de imagens e sons.

A sugestão é começar por fazer as pazes com a sua tradicional TV. Afinal, aqueles ruídos, aquela imagem distorcida, com sombras, que surravam seus olhos e ouvidos, não eram culpa dela. O problema é o sinal de transmissão. Com um set-top box, que faz a conversão do sinal com a qualidade digital, a imagem fica cristalina, precisa, como você nunca viu antes na sua TV. Ah, e o som também. Agora, com este novo olhar sobre a sua antiga companheira, coloque a imaginação pra funcionar. Ela pode ser pintada, ou revestida com madeira pra ficar uma mesinha muito especial, pode ser decorada com tecidos, massa, tinta. Vai ser algo super diferente na sua casa, com a utilidade extra de exibir som e imagem, de alta qualidade, é claro. Mas não é só isso. Com um pouquinho mais de tecnologia, você assiste vídeos por streaming, baixa apps específicas, joga videogames divertidos e muito mais.

NOVOS HÁBITOS AUDIOVISUAIS


Agora sim, você vai descobrir de verdade que a TV digital não é apenas uma transformação radical na qualidade do som e da imagem que chegam à sua casa. Ela é muito mais do que isso. Vai depender de você estar suficientemente equipado para captar e utilizar tudo que o sinal digital pode enviar pra você. A smartBox é a alternativa brasileira pensada para o hábito nacional de se relacionar com a TV mas, acrescida de tudo que um público exigente pode querer numa tela. Ou seja, é um set-top box que acrescenta à sua tecnologia audiovisual uma experiência semelhante ao que a Apple TV ou Roku oferecem para o público americano. A diferença é a adaptação ao hábito brasileiro, por exemplo, de "zapear" pelas emissoras da TV aberta. Aqui, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, a programação aberta é a preferência nacional.

Só que, a partir de agora, a sua TV analógica pode ganhar outro layout, outro lugar e outras utilidades na casa. A smartBox pode ser facilmente conectada tanto nas analógicas que você já tem como nos aparelhos de alta definição. É muito fácil, você só precisa escolher onde vai querer curtir, conectar e pronto.

É preciso ter atenção para o momento de várias transformações pelos quais estamos passando, da economia ao clima. Com os ganhos de renda a partir do Plano Real, o brasileiro começou a consumir mais. Mas ainda precisa aprender como viver nesse novo estilo. É comum encontrar nas calçadas das grandes cidades móveis velhos, monitores antigos de computador, aparelhos de TV antigos e outros utensílios sendo descartados. O lixo tem lugar certo. Mas, antes de tudo, o lixo tem que passar pelo olhar certo. O que parece ser lixo pode ser muito mais útil do que se imagina. O novo não chega para destruir o velho, mas para encontrar um novo jeito de conviver, produzir e atender necessidades.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

GUERRA DOS MUNDOS


Você sempre foi mais "software" do que "hardware". Quer dizer que você interage muito mais dentro do seu pensamento do que no mundo concreto. É lá, no seu pensamento, onde está a maior parte do mundo em que você vive. Independentemente das vezes em que você pode ter visto pessoalmente Barack Obama ou o Papa Francisco, William Bonner ou Ivete Sangalo, com certeza cada um deles está mais presente na sua vida do que a grande maioria dos seus vizinhos. Até o seu chefe possivelmente está mais no seu pensamento do que à sua vista. Sim, existir é um fato abstrato, uma experiência virtual.

Isso explica, em parte, porque o mundo virtual da Internet cada vez mais absorve as pessoas, permeia tantas vidas. Num mundo sem limites de tempo ou espaço, sem distâncias, onde seu círculo social está tão presente quanto o seu trabalho, onde todas as bibliotecas do mundo chegam à sua prateleira, quase tudo fica muito mais fácil. É o mundo de software, que agora disputa as horas do seu dia com esse mundo "hard" onde você respira. A prova pôde ser vista mais uma vez na CES - Consumer Eletronics Show, a exposição anual de dispositivos de consumo (todos reais, com volume, peso e cor) que aconteceu durante a semana em Las Vegas. Uma feira de hardware, dominada pelo software, principalmente programas de acesso à conteúdos e serviços da Internet. O motivo é que, para as empresas eletrônicas, o espaço no mundo virtual já vale mais do que o espaço no mundo real. Algumas empresas já fizeram as contas e os números são incontestáveis.

NÚMEROS ABSOLUTOS


A Samsung, que disputa posições top nos segmentos de celulares e TVs, já começa a migrar para o mundo da Internet. E o motivo é simples. Em 2010, para cada dez smartphones vendidos, 9 custavam mais de US$ 200,00. No ano passado, os preços desses hardwares eram inferiores aos US$ 200,00 para mais da metade dos novos modelos. No segmento de TV a queda foi maior ainda, com um faturamento em 2014 inferior ao do ano anterior. Nem a Copa do Mundo salvou as vendas da queda. É que agora as TVs são digitais, assim como os celulares. Os fabricantes de aparelhos estão investindo em máquinas cujo hábito de uso vai ser direcionado pelo Google, pela Apple, pela Netflix. São os fabricantes de softwares que definem o maior ou menor interesse pelos novos aparelhos.

Mas afinal, o que não é digital hoje em dia? Ou ainda, o que nunca será digital? Diante dessas perguntas, fabricantes de carros estão assustados. E também os fabricantes de casas inteligentes e dos mais diversos produtos de uso pessoal. Google e Apple já disputam os painéis dos carros. Uma versão do Android já está em vários modelos, interligando-os ao smartphone, por isso a Apple corre atrás com o CarPlay, um sistema similar lançado em março. A tendência é que, muito além dos pneus, os ocupantes dos carros trafeguem cada vez mais pelas facilidades e atrativos que desenvolvedores vão criar para o ambiente dos veículos. Thilo Koslowski, vice-presidente da área automotiva do Gartner, alerta para o risco de a indústria automotiva se tornar uma fabricante de "impressoras", onde o Google apareceria como PC.

UMA GUERRA E UMA ESPERANÇA


Casas inteligentes, cada vez mais vão ser ambientes povoados por equipamentos digitais, desde as luminárias até o chuveiro. Todos tendem a estar integrados, via Internet, para conversar com os moradores sobre as comodidades mais oportunas, a gestão de energia, de resíduos. A pressão arterial de cada morador, o sono do bebê ou o horário do remédio dos idosos, tudo tende a acontecer quase que espontaneamente, pela integração de plataformas onde circulam as mais diversas informações.

Por enquanto, a tendência é de que essas conversas aconteçam pelos sistemas mais universalizados, como o Android, da Google, o IOS, da Apple e até o Windows, que começa a crescer nos dispositivos móveis. Eles devem estar nos "cromossomos" dos engenhos virtuais que desenvolvedores vão criar no mundo real, para replicarem indefinidamente no mundo virtual, dos softwares.

A grande esperança nessa guerra dos mundos é que, pelo flanco virtual, os sistemas otimizem os mais diversos recursos do mundo real, como a energia, os transportes e até a produção de alimentos. Isso pode representar uma esperança concreta de que os conflitos e as nefastas guerras do mundo real sejam minimizadas.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A DIFERENÇA ENTRE A TELA E A TV


São vários os casos de produtos que ficaram com o nome de uma marca. O bombril, por exemplo, muita gente ainda acha que é sinônimo de esponja de aço. A televisão é outro caso. Foi o primeiro produto a ocupar uma tela doméstica, por isso tem muita gente pensando que tudo que aparece em uma tela é televisão.

Numa recente apologia aos serviços de streaming, o Ilustrador e Roteirista Fábio Yabu fez uma afirmação especialmente feliz: a TV é feita pensando no anunciante. Com certeza! E isso explica quase tudo. Porque o sujeito anunciante não é um diletante. Ele paga a TV porque se trata de um produto estudado para conquistar massas, aquelas perante as quais o anunciante precisa se anunciar. A televisão é, por definição, uma empresa que reúne grupos de profissionais especialistas em captar a atenção do maior número de pessoas durante o máximo de tempo possível. Prioritariamente isso.

A discussão em torno da quantidade de bobagens que muitas vezes é feita em nome desse objetivo, também precisa acontecer. Mas dizer que os serviços de streaming - tipo Netflix, que oferecem muitas opções para cada um escolher o que quer ver - vão tomar o lugar da TV em breve, é um tanto precipitado. Se não for propaganda enganosa.

A SEGMENTAÇÃO


Na medida que crescem as opções, a tendência é de aprimoramentos e segmentação. O bom senso está alastrando mundo afora uma legislação que proíbe propaganda voltada para o público infantil. Afinal, crianças não podem decidir por uma compra que elas não sabem o quanto custa. Por conta disso, a Xuxa não teve sucessora diante dos "baixinhos", o Sérgio Malandro faz piada para adultos e a programação das manhãs nas TVs abertas não tem mais desenho animado. É aí, no público infantil, onde os serviços de streaming deitam e rolam.

Está subindo a idade de crianças que não sabem o que é Globo ou SBT. Mas logo vai encontrar um limite. Porque são essas crianças que usam uma tela para serviços de streaming. É lá que elas encontram coisas mais interessantes do que aquilo que aparece na maioria das vezes em que ligam uma TV. Até certa idade elas não vão saber também o que é estado islâmico e nem PCC. Não vão estar atentas à partida de futebol que vai ao ar esta noite e nem a qual vai ser a próxima armação do vilão da novela.

Já os adolescentes e adultos, que também gostam de baixar filmes ou de assistir seriados via streaming, também estão em busca de jogos ao vivo, novos capítulos da novela ou notícias fresquinhas. É aí, por exemplo, onde a exigência de informação em tempo real pode tornar o streaming uma segunda opção.

TIRANDO LASCAS


Tem muita coisa interessante pra ser assistida pelo Youtube, pela Apple TV ou através de outros geradores de conteúdos disponíveis pela Internet. Isso significa que a TV vai, sim, perder algum espaço para essas novas opções. Possivelmente, através de caixas como a smartBox, que oferecem a TV aberta com a máxima qualidade e, junto com a programação digital das grandes redes, streaming de vídeos de sites abertos, jogos e apps on-line, ...... Mas falar no fim da televisão aberta, pelo menos no Brasil, é como falar do fim do petróleo no mundo. Há 50 anos era dado como certo que hoje não existiriam mais postos de gasolina. Hoje em dia, os mesmos 50 anos continuam sendo divulgados como a previsão mais atual de alguns analistas.

Se o fim da TV preocupar o público ou os anunciantes, pouco importa. Eles vão acabar ligando a TV pra saber se é verdade. O que preocupa é os empresários da radiodifusão que se sentem inseguros e deixam de investir no negócio. Acabam colocando no ar uma televisão de má qualidade, que vai espantar telespectadores para outras emissoras. Então, se disserem pra você que esta ou aquela emissora vai fechar, talvez seja verdade. Mas tenha certeza de que, em seguida, aparece outra TV aberta no lugar.