sexta-feira, 27 de novembro de 2015

E SE TUDO VIESSE DE "MÃO BEIJADA"?


O que pode faltar quando tudo é de graça? Um caso prático, observado no último fim de semana em Campinas-SP, pode conduzir a uma resposta esclarecedora para essa questão.

A história começou na semana anterior, quando várias pessoas receberam mensagens, via Facebook, sobre um evento de arrecadação de donativos para famílias atingidas pelo mar de lama em Mariana-MG. Foi marcado para o domingo, num espaço público, entre oito da manhã e cinco da tarde. O local foi cedido pela prefeitura, a divulgação de evento pelo Facebook não custa nada e uma transportadora cedeu dois caminhões de carroceria fechada, tipo baú, e os motoristas para levar os donativos. Já estava terminando o horário e voluntários estavam organizando pelo chão milhares de garrafas de água mineral, alimentos não perecíveis, roupas. Duas pessoas conversavam próximo ao balcão:
"-Vocês me deixam entrar depois das cinco? Ainda preciso comprar os donativos."
"-Desculpe, meu caro, mas temos horário para desocupar esse espaço e devolver a chave para a prefeitura. Não vai dar."
"-Então posso fazer uma doação em dinheiro?"
"-Obrigado, mas não estamos recolhendo dinheiro, porque não temos como contabilizar."

E agora? Tudo exalava a máxima boa fé, e aquele pretendente a doador ia ficar de fora da campanha que convenceria a sua consciência. Quinze minutos depois, pelo estacionamento chegam dois rapazes alterados, carregando vários sacos plásticos de arroz, feijão, alguma lataria e outros alimentos:

"-Que ignorância, isso aqui não é pra esses caras", protestava um deles.
"-O que houve?" perguntou um curioso. (sempre tem um...)
"-O sujeito lá do portão não queria me deixar entrar porque passou do horário. Olha o que compramos! Vou voltar com isso pra minha casa e o pessoal lá em Mariana passando fome? De jeito nenhum!"

Boa fé contra boa fé. Atitude solidária contra atitude solidária. De quem é a razão? Atritos no território do bem!

TEM QUE QUESTIONAR


Vamos ver o que se passa no portão. Um dos organizadores, pingando de suor, não perdia o sorriso nem a serenidade no semblante. Carros ainda chegando, ele barrava: "-Não temos mais como receber doações, o horário já encerrou." A primeira reação, sempre era indignada. Alguns compreendiam, depois de alguma insistência. Outros voltavam de cara fechada.

A turma que já tinha entrado e apenas observava o movimento tentou persuadir o rapaz: "-E se deixar só mais alguns entrarem? Eles estão ficando frustrados, decepcionados." "-Não dá", replicava pacientemente. "Temos horário a cumprir com o administrador do espaço." Os argumentos eram muitos e a cada replicação, aquele organizador apresentava uma resposta mais convincente. Ao final, ficou esclarecido que as doações precisariam ser empilhadas da maneira certa, sob pena de amassar garrafas de água, estragar sapatos e roupas, perder alimentos. Os voluntários, amadores em transporte, tinham poucas chances de fazer o carregamento do que já estava ali, dentro do prazo. O local tinha horário pra fechar, os motoristas tinham horário pra sair. E concluiu: "-Como você se sentiria se soubesse que o alimento ou outro donativo que você trouxe ficou por aqui ou se perdeu no transporte?"

Não dava pra receber, mesmo. Ele tinha toda razão.

Fosse um oportunista, sorriria para todos os doadores atrasados, aceitaria tudo e diria palavras carinhosas àqueles egos. Do lado de cá, todos estariam felizes e orgulhosos. Mas do lado de lá, nas montanhas de Mariana, não dá pra dizer o que chegaria inteiro, em condições de uso. É tudo de graça mesmo, reclamar do quê?

NADA SUBSTITUI O BOM TRABALHO


Os recursos financeiros são muito importantes em qualquer iniciativa. Mas não são tudo. Isso fica evidente em situações como a desse episódio, mas também em casos inversos. Por exemplo, quando um gestor se sente muito à vontade para abrir um negócio, só por ter grande disponibilidade financeira. Em qualquer empreendimento, com qualquer objetivo, todos os recursos tem que ser valorizados. E mesmo respeitados, quando se trata de recursos diretamente associados à condição humana, como o trabalho, o tempo, os compromissos alheios, a solidariedade que envolve uma atitude de apoio. A maior disponibilidade de dinheiro vai implicar em maior investimento no controle de recursos, nunca no desprezo de outros valores.

Por isso, ações humanitárias em empresas, além de promoverem uma aproximação diferente entre os funcionários e um ganho institucional para a imagem da empresa, podem ser importantes "laboratórios" para desenvolver o espírito de inovação. Porque a inovação acontece em direções desconhecidas, às vezes imprevisíveis. É nessas horas que as pessoas precisam, mais do que nunca, avaliar corretamente todos os recursos envolvidos, aceitar decisões de grupos, participar construtivamente dessas decisões, conviver com situações de fracasso. E, ainda assim, encontrar mais energia para se superar e seguir em frente.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O CALENDÁRIO DIGITAL


Pra que serve um calendário no Brasil, além de fazer propaganda? E que a ilustração seja muito bonita porque, de hábito, não devem olhar muito pra calendário. Datas em que alguma coisa acontece por aqui não tem número, tem nome: "véspera", por exemplo. Os outros dias são todos iguais, pelo menos para quem decide as mudanças. Como a grande massa já se acostumou com essa brincadeira de mal gosto, a data importante para o povão chama-se "agora-não-dá-mais". Até então nada de reagir aos avisos, a rotina não muda.

Tem uma véspera chegando aí. É pra resolver mudar outra véspera. Deve ser um episódio emocionante porque o suspense é total, ainda ninguém arrisca nenhum palpite. A data é para desligar definitivamente o sinal analógico de TV, só vai ficar TV digital no ar. Sem um set-top box (conversor digital) ou sem um televisor desses mais novos, não vai ser possível assistir à TV no Brasil. A quantidade de interesses conflitantes nessa história é o que mais complica.

Como o Brasil é muito grande o desligamento analógico - tecnicamente, "switch off" - tem que ser feito aos poucos. Foram divididas as regiões e um calendário todo foi elaborado, compensações contratadas, definidos limites e regras. Todas as partes de acordo até que... chegou a véspera. A primeira região a ser desligada é da cidade de Rio Verde, em Goiás e o prazo vence este mês. Pra adiar marcaram uma reunião, que já foi adiada na véspera, porque a decisão só deve sair na última semana. Acho que já vi isso antes.

QUEM PODERIA SUPOR?


As partes interessadas são fortes e poderosas. As operadoras de celulares - tecnicamente, as "teles" - investiram mais de R$ 8 bilhões só para ficarem com a banda de 700MHz, que está ocupada, nas grandes cidades, por algumas emissoras de TV.  Outra parte é o Governo, que ficou com quase todo esse dinheiro das teles. Tem também as grandes redes de TV e, não por acaso, o povão, que nesta fase de implantação, ainda não desfruta nem da metade do que a TV digital pode oferecer.

Quem quer o adiamento são emissoras de algumas grandes redes de TV. A digitalização já foi feita nas "cabeças de rede", que é a principal emissora de cada rede. Mas as repetidoras nos rincões tupiniquins ainda não mudaram a tecnologia. Com o salto do dólar e a crise econômica diminuindo a receita publicitária, muitos garantem que não tem a mínima condição de importar os equipamentos. É que no calendário do Governo, que já é antigo, eles não viram a data "agora-não-dá-mais". Estavam esperando a véspera.

Se você estava achando falta de algum detalhe nessa história, agora vem a gambiarra - tecnicamente, "proposta alternativa" - apresentada pelo grupo de interessados no adiamento. O desligamento do sinal analógico, por enquanto, seria só nas grandes cidades, onde a banda adquirida pelas teles está ocupada, porque tem muitas  emissoras de rádio, celular, emissoras locais de TV, comunicação empresarial, banda larga, etc. São no máximo 500 cidades em todo o Brasil. Nas outras cinco mil e tantas cidades, o analógico só seria desligado em 2023. E o povão? Ah, o povão é legal, se vira.

UM TAPINHA NÃO DÓI


O que facilita a gambiarra são os tipos de problemas que já aparecem na primeira experiência prática, em Rio Verde. Muitos moradores já receberam o conversor digital, a antena, mas ainda não instalaram porque "tem tempo, tá bom assim". A Anatel - o órgão do governo que desliga o sinal - tem que esperar uma pesquisa que indique 93% dos lares sintonizando o sinal digital. Enquanto isso não acontece, atrasa tudo. As emissoras, que vendem audiência para os anunciantes, não querem que esse público fique sem TV, e defendem a espera.

A Anatel não aceita esse tipo de solução e promete pressionar - tecnicamente, "encher o saco" - dos telespectadores, interferido na transmissão analógica com tarjas escuras tapando parte do vídeo ou tirando o som em parte da programação. É assim que se espera antecipar o dia "agora-não-dá-mais". Ora, ora, num país onde uma palmada no seu filho pode lhe custar um processo, o governo aceita uma técnica tão antipedagógica como essa!? Parece que, em adulto, um tapinha não dói.

Na última semana, o que trouxe o grande suspense foi o reposicionamento do Ministro André Figueiredo, das Comunicações. Depois de dizer, no começo do mês, que seria "inevitável" o adiamento do switch off em Rio Verde, desta vez afirmou que nada no calendário está alterado até esta quarta-feira. É quando sai a nova pesquisa de sintonia digital em lares de Rio Verde. Ele admite desligar até com 80%, só pra não atrasar o calendário. Estaria mudando definitivamente o Brasil? Nem tanto! O Ministro comparou o calendário do switch off com o da declaração de IR. Disse que tudo acontece na última semana, então também vai tomar as decisões sobre eventuais adiamentos só na última semana. Enfim, a "véspera" entrando oficialmente no calendário nacional.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A TECNOLOGIA EM BUSCA DOS SEUS SONHOS


Uma trama de muita ação com Arnold Schwarzenegger. Metade do enredo é o mesmo de sempre. Só que no caso em questão a ficção científica foi boa. Por exemplo, as férias do personagem foram virtuais! Ele era um peão de obra e, sem dinheiro para viajar, comprou um "implante de memória" de uma viagem. Tinha uma máquina que implantava no cérebro dos clientes maravilhas que nunca aconteceram, mas ficavam para sempre na memória. High Tech tipo "me engana que eu pago". Foi quando o título do filme pareceu lógico: "O Vingador do Futuro". Também, com um futuro desses...

A tecnologia real é muito útil, mas também está cheia de coisas sem graça. É que são anunciadas com um tal frisson, capaz de levar muitos na onda. Os "sem noção" se encantam por nada, esses nem conta. Outros, que compram no embalo, podem querer vingança no futuro. O mais curioso é que os caras que inventam essas coisas tem as melhores intenções. Mas, ao que tudo indica, também fazem parte daqueles "sem noção", que babam à toa.

Se você gosta de dirigir, vai entender. Imagine uma propaganda de carro mostrando alguém no banco de trás, ou no carona, curtindo confortavelmente o WhatsApp, olhando a paisagem. Isso mesmo, carro sem motorista. Este é o projeto que está colocando o Vale do Silício em disputa acirrada com as montadoras de Detroit. Para quê, difícil saber. Não parece ter tantos nerds ricos no mundo.

TIRA, PÕE, DEIXA FICAR


O que compensa é o fato de tecnologia ser versátil. Se não servir na hora, mais tarde, quem sabe? Foi o caso da smart tv. Juntaram duas entre as coisas mais sedutoras para as gerações mais jovens: TV e computador. "Agora não tem pra ninguém", profetizaram alguns. No entanto, você conhece alguém que já abriu um e-mail numa smart tv? O facebook, pelo menos? O Youtube até que tem algum espaço, mas nem a TV Yahoo, que foi projetada pra tal plataforma, se manteve por mais tempo. Mais tarde, quem salvou a honra desses engenheiros foi o Netflix, na prática, a legalização inteligente de uma antiga pirataria. Ou o delivery virtual das antigas locadoras de vídeo.

Agora que a tecnologia aumentou tanto as alternativas de consumo, o comportamento do consumidor tem se mostrado um fenômeno muito mais complicado. E diziam que difícil era entender o eleitor! O lado mercado, na mesma cabeça, está cada vez mais perdido em promessas e ilusões. Está sem discernimento para escolhas que se justifiquem no futuro. Parafraseando o rei Pelé, "o consumidor de tecnologia não sabe comprar".

Ainda bem que pouca ciência prolifera muita tecnologia. Quer dizer, o mesmo conhecimento que é embarcado num projeto "micado", vai ser útil para muitas outras ideias que ainda vão surgir. É o que se vê desde as históricas missões Apollo. Quanta tecnologia daqueles foguetes não está espalhada nos mais diversos tipos de produtos até hoje? No entanto, ninguém fundou montadoras de naves espaciais para o varejo. 

UM VEIO DO WRESTLING, OUTRO DO BOX


Na disputa entre os célebres clusters, a turma de Detroit, que tem a GM à frente, conta também com as europeias Mercedez Benz, BMW, Audi e Volvo. Pelo Vale do Silício concorrem o Google e a Tesla Motors. Essa última, mesmo sendo fabricante de carros, faz apenas modelos elétricos, carentes da alta tecnologia típica da Califórnia. Mas a polarização regional fica mais caracterizada pela disputa GM X Google.

O sistema de navegação autônoma (ou quase) da GM estará na função Super Cruise e o icônico Cadillac vai ser o primeiro carro a receber os equipamentos. O modelo será o sedan CT6. Basicamente, são dois radares de curto alcance de cada lado e um radar de longo alcance, centralizado. Nos retrovisores, a câmera identifica as linhas da pista e objetos. Tudo isso fica conectado em dois computadores, instalados no porta malas, abaixo do estepe, que gerenciam tudo. Inclusive a hora em que o humano - sempre terá que ter um atrás do volante - deverá assumir o comando, quando for indispensável a suprema inteligência de um motorista. Em termos de hardware, a primeira vista, nada de novo.

O Koala, modelo do Google, tem um radar giratório que já representa um diferencial. A precisão é muito maior, já que ao invés de ondas sonoras, como nos radares em geral, usa ondas de luz. Mais precisamente um laser, capaz de promover poeira a objeto, porque identifica qualquer corpo com alguma dimensão maior que 1 milímetro. O Koala está sendo desenvolvido para ser apenas uma peça de um complexo sistema. O Google espera, com ele, oferecer soluções de mobilidade. Apenas um táxi robô, que qualquer um pode chamar pelo celular, definir um destino e pagar por meio de um boleto no fim do mês, como já se faz com o pedágio. Em princípio, parece um investimento grande, apenas para livrar as pessoas de dizerem bom dia ao motorista do táxi.

PERSPECTIVAS DIFERENTES DE INOVAÇÃO


O que é mais significativo nessa disputa é o tipo de abordagem de cada empresa, diante de projetos muito semelhantes. A GM comprou a briga porque sente certa urgência em "modificar paradigmas do negócio de venda de carros". Também pensa em táxis robôs, mas aposta no lado diletante dos clientes motoristas.

Do lado do Google, Chris Urmson, diretor técnico do programa de carro, tem mais a visão do mercado de tecnologia: "A filosofia que prevalece é que vamos substituir os sistemas de assistência ao motorista que estão nos veículos hoje, fazendo que eles fiquem, de forma incremental, melhores e melhores. E, eventualmente, nós vamos chegar a este ponto em que tenhamos carros que dirigem sozinhos." De fato! Imagine que, numa ultrapassagem, ao acionar o sinal para o lado esquerdo, seu carro "visse" quem vem de trás, a que velocidade, quem está a frente e, na primeira oportunidade segura, saísse para o lado e acelerasse. Um "sistema de assistência ao motorista" pelo qual muitos pagariam, capaz de aliviar bastante o stress no trânsito. Seriam passos desse tipo, lucrativos, cada vez mais na direção do novo mercado, que conduziriam até a navegação autônoma, caso se confirme tal necessidade.

O mesmo se vê no caso da smart tv. A tendência do mercado é que vai apontar a direção dos negócios. Na prática, a arquitetura de um televisor LED HD e uma smart tv é quase a mesma. Maior capacidade de processamento e de memória, com o tempo, vão sobrar dentro de qualquer televisor. Com alguns aplicativos e a conexão com a Internet, todos os televisores produzidos no futuro serão do tipo smart.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

EXPERIÊNCIA HISTÓRICA NO MERCADO PUBLICITÁRIO, AGORA TAMBÉM NA INTERNET


Que tipo de assunto é mais comum nos ambientes que você frequenta? No trabalho, na faculdade, fala-se mais da novela, de virais da Internet ou de coisas mais próximas, como projetos pessoais, vida alheia? Sejam quais forem, já estão digitalizados. Do rádio ao WhatsApp, circula de tudo, pode ser interessante ou não. O que interessa é manter a conversa, o conteúdo tanto faz.

Na Internet, mais do que conversar com alguém, publica-se. Todo mundo falando pra todo mundo e ainda assim, muita gente querendo entrar na conversa. Principalmente os que pagam a conta dessa babel. Por isso é ela, a propaganda, o assunto mais presente no mundo. Uma "conversa" onde o que se mostra e se diz é para ser respondido com atitudes de consumo. A propaganda é a mensagem que vai, e vai de novo, esperando que as moedas respondam. Ela só precisa entrar nas conversas.

No Brasil, um país comunicativo, a propaganda sustentou a maior rede de TVs abertas do mundo. Em nenhum outro lugar tantas emissoras se sustentam sem cobrar diretamente da audiência, vivem só da propaganda. E com o crescimento do espaço publicitário no mundo virtual, as TVs abertas balançaram. Por isso, agora pode começar a invasão "broadcast" na Internet. 

UM PRIMEIRO PASSO


A TV digital foi o passo decisivo. Porque tudo que é produzido hoje numa emissora brasileira já é digital, está pronto pra entrar na Internet. A programação continua no ar normalmente. Pega pela antena, via sinal digital gratuito de radiodifusão. Mas o formato digital de origem torna muito mais simples exibir também para a audiência virtual. E, lá dentro da Internet, se faz de tudo. Basta desenvolver os aplicativos.

Foi o que a Rede Globo acabou de lançar. E, dessa vez, uma interface completa para OTT. Com o "Globo Play", aplicativo que pode ser acessado por smartphones, tablets, notebooks, desktops ou smart tvs e dá acesso a cerca de 7.300 horas de programas produzidos pela emissora. Os jornalísticos, esportivos, de variedades e realities - como o BBB - são gratuitos. A programação ao vivo também mas, por enquanto, ao vivo só para as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. O que está disponível para todo o Brasil são trechos de séries e novelas para degustação. Passou daí o conteúdo é pago. Já tem até séries em 4K, um verdadeiro cinema para quem tem smart tv.

Para não fazer concorrência com os próprios parceiros, a Rede Globo teve o cuidado de preservar as áreas de afiliadas e está pisando em ovos com as operadoras de TV a cabo. Os conteúdos sob demanda que estão a venda nessas operadoras terão uma negociação especial. O serviço de TV Everywhere da Globo nas operadoras também está em pauta.

A questão é que as outras grandes redes abertas, ao que tudo indica, vão lançar os próprios serviços OTT, a exemplo do que fez a Globo. É uma questão de tempo. Isso pode aumentar muito a competitividade das emissoras abertas no mercado publicitário.

MAIS FÁCIL DO QUE PARECE


A "otetetização" (criação de serviço OTT) das redes abertas deve mudar o jogo publicitário. Uma das grandes vantagens da propaganda da Internet sobre a da TV é o direcionamento das mensagens. Quando você assiste a um vídeo no Youtube, a propaganda que aparece não é a mesma que apareceria para o seu filho no mesmo vídeo. Cada login tem descrito o perfil do usuário, além dos hábitos de navegação. Por isso as mensagens publicitárias "escolhem" pra quem vão ser anunciadas. Agora as grandes redes de TV, no OTT, vão mostrar todos os números da audiência. O mercado publicitário vai ver a força que elas podem ter dentro da Internet. E ainda, vão indicar uma projeção de parte da audiência no sinal aberto.

Num país como o Brasil, isso pode significar a consolidação da TV como principal espaço publicitário para grandes marcas, como foi no passado. Em outros países, com mais tradição na TV por assinatura, pode não ser tão contundente. Mas, se o caminho for explorado com competência, pensando um novo modelo de negócios, pode significar um upgrade para as emissoras abertas no ranking publicitário.

A solução tecnológica já está disponível. A EiTV Cloud, já testada e aprovada pelo mercado, é a plataforma mais acessível e segura para criar o serviço OTT para qualquer emissora, de qualquer porte, com opções para qualquer parte do país e cortes específicos nas áreas de afiliadas. A Internet, enfim, pode deixar de ser a grande concorrente da TV aberta para inverter esse paradigma. Vai se tornar, para os anunciantes, a mais poderosa vitrine também no mundo virtual.