segunda-feira, 29 de abril de 2019

QUEM VAI PAGAR PRA VER





Areia, sol, kit praia de alumínio, muita gente bonita e o mar! Ou então, muito verde, montanhas, construção de madeira, ambiente aconchegante! Pode ser mais simples, a turma querida, banco de madeira, meio telhado e churrasco no quintal. Se nada disso conseguiu mover sua imaginação para um estado mais relaxante, que tal uma tela de altíssima definição, som imersivo, cores HDR e um catálogo de muitos filmes e games? Depois de uma paixão candente, nada pode ser melhor do que momentos de lazer. Em meio às opções mais emblemáticas ainda tem uma infinidade de coisas. Muitos se encantam com as mais simples, mas todos precisam de lazer.

O Brasil teve sete constituições depois da Independência, mas só nessa última, a de 1988, apareceu a palavra “lazer”. Acabou se firmando como uma obrigação do estado. E, no mundo, é o maior negócio da atualidade. O que mais emprega, o que mais movimenta dinheiro. Vai se consolidando a tese de que a gente nasceu e vive pra isso, para curtir, para o lazer.

Os governos se sucedem e não parecem muito preocupados em prover esse nosso direito social. O que eles querem é tributar. E isso vai ficando complicado, na medida em que a tecnologia vai facilitando nosso contato com o lazer. O caso mais específico é o desse lazer tão elementar, o mais praticado no mundo como um todo: a TV.

Para o público não mudou quase nada, é a tela conectada a uma fonte de conteúdo. No começo era a TV aberta e logo depois, por assinatura. Mais recentemente veio o videocassete, o DVD, todos chegavam de algum endereço físico próximo, onde o poder público arrecadava. Então surgiu o streaming (OTT), com suas variantes de uso e endereços virtuais, em algum lugar do planeta. Para complicar a tarefa de tributadores e tributaristas, essa profusão de fontes criou cadeias de produção muito maiores e mais complexas, envolvendo altos investimentos. Para o consumidor continua apenas uma tela e o conteúdo.

Esse foi o tema do Brasil Streaming 2019, um evento que reuniu nesta semana representantes de todos os segmentos empresariais envolvidos. Dentre os resultados do encontro, uma enxurrada de análises e de previsões pra lá de curiosas.


HÁ MAIS TRIBUTOS ENTRE O SINAL E A TERRA...


Tablet, smartphone e a sua TV, onde também conecta o console, para jogar videogame. Não é mais apenas aquela tela no centro da sala, que também já está digitalizada. O streaming foi legalizado com o Netflix e então surgiu o conceito de TV não-linear, o VoD (Video on Demand). Você assiste ao que quiser, na hora que achar melhor. Aquela TV tradicional, com uma programação definida numa sequência, é a linear.

Operadoras de TV por assinatura como a NET é quem mais estão sofrendo o impacto das mudanças. A NET antes oferecia os canais (os “pacotes” de programação) e o pay per view. Precisou passar a oferecer também o Now, quase um pay per view mais em conta, com muito mais opções. Mesmo assim ainda é pouco para enfrentar o OTT. A tradição da TV a cabo ao longo de tantas décadas fez surgir grandes corporações operando a distribuição dos pacotes. Só elas tinham o cadastro do consumidor e muita influência no mercado de produções. Agora lhes resta usar esse peso todo para brigar na justiça pela hegemonia perdida. 

As smart TVs dominaram o mercado de televisores, a banda larga cresceu e os grandes canais começaram a cortar caminho, vendendo direto ao consumidor, sem passar pelas operadoras de TV. Até programação linear já chega via streaming. Sem contar as caixas de TV, tipo Chromecast, Apple TV, Roku.

Aqui no Brasil o que era regido apenas pela LGT – Lei Geral das Telecomunicações precisou ser desmembrado criando a Lei do SeAC – Serviço de Acesso Condicionado (as TVs por assinatura). Em cima delas uma série de obrigações – ceder espaço para canais comunitários, exibir filmes brasileiros etc – e muitos tributos, como o Condecine, que financia as produções nacionais. Para o streaming, quase nada. É a tal assimetria, impactando custos. E o governo só quer saber de continuar cobrando, enquanto ele mesmo adia a discussão e implementação de novas regras, mais equilibradas para todos.

Para o cliente, que tem a tela e quer o conteúdo, tudo pode ficar mais caro e as opções diminuírem, por conta de investimentos que se retraem. O cenário é de incertezas regulatórias e tributárias. Além da incerteza tecnológica, sobre as possíveis mudanças nos sistemas de entrega. As certezas estão apenas nas pontas: o consumidor vai demandar cada vez mais conteúdo e os produtores vão ter que dar conta de oferecer maior quantidade e variedade para o mercado.

Quem ouve falar no “lazer mais consumido no mundo” não imagina essa corda bamba dos grandes players desse mercado, entre o conteúdo e a tela.


PODE FICAR MAIS COMPLICADO


Para uma TV aberta forte, como a Rede Globo, as perspectivas são animadoras. Está entrando no streaming com o aplicativo próprio, com possibilidades de ganhar o mundo. Tem o sinal aberto com a maior rede nacional de radiodifusão e faz parte de todos os pacotes de TV por assinatura e principalmente, tem uma grande estrutura de produção. O principal desafio no horizonte é o que pode vir das potências tecnológicas.

Apple, Amazon, dentre outros, têm planos de entrar no mercado por todos os lados. Querem produzir, distribuir, disputar direitos para exibição de grandes shows, de eventos esportivos, querem prover até conteúdo local, como o Jornalismo. Prometem investir em plataformas de jogos. E têm muito dinheiro para fazer tudo isso acontecer em pouco tempo. Sem falar das soluções tecnológicas que eles mesmos vão definir, em casa.

Com o 5G a entrega de vídeo, música e até games vai ser mais fácil ainda. As operadoras de TV por assinatura, com grandes redes físicas ou via satélite, é que vão ser mais pressionadas, pelo custo de manutenção. Já as empresas de telefonia que, no Brasil, hoje são proibidas de entrar no mercado de produção, vão brigar mais para romper essa barreira regulatória e disputar esse mercado.

Ainda sobre o 5G, o consultor Omarson Costa, durante o Brasil Streaming 2019, citou a solução que as ligas esportivas estão testando em outros países: o aplicativo próprio. Até a Fórmula 1 já oferece, com mais câmeras, mais opções para o cliente escolher o que ver ou rever e até como assistir ao evento. Ligas de futebol e de outras modalidades fazem o mesmo. Costa prevê um sufocamento da TV aberta, abrindo espaço para o AVoD, o vídeo sob demanda pago pelos anunciantes, que hoje bancam os canais abertos.

Entre o consumidor e o conteúdo a confusão só tende a aumentar. Mas não há motivos para preocupação. Comunicação de massa, por definição, só funciona quando os preços são acessíveis.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

BANDA LARGA E MODA DE VIOLA




Tem um relógio na cabeça do homem do campo que só ele entende. Deve ter vários ponteiros, não se sabe se é redondo ou quadrado. Começa que é um relógio de tempo... e de tempo. Marca o tempo em horas, mas também o tempo de chuva que chega, ou de sol, frio ou calor. O tempo da natureza é tudo o que importa para o boi, para as galinhas, o milharal, a roça do feijão. É isso que muitas vezes deixa o homem do campo aparentemente parado e absorto, na verdade, concentrado e em prontidão. Ele espera a hora de cumprir uma tarefa simples, como abrir uma torneira. Ou simplesmente deixar como está.

Pois é, o IoT – Internet das Coisas, tem tudo para tomar esse lugar de frente para o campo. Vai liberar o pequeno agricultor para encontrar mais clientes, discutir preços, acompanhar cotações. E vai chama-lo para cumprir cada tarefa de campo na hora certa. Pequenos equipamentos conectados a fontes de informação em tempo real, podem ajustar o tempo da natureza ao melhor tempo para cuidar da criação, da roça e de fazer negócios.

As operadoras de telefonia, que já conhecem o potencial de negócios na agropecuária, perceberam a expansão possível no Brasil com as novas tecnologias associadas a 5G e IoT. Nas últimas semanas vários projetos das teles foram divulgados pelo site Teletime, com “ingredientes” presentes nas principais receitas de sucesso: criatividade, parcerias e vontade de investir.

A largada da corrida das teles em direção ao campo teve o evento mais emblemático na Esalq, a tradicional escola de agricultura da USP, em Piracicaba. A operadora Vivo reuniu numa parceria a Ericsson, Raízen e EsalqTec. Seis projetos desenvolvidos por startups do programa Agro IoT Lab foram apresentados para utilização da faixa do espectro de 450 MHz. Técnicos da Ericsson garantem que nessa faixa a cobertura é 2,5 vezes maior do que na faixa de 700 MHz. O presidente da Anatel, Leonardo Euler e o conselheiro Aníbal Diniz estiveram em Piracicaba acompanhando as demonstrações.

Um trator conectado para consumir menos combustível foi a demonstração da IoTag, empresa de telemetria de maquinário e manutenção preditiva. Uma estação meteorológica conectada, com informações em tempo real, ficou por conta da Ativa Soluções, ligada a gerenciamento remoto, e a @Tech, voltada para a agropecuária de precisão, mostrou seu projeto para tomada de decisões, integrando coleta de dados e inteligência artificial.


EM SILÊNCIO, PARA NÃO QUEIMAR A LARGADA


Na última quarta-feira a Oi divulgou um comunicado sobre um contrato, já fechado em fevereiro, com a empresa de agronegócio Amaggi, sediada em Cuiabá – MT. Trata-se de um projeto piloto, realizado numa fazenda da Amaggi em Sapezal, no mesmo estado, que utiliza conexão de 450 MHz. Uma rede de IoT integra sensores e dispositivos para gerir a operação de máquinas e outros procedimentos de manejo, com base nas informações recebidas em tempo real. 

Na fazenda Tucunaré, do mesmo grupo, a Oi mantém um projeto semelhante, na mesma faixa de frequência. Os técnicos garantem que a cobertura possível com essa frequência mais baixa atinge um raio de 35 Km. Os dados obtidos nessa área são compartilhados entre homens e máquinas, para pequenos ajustes ao longo das atividades. É assim que evita-se muito desperdício, sobreposição de operações e se obtém maior eficiência na manutenção preventiva, no controle de pragas e correção do solo. Ao longo da safra fica tudo registrado num banco de dados, com análises e indicações para investimentos futuros.

A faixa de 450 MHz foi imposta como obrigação de cobertura no leilão da faixa de 2,5 GHz, bem mais interessante para as teles. Foi em 2012. Na época, o 4G estava se expandindo pelo Brasil. Porém, de lá para cá, algumas vantagens do uso dessa frequência estão se revelando.

A ociosidade observada até agora nos 450 MHz pode fazer a Anatel tomar as concessões de volta e repassar a outros segmentos. No entanto, as novas perspectivas tornam esse espaço do espectro mais interessante comercialmente. Por isso as teles parecem demonstrar maior interesse em ocupar a faixa.

O sinal que vai para o campo não deve servir apenas ao agronegócio. Escolas rurais e comunidades remotas também precisam ser incluídas nessa cobertura. É uma forma de expansão da Internet, com inclusão, sem exigir altos investimentos públicos ou incentivos especiais.


POR TODOS OS LADOS


Essa incursão country do sinal de Internet tem a criatividade como principal motor. Não apenas pela adaptação de tecnologias já testadas em outros países, como também na estruturação de novos modelos de negócio. O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores do agronegócio mundial, o que naturalmente atraiu uma imensa cadeia de fabricantes e distribuidores de suprimentos, máquinas e equipamentos. Todos eles têm interesse em lançar produtos e serviços turbinados pela Internet. Desde a otimização por uso de aplicativos até a conexão IoT.

É assim que a Tim está chegando no campo com um time de seis empresas e comando técnico da Nokia. O programa ConectarAGRO adota como estratégia o uso de tecnologias abertas, para integrar as mais diversas atividades e necessidades da produção agrícola. A proposta é levar soluções de automação abrangentes como diferencial competitivo em relação às alternativas atuais, fechadas nos limites da própria tecnologia. Com as tecnologias abertas o agricultor não depende de uma única marca para integrar as operações.

No time formado a partir dessa parceria entre a Tim e a Nokia estão empresas conhecidas do agronegócio como Jacto, AGCO, CNH Industrial, Trimble, Solinftec e Climate FieldView. Cada uma dessas empresas vai pensar como a conexão no campo pode aprimorar o desempenho dos produtos e serviços que fornecem aos agricultores. A expectativa é chegar a um modelo que conecte ideias e iniciativas para o futuro, não apenas equipamentos e informações.

Cada uma dessas empresas vai trabalhar na própria especialidade, sem dependerem umas das outras. De acordo com comunicado divulgado à imprensa, "a diversidade, a competência e o interesse comum das empresas envolvidas (...) cria um ambiente para melhor entender o problema de conectividade no campo brasileiro, por seus diversos ângulos, (...) beneficiando o agronegócio nacional".

E enquanto o Tribunal de Contas da União (TCU) decide sobre o acordo Telebrás / Viasat, parte da capacidade, em banda Ka, do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações – SGDC, já começa a ser reservada para o campo. A Viasat, que aguarda para fazer a operação comercial do satélite, acertou uma parceria com a Ruralweb, empresa que comercializa sinais de satélite nas regiões Norte, Centro-Oeste e em Minas Gerais. A Ruralweb é a primeira parceira da Viasat no Brasil para a distribuição de banda larga no varejo. O primeiro satélite totalmente brasileiro já nasce com “pé na terra”.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

ESTAMOS APENAS NO COMEÇO




Existem “concessões de fé” na nossa relação com a mídia. Por exemplo, quando num filme de ação, o herói da trama está invadindo sozinho um esconderijo dos bandidos. Ele chega por trás, de mansinho, e dá um golpe de karatê na nuca de um sentinela do mal. O personagem surpreendido cai desmaiado no chão, sem qualquer reação. E vai ficar por ali, nocauteado, o tempo necessário para a trama desenrolar. Ora, quem já viu uma luta de MMA sabe que, por mais contundente que seja o golpe, no máximo em 30 segundos o nocauteado acorda. Mas, se você quer assistir ao filme, deixe de chatice e esqueça o sentinela caído ali.

Numa situação intermediária, a publicidade também exige um pouco da sua fé. “O mais puro malte” está em todas as cervejas, de todas as marcas. Aquelas lojas de departamento bem populares anunciam descontos de até 70% – e repetem! – com o número destacado no vídeo. Mas ninguém espera encontrar isso na loja.

As marcas e o público já se acostumaram com esse pequeno limbo da realidade na relação: “-me engana que eu gosto” fica subentendido entre as partes. Até que...

O espaço virtual vai crescendo e as marcas vão plantando ali seus avatares, os sites. Um canal de comunicação a mais, uma vitrine – e agora também um balcão – nos domínios binários da Internet. Tudo muito bonito na home porém, lá pelos cafundós do “fale conosco” o clima da conversa esquenta. Tudo bem, entre quatro paredes, ou inbox para o administrador do site, não dá nada.

Daí vêm as redes sociais e as marcas resolvem que vão ser seu melhor amigo! “-Vem cá, vamos bater papo, quero saber de você.” É quando o tal do consumidor, que é também contribuinte, condômino, correntista, mutuário, cotista e outros tipos de devedor, não consegue se encaixar no escrete. Ele fica bravo, avacalha os slogans exagerados, cobra as promessas e, o pior de tudo, fica esperando resposta. Não é “amiguinho” agora? Então responde, explica, resolve.

A saída de empresas das redes sociais começa a mostrar o limite da distância que precisa existir entre o público e determinados tipos de negócio. E tem outras lições sobre a presença de empresas nas redes sociais.


TEM QUE VALER A PENA


A BBC News divulgou cases de empresas egressas de redes sociais. Uma delas tem razões objetivas para sair do Facebook. A editora da revista masculina Playboy, com 25 milhões de seguidores na rede social, reclamou do puritanismo dos gestores. Para quem vive de publicações de ensaios fotográficos eróticos, faz sentido sair do Facebook.

Nos outros casos não houve justificativas claras para deixar redes sociais. Usaram frases feitas contra redes sociais como “não à busca desesperada por likes”, “mais convivência pessoal”(??), lero lero. Ficou a impressão de que o problema é custo.

Não que as páginas empresariais nas redes sociais sejam absurdamente caras. Mas o atendimento remoto. Um atendente de rede social não pode ser o mesmo dos SACs. Esses últimos são treinados com meia dúzia de frases padrão e procedimentos para encaminhamentos. No outro caso, conversar com alguém por uma rede social, exige mais habilidades de comunicação. Quem sabe as futuras gerações de bots, quando estiverem mais acessíveis, possam fazer esse papel. Por enquanto, o custo e treinamento de interlocutor deve ser muito alto.

Lá pelas entrelinhas, e pela experiência que praticamente todos temos com redes sociais, fica a impressão de que um certo “excesso de comunicação” está começando a demonstrar sinais de fadiga. Principalmente depois do boom do WhatsApp e outros aplicativos OTT para celular. Não escolhem hora, nem lugar, para avisar que uma nova mensagem chegou. Aquelas coisas que a gente logo abre e tem a sensação de que perdeu tempo. A enxurrada de bom dia, mensagens de motivação, de exaltação moral, ou aquelas correntes do tipo “repasse ao maior número de pessoas”. Isso sem falar nas fake news, na apologia mentirosa a políticos, “gemidão”, piadas sem graça. Ou ainda, aquela pornografia bem baixaria que você abre no metrô, ao lado de algumas senhoras.

Como é provável que alguma coisa útil apareça por ali, convém consultar. Ou vai ouvir pessoas perguntando por que você não foi à festa surpresa de aniversário de um amigo, que foi organizada pelo Facebook ou outra rede social.

Estudos recentes começam a apresentar sinais consistentes do custo que essa grande implosão nos impõe, ao absorver nossas vidas para dentro das redes sociais. Algo que compromete planos profissionais, de desenvolvimento pessoal e até afetivos. É só mais um sinal sério de que a Internet ainda está só começando. E de que as chances de escapar dela são muito remotas.


COM A CALÇA RASGADA


Ruim com ela, pior... com apenas uma parte dela. Essa é uma outra dimensão do desafio Internet, que aflige particularmente o Brasil. Já não bastasse ouvir que somos trabalhadores de baixa produtividade, que valemos frações de um operário sul-coreano, agora precisa ouvir também que somos internautas com freio de mão puxado.

O Brasil está seguramente entre as três maiores populações de internautas no mundo. Mas a velocidade de navegação é humilhante! Mais uma vez, fração do que se navega em outros ares. Um problema muito sério, que pode custar o seu emprego. É o que consta do 1o. Brazil Digital Report, apresentado nesta semana pela McKinsey & Company, destacada consultoria de estratégia de negócio, sediada nos Estados Unidos.

Segundo o relatório, que precisou passar por várias mazelas brasileiras, “a logística de entrega e a baixa velocidade de transmissão de dados via internet são dois dos desafios estruturais que o país precisa vencer para atrair investidores." Em outro ponto, a carência educacional é citada como consequência de uma administração preocupada em “construir escolas”, sem se importar com a qualidade do ensino. Ao final o relatório conclui que "o brasileiro está preparado para a revolução digital, mas faltam leis que funcionem, ambiente político que dê segurança ao investidor e logística".

Num evento, divulgado pelo portal UOL, o relatório de 191 páginas foi apresentado para explicar por que o Brasil não é um bom lugar para investir em determinados negócios. Tá vendo o seu emprego aí!?

O problema tem vários nomes. Mas um deles é o setor de telecomunicações. O Brasil tem as tarifas mais altas do mundo nesse segmento, e agora surge mais um relatório internacional atestando a precariedade dos serviços no país.

Aos 100 dias de uma nova gestão no Governo Federal, convém destacar a urgência em se equacionar problemas desse tipo. A parte mais difícil, que é a multidão conectada, já temos. O que falta são soluções de infraestrutura, para que o potencial do país se revele aos investidores. Não apenas nos negócios via Internet, mas em muitos outros setores, além de botecos e farmácias.


sexta-feira, 5 de abril de 2019

“-SENHORAS E SENHORES, É COM MUITO ORGULHO...”




As marcas que se associaram para a apresentação são Dolby, Hitachi Kokusai Linear, EiTV e TV Globo. O local da apresentação é o estande do Pavilhão Brasil na NAB Show 2019, o maior evento do mundo para mídia, entretenimento e suas tecnologias, em Las Vegas. A apresentação irá ilustrar a utilização de HDR e Áudio Imersivo no padrão ISDB-Tb. Estas são algumas das novas possibilidades oferecidas pelo DTV Play, o middleware que promete revolucionar a televisão aberta no Brasil e em várias partes do mundo. 

“Revolucionar”, no caso, significa assistir à TV aberta com qualidade de imagem 4K HDR e som imersivo. Ou ainda, ao final do capítulo de uma série exibida num determinado canal, ter a opção de assistir ao próximo capítulo, com um simples toque no controle remoto da TV. Revolucionar significa ter na tela da TV aberta, por meio de um único controle remoto, tudo que você buscava em várias telas diferentes.

O DTV Play é uma evolução do Ginga, o middleware do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). Ele traz um novo conceito de “mídia conectada”, com a mais simples e harmoniosa integração de sistemas broadcast e broadband. Um sonho que parecia distante para nós brasileiros, há dois anos, quando empresas americanas e sul coreanas lançaram o ATSC 3.0, o principal modelo a integrar TV e Internet.

O ATSC 3.0 – ou New Gen TV (NGTV) – apareceu pela primeira vez na NAB Show há 4 anos, ainda em fase experimental, mas nunca teve tanto espaço na feira e no congresso como está previsto para este ano. Ele oferece todos os recursos do DTV Play e mais alguns, mas exige uma completa transformação tecnológica das emissoras e a troca dos televisores do tipo que estão no mercado hoje em dia. O momento é decisivo para TV aberta no mundo todo. O modelo de negócio que sempre foi usado está se tornando inviável economicamente. Tudo por causa da concorrência que chegou com a Internet.


“-UM OFERECIMENTO ESPECIAL PARA... VOCÊ”


No modelo de negócio atual da TV aberta, ela é um “presente” que os anunciantes oferecem ao público. Eles pagam tudo que vai ao ar para exibirem suas marcas, produtos e serviços nos intervalos comerciais. Para o anunciante, quem está recebendo a mensagem comercial é simplesmente a “audiência”, uma grande massa, completamente heterogênea, que tem algumas características em comum e poucas reações previsíveis.

Com a Internet surgiram muitos meios para conhecer melhor cada um que acessa a rede, seus hábitos e preferências. Você! De forma que, ao abrir algum conteúdo, cada internauta visualiza um anúncio direcionado, que de fato interessa a ele. Com o DTV Play isso passa a ser possível também na TV. Um mesmo espaço publicitário na tela pode ser vendido para muitos anunciantes ao mesmo tempo, uma vez que cada segmento da audiência vê apenas o anúncio de interesse daquele segmento. Como o preço de cada anúncio pode ser bem reduzido, o número de potenciais anunciantes aumenta. Essa conta fecha com um faturamento maior para as emissoras.

Nesse primeiro momento o DTV Play vai abrir novos espaços comerciais na tela da TV. Durante a programação um pequeno banner vai surgir rapidamente, num canto da tela, com uma mensagem publicitária. A publicidade que vai para um grupo de consumidores será diferentes das que irão para outros grupos, tudo ao mesmo tempo, no mesmo espaço da tela. Serão mensagens de interesse específico para cada segmento de mercado. Esse real interesse vai ser previamente apurado pelo próprio DTV Play, com base nos hábitos de cada telespectador ao ver TV. Isso deve tornar a mensagem comercial oportuna, e não um incômodo para quem assiste. Outra comodidade é que cada um terá a opção de abrir ou não o anúncio, além de outras alternativas que o sistema oferece, como pausar a programação que está no ar.

Os intervalos continuam com a exibição de filmes publicitários voltados à grande massa, necessários para fortalecer novas marcas, mobilizar o público para grandes eventos e outras metas de macro comunicação. 

O DTV Play começa a chegar ao mercado em 2020, com os modelos de smart TVs das grandes marcas. No momento o Fórum SBTVD, em seu módulo técnico, está desenvolvendo a suíte de testes, para padronizar novas implementações do middleware.


O SHOW DEVE CONTINUAR


A NAB Show é o “olimpo” da tecnologia de televisão. Neste momento, a conexão da mais tradicional mídia audiovisual com as novas mídias é um passo decisivo para se manter a soberania do televisor dentre as muitas telas de hoje em dia.

Tecnicamente, essa possibilidade veio a partir do desenvolvimento e inclusão do módulo Ginga CC Web Services. É a grande novidade do middleware brasileiro, que passou a se chamar DTV Play. Essa arquitetura foi inspirada no ATSC 3.0. Por meio do novo módulo todas as outras aplicações web podem interagir, se integrarem à TV, que se transforma no núcleo do que passa a ser o “ecossistema televisivo”. O celular, pela onipresença, é a segunda tela natural, o tablet também é muito bem vindo, assim como todas as outras mídias da plataforma web.

A EiTV teve participação marcante no desenvolvimento do DTV Play e tem tradição na criação e implementação de muitas soluções para Internet. Está entre as startups pioneiras do SBTVD. É com essa experiência que Rodrigo Araújo, fundador da EiTV, insiste na importância de não esquecer o momento de implantação que a TV Digital vive: “-Todas as etapas da implantação já foram solucionadas em experiências reais porém, o espectro a ser digitalizado no mundo todo, ainda é muito grande.”

Por isso a EiTV, a partir desta segunda-feira, além de apresentar o futuro da televisão na NAB Show 2019, estará expondo as soluções de melhor custo benefício para digitalização do sinal de emissoras abertas. O EiTV Dual Channel Encoder é um equipamento compacto que digitaliza o sinal Full HD e 1-Seg a partir da saída SDI do controle mestre até o transmissor. O EiTV Closed Caption é a solução de acessibilidade completamente automatizada. Converte o áudio em legendas, identifica outras eventuais legendas e insere a prioritária. Tudo num só equipamento, sem operador.

A linha EiTV Inspector garante a qualidade do sinal, da torre ao receptor. Na emissora, analisa todos os parâmetros de sinal, tabelas, e grava a programação por até 3 meses. O EiTV Inspector Box analisa o sinal que chega em cada ponto de recepção. E para a transição do sinal o EiTV CC Box gera digital e analógico a partir de uma entrada digital. Ele exibe ainda as tarjas e cartelas obrigatórias do switch off e todos os avisos, conforme o calendário.

Já a plataforma EiTV CLOUD é uma solução não apenas para emissoras de rádio e TV, mas para todos os tipos de negócios que queiram utilizar conteúdos audiovisuais. A plataforma é toda gerenciada por um desktop ou notebook. O serviço EiTV CLOUD pode ser contratado e o cliente paga apenas o espaço que utiliza. Apps com a configuração da sua preferência, ficam disponíveis para baixar no celular do público que você escolher para monetizar, ou simplesmente exibir o seu conteúdo audiovisual.