O GRANDE BARATO ESTÁ NA QUALIDADE


Com certeza tem uma explicação. O Brasil é a maior praça de TV aberta do mundo. Explicar essa liderança indiscutível – nenhum outro país jamais chegou próximo do sucesso da nossa TV aberta – passa por motivos associados à qualidade dessa TV. Algo que, nos outros países, só foi possível com a TV paga, que trazia mais opções, principalmente importadas.

Desde os tempos da TV Tupi, do grupo Diários Associados, passando pela TV Record, de Paulo Machado de Carvalho, até TV Globo, Manchete, SBT,... a marca da TV brasileira sempre foi a qualidade. Na época da grande ascensão da mídia o Brasil passava pelo “milagre”, período de intensa industrialização e entrada de capitais. Pouco antes, a criação de Brasília deu início a um longo processo de interiorização, atraindo mais infraestrutura para diversas regiões. A população crescia, a renda per capta muito mais, precisava de muita propaganda para vender tanta coisa nova. Taí o sucesso da TV aberta.


A necessidade de integrar o país pelas telecomunicações, o potencial notável de crescimento econômico do Brasil, tudo favoreceu o veículo que não abria mão de investir mais e mais. Quer dizer, dentro da explicação do sucesso da TV aberta brasileira, existem vários motivos muito bem combinados. Porém, se não tivesse tanta qualidade, não se sustentaria diante da concorrência das TVs pagas. A máxima de que “de graça tudo é bem vindo” nunca valeu para todos.


Esse modelo de negócio, em que os anunciantes pagam a TV e a programação roda livre para o público, foi adotado com sucesso também na Internet. Se o conteúdo do Google fosse cobrado, você pagaria? E se a Wikipedia fosse paga? Pois é, agora ninguém menos que a Netflix que vai testar a solução. Ou quase isso, pretende ter uma alternativa mais barata de assinatura, com anúncios incluídos. Uma parceria estaria sendo estudada para contar com uma tecnologia específica para inclusão de anúncios em streaming, de acordo com o perfil de cada assinante. O site Digital TV Europe divulgou informações sobre uma disputa entre a NBC-Universal e o Google para conseguir a parceria com a Netflix.


A FreeWheel, unidade de anúncios da Comcast, ofereceria a tecnologia, caso a NBC, também do mesmo grupo, for escolhida pela Netflix. Se for o Google, a tecnologia para os anúncios já é bem desenvolvida, mesmo no segmento de streaming. A empresa tem uma parceria com a Disney funcionando nas plataformas Hulu e Disney+. Nesse caso, os anúncios são na modalidade DTC – direct to consumer, que permite ao consumidor fazer a compra diretamente a partir do anúncio. Os dois grupos tiveram seus nomes selecionados em estudos contratados pela Netflix e, de acordo com o Wall Street Journal, nos dois casos, só interessaria a exclusividade.


Essa movimentação da Netflix se aqueceu depois de, no primeiro trimestre deste ano, a empresa ter sentido a primeira queda de assinantes ao longo de sua breve história, de 10 anos. Foi o tempo que ela precisou para, praticamente, construir outra Hollywood. Sinal de que, no quesito principal – qualidade das produções – ela tem sido eficiente. A questão da qualidade em vídeo é crucial. Aliás, no entretenimento, o “mais ou menos” é muito menos. Você pode passar um ano com um carro standard resolvendo sua necessidade de transporte. Mas, na hora que você quer transportar sua mente para outra realidade, precisa ser bem longe da realidade concreta.


Em recente entrevista para Lucas Pasin, do UOL, Jaime Monjardim, Diretor de novelas e séries da TV Globo, disse que a TV aberta não sobreviverá sem superproduções. Para ele, a grande ameaça é o streaming. De fato, a explosão de oferta de vídeo depois da Netflix, colocou muita qualidade nesse tipo de entretenimento. Quem não conseguir se nivelar, corre sério risco.


Ao lado da qualidade, outra variável importante na escolha para veiculação de publicidade, é o potencial de memorização. O site TelaViva divulgou alguns números de pesquisa realizada pela Rakuten Advertising em nível mundial. Em média, 60% dos espectadores lembram corretamente de um anúncio 24 horas após vê-lo na TV conectada. Nos Estados Unidos são 36%. No Reino Unido, França e Alemanha o percentual fica entre 54% e 56%. Na Itália sobe para 66%, e chega a 70% na Espanha. No Brasil? Mais uma “liderança”, o percentual de memorização é de 81%. Sem dúvida, um fator significativo também para o sucesso da TV aberta por aqui.

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