AS VÁRIAS FACES DA TECNOLOGIA DE CONSUMO





Lá na frente o Consultor, com os olhos arregalados, os dois braços unidos na frente do peito, flexionados como quem malha o bíceps; em cada uma das mãos, as pontas dos dedos estão unidas; o tom de voz está alterado e ele fala sílaba por sílaba: “-Imagine você indo para a sua casa e, antes que você chegue, as luzes da frente e dos cômodos da entrada se acendem; o ar condicionado liga na temperatura da sua preferência e o boyler começa a esquentar a água para o seu banho. Imagine só! Isso é o máximo!”

Você até franze a testa para não deixar o cara sem jeito, mas por dentro está pensando: “-Grande coisa! Eu não sou tão preguiçoso assim.” Naquele ambiente sério, na sala de reuniões da empresa, rola até uma piadinha na sua cabeça: “-Na casa do Tony, o Ricardão já pula pela janela. Kkkkkk.” Mas, se você trabalha com hotelaria, isso vai representar uma grande reflexão para o dia seguinte.

Hotel é o lugar onde precisa ter tudo de bom que existe na sua casa e na casa dos seus amigos cheios da grana. Tem que ter ainda o conforto dos personagens ricos das séries e novelas, e mais um pouco ainda. Afinal, é para o hotel que nos mandam, quando precisam tirar a gente do conforto do lar. Tem quem goste, mas uma parcela significativa odeia. Mesmo quando a viagem é de férias, quando um cunhado fez a cabeça da irmã – sua esposa – para reunir a família no fim de ano. No pacote, o destino que ele sonhou, mas vai rachar a conta com você.

Como faz muito tempo que o setor hoteleiro entendeu isso e investiu muito, para a maioria das pessoas, hotel é tudo de bom. Como tecnologia, que também é tudo de bom. Mesmo quando a tecnologia inventa um Airbnb da vida. As grandes redes sabem que precisam oferecer algo mais do que a concorrência, tanto dentro do setor hoteleiro, como fora dele. Em recente publicação, o site ComputerWorld conversou com especialistas de grandes redes hoteleiras sobre algumas tendências tecnológicas para os hotéis. Entre os cases estão marcas como Hilton, Marriot, Ruby Collection, Starwoods.

As mudanças começam do começo. O check in não precisa mais acontecer naqueles enormes lobbies, sobre balcões charmosos de madeira ou mármore. São feitos em quiosques, pelos próprios hóspedes, como nos aeroportos. Os aposentos disponíveis podem ser escolhidos na tela. No Hilton, por exemplo, o check in pode ser pelo smartphone e o hóspede pode personalizar sua estadia, escolhendo as comodidades de sua preferência. Também em outras redes, nas unidades de alguns países, a bagagem é transportada por um robô. Que não fica esperando sua gorjeta na porta.

Acesso ao elevador já acontece por reconhecimento facial e a porta do apartamento abre pelo sinal do celular, quando você se aproxima. A temperatura e as luzes do ambiente, você também já escolheu no check in.

Muito bem, você já está dentro do quarto e os comandos acontecem por um toque num tablet ou até por voz. Tem comando para abrir ou fechar a cortina, ligar a TV, pedir informações sobre a academia ou cozinha. Se quiser uma toalha extra, por exemplo, o robô volta para traze-la. E pensar que algum dia você se sentiu escravo da tecnologia porque não conseguia ficar sem o controle remoto da TV...

Ah, a conexão, mais uma vez, a conexão ganha mais importância. O televisor é importante, mas o conteúdo, muito mais. O hóspede tem os canais de sua preferência, mas também os serviços prediletos de streaming, ou mesmo podcasts. É a oportunidade de faze-lo se sentir em casa, já que o modelo do colchão, o travesseiro e o tempero de comida, dificilmente vão bater com o que o hotel oferece.

É nesse ponto que cabe citar um case de sucesso, voltado para o capítulo da concorrência. Essas tecnologias são caras e, originalmente, projetadas para atender demandas pessoais, num contexto doméstico. É quando um outro lado da tecnologia tem de entrar em campo. O da eficiência, da reorganização dos recursos, por meio de projetos impregnados de inteligência e muita experiência profissional. A EiTV, então, aparece na cena.

A experiência, no caso, veio de um sistema que a EiTV desenvolveu para as Olimpíadas Rio 2016, ao lado de uma das maiores fabricantes de equipamentos audiovisuais do mundo. O sistema distribui sinal de TV – aberta ou a cabo – em muitas telas independentes. O usuário de cada tela pode escolher o canal que quiser, sem precisar de um set-top box no local. Para os hotéis, o custo de manutenção é muito menor. A conversão do sistema atual para o sistema da EiTV pode ser feita utilizando o mesmo cabeamento de RF que já está instalado no hotel. Esse é o lado da tecnologia que nunca pode ser esquecido: mais eficiência com menor custo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

COQUELUCHES DA TECNOLOGIA

GUERRA FRIA 2.0

O SILÊNCIO INOPORTUNO