sexta-feira, 25 de março de 2016

TIJOLOS, PEDRAS OU SIMPLESMENTE FOGO?


"No que você está pensando?" A pergunta, que seria indiscreta se dita pessoalmente, é um traço da nova cultura que surge sob o nome de rede social. Com essa pergunta, que só se fazia na intimidade de um divã, o Facebook deu dimensão global a uma forma diferente de se relacionar. Um ambiente onde você escolhe a sua própria imagem, escreve o que não fala - ao contrário do que fazem os trambiqueiros - se apresenta ao mundo, se representa. Só faltava a frase tão emblemática se tornar um verso mandarim. Pelo menos foi o que sonhou Marc Zuckerberg, principal acionista do Facebook. Ele foi à China cumprir uma agenda de visitas a líderes do Governo e empresários do setor de Tecnologia. Pretextos pra tentar a liberação da sua marca no país.

Mas, ao que tudo indica, não vai ser desta vez que a frase emblemática vai ter uma tradução ciber social no idioma chinês. Talvez, dizer o que pensa não seja uma boa experiência dentro da fronteira mandarim. Uma preocupação desnecessária, se considerar a experiência concreta na rede social. É raro alguém dizer o que pensa no Facebook, mais raro ainda pensar pra dizer. Quem entra na rede social costuma reagir quase instintivamente contra algumas coisas que aparecem por lá. O que até pode resultar em fenômenos assustadores, se houver razões pra isso.

Ao Facebook é creditada parte da espoleta que detonou a Primavera Árabe, período que incendiou vários países do Oriente Médio e Norte da África. A outra parte da espoleta - possivelmente a maior - foi a miséria e os desmandos sobre aquelas populações. Coisas que, aparentemente, não existem na China. O risco, até agora, parece ser administrável.

NA VERSÃO BRASILEIRA...


No Brasil de hoje o Facebook também está causando. A temperatura política só aumenta o "barulho das panelas" de um perfil pra outro. Na busca de culpados, tanto pró, como anti, vão dos versos às tragédias gregas para se acusarem. Um fenômeno que revela um lado das pessoas que dificilmente seria visto fora do ambiente cibernético. Aqueles personagens que nós controlamos na rede social são capazes de acreditar em argumentos absurdos, divulga-los, dizem meias verdades para confundir e se ofendem por muito pouco. Não seria assim pessoalmente. A tradição familiar, que chegou a colocar uma "grande sala" para parentes trocarem mensagens pela rede, foi rompida como nunca antes. Apoiadores de um dos lados, indignados com o posicionamento contrário de outros familiares, deixaram subitamente grupos fechados que reuniam famílias. E estenderam o boicote até para o almoço no fim de semana, casamentos, festas de fim de ano.

A interface eletrônica não carrega muito do que apresentamos numa mensagem pessoal. "-Você acredita que ele é honesto?" é uma pergunta que, pessoalmente, pode ser feita com uma voz serena, com uma expressão facial receptiva, de quem aceitaria qualquer resposta, talvez com um suave toque no ombro. No "post" não vai nada disso. Do outro lado, quem lê a pergunta acrescenta os temperos que quiser. Por vezes, destempera.

À ESPERA DE UMA RESPOSTA


Para o CEO do Facebook, tudo isso é lucro. Polêmicas levam às alturas a frequência da rede social. Quanto mais pessoas, melhor. Ao chegar à China, onde está um sétimo da população do mundo, ele exibiu o sorriso que certamente moldou por algumas semanas com sua equipe de marketing. Correu na histórica Praça da Paz Celestial, jurou toda a felicidade do mundo, mesmo respirando um ar com nível de poluentes acima de dez vezes o admitido pela Organização Mundial da Saúde. Um risco concreto, que lhe valeu um puxão de orelhas de uma cidadã chinesa, a própria esposa. Mas os sorrisos e a bajulação não saíram de cena.

O que Zuckerberg quer do Governo Chinês vai além da Muralha da China. Ele quer derrubar o firewall, o implacável "muro de fogo" que praticamente impede o Facebook de entrar naquele país. É o mesmo impedimento imposto ao Twitter. Zuckerberg até que foi longe. Conseguiu uma reunião com Liu Yunshan, o responsável pela propaganda oficial chinesa, que não costuma se reunir com estrangeiros capitalistas. Membro de peso no Marxismo Chinês, Liu não disse o "sim" que Zuckerberg queria ouvir, mas também não repetiu enfaticamente o não, que prevalece. Teria, por enquanto, sugerido que o Facebook partilhasse o seu conhecimento, experiência e dados para ajudar o desenvolvimento da Internet no sentido de beneficiar as pessoas de todos os países.

Por enquanto, a viagem de Zuckerberg está rendendo gozações na Internet. Mas a persistência aliada a bilhões de dólares está se mostrando uma força irresistível no mundo todo. Os comunistas mais bem sucedidos na escala dos capitalistas, possivelmente estão pensando uma maneira de levarem vantagem em cima do deslumbre mal disfarçado do CEO americano. Com certeza, todas as apostas continuam em torno da célebre frase, que Zuckerberg faria de tudo para que o Governo Chinês respondesse: "-No que você está pensando?"

sexta-feira, 18 de março de 2016

PAIXÕES, OPINIÕES E A NECESSIDADE DE DECISÕES


Time de futebol, cada um escolhe o seu. Mas nem por isso precisa rejeitar a lógica. Para não criar melindres entre os torcedores brasileiros, o exemplo vai ser escolhido na Europa. Digamos que você fosse espanhol, torcedor do Atlético de Madrid. Não seria sensato você dizer que, hoje, o seu time é o melhor da Espanha. No dia do jogo contra o Barcelona você vai torcer para o seu amado Atlético, vai observar circunstâncias do momento, ficar na expectativa de erros do adversário. E até poderá sair do estádio comemorando uma vitória. São coisas do esporte. Mas esse fato, de forma isolada, não muda a realidade.

Saltando para o mundo das escolhas objetivas, criteriosas, o efeito passional não desaparece totalmente. Principalmente nesses tempos em que a camisa da seleção está sendo usada em monumentais mobilizações populares, desta vez, relacionadas à política. Foi neste jogo, onde nunca se sabe quem está com a bola, que apareceu uma crítica à Secretaria do Audiovisual, ligada ao Ministério da Cultura. O motivo seria a criação da "Netflix brasileira", voltada à exibição de um acervo de 30 mil títulos, entre filmes, documentários e séries de programas culturais. O acesso a esses conteúdos será pela TV aberta, mesmo sem conexão com a Internet. No caso, utilizariam recursos próprios da tecnologia de transmissão digital de TV (DTV). Na prática é um serviço de entrega de vídeos, de acordo com a demanda de cada telespectador em particular, o que o Netflix faz comercialmente pela Internet.

A crítica velada se faz por conta do orçamento previsto para a implantação do sistema, em torno de R$ 10 milhões. Será que isso é caro? Ou será que é um valor compatível com o mercado? Há possibilidade desse gasto praticamente desaparecer das preocupações do contribuinte, em função do custo benefício? É o ponto a ser avaliado.

A UTILIDADE DA ARTE OCULTA


Catalogar, digitalizar e indexar um acervo de 30 mil produções não é uma tarefa simples. Falar nesses R$ 10 milhões parece já caber nessas tarefas. Mas a questão principal é o custo para disponibilizar esse acervo a milhões e milhões de brasileiros: quase zero! Uma possibilidade que o Sistema Brasileiro de TV Digital mantém no ar já há alguns anos, e que está aparentemente inútil.

Vamos a outros dados significativos. Só a Ancine - Agência Nacional do Cinema, ligada ao mesmo ministério, tem um orçamento anual de cerca de R$ 70 milhões. Dinheiro público para ser investido na produção de cinema no país. As críticas que se ouvem a este respeito vêm no sentido inverso. Reclama-se do pouco disponibilizado a uma expressão cultural tão importante para uma nação como o Brasil que, ainda, oferece um potencial empresarial incomensurável. Muito bem! Se esse dinheiro público pode ser investido para produzir audiovisual, por que uma fração dele não pode ser aplicada, uma única vez, para que as produções sejam vistas? Ou existe algum outro motivo para se produzir audiovisual, que não seja a exibição?

A promessa é, dentro desse orçamento, oferecer também alternativas pela Internet. O público "cult" vai vibrar com esta possibilidade. E poderá também utilizar a alternativa via TV, desde que procure no mercado conversores digitais (set-top boxes) com o Ginga C. Uma maneira de valorizar essa plataforma de comunicação poderosa que já está implantada. E continua sendo negligenciada, em função dos interesses das grandes corporações de tecnologia.

O DIREITO SAGRADO DE DISCORDAR


No contexto da mesma crítica ao programa federal, muitos reagem contra a "doação de conversores para os usuários do Bolsa Família e de outros programas sociais". São esses conversores que viabilizam tecnicamente o acesso aos filmes. Os conversores vão ser custeados pelas empresas de telefonia móvel que assumiram esse e outros custos, como "compensação", num negócio com o Governo Federal. Elas tomaram a iniciativa de pedir a antecipação do desligamento do sinal analógico de emissoras de TV que ocupavam aquela banda. O Governo concordou, desde que pagassem as tais compensações. E realizou o leilão para vender as faixas de frequência (dentro da banda). O destino acabou tornando tudo isso um presente! Porque a operadora Oi desistiu na última hora, sobraram faixas de frequência e as outras concorrentes só pagaram o lance mínimo. As compensações já tinham sido assumidas no edital. Se o Governo tivesse exigido o valor das compensações no leilão, provavelmente não iria faturar mais, porque houve sobra de oferta e isso baixa o preço.

Finalmente, há que se considerar que, de fato não houve paternalismo. Em todas as nações capitalistas onde já aconteceu a mudança de sistema, os governos subsidiaram os conversores para as camadas de baixa renda. Inclusive nos Estados Unidos, que não pode ser chamado de país pobre. A televisão presta um serviço público essencial nos dias atuais. Não é sensato simplesmente desligar o sinal analógico e deixar que a população se vire. Tudo isso pra dizer que a "Netflix brasileira", ou a "Netflix social" pode ser criticada. Mas, que se leve em conta todas as circunstâncias.

sexta-feira, 11 de março de 2016

FALA SÉRIO! MAS NEM TANTO...


Viagem no tempo existe na ficção e na Teoria da Relatividade (que é muito científica!). E se é que estamos chegando perto disso, essa tal viagem tem dois sentidos. Pelo menos é o que parece, se considerarmos alguns fenômenos recentes como prenúncios dessa ficção provável. Nos últimos anos, quando o ritmo de inovação passou dos limites, alguns lançamentos estão dando a sensação de que avançamos para o futuro. Parece que fomos para frente no tempo. O engraçado é que, no mesmo instante, alguns adultos voltam no tempo, viram crianças de novo. Se rendem de tal forma ao prazer de brincar com as tecnologias disruptivas que até perdem um pouco da noção de realidade.

É o que se vê com o avanço cronológico mais recente, muito apropriadamente notabilizado por uma brincadeira de adulto. Em Long Island, um homem usou o aplicativo Periscope, do Twitter, para fazer uma graça, mas caiu na rede da polícia. O Periscope coloca a imagem ao vivo na rede social. Ele estava dirigindo completamente bêbado, razão principal da "divertida ideia" que levou à brincadeira atrapalhada. Foi o estopim para um grupo de visionários digitais anunciar 2016 como o ano das imagens ao vivo no celular. Uma tentativa de roubar o slogan da realidade virtual, que já tinha tomado o ano em curso para a própria data de nascimento.

Os adeptos da onda "live" não param de repetir a provocação: "-Imagine o que vai ser possível com imagens ao vivo do celular!" Podemos tentar responder, já que eles ainda não conseguiram: você com o celular na mão, atende e, lá de Paris, seu amigo ao lado de Ivete Sangalo - no Exterior, nossas estrelas são mais acessíveis - pedindo pra ela mandar um beijo pra você. O beijo vem e a baiana ainda responde uma pergunta sua! Além da tietagem em tempo real, quantas travessuras mais vão inventar pra se fazer ao vivo com o celular na mão!? Muitas…, até encher o saco. Ao que tudo indica, uma data não tão distante.

EXPERIÊNCIAS DO AMBIENTE PROFISSIONAL


A experiência das emissoras de TV é reveladora. Imagens ao vivo podem ser o maior tédio. Se você já assistiu a jogos de golfe ao vivo pela TV, sabe disso. E olha que os esportes em geral são os eventos mais interessantes para assistir ao vivo em casa. Simplesmente porque, na grande maioria dos casos, esportes são situações para gerar surpresas. A bola enfiada no meio da zaga, ou a rebatida curta próxima à rede na quadra de tênis, um levantamento rápido para a batida forte no vôlei, a disputa pelos décimos de segundo nos 50 metros livre. Todas situações de verdadeiro stress, mas daquele que a gente procura, pra aguçar a vida.

Saiu disso, situações ao vivo podem render grandes fiascos. Por que não gravar a parte mais interessante e exibir na hora em que a maioria das pessoas pode ver? Se a Ivete Sangalo passar pelo lobby do hotel onde está seu amigo, justo na hora em que seu chefe estiver falando com você, o fuso horário vai continuar o mesmo e não vai acontecer nada de divertido. Uma das mais preciosas capacidades da tecnologia é "transmutar" o espaço, mas também o tempo. Afinal, neste mundo, quem é dono do próprio tempo?

QUANDO VOCÊ PODE ESCOLHER


É claro que imagens ao vivo do celular não são inúteis. Com certeza, muitas aplicações empresariais vão ser descobertas, tantas que nem convém tentar adivinhar. Tudo indica que vão passar a ser regra em alguns tipos de negócios, ou em alguns novos negócios. Em breve devem encontrar um limite. A questão é que, até esse limite surgir, muita gente alucinada pelo futurismo vai investir dinheiro que não vai voltar. Pessoas que estarão pensando como criancinhas encantadas com seus brinquedos. Quem precisa se sentir assim são os clientes desses negócios, não os donos.

A realidade virtual tende a ser mais promissora em termos de negócios. Porque ao invés da pura realidade de um outro lugar distante, como acontece no "live", ela realiza a pura ilusão que você guarda tão próxima, no seu íntimo. Por enquanto, a impressão mais forte é de que o mundo digital rendeu mais para quem criou ilusões, do que para quem ganhou tempo e espaço. A indústria de games deve ter faturado muito mais do que os aplicativos tipo "office". Enquanto os aplicativos empresariais encontram limites bem claros no mercado, os jogos não param de crescer e avançar em novos nichos, assim como outros aplicativos para o cinema, redes sociais e outras formas de entretenimento.

Olhando assim, parece que não importa o quanto vamos avançar na tecnologia, quantas coisas sérias vamos construir, quantas soluções vamos alcançar para os nossos problemas mais objetivos. Alguém sempre vai encontrar um jeito mais divertido de usar essas conquistas, tentando fazer da vida uma grande brincadeira.

sexta-feira, 4 de março de 2016

O CÉU DO BRASIL COMEÇOU A MUDAR


Se aquele famoso ET resolvesse pousar de novo no Brasil, desta vez não iria para Varginha. A afirmação tem base científica. Ninguém questiona que seria impossível fazer viagens intergalácteas sem utilizar ondas eletromagnéticas, pelo menos na navegação. E, quando chegasse ao Brasil, haveria um único lugar onde o imenso fluxo de sinal analógico não circula. Esse ponto do mapa fica na cidade de Rio Verde, em Goiás. Menos mal, nosso ilustre invasor nem se sentiria tão surpreso, afinal mineiros e goianos são muito parecidos, desde a moda de viola até a culinária.

A mensagem mais importante, porém, que vem de Rio Verde, é bem clara e para todo o Brasil. Quem fizer de conta que não entendeu, pode se dar mal. Ao desligar o sinal analógico o Ministro das Comunicações, André Figueiredo, deu um "rapa" na primeira pedalada que tentaram na frente dele. Com isso, entre os vários critérios que definem o desligamento, um boiou sobre os outros, ficou prioritário: a data combinada. Um critério concorrente, que estava deixando muita gente em dúvida, ficou para trás. Trata-se da adesão mínima de 93% da audiência da cidade, ligada ao sinal digital. Mesmo com apenas 85%, o Ministro mandou desligar o analógico e estamos conversados.

Na hora da entrevista André Figueiredo pegou leve. Político de carreira não chuta o balde. Classificou como uma "exceção" e garantiu que, na próxima cidade - que será Brasília, exatamente onde ele mora - a experiência de Rio Verde permitirá que os 93% sejam respeitados. É a palavra do Ministro. Mesmo assim, melhor não arriscar. Se você olhar os interesses que estão em jogo, vai entender.

DAVID NA FRENTE DO GIGANTE, SEM ESTILINGUE


Esse mínimo de 93% da audiência em condições de acessar a transmissão digital é meio que uma "cláusula social", marca que este governo gosta de imprimir em todos seus atos de repercussão pública. Porém, distribuir os conversores digitais de graça para todas as famílias carentes, já é suficientemente "social". Esperar a vontade das pessoas instalarem é um exagero, talvez até anti social. Mas as emissoras de TV também são solidárias nesta causa. Elas vendem audiência. Em Rio Verde, que tem cerca de 200 mil habitantes, os 8% que ficaram de fora, teoricamente, representam 16 mil pessoas sem TV aberta. Em Brasília, se repetir a tal exceção, serão cerca de 500 mil pessoas, incluindo as cidades satélites. Os anunciantes vão sentir.

Do outro lado, lá no extremo, estão as "teles" (operadoras de telefonia celular). Em 2014 elas pagaram ao Governo Federal uma fortuna para ficarem com a banda de frequência onde atualmente trafega parte do sinal analógico de TV. E ainda assumiram altos custos por conta de "compensações", uma vez que o Governo disse que teria que antecipar o desligamento do sinal. Somando tudo, passou dos R$ 8 bilhões. Agora, não querem nem ouvir falar em adiamento.

As teles estão "por cima", no Planalto, ultimamente. A lambança fiscal da Condecine pôs outra faca na mão das teles sobre o queijo oficial. Foi uma contribuição, um imposto que o Governo inventou há alguns anos, para elas pagarem. A Condecine passou a representar 80% do orçamento da Ancine e de todo o apoio federal ao audiovisual. Estava tão fácil que a entidade resolveu aumentar a contribuição bem acima da inflação, a partir deste ano. As teles ficaram injuriadas, foram para a Justiça e já ganharam liminar. Pareceres de todos os juristas consultados afirmam que o imposto todo está errado, mesmo sem aumento, as teles é que estão certas. Diante das consequências desastrosas para a Cultura Brasileira, as teles falam em conversar. O Governo vai muito manso, porque está “queimado” com as teles. A última coisa que o Planalto quer agora é criar mais problemas com as teles, por exemplo, no desligamento do sinal analógico.

AÇÃO SOCIAL SÓ SERÁ VIÁVEL COM A INTERATIVIDADE


Há quem diga que a decisão do Ministro em Rio Verde foi um afago nas teles. Teve ainda o peso político de poder dizer "enfim, desligamos", uma etapa concluída na Era Digital. Mas, com certeza, o peso psicológico da medida foi o mais importante. Antonio Martelleto disse que na primeira pesquisa, quando a data do desligamento foi anunciada, 80% das pessoas acreditavam que o "switch off" aconteceria. Veio o primeiro adiamento, depois outro e uma nova pesquisa constatou que apenas 40% ainda acreditavam no desligamento. Martelleto é Diretor Geral da EAD - Entidade Administradora da Digitalização, criada pelas teles para pagar todas as compensações.

A experiência de Rio Verde mostrou também as falhas que atrapalharam o atingimento de 93% da audiência digitalizada. Tanto que, em Brasília, a meta é distribuir todos os conversores digitais para famílias carentes até o mês de julho, para não repetir os atrasos de Rio Verde. O desligamento da transmissão analógica na Capital Federal está marcado para outubro. Até a forma de anunciar a mudança para a população também deve ser diferente.

Enquanto medida de alcance social, a melhor notícia veio da própria EAD. Nas próximas pesquisas vão perguntar se as pessoas utilizam ou não os recursos de interatividade da TV Digital. O acesso a esses recursos se faz principalmente pelos conversores digitais que o governo está distribuindo para famílias carentes. Eles tem capacidade técnica para acessar cursos profissionalizantes, vagas atualizadas de empregos, serviços públicos e outros recursos disponibilizados pelo canal educativo de TV do Governo Federal. O Ministério do Desenvolvimento Social e muitos outros órgãos públicos planejam utilizar a interatividade para programas sociais de peso, que sequer vão exigir grandes dotações orçamentárias. Sem considerar as reais intenções da EAD com esse tipo de pesquisa, deve-se valorizar muito os dados a serem obtidos. Eles vão, de fato, permitir que muitas ações sociais contemplem a população brasileira.