sexta-feira, 26 de junho de 2015

MISSÃO IMPOSSÍVEL


"Eu sabia que muitas empresas até inventam um gentílico próprio para os funcionários. Na semana de integração, quando eu comecei na EiTV, o engenheiro que me recepcionou disse que eu seria a própria empresa em algumas ocasiões. Frase típica daqueles papos motivacionais. Mas, no tom que ele falou, tinha até um certo peso de responsabilidade. Demorou só dez dias para eu entender que ele queria me prevenir." É assim que um engenheiro recém formado, contratado na primeira expansão da EiTV, começa a contar sua primeira missão impossível: desenvolveu em três meses, um projeto que ele julgava ser impossível de concluir em 1 ano. O cliente era uma organização imensa, e tinha grandes responsabilidades envolvidas naquele projeto.

Hoje ele entende que a avaliação admissional da EiTV foi muito mais eficiente do que ele imaginava: "-Percebi que eles conheciam o meu potencial mais do que eu mesmo. Confiaram porque sabiam até onde eu poderia chegar. A estrutura da equipe também foi decisiva. A maneira como foram divididas as tarefas, as rotinas de reuniões, fases de desenvolvimento. Tudo conduzia seguramente a um objetivo, que foi alcançado."

Do lado mais experiente, uma constatação curiosa sobre profissionais que saem da universidade com os melhores currículos: "-em muitos casos, eles escondem uma extrema falta de auto confiança. É a insegurança que leva ao excesso de dedicação acadêmica. Acabam aprendendo muito, o que é bom. Mas eles próprios não acreditam que sabem tanto. Precisam trazer o conhecimento para a vida real." O outro engenheiro, então novato, prefere falar da diferença entre treinar e entrar em campo: "-você sabe que nunca chega numa decisão com tudo que já aprendeu antes. Mas também vai ser lá, nas dores do desafio, que você vai descobrir seus talentos ocultos."

VOCÊ TEM A FORÇA!


E então, o que significa "ser a empresa"? Num contexto de inovação o trabalho acontece, por definição, sobre coisas novas, que ninguém conhece. Portanto, esperar que alguém te socorra, é o mesmo que esperar outros percorrerem tudo que você já fez no projeto. Nunca vai ter tempo pra isso. Daí "você se torna a empresa", porque todos os recursos que você pode usar estão em você mesmo." A situação também é típica de pequenas empresas, como é o caso da EiTV. Porém, mesmo nas grandes empresas, quando inovam, sempre estão diante de um novo projeto, a ser desenvolvido por uma equipe específica. Ali ninguém pode esperar que a inovação seja encontrada pronta em algum lugar. Não é um tesouro no fim do mapa de um pirata. Mais do que navegar no infinito, criar é preciso.

A experiência do projeto que parecia impossível foi marcante para toda a empresa. Porque em todo trabalho inovador a presença do cliente é mais intensa. E nesse caso, o grande expertise da organização cliente trouxe mais contribuições ainda. Foi quando surgiu o embrião do EiTV CLOUD, com um leque de aplicações que até agora não encontrou limites. São alternativas tecnológicas que se moldam e adaptam à todos os segmentos empresariais. A conclusão é de que o retorno de um trabalho bem feito vai muito além do caixa da empresa.

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO. É CONHECIMENTO


As empresas que tem o DNA da inovação são diferentes até comercialmente. Tem uma ousadia para se apresentar ao mercado, levantar a cabeça diante dos grandes clientes, e dos grandes concorrentes também. O que não pode faltar, desde o começo, é a responsabilidade, que tem de ser a mesma de uma empresa grande. A ousadia comercial não pode pôr em risco os projetos e as metas dos clientes.

Outro detalhe é que, no mundo da inovação, o tamanho de uma empresa não está associado necessariamente ao faturamento. Pelo menos num primeiro momento, o tamanho corresponde ao grau de conhecimento que a empresa possui. É por aí que dá pra nivelar com os grandes clientes ou concorrentes. "-É nesse tipo de crescimento que a EiTV investe", afirma Rodrigo Araújo, Diretor da empresa. Afinal, através do conhecimento podem ser criadas, por exemplo, ferramentas digitais para as mais diversas aplicações. Elas não ocupam espaço físico, nem exigem instalações especiais, caras. Mas podem trabalhar tanto quanto as grandes máquinas, às vezes até mais. 

A antiga "missão impossível" está virando lenda. As coisas estão acontecendo mesmo sem grandes parques fabris, nem estruturas monumentais. Os novos profissionais, muitas vezes, demoram a enxergar o que pode o capital humano, desde que associado a um sistema de trabalho eficiente, com metas claras. E quando menos imaginam já se tornaram uma engrenagem virtual, no relógio dos novos tempos.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

INOVAÇÃO: MUITAS CARREIRAS EM UMA SÓ


"Em uma empresa de inovação, tudo que você sabe pode virar fumaça de um projeto para outro. Quem quer inovar tem que querer aprender." Seria apenas uma resposta lógica se não representasse uma reviravolta tão grande na carreira que um engenheiro da EiTV planejou desde a adolescência. Uma história que, no passado, seria trágica. Como foi para telegrafistas, calibradores de carburadores, escaneadores de cor e tantos outros que assistiram "on line" ao desaparecimento de suas profissões.

A interatividade na TV Digital quase sumiu. Foi um dos desafios de origem da EiTV. O Playout, um dos primeiros produtos da empresa, habilita tecnicamente a interatividade na transmissão digital, é um produto para emissoras. Para o público interagir, o receptor tem outra solução tecnológica. São as implementações do software Ginga, o "middleware" desenvolvido no Brasil, de código aberto. Desde o lançamento, na década passada, a equipe da casa sabia que os pesquisadores que criaram o Ginga ainda não tinham uma suíte de testes, nem todos os padrões prontos. Mesmo assim a missão era "tunar o motor" daquele protótipo que não parava de rodar pelo mundo. Foi preciso "gingar" pra valer...

O aprofundamento no sistema Linux foi só o ponto de partida. Outras linguagens, quase desconhecidas, foram destrinchadas pela equipe e um trabalho árduo permitiu a organização do código Ginga para as implementações. Criou-se na empresa até o emulador para rodar os aplicativos em PCs. Muito trabalho depois, pouco tempo mais tarde, a primeira implementação do Ginga capaz de interagir com aplicativos chegou aos set-top boxes brasileiros. A provedora era a EiTV!

TUDO PRONTO PARA O GRANDE DIA


A marca da empresa ostentou o pioneirismo nos principais momentos do Ginga no Brasil. O primeiro aplicativo a ir ao ar no país foi sintonizado em muitos lares graças ao EiTV Middleware. Foi durante a novela "Caminho das Índias", um dos grandes sucessos da história da Rede Globo. Depois veio o EiTV Developer Box, mais uma vez, a primeira plataforma para desenvolvedores de aplicativos Ginga. Enquanto isso, as implementações da casa também foram licenciadas para grandes clientes nacionais e internacionais. Como o Ginga praticamente tomou conta da América Latina e de alguns países na África e Ásia, uma fabricante chinesa embarca em seus televisores e set-top boxes as implementações EiTV Middleware para o mercado do Sistema ISDB-T. São milhões de aparelhos, colocando a marca em cada canto do mundo onde se sintoniza o sistema.

O EiTV Middleware alavancou outros projetos. A quarta maior fabricante de televisores do mundo, sediada no Japão, encomendou um aplicativo para o segmento de hotelaria nos países do Sistema ISDB-T. Através da tecnologia EiTV os hóspedes de hotéis que usam os televisores da marca podem escolher uma refeição pelo controle remoto, enquanto assistem à TV. Vários outros serviços desses hotéis ficam disponíveis no aplicativo.

O refrão desse samba é que a EiTV deixou pronta toda a tecnologia para suportar a interatividade no Brasil e países do Sistema ISDB-T. Faltava apenas as emissoras criarem esse novo hábito na audiência.

A INOVAÇÃO NOSSA DE CADA DIA


O Ginga foi reconhecido mundialmente pelo ITU como o melhor middleware para TV Digital, mesmo sem ter um "pacote" completo. Isso foi o bastante para destacar a tecnologia brasileira, ao mesmo tempo que desestimulava os países desenvolvidos a investirem na "interatividade broadcast" de seus sistemas. Afinal, o nosso é o melhor. Porém, para concorrer no mercado, nós temos apenas o Ginga e eles, as tecnologias para celulares, tablets, notebooks; nós temos a maior TV aberta do mundo, eles, usam sistemas por assinatura, mais completos; nós temos as piores e mais caras conexões de Internet e eles, as melhores e mais em conta; acima de tudo, nós temos uma renda per capta desfavorável e uma desigualdade social gritante.

Enquanto inventávamos, a cada dia, um novo pedaço do Ginga, apostando no futuro, o chamado Primeiro Mundo faturava a cada gadget que punha no mercado. Principalmente o celular e tablet conseguiram lugar cativo na sala de TV, fazem a chamada "segunda tela", o outro caminho por onde a interatividade começou a acontecer. As smartTvs facilitaram mais ainda. Mas, para quem não pode pagar por tudo isso, como a maioria dos brasileiros, o Ginga ainda poderia ser uma alternativa barata.

A última grande chance para o melhor sistema de TV Digital do mundo foi o projeto Brasil 4D, proposto pela estatal EBC - Empresa Brasileira de Comunicação. A interatividade chegaria, com todo seu potencial, aos 14 milhões de lares atendidos pelo Bolsa Família. Sem custos para o Governo, apenas por conta das compensações das operadoras de celulares. Até o último momento para decidir, o aceno do mercado era "não". A equipe Ginga da EiTV já sabia que "engenharia de televisão" deixaria de ser a carreira para profissionais da casa que fizeram tantos planos. Por outro lado, todos estavam conscientes de que toda inovação tende a ter um ciclo curto. São preparados para mudanças desse tipo. Em cada projeto o empenho tem que ser pelo primeiro lugar, na qualidade e na ordem de chegada. Assim é possível compensar todo o investimento da empresa e ainda trazer um retorno satisfatório, mesmo que o ciclo daquela tecnologia seja muito curto.

Quando ninguém mais esperava a história do Ginga teve uma reviravolta, com um final feliz para a EiTV, raramente vivido em uma empresa. Numa atitude governamental inédita de valorização da tecnologia brasileira, o Ministro Ricardo Berzoini negociou uma solução para a "interatividade inclusiva". Nos próximos anos o mundo vai assistir a um marco histórico da tecnologia de televisão. Podem apostar!

Quanto ao nome da carreira que o engenheiro da equipe EiTV Middleware planejava, segundo ele, vai demorar um pouco pra saber: "-Só me perguntem daqui uns 30 anos, depois que eu aposentar."

sexta-feira, 12 de junho de 2015

AFINAL, COMO NASCE UMA EMPRESA?


"-Eu era um engenheiro formado, há pouco tempo, em uma das melhores universidades do Hemisfério Sul. Tinha especializações no currículo, trabalhava com seriedade, tinha dado o meu melhor. E estava ao telefone ouvindo impropérios e destemperos de um senhor, engenheiro experiente de uma grande rede de televisão, por causa de uma montagem que eu tinha feito lá. Quando me dei conta do que estava acontecendo, percebi que a minha verdadeira carreira estava começando ali."

O excerto de memória, narrado com entusiasmo, é de um dos engenheiros da equipe da EiTV. Para ele, foi necessário interromper a sequência de elogios a qual estava acostumado desde o vestibular, para se aproximar do mundo real: "A frase que mais ouvíamos do Rodrigo era 'o Cliente é a nossa verdade!' Exige-se muita humildade para entender isso."

Uma empresa que não nasceu no papel do cartório, nem no dia da inauguração. Os 10 anos que a EiTV está comemorando em 2015 trata-se de mera referência. O contexto da situação descrita pelo engenheiro da casa era muito desafiante. A TV digital ainda era um experimento no Brasil e as grandes redes de TV resolveram se abrir para parcerias com empresas nacionais de tecnologia. Elas sabiam que a total dependência da tecnologia japonesa seria demasiado arriscado, além de muito cara. Na área, só existiam algumas micro empresas, recém encubadas, com a responsabilidade de atender redes com faturamento mensal na casa dos milhões de dólares.

Os desdobramentos dessa história trazem lições marcantes. O segundo capítulo foi resumido assim pelo engenheiro: "No mesmo dia fui pessoalmente à sede da emissora, com muita humildade, mas confiante, com a cabeça erguida."

ALIENÍGENAS PORÉM, PRESTATIVOS E INTERESSADOS


Para cada um dos profissionais integrados à missão da EiTV, ela nasceu em uma data diferente. É quando a empresa deixa de ser mera empregadora e passa a ser um empreendimento pessoal, uma causa própria. Tem uma escolha aí, que pode acontecer ou não, sempre num momento diferente para cada profissional. Precisa de um fato especial, uma situação de desafio, para que o profissional sinta definitivamente a empresa como a equipe que vai lutar ao lado dele. E então aceite que uma nova parte dele mesmo acabou de nascer.

À época dos fatos a EiTV estava lançando o PLAYOUT, principal equipamento da empresa no mercado. Ele foi criado a partir de pesquisas que começaram lá nos tempos de universidade. E passaria a atender uma necessidade que as emissoras analógicas não tinham. Pelos relatos da equipe de engenharia, lidar com aquelas grandes redes era muito delicado. Elas faziam parte de uma ilha tecnológica um tanto fechada. Os engenheiros mais antigos tinham uma grande desconfiança de qualquer colega que não tivesse experiência em televisão. Então começa a aparecer aquela "molecada", recém saída da universidade, pra mexer em tudo dentro daquele "templo eletrônico", diante de seus fiéis. "A gente respeitava aquela posição meio possessiva dos mais antigos. Afinal, não era mero preconceito, eles precisavam zelar muito por aquilo, porque a responsabilidade dentro de uma emissora é imensa. Eles só aceitaram porque também estavam começando do zero em TV Digital." Mais uma imagem impregnada na memória de um dos nossos engenheiros.

A PRIMEIRA LIDERANÇA A GENTE NUNCA ESQUECE


O PLAYOUT nasceu do sonho da interatividade na TV Digital. Um sonho que está no nome da EiTV - Entretenimento e Interatividade para TV Digital. Pelas outras funcionalidades do equipamento, ele passou a ser uma necessidade das emissoras. A regra era importar, pagar um preço alto, enfrentar burocracia, cuidados logísticos para o equipamento e rezar para não precisar de alguma manutenção. A alternativa era pagar menos da metade por um equipamento nacional, quase pronta entrega e contar com o suporte "da molecada" - dito com carinho. Deu certo! Hoje, aqueles "moleques" tem um outro status nas emissoras, viraram gente grande quando o assunto é TV.

A dependência de lado a lado era tão grande que, no começo, a EiTV não atuava em nenhum esforço de vendas. "A qualidade do atendimento convenceu antes da qualidade do equipamento", lembram os engenheiros. Porque na medida que a TV Digital entrava na rotina das emissoras, eram percebidas novas necessidades. E o empenho da equipe da EiTV era ouvir o cliente, compreender exatamente a nova necessidade e implementá-la no equipamento. Por isso mereceu as indicações do próprio cliente e, no boca a boca, chegou à liderança absoluta no mercado. Hoje, uma equipe de vendas estruturada, sustenta o primeiro lugar com consistência.

Atualmente são mais de 300 equipamentos em cerca de 200 emissoras de TV. "Hoje, com tudo que aprendemos sobre televisão, podemos dizer que o PLAYOUT é um equipamento pronto e acabado. Não falta nada. Só sabemos disso porque, a cada dia, procuramos mais alguma funcionalidade que possa ser agregada. E, por enquanto, encontramos todas lá", garante a equipe da EiTV.

Ah, estava faltando o final da bronca do engenheiro da grande rede! "As observações dele serviram para iniciar o principal upgrade do PLAYOUT. A rede onde ele trabalha ampliou as compras de produtos da EiTV e indicou para dezenas de afiliadas, que hoje também são nossas clientes. Vira e mexe, um de nossos engenheiros toma um café com ele, troca informações importantes...... e boas piadas."

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O SONHO DE UMA STARTUP


"Você pode não ter nem dinheiro, seu tempo é mínimo, a pressão é máxima. Mas se tem paixão, você realiza." Para chegar a esta explicação Rodrigo Araújo, Diretor da EiTV, começa contando sobre um computador que apareceu na casa de um tio, quando era adolescente. Os programas carregavam com fita cassete, era um processo demorado e nem sempre rodava: "Dava pau direto. Mas quando carregava, aparecia aquela tela, era uma alegria inexplicável! Não pelo joguinho, que na época nem chamava videogame. Era aquela máquina que respondia, que parecia ter vontade própria, que poderia se transformar completamente, desde que usasse um código que ela entendesse. O computador era quase um objeto de culto para mim."

Esse foi o combustível que moveu a EiTV - Entretenimento e Interatividade para TV Digital - nessa breve história de 10 anos. Hoje tem centenas de clientes em quase 10 países, fornece para todas as grandes redes de TV brasileiras, 5 premiações da Finep por inovação, alguns lançamentos pioneiros, líder num segmento do mercado, parcerias internacionais para inovação... Mas não é só paixão. Tem também o "lado mascate", afirma Araújo: "Tive boas oportunidades para trabalhar em grandes empresas. Acontece que eu gosto daquele contato com o "freguês", dito da maneira mais carinhosa. Você não lida só com necessidades das pessoas, mas também com desejos, pensa como tornar mais simples o uso daquilo que você entrega, cada detalhe é essencial."

Até aí a conversa parecia bem convencional, tudo se encaixava, mas veio a advertência: "Essa fórmula clássica de sucesso hoje é também o exato caminho para o fracasso. Há um segredo aí. Pouca gente se deu conta, mas todo mundo tem provas públicas do que eu estou dizendo."

O PESADELO DE UM GRANDE SUCESSO


De fato, teve um tempo que, quando se falava em tecnologia, ninguém lembraria de uma marca mais reluzente do que IBM. Foi justamente no período em que a empresa entrou na maior de suas crises. O melhor e mais rentável negócio dos últimos 20 anos - o telefone celular - já não está mais na mão dos empreendedores que o colocaram no mercado, através da Motorola. Detalhe presente nos dois casos: o revés da IBM foi ela própria quem criou. A arquitetura PC, de 16 bits, saiu da lata do lixo da empresa, que não imaginava para que serviria aquilo. A concorrência descobriu. A Motorola se viu nas nuvens porque pensou que tinha inventado o telefone mais prático do mundo e, na verdade, tinha muitas outras mensagens mais importantes esperando por aquele aparelho. Enriqueceu mais quem entendeu, e atendeu às mensagens. Muitas outras grandes empresas que não souberam acompanhar o bonde da inovação, tiveram destinos bem piores.

E então, onde está o segredo entre o fracasso e o sucesso para quem usa a fórmula clássica da empresa vencedora: "Para mim está no tempo de comemoração", afirma Araújo. "Os ciclos de inovação são cada vez mais curtos. Depois de constatado o sucesso de um produto seu, você tem que ser o primeiro a se empenhar no lançamento do produto que vai concorrer e até desbancar o seu mais recente sucesso. Ficar comemorando é mais do que perder tempo, é fechar os olhos para a realidade e perder a linha do tempo do seu negócio", conclui. Ou seja, se "engolir o concorrente" era, para alguns, a meta para se manter no mercado, as chances agora são de quem consegue manter a humildade, sem bancar o invencível, para se tornar o seu próprio concorrente.

AINDA BEM QUE SEMPRE FOI ASSIM


Afinal, essa sina de concorrente nunca acaba? "Não", é a pronta resposta de Araújo para quem pensa em empreender acreditando numa estabilidade. "A inovação é a única alternativa para o crescimento econômico, para o bem estar social. Em breve, todos os setores empresariais estarão vivendo o mesmo ritmo de inovação que hoje se vê nas empresas de tecnologia." Para ele, isso não tem nada de trágico ou escravizante. Basta olhar para a missão com seriedade: "Assim como num treinamento esportivo, os resultados só aparecem quando você respeita os períodos de relaxamento, de descanso. Fazem parte do treinamento, porque somos humanos e não máquinas. Quem não quer encarar esse ritmo deve procurar alternativas no mercado de trabalho, onde a instabilidade é de outra natureza".

Depois de ter participado da fundação de três startups de tecnologia - todas com sucesso, ele garante - Araújo diz ter encontrado na EiTV o que buscava como negócio dos seus sonhos. "Quando eu comecei a trabalhar com e-learning no Brasil as plataformas de ensino à distância, via Internet, eram uma novidade. Sempre fui apaixonado pela educação, pelo compartilhamento do conhecimento. Então eu vi essa oportunidade através da TV digital e percebi que seria ali onde eu iria me realizar."

Mas que sentido faz trabalhar tanto, se não existe um horizonte para estabilizar e olhar as coisas de longe, de bermuda e chinelos, sem precisar pegar no pesado todo dia? "Essa foi uma ilusão vendida por muito tempo, mas que nunca foi real. O coração descansa sem parar de trabalhar e ninguém quer que seja diferente", diz em tom de piada. E finaliza: "Eu não criei uma empresa pra que ela se tornasse algo sagrado, mais importante do que gente. Pelo contrário, o ser humano é a razão de todas as coisas. A empresa é a minha maneira de conviver com as pessoas, interagir com elas, retribuir um pouco do que a sociedade traz pra todo mundo. Nas próximas cinco semanas, o blog vai trazer um pouco da história da EiTV, onde se vê muito da história de pessoas. Coisas que nem eu imaginava. Profissionais que trouxeram um projeto de vida pra cá. A gente convive aqui todo dia, temos sonhos em comum. Isso é uma empresa, a extensão da vida de muita gente. Só isso. Ou melhor, tudo isso!!"