O MERCADO DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO NO BRASIL


A cada televisor vendido no Brasil, quatro celulares também entram no mercado nacional. Como seria essa proporção nos Estados Unidos? Esses são alguns dos dados curiosos – e reveladores – da 32a. pesquisa anual da FGVcia, divulgada em meados deste mês. Ela traz dados sobre o mercado de TI e o uso dessas tecnologias nas empresas privadas. O trabalho é realizado pelo Centro de Tecnologia da informação Aplicada da Fundação Getúlio Vargas – EAESP.

Números explicam aquilo que muitas letras não conseguiriam. Pela primeira vez, em 32 anos dessa pesquisa, “dispositivos digitais” estão relacionados como desktops, tablets, notebooks (computadores) e smartphones. Em alguns casos eles são comparados com outros aparelhos, como os televisores. Ao todo, em 2020 o Brasil atingiu cerca de 440 milhões desses dispositivos, uma média de dois aparelhos para cada habitante. É fácil perceber que os ditos computadores estão mais relacionados a trabalho e estudos, embora sejam também plataformas para jogos, filmes e redes sociais. Os smartphones, que abarcam todos esses usos, parece que costumam ser mais usados para entretenimento e aquele tipo particular de sociabilidade das redes sociais.

Comparando caso a caso o celular fica com mais da metade do total de dispositivos digitais no Brasil. A estimativa é de que 242 milhões de smartphones estejam funcionando por aqui neste primeiro semestre de 2021. Quanto aos computadores (desktops, notebooks, tablets) devem somar 200 milhões até o final deste ano. Na média, 94 para cada 100 habitantes.

Nesse segundo caso, quem está contribuindo para o aumento da média são principalmente as empresas. O coordenador da pesquisa, Prof. Fernando Meirelles, considera que a transformação digital está acontecendo de forma intensa no Brasil. No ano de 2020, mesmo com uma queda de 4% do PIB, as empresas investiram 8,2% do faturamento em TI, ou R$ 6 bilhões. Para ele, “a tecnologia virou sobrevivência”, lembrando que o universo considerado na pesquisa foram as médias e grandes empresas privadas. Dentre elas, estão dois terços das 500 maiores empresas instaladas aqui. As empresas estão utilizando essas tecnologias principalmente para analisar dados que expliquem melhor o comportamento do conjunto do mercado, cada uma em seu segmento. Entre essas ferramentas de análise (Analytics) está o CRM, usado na gestão e controle das operações de vendas. Em seguida, os investimentos foram para o novo ERP, também uma ferramenta de gestão. Nesse caso, focada na administração da empresa em si. Nas grandes empresas os investimentos em TI vão na direção de novos talentos, na governança de TI – possivelmente influenciadas pela LGPD, a lei geral de proteção de dados – inteligência artificial (AI), Internet das Coisas (IoT) e computação em nuvem (cloud computing).

É em um desses investimentos mais importantes onde uma empresa brasileira entra numa dividida corajosa com uma gigante internacional. No segmento de ERP, a Totvs tem participação de 33% do mercado, dividindo o primeiro lugar com a SAP alemã, líder global, com os mesmos 33% no Brasil. A Totvs prevalece entre as médias e a SAP é a preferida entre as grandes empresas. Ainda sobre ERP o coordenador da pesquisa lembra que esse cenário está sendo completamente redesenhado pela computação em nuvem.

Outra líder mundial teve mais sorte por aqui. A Microsoft chegou a 77% da base instalada de sistemas operacionais nos servidores de empresas. As implementações open source, também conhecidas como software livre, cresceram durante um tempo, mas agora estão perdendo espaço. Quase todas desenvolvidas a partir da plataforma Linux, representam também uma alternativa “democrática” em contraposição ao domínio da Microsoft. Nas plataformas domésticas o Windows fica com 97% da preferência no Brasil. Fernando Meirelles explica que, hoje em dia "os custos são iguais sem a discussão ideológica. Se há redução no custo da licença, há outros custos. O gasto com o software livre é o mesmo do software privado".

Sobre aquela pergunta comparativa com os Estados Unidos, a proporção de celulares por televisores é a mesma aqui e lá. Porém, no caso de computadores, a proporção em relação aos celulares nas terras do Tio Sam é de 1 para cada dois smartphones. Um indicador de que produção e pesquisa por lá contam com mais recursos de TI. Nada surpreendente.

Ao observar as curvas de gráficos da pesquisa ao longo desses 32 anos percebe-se alguns momentos com taxas de crescimento mais elevadas porém, o que pode acontecer a partir dos próximos anos é imprevisível. Com o 5G nas conexões móveis e o avanço de novas tecnologias disruptivas, como realidade aumentada, inteligência artificial, internet das coisas e o padrão de produção 4.0 nas indústrias, a expectativa é de que, em 10 anos, o mundo seja outro.

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