sexta-feira, 25 de outubro de 2019

INTIMIDADE AUMENTADA E REALIDADE ALCANÇADA



Do que você mais precisa quando quer mudar as atitudes de uma pessoa para melhor? Ah, que bom seria se alguém tivesse essa resposta! Mas pelo menos algumas ferramentas, certamente, fazem parte de qualquer “oficina” de comportamento.

A vontade daquela pessoa é a primeira coisa a ser considerada. Ela precisa aceitar que deve mudar, se quer atingir algo que já tentou, mas não conseguiu alcançar. É a aceitação que abre caminho para os novos conhecimentos que a pessoa vai precisar. Outro ponto importante está na fonte desse conhecimento. Alguém com muito preparo, que possa estar sempre próximo, para gerar confiança e empatia.

Eis aí uma das condições que mais limita essas mudanças. Quem tem tempo suficiente para estar presente para tantas pessoas, espalhadas por muitos lugares diferentes, distantes entre si? Pode até não ser indispensável, mas a proximidade, ou até a intimidade, são fatores poderosos quando se quer inspirar mudanças.

Atitude, mudança, aceitação, preparo, empatia, intimidade. Falando assim nem parece que estamos tratando também de um aplicativo. Isso mesmo, um app. Mas é melhor ir se acostumando, refazer conceitos, porque essa intimidade toda, cada vez mais, vai fazer parte da nossa relação com as máquinas. Em tempos que tanto se fala em inteligência artificial, já se pode falar também em sentimentos online.

Muito mais do que a antiga conversa por telefone com a namorada, sentimento online é uma experiência enriquecedora, onde o tráfego de ideias, o entrosamento interpessoal, acontecem quase como num contato presencial.

Eugênio Martins, do Grupo João Bosco, é um especialista em fazer pessoas bem-sucedidas. Jornalista, Publicitário, Executivo do Grupo e palestrante, ele tem 20 anos de experiência em aproximar potencialidades de atitudes concretas. E garante que isso pode acontecer mesmo numa distância de muitos fusos horários. Mas, nesse caso, vai depender de uma ferramenta muito especial.

O tipo de negócio que ele desenvolveu junto à sua equipe é baseado em palestras personalizadas. Desde o início das atividades todas as palestras foram precedidas de uma conversa pessoal com cada gestor, para um aprendizado sobre a realidade profissional na qual determinado grupo está inserido. É dessa forma que o grupo vem conseguindo aumentar o número de profissionais mais comprometidos com as empresas onde trabalham, mais criativos, capazes de oferecer mais do que se esperava deles quando contratados. Para isso, usa-se de uma certa intimidade funcional.

A partir da empatia, da proximidade, criam-se as condições para um diálogo mais aberto, envolvendo todas as dimensões daquela individualidade. Além do profissional, ali também está o pai – ou a mãe – o cônjuge, o cidadão/cidadã, o ser humano como um todo. Indissociáveis, todos eles vão trabalhar em favor das metas da empresa.

Foi tudo isso que ele conseguiu “embarcar” na plataforma de cursos da EiTV. Por meio do celular, do tablet ou do computador, o app “Grupo João Bosco – EAD” de acesso público – recebe mensagens audiovisuais direcionadas a partir da plataforma EiTV CLOUD. É lá, na nuvem, por onde é feito todo o gerenciamento da entrega de cada conteúdo. Onde ficam registrados os dados referentes ao horário de entrega, o ambiente, algumas reações do cliente, tempo de exposição, eventuais compartilhamentos... são muitas as possibilidades disponíveis e outras tantas podem ser desenvolvidas, para atender da melhor forma aos objetivos pretendidos.

Para Martins, esse foi um dos pontos fortes na implantação da plataforma: houve muita interação entre os engenheiros da EiTV e a equipe do Grupo João Bosco, até que todas as possibilidades estivessem disponíveis para o atendimento de todas as necessidades. A plataforma EiTV CLOUD não é um produto fechado. Pelo contrário, é um recurso a ser customizado junto a cada cliente.

Por isso é possível conseguir tanta aproximação com empresas, com colaboradores dessas empresas e estabelecer uma “intimidade aumentada”. A realidade de cada um dos atendidos consegue um trânsito preferencial, mesmo a longas distâncias no espaço e no tempo.

O Grupo João Bosco tem um compromisso muito forte com seus clientes e profissionais atendidos. Uma relação baseada na sinceridade e na confiança, capaz de abrir corações e mentes para novas descobertas. Colocar bits nesse relacionamento foi um grande desafio. Agora, depois de dois anos de sucesso, ficou claro que as ferramentas digitais podem ser harmonizadas com o comportamento humano. E que o calor da intimidade pode ser compreendido por um bom algoritmo.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

SEDUÇÃO E ABANDONO NA HISTÓRIA DO 5G



O que é um sujeito descolado? Já tem definição até nos dicionários da língua culta, cada turma tira ou acrescenta alguma coisa, mas o descolado raiz, com certeza, usa certas palavras ou expressões: resgatar, inclusão, fake news, viralizar, 5G, ... Sim, quem não fala em 5G corre o risco de ser classificado como ogro.

Quase ninguém sabe exatamente o que é a quinta geração da conexão móvel, mas o assunto rende. É certo que será a Internet mais rápida que já existiu, mesmo sem fio. E que isso pode mudar muito a indústria atual, vai permitir inventar muitos novos negócios. Uma panaceia, daquelas tipo “quem não tiver estará fora de condições para competir” (inclusive nos videogames).

Por isso tudo, aqui no Brasil a meta era leiloar as frequências ainda este ano, para que em março do ano que vem já fosse oferecida comercialmente ao público. Era a meta. Em agosto a Anatel concluiu que as TVs por antena parabólica (TVRO), espalhadas por todo o Brasil, vão sofrer interferência. Então, primeiro precisa resolver o problema da interferência, para depois implantar o 5G.

A Abinee – Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica foi a primeira a advertir sobre o atraso que esse adiamento vai representar para a indústria nacional. Houve outros lamentos, mas agora o problema está tomando mais uma forma. É o edital para o leilão das frequências.

Um conselheiro da Anatel propôs um formato que permitiria a entrada de pequenos provedores nas disputas dos leilões. Ele entende que isso aumentaria a concorrência, trazendo benefícios para o consumidor. Por outro lado, essa tal fragmentação, num país com a extensão territorial do Brasil e a concentração populacional que temos, faz técnicos desconfiarem que podem surgir mais problemas do que soluções.

Como o 5G está nas rodas dos descolados, operadoras nacionais já anunciam demonstrações espetaculares do que a nova tecnologia possibilita. Coisas de encher os olhos e seduzir irresistivelmente, para algo que vamos demorar um tanto para ter.

É compreensível que empresas invistam o quanto antes na divulgação de produtos inovadores. Principalmente quando esses produtos estão custando fortunas para desenvolvedores e vão chegar caros para os provedores. Mas o papel das administrações públicas deve ser mais prudente. Quando o governo promete, empreendedores se mobilizam, dedicam tempo e outros recursos preciosos, para projetos que podem envelhecer muito, antes de serem implementados.

O que era para chegar em março de 2020 já está virando uma possibilidade para 2021. Mesmo assim são muitas as incertezas para se fazer qualquer marquinha no calendário. Um exemplo recente foi a migração do modelo de televisão aberta, do analógico para o digital.

Na ocasião, a tecnologia da TV digital já estava implantada em muitos países, tinha uma série de protocolos internacionais definidos, e contava com a ativa ação das várias grandes redes nacionais de TV em todo o processo. Foi feito um planejamento bem estruturado, a condução do programa foi firme durante o momento mais crítico. Mesmo assim o atraso foi de dois anos. Quer dizer, dois anos foi o atraso para a maior parte da população, que ocupa menos da metade do território brasileiro. Para a maior parte do país a TV digital vai chegar quando der, não tem previsão de data. Na medida em que o tempo passa, os preços de equipamentos vão diminuindo, as peças de reposição do analógico vão desaparecendo, então as emissoras que sobreviverem vão finalmente digitalizar o sinal.

Por que com o 5G as coisas seriam mais ágeis por aqui? A briga pelo domínio dessa tecnologia, que a China até aqui vence folgadamente, vai impactar os padrões internacionais para o setor. Isso levaria à incompatibilidades entre sistemas, com risco de tornar a expansão do 5G mais cara e menos eficiente. O Brasil nem participa desse debate, porque muito pouco produz a respeito. Com a redução drástica das verbas para pesquisas, isso tudo fica ainda mais distante.

Esse atraso do 5G, portanto, pode ser encarado tanto como um problema como uma oportunidade. O Brasil, que representa um mercado importante, poderia investir em alguns segmentos para desenvolvimento dessa tecnologia. Por exemplo, em software. Afinal, como teremos que acompanhar tudo bem de perto, podemos fazer alguma coisa enquanto olhamos. Vamos deixar de lado o tipo “descolado”, que fica só na tagarelice, para assumirmos um real protagonismo nessa tecnologia tão decisiva para o futuro.

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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

SUAS ESTÓRIAS E ALGUMA COAUTORIA




Nos tempos em que as sagas de Indiana Jones faziam sucesso no cinema, há uns 40 anos, os dados passaram a ser mais valorizados. Não os dados processados aos bilhões para embasar uma única decisão. Mas os enigmas que o personagem de Harrison Ford encontrava, às vezes uma mera inscrição, um amuleto, uma forma física qualquer. Aquilo era um dado, que precisa ser interpretado, para se transformar numa informação que abriria um novo caminho na estória.

Quanto aos dados contábeis, financeiros, gerenciais, estratégicos, científicos e tantos outros que são processados em cada esquina, esses já eram bem valorizados naquela década de 80 do século passado. Estão cada vez mais preciosos, e trazem muitas provocações. Afinal, quais os significados que podem revelar?

Bons conteúdos e dados de consumo se encontraram mais uma vez esta semana. Foi no Espaço Itaú de Cinema, num debate sobre audiência, conteúdo e tecnologia. A quantidade espantosa de dados não “deflaciona” a importância deles, pelo contrário, só faz aumentar. Tudo depende da forma como esses dados são agrupados, tratados e interpretados, tema de estudos e pesquisas de uma, relativamente nova, e específica ciência, a Ciência de Dados.

No mercado de conteúdo audiovisual os dados serviram, em princípio, para mapear novos nichos. Depois, também para direcionar a propaganda. Agora, utilizando-se bem os dados disponíveis, pode-se direcionar melhor o investimento em novas produções. Considerando o crescimento cada vez mais rápido da oferta de conteúdos, esse tipo de direcionamento passa a ser fundamental.

Se o “feeling” não basta para entender a audiência, a inspiração também não é tudo para fazer surgir uma nova estória. Escolher o estilo de direção e até o perfil dos atores para o elenco, pode ser melhor orientado pelas informações obtidas a partir dos dados mais recentes. Tudo vai depender da maneira de procurar, selecionar e tratar os dados certos. Isto é, seguindo corretamente as diretrizes que a Ciência de Dados está revelando.

Em matéria do site Tela Viva o head de marketing do Globo Play, Tiago Lessa, afirmou que metade da sua equipe são cientistas de dados e especialistas em matemática, estatística e tecnologia. Ainda durante o evento, Luís Fernando Silva, da Parrots Analytics, destacou a importância de avaliar corretamente cada fonte, para cada tipo de dado. A empresa monitora como o público reage na Internet em relação a novos conteúdos audiovisuais. Pode ser um like, um retweet, comentários, pesquisas no Google, downloads, free streaming. Cada um demanda uma interpretação diferente, que vai ser considerada no “genoma” de um novo conteúdo a ser produzido.

Outra referência importante, já citada há algum tempo, foi atualizada por dados mais recentes. Trata-se de um estudo da IBM sobre o ritmo de crescimento do volume de informações no mundo. Paulo Pereira, da Desbrava Data & Marketing, lembrou que até o ano de 1900, a quantidade de informação dobrava a cada 100 anos. De 1900 a 1945, eram necessários 25 anos e, a partir de 2019, a cada 12 horas duplica a quantidade de informações disponíveis, segundo o estudo da IBM.

É curioso pensar que tipo de ser humano pode surgir a partir do fechamento desse ciclo de preferências. Na medida em que é apurado o gosto de cada um, ele passa a fazer parte de um grupo, para o qual vão ser produzidos conteúdos customizados. Isso deve fazer com que cada um se interesse mais ainda pelo consumo de conteúdos audiovisuais, que estarão cada vez mais próximos do que cada um espera. As pessoas vão mudando de grupos, mas sempre estarão sendo monitoradas quanto às suas respectivas preferências.

Teremos um mundo mais satisfeito? Ou um mundo mais polarizado ainda em seus grupos de afinidades? Por enquanto, o que parece certo, é que teremos um mundo mais lucrativo para quem produzir conteúdo audiovisual com base em dados bem analisados e interpretados.

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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

UBERIZAR: VERBO TRANSITIVO




Palavra que nenhum dicionário conhece, mas qualquer um reconhece. Esses fatos digitais acontecem tão isolados de todas as suposições, que exigem palavras próprias para explica-los. O Uber é muito “praticado” pelas ruas, fez surgir um verbo só para ele. Ou melhor, para as tantas soluções de entregas físicas, de coisas ou pessoas, que antes transitavam mais burocraticamente.

Muito bom no começo, nem tanto agora, pode ser um desastre no futuro, segundo alguns intelectuais pessimistas. O fenômeno da uberização de tantos serviços poderia destruir os empregos formais, gerar uma legião de escravos digitais e ainda, restringir o atendimento de áreas de menor interesse econômico.

No fim a uberização nem seria tão “transitiva” assim. Faria da mobilidade um privilégio... de muitos, mas não um serviço que é direito de todos (que o genial Mário de Andrade perdoe o plágio, mas o esforço se presta a uma explicação mais clara).

Enquanto o desastre não chega convém observar essa fase “nem tanto”, para ambos os lados. Ainda longe de ser um problema, a uberização já não é mais a maravilha de outrora. E os motivos não estão na tecnologia inovadora, disruptiva, mas nas mesmas chagas históricas do comportamento humano. Particularmente a usura, pecado sem qualquer originalidade, que tanto mancha a história da humanidade.

O Uber avançou implacável contra uma reserva de mercado silenciosamente bilionária, mantida no mundo todo. Os ganhos desproporcionais dos “humildes” taxistas passaram a ser distribuídos entre muitos e muitos motoristas autônomos e entre os consumidores. A multinacional do aplicativo cobrou sua parte sem nenhum comedimento e, mesmo assim, sobrou trabalho digno para garantir a sobrevivência da maior parte dos taxistas tradicionais. Afinal, eles ainda estão por aí.

A redistribuição parecia muito equilibrada. Sim, parecia, até que se percebeu o quanto pende para o lado do Uber. Espaço para concorrentes, como a 99 aqui no Brasil, que decidiu deixar mais para os motoristas e apenas um pouquinho mais para os consumidores. O resultado já aparece nas estatísticas do último ano. De 66%, subiu para 75% a porcentagem de brasileiros que já chamou um serviço de transporte, tipo táxi, por aplicativo. Desse total, 73% preferem o Uber, o que pode parecer muito bom para a empresa. Só que há um ano o percentual era de 83%. E se você for procurar esses 10% que saíram do Uber, vai encontrar quase todos no 99. O aplicativo da chinesa DiDi subiu de 13% para 22% do total de corridas por aplicativo no Brasil.

A Uber, que teoricamente deveria saber tudo de aplicativos, está perdendo clientes até para seus próprios bugs. Pelo menos aqui no Brasil. Quem já é cadastrado e compra um celular novo, não consegue baixar o app nele. Os robôs que conversam com os usuários, na hora da identificação, dizem que aquele cadastro já pertence a uma pessoa. O serviço fica inacessível para o celular novo. O que era para ser uma inteligência artificial, não passa de um limitado diálogo superficial. Para um serviço que não tem um único atendente humano no país, essa política de contingência só pode trazer prejuízos. Sem esquecer que a cada 5 anos, a quantidade de celulares renovados é imensa.

Na medida em que a população se afasta dos taxistas, caríssimos e relaxados, vai ficando mais exigente, e os aplicativos parecem não se darem conta disso. O que era maravilhoso, agora, nem tanto.

Na outra ponta, o tal desastre que alguns anunciam, também, nem tanto. Temem que a uberização de vans leve as empresas de ônibus à falência e deixe os bairros mais distantes desassistidos. Denunciam o flagelo de trabalhadores sem descanso, sem direitos trabalhistas e mal remunerados. O problema existe, sim, mas não tem nada a ver com aplicativos. Parece mais a decorrência natural, em uma sociedade que está fazendo do emprego, um fenômeno histórico do passado. Por sinal, um fenômeno que não está durando muito mais do que um século.

Os aplicativos, menos do que uma boia, representam uma corda atirada ao mar. Se parece pouco, é porque não está sendo vista pelos olhos do náufrago. Já é hora de aperfeiçoar, de partir para versões 2.0 dos aplicativos. E daquele upgrade tão esperado nos círculos devocionais do saber, que sacralizam teorias, sem tentar encaixa-las na realidade dos dias atuais. Além de uberizar, o mundo também quer linkar, googar, twittar e até hackear. Tá na hora de se logar nos novos tempos.

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