LIÇÕES REAIS DAS EPOPÉIAS IMAGINÁRIAS




Ela é, talvez, a maior fábrica de vilões famosos. Mas também criou muitas das figuras mais encantadoras na imaginação de muitas gerações. A Disney, marca forte na memória afetiva no mundo, é uma prova de que personagens neutros, nem bons, nem ameaçadores, não têm graça nenhuma. Será que até ela própria se convenceu de que deveria escolher um dos lados?

A empresa Disney começou a falar em “dominação”, num enredo que acontece deste lado real da vida. Uma estratégia agressiva – não tem palavra melhor nesse caso – no mercado de streaming, tem como meta levar a Disney+ à dominar os negócios na área. Por qualquer lado que se olhe, ela manda mais na aposta para conquistar o consumidor.

A empresa está forte o suficiente para encarar seus concorrentes sem nenhuma modéstia. Neste ano já emplacou cinco filmes com bilheteria acima de US$ 1 bilhão nos cinemas. Quer essa mesma performance agora nas pequenas salas, aquelas onde o televisor é o objeto mais marcante da decoração.

De saída, a Disney+ pode trazer para a sua programação marcas cujos acervos cativaram todos os tipos de público ao longo de décadas. Por exemplo, LucasFilm, National Geographic, Pixar, Marvel Stúdios, dentre outros. Outras produções de sucesso ela traz de aquisições relativamente recentes, como a Fox e a 20st Century Fox.

A Disney+ quer chegar tão respeitosamente nos lares americanos que até arrumou um jeito de pedir licença. O serviço de streaming só vai exibir programas tipo “família”. Adultos também vão encontrar como passar as melhores horas com a Disney+, sem nenhum problema em estar na companhia das crianças ou das sogras mais conservadoras. As produções que escapam desse critério vão chegar pelo Hulu ou ESPN, empresas do grupo Disney e que já estão no mercado de entrega via Internet.

Mas e daí, se os caras são mesmo os bons!? Que culpa a Disney tem por concorrer dentro das regras e chegar ao topo? Pois é, esse é o outro capítulo do lançamento da Disney+, que acontece ainda este ano nos Estados Unidos.

Nenhum licenciamento de seus títulos será renovado com a Netflix ou qualquer outro concorrente. Produções do grupo Disney, só na Disney+. Outro sinal claro de que a Disney quer briga está no preço dos pacotes. No lançamento está previsto US$ 6,99 para o plano mais simples, com todas as produções em 4K UHD e quatro telas simultâneas. A Netflix, principal alvo da Disney+, cobra US$ 8,99 para o plano mais barato, que não inclui UHD e só permite exibição em uma tela por vez. Isso sem contar que, a partir de 2020, já estará lançando séries produzidas localmente aqui na América Latina. As americanas e europeias começam antes. A ideia é investir pesado em novas produções.

Essa postura parece tão estranha que lança alguma desconfiança quanto às intenções da gigante do entretenimento. Será que ela pretende comprar a Netflix? Sem dúvida, é a empresa que detém o maior expertise em termos de streaming e é, empresarialmente, o lado mais fraco desse ringue. Nos outros três lados estão a Amazon Prime Video e outros dois já anunciados para breve, a Warner e a Apple TV.

O streaming, enquanto negócio, é algo relativamente novo. O que começou como uma locadora de vídeo virtual, transformou-se no mais poderoso tentáculo sobre a audiência doméstica. A Netflix partiu para a produção de séries e mostrou que os prazeres da sala de estar podem ir bem além. Mas isso não é tudo. Há muito o que criar e experimentar nesse tipo de experiência da audiência.

A EiTV, para se posicionar no mercado de plataformas de streaming investiu anos em desenvolvimento e pesquisas. Atende muitos outros segmentos, além do entretenimento, tem clientes em vários continentes, inclusive entre os exigentes americanos. Mesmo assim mantém todas as janelas e antenas direcionadas para o mercado e para os grandes centros tecnológicos, para oferecer uma plataforma de streaming cada vez mais flexível e completa. Parcerias sempre são avaliadas e, no seu segmento de atuação, a EiTV não tem nenhum plano de “dominação”.

Olhando unicamente para a posição de momento da Disney, a ambição que demonstra parece um tanto imprudente. Os negócios na era tecnológica se mostram muito voláteis e tentativas de dominação costumam ser malsucedidas. Por exemplo, o sistema VHS, onde a Sony entrou com uma tecnologia melhor (o Betamax) tentando dominar o mercado. Mas perdeu para a JVC, que licenciou sua tecnologia para vários concorrentes.

Vamos observar até onde vai essa fúria conquistadora da Disney+. Com a busca pelo domínio, ela corre o risco de acabar como seus próprios vilões.


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