O NOVO NORMAL PARA A SUA TV



Imagine um televisor capaz de curar a covid-19. ( ... ) Claro que você não conseguiu, é muito absurdo, até para imaginações alteradas. Mas deve ter lembrado de quantas vezes já ouviu falar em televisores poderosos, que viriam a partir da implantação da TV digital. Aparelhos que, além da novela, do futebol, permitiriam pagar contas em banco, agendar consultas médicas, matricular os filhos na escola e até fazer compras.


A verdade é que a tecnologia para que tudo isso acontecesse estava pronta (agora pode acreditar!). Só não vingou porque não houve nenhum interesse comercial associado. As grandes fabricantes mundiais queriam integrar tablets e celulares ao hábito de ver TV, as emissoras entraram na onda da “segunda tela”, desenvolvedores investiam em aplicativos para outros meios. E assim, o sonho de uma TV inclusiva, com capacidade de levar até cursos rápidos em vídeo aos mais carentes, ficou ali, num canto, como um troféu conquistado por w.o..


Talvez a explicação mais clara para o que estava acontecendo seja a disputa entre o broadcast – o conteúdo de televisão, e o broadband – o conteúdo que chega pela banda larga de Internet. O desafio era conquistar a tela histórica, aquela que impera na sala dos lares de tantas famílias, ao longo de gerações. Essa batalha teve várias reviravoltas, passando pela investida da TV a cabo, a chegada do streaming, o lançamento da smartTV. O que agora faz pensar que essa disputa está encerrada é o surgimento da melhor tecnologia de integração broadcast e broadband. O nome comercial da geringonça é TV 2.5. E o “conjunto probatório” de fatores que a consolidam vai do Diário Oficial da União aos aplicativos produzidos empresarialmente. Ah, não cura covid-19, hein!


O mago dessa transformação, mais uma vez, é o bom e velho Ginga, o middleware 100% brasileiro, reconhecido internacionalmente como o melhor do mundo. Agora, em seu perfil D, o Ginga vai rodar pelo mercado com o nome DTV Play. Para quem não está acostumado, um middleware é uma camada de software que, uma vez instalada, permite agregar novas aplicações. Grosso modo, pode ser comparado a um benjamin, aquele que vai na tomada. Imagine uma sala com vários aparelhos eletrônicos e uma única tomada. Qual aparelho você vai ligar? Opa, aparece um benjamin, só plugar na tomada e pronto, liga a TV, o ventilador e ainda bota o celular pra carregar. O perfil D do Ginga, além de todas aquelas antigas funcionalidades, agregou o broadband ao sistema. Uma integração muito ampla. Por exemplo, uma pessoa está assistindo a uma novela em full HD. O aplicativo do Ginga avalia a largura da banda de Internet, a memória disponível, a tecnologia da tela e então manda uma mensagem: “Você quer assistir em 4K?” Se o telespectador quiser, ele aperta um botão e começa a receber a novela pelo streaming, em 4K, podendo ter HDR, som imersivo e outros recursos de ponta.


Em outro exemplo, o telespectador avisa que quer assistir ao jogo de futebol que vai começar mais tarde. Na programação da TV a novela está no ar, mas o que está na tela é um filme, chegando pelo streaming. Na hora em que começa o futebol aparece uma mensagem na tela e o telespectador decide se vai querer continuar assistindo ao filme ou se vai passar para o futebol. Tudo por um só controle remoto, ao toque de um único botão. A criatividade dos desenvolvedores Ginga está em busca de novas e surpreendentes aplicações.


Do Diário Oficial da União, na última terça-feira, veio a publicação do novo PPB – processo produtivo básico, para televisores com tela de cristal líquido, fabricados na Zona Franca de Manaus. São requisitos que os fabricantes devem cumprir para receberem os benefícios fiscais. Em 2021, 30% da produção de smartTVs devem sair de Manaus com o DTV Play. Em 2022 vai para 60% e 90%, no mínimo, a partir de 2023. Por outro lado, a Rede Globo já tem aplicativos Ginga prontos para rodarem nos novos modelos. Isso não tinha acontecido em nenhuma fase anterior do Ginga.


Além desses sinais concretos da convergência tecnológica – e também comercial – a TV 2.5 traz uma resposta à altura do maior desafio que o modelo de negócios da TV aberta já enfrentou. É o target advertisement, sistema de inserções comerciais direcionadas ao alvo específico de cada anúncio. Esse sistema, que já funciona na Internet, utiliza um mesmo espaço da tela para publicar anúncios diferentes, voltados a grupos específicos. Por exemplo, enquanto o anúncio de um tênis aparece nas páginas de internautas que praticam esportes, um outro anúncio, sobre planos de saúde, estará no mesmo espaço da tela, do mesmo site, para internautas idosos. Os anúncios ficam mais eficientes e mais baratos para os anunciantes. E a receita da mídia aumenta, porque o número de anunciantes e o espaço para publicidade se multiplicam.


Esse sistema drenou os lucros das emissoras de TV para a Internet. A partir da TV 2.5 ele passa a ser viável também para as emissoras. O imperativo de sobrevivência deve ser o principal efeito propulsor dessa nova tecnologia no Brasil.

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