TV, ESSA ESTRANHA EM NOSSAS CASAS

 


Imagens em movimento foram exibidas publicamente pela primeira vez em 1895, em Paris. Passou para a história como a primeira exibição de cinema e foi realizada pelos irmãos Auguste e Louis Lumière. Na verdade, o que nascia ali era a tecnologia que mais tarde deu origem ao cinema. Os 20 minutos da sessão mostravam apenas operários saindo de uma fábrica e um trem chegando a uma estação. Está mais para reality show. Decerto, os irmãos ainda não sabiam o que fazer com aquilo.


Assim como a música encontrou a letra, algum dia as câmeras encontraram a dramaturgia. Essa composição foi se sofisticando até chegar ao audiovisual, um sucesso que conseguiu uma máquina só pra ele. Em 1936 surgiu a televisão, para o televisor, com a programação da BBC de Londres. Décadas mais tarde o vídeo tape popularizou mais ainda o audiovisual, sempre assimilando novas tecnologias. Hoje o nome comercial disso tudo é vídeo. No formato digital ganhou o melhor padrão de qualidade de todos os detalhes e, mesmo assim, fica cada vez melhor. Vídeo é um produto de altíssimo consumo, e é difícil saber quanto mais o mercado pode absorver.


Se o povo quer vídeo a questão passa a ser por onde esse vídeo vai ser consumido. O Kantar IBOPE Media conseguiu boas respostas para essa questão e se valeu da oportunidade para falar das novas tecnologias para essas medições. Lembram da fase “o que vai acabar”? No começo, achavam que seria a TV aberta, mais recentemente foi a TV por assinatura que balançou. Aos poucos essas apostas vão perdendo interesse e as pessoas mostram que estão cercadas de vídeos por todos os lados. Nada que reproduza vídeos tende a acabar, mais provável aparecerem mais gadgets para esse fim. A grande questão passa a ser quais as plataformas mais acessadas. Quem assiste ao quê, de onde e por onde. Dados que servem para orientar até na precificação do espaço publicitário, não mais para previsões do fim disso ou daquilo. 


A tecnologia de medição de audiência anunciada pelo Kantar IBOPE é o “painel 2.0”, baseado em duas fontes de dados. O Focal Meter, instalado no roteador, para medir o tráfego de Internet e o Peoplemeter DIB 6, identificador dos canais de TV. No mês passado o painel 2.0 apurou, dentre outros dados, que o consumo de vídeo nos lares acontece pela TV linear em 79% dos casos. Os outros 21% são consumidos por streaming. Em meio a tantas novas denominações é importante ter muita atenção para o quê os dados apontam. A TV linear é aquela que tem uma programação pré-definida numa grade, que se apresenta para a audiência de uma única forma ao longo do tempo. É o caso dos canais, tanto nas TVs abertas como por assinatura. No streaming cada um escolhe o que quer ver, a qualquer hora. É importante considerar que, além do vídeo, o televisor hoje é muito usado para games. Os dados do painel 2.0 são sobre o tempo que os televisores funcionam reproduzindo vídeos. O tempo médio “em frente à tela” apurado no ano passado foi de 5 horas e 37 minutos por dia.


Esse sucesso da TV linear confirma uma audiência com perfil mais passivo. Já que os canais estudam tanto as preferências do público, melhor deixar que eles se virem para prepararem vídeos interessantes. Na hora que o telespectador reservou, ele se acomoda no sofá e click. As chances de agradar parecem boas, uma vez que 79% do tempo de consumo de vídeo acontece assim. O público escolhe a TV linear (aberta ou paga) porque considera a programação “ampla, variada e de credibilidade”. Esse último item aparece por conta do Jornalismo. A cada 4 horas assistindo à TV, em média, uma hora é do Jornalismo (25%). Em segundo lugar vem as novelas, com 18%, depois os programas de auditório (9%) e realities shows (4%). Os realities são o formato que mais tem crescido, tanto na TV linear quanto no streaming. Daqui a pouco vão dizer que os irmãos Lumière foram também visionários, que desde o começo perceberam que vídeo era uma ferramenta para observar a vida das pessoas. Será?? A certeza quanto a esse formato é que as grandes marcas investem pesadamente nele. São um espaço que favorece muito o branded content, um tipo de publicidade onde o anunciante cria o conteúdo. Como as provas a que os participantes são submetidos, envolvendo produtos de marcas.


A TV já tem mais de 80 anos e só as tecnologias de medição mais recentes estão permitindo conhecê-la melhor. A quantidade de novos formatos que surgiu nos últimos 20 anos está mostrando que, além da tecnologia, que define qualidade de som e imagem, a criatividade do conteúdo e as novas formas de envolver a audiência, fazem toda diferença. 

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