sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A DIFERENÇA ENTRE A TELA E A TV


São vários os casos de produtos que ficaram com o nome de uma marca. O bombril, por exemplo, muita gente ainda acha que é sinônimo de esponja de aço. A televisão é outro caso. Foi o primeiro produto a ocupar uma tela doméstica, por isso tem muita gente pensando que tudo que aparece em uma tela é televisão.

Numa recente apologia aos serviços de streaming, o Ilustrador e Roteirista Fábio Yabu fez uma afirmação especialmente feliz: a TV é feita pensando no anunciante. Com certeza! E isso explica quase tudo. Porque o sujeito anunciante não é um diletante. Ele paga a TV porque se trata de um produto estudado para conquistar massas, aquelas perante as quais o anunciante precisa se anunciar. A televisão é, por definição, uma empresa que reúne grupos de profissionais especialistas em captar a atenção do maior número de pessoas durante o máximo de tempo possível. Prioritariamente isso.

A discussão em torno da quantidade de bobagens que muitas vezes é feita em nome desse objetivo, também precisa acontecer. Mas dizer que os serviços de streaming - tipo Netflix, que oferecem muitas opções para cada um escolher o que quer ver - vão tomar o lugar da TV em breve, é um tanto precipitado. Se não for propaganda enganosa.

A SEGMENTAÇÃO


Na medida que crescem as opções, a tendência é de aprimoramentos e segmentação. O bom senso está alastrando mundo afora uma legislação que proíbe propaganda voltada para o público infantil. Afinal, crianças não podem decidir por uma compra que elas não sabem o quanto custa. Por conta disso, a Xuxa não teve sucessora diante dos "baixinhos", o Sérgio Malandro faz piada para adultos e a programação das manhãs nas TVs abertas não tem mais desenho animado. É aí, no público infantil, onde os serviços de streaming deitam e rolam.

Está subindo a idade de crianças que não sabem o que é Globo ou SBT. Mas logo vai encontrar um limite. Porque são essas crianças que usam uma tela para serviços de streaming. É lá que elas encontram coisas mais interessantes do que aquilo que aparece na maioria das vezes em que ligam uma TV. Até certa idade elas não vão saber também o que é estado islâmico e nem PCC. Não vão estar atentas à partida de futebol que vai ao ar esta noite e nem a qual vai ser a próxima armação do vilão da novela.

Já os adolescentes e adultos, que também gostam de baixar filmes ou de assistir seriados via streaming, também estão em busca de jogos ao vivo, novos capítulos da novela ou notícias fresquinhas. É aí, por exemplo, onde a exigência de informação em tempo real pode tornar o streaming uma segunda opção.

TIRANDO LASCAS


Tem muita coisa interessante pra ser assistida pelo Youtube, pela Apple TV ou através de outros geradores de conteúdos disponíveis pela Internet. Isso significa que a TV vai, sim, perder algum espaço para essas novas opções. Possivelmente, através de caixas como a smartBox, que oferecem a TV aberta com a máxima qualidade e, junto com a programação digital das grandes redes, streaming de vídeos de sites abertos, jogos e apps on-line, ...... Mas falar no fim da televisão aberta, pelo menos no Brasil, é como falar do fim do petróleo no mundo. Há 50 anos era dado como certo que hoje não existiriam mais postos de gasolina. Hoje em dia, os mesmos 50 anos continuam sendo divulgados como a previsão mais atual de alguns analistas.

Se o fim da TV preocupar o público ou os anunciantes, pouco importa. Eles vão acabar ligando a TV pra saber se é verdade. O que preocupa é os empresários da radiodifusão que se sentem inseguros e deixam de investir no negócio. Acabam colocando no ar uma televisão de má qualidade, que vai espantar telespectadores para outras emissoras. Então, se disserem pra você que esta ou aquela emissora vai fechar, talvez seja verdade. Mas tenha certeza de que, em seguida, aparece outra TV aberta no lugar.

Um comentário:

  1. Isso é uma tendência, uma possibilidade real de abertura do mercado audiovisual e de difusão...Entendo também que não são excludentes.

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