TECNOLOGIA E IMPULSOS PASSIONAIS


Se seres evoluídos, de outro planeta, descobrissem a Terra e fizessem um estudo sobre a cultura que rege o comportamento dos humanos, possivelmente encontrariam uma chave chamada marketing. Pode conferir: um jogador de bola, milhões e milhões de euros para traze-lo a um clube e apresenta-lo a um estádio lotado, vestindo a camisa de um patrocinador; uma funkeira sedutora rebolando na Internet para exibir marcas; uma plataforma cibernética móvel cheia de novos brinquedos, para adultos ostentarem uma marca que os identifica como “elite”.
O que mais pode significar um smartphone de ponta!? Muito pouco, além do puro marketing. Ponha à prova. No dia seguinte ao lançamento da nova linha iPhone nos Estados Unidos, foi lançado aqui no Brasil um outro celular, desenvolvido em Portugal. Na verdade é um sistema baseado em um celular, que tem também um relógio e um chaveiro. Chama-se True Kare.
Com ele é possível monitorar, do outro lado do mundo, um idoso que pode ter episódios de esquecimento ou alguma alteração nos indicadores vitais. O chaveiro e o relógio servem para avisa-lo quando se distancia do celular e também carregam sensores. Lembra a hora de tomar remédios, indica a localização, dá alertas para socorro e desenvolve muitas outras funções que permitem uma sensação maior de autonomia e individualidade a um idoso. Além da tranquilidade para milhões de famílias que precisam trabalhar e cuidar da própria vida. Até agora, nenhum meme...
Que mala, hein!? Convenhamos, essa visão carrancuda da tecnologia é injusta, independentemente da verdade que possa conter. Novos smartphones, no mínimo, fazem o mundo mais divertido. Um efeito muito importante. Além disso, sinalizam um futuro que poderá trazer muitas soluções.
Se todas as nossas ações tivessem que revelar utilidade imediata, o homem estaria pensando agora em ir para a Lua. É, mas já vai fazer 50 anos. Estudiosos americanos garantem que foi um plano de marketing para promover a indústria norte americana e lhe conferir o mais elevado conceito no mundo. O fato é que a expedição científico-marqueteira motivou centenas de avanços e utilidades desde então. Embora, a amostra de solo que foram buscar lá, até agora, não serviu pra nada.
Pão e circo, é assim que a banda toca!

QUEBRA DE UM PARADIGMA

iPhone X (dez, em algarismo romano) tem, sim, uma virtude histórica. Ele supera o paradigma tecnológico do Século XX: o botão. O botão físico, digamos. É a interface mais avançada das máquinas analógicas. “Ao apertar um botão” tornou-se o bordão das transformações do século passado: “Ao apertar um botão aparece uma imagem em movimento numa tela luminosa que fica na frente do aparelho...”; “ao apertar um botão o vidro do carro sobe ou desce”; “... a antena do carro aparece”; “... uma cópia do documento chega ao destinatário”; “... ; ...”; “ao apertar um botão a guerra nuclear pode destruir o planeta”.
A exclusão do home button como botão físico dá a “infinitude” na tela do IPhone X, que não “sangra” (termo gráfico) nas laterais, como no Galaxy S-8, concorrente direto da Samsung. A tela do smartphone da Apple ficou mais resistente e, com uma pequena esticadinha na caixa, mais o espaço que o botão físico ocupava, chegou a 5,8 polegadas.
Com o Face ID, que faz a identificação facial, o iPhone X reconhece o dono e passa a obedece-lo. Antes, só precisa “riscar” a tela com o dedo, de baixo para cima. Ele reconhece a face, mais um risco na tela e aparece a tela com os aplicativos. Só então um toque vintage com botões... virtuais! São os dos aplicativos. O smartphone está cumprindo seu destino pet, que já foi citado neste blog. Você olha para ele e ele se abre pra você. Lembra seu cachorrinho.
Ele também manda para o museu os filmes mais recentes de ação e ficção, que exibem o idoso reconhecimento datiloscópico. Coisa do passado. O agente super secreto vai entrar numa sala e coloca a mão sobre uma leitora biométrica. O Face ID, além da câmera frontal, extremamente precisa, usa um micro projetor de luz infravermelha que mapeia 30 mil pontos do rosto da pessoa. Isso torna a biometria 20 vezes mais segura do que na leitura digital.
O sistema poderá ser utilizado em outros aplicativos que desenvolvedores inventarem. O Snapchat, por exemplo, adapta máscaras precisamente sobre os rostos de proprietários do iPhone X que brincarem com o aplicativo. Os emojis do aparelho também já estão adaptados ao Face ID. Eles acompanham os movimentos da face do “iphoner” a ponto de reproduzir com clareza a articulação das sílabas na boca do personagem emoji escolhido. As mensagens gravadas com o emoji podem ser enviadas para um outro iPhone.
A outra novidade é o carregamento de baterias “sem fio”. Quer dizer, sem fios em termos, porque a base de carregamento precisa estar conectada na tomada. A grande vantagem é que, sobre ela, podem ser colocados simultaneamente o celular, os fones de ouvido sem fio e o Apple Watch.

O MARKETING DO MARKETING

O costume de apresentar novos produtos em eventos presenciais para a mídia é uma tradição da Apple. Pode acabar no dia em que não der quórum. Talvez por isso, dessa vez, a empresa aproveitou para apresentar também a nova linha de relógios smartwatches e a caixa de streaming Apple TV, um set-top box que concorre com o Chromecast, Roku e similares. O iPhone garantiu plateia para todos.
Como nenhum deles vai chegar ao Brasil tão cedo, os detalhes são poucos. O mais inovador foi o sistema de conexão à rede celular do Apple Watch, que passa a fazer ligações sem precisar do iPhone por perto. O sistema depende de novos planos de telefonia celular a serem oferecidos pelas operadoras. A conferir.
Desta vez a surpresa foi o iPhone X. Porque todos estavam esperando a linha iPhone 8. O inusitado está no fato de que eles também foram apresentados. O 8, com tela de 4,7 polegadas e o 8 Plus, com 5,5 polegadas. Ambos têm o mesmo processador do X, que é o A11 Bionic, nas versões de 64 GB ou de 256 GB de armazenamento e câmeras de 12 MP. O Plus vem com duas câmeras na traseira, como o X. O iPhone 7 Plus já trazia esse recurso, mas o alinhamento das duas objetivas é horizontal. Já no iPhone X, elas estão na vertical.
Em termos de hardware, as diferenças entre o 8 Plus e o X, basicamente estão na ausência do home button e nos projetores infravermelhos do sistema Face ID. Fica aí a dúvida sobre o que a Apple pretende ao lançar essas três opções de uma vez só. Por que não chamou todos como sendo variedades da linha 8?
Possivelmente a resposta passa pelo preço. Enquanto o 8 custa US$ 699 e o 8 Plus US$ 799, o X quebra um outro paradigma e chega a US$ 999. Psicologicamente, atinge a barreira dos mil dólares, algo especial entre smartphones. Quem tiver “daquele sem home button”, estará exibindo um distintivo de elite. E quem não tiver grana para tanto, não vai precisar ficar atrás do concorrente direto, o Galaxy S-8.
Ser chique é pagar mais. Vira e mexe esse marketing aparece. Se é para demonstrar poder, aqui no Brasil ainda falta chegar o celular que só grava quando o pensamento do dono autorizar. Na falta dele, o poder estremece.

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