O VÍDEO VAI DOMINAR O FACEBOOK


Depois que o mailing do planeta caiu nas mãos de um único cidadão, parece que o contemplado se sentiu obrigado a fazer mais dinheiro ainda com isso. A nova fórmula que Mark Zuckerberg acaba de anunciar para ficar mais rico está entre as aceitas como sendo de potencial sucesso. Em um mundo com tanta inovação, “previsão” está virando pretensão. É melhor ser mais comedido.
Facebook Watch é uma aba que já está no perfil de americanos conectados à maior rede social do mundo. Ao clicar, abre-se uma grade de programas em vídeo. Em fase de testes, a nova plataforma só está disponível para um pequeno grupo de usuários. Tem um jeitão YouTube e, nesse rumo, está convidando criadores de conteúdo a ocuparem o espaço. Veículos de mídia também são bem-vindos.
O mais interessante é que o Facebook Watch traz uma novidade que só uma rede social pode oferecer. A grade de vídeo é formada pelo conteúdo que está fazendo mais sucesso entre os seguidores e as comunidades do usuário. Isso é apurado pelas curtidas, compartilhamentos e outras reações.
Essa característica da nova plataforma de vídeo atende uma necessidade crescente na história da Internet. Pois é uma forma de oferecer alguma indexação do conteúdo. A quantidade de vídeos disponíveis no YouTube, por exemplo, é gigantesca. E só tende a crescer, uma vez que está atrelada a um sistema de potencial remuneração, por conta do interesse que o vídeo despertar no público. Fora isso, a necessidade do ser humano exercer seu direito fundamental de expressão, é a mais recente tradução para aquilo que nossos avós chamavam de imensa vontade de aparecer. Hoje, com o uso crescente das plataformas de vídeo, se nota a infinidade de pessoas que foram reprimidas nesse desejo. No passado, para aparecer, tinha que disputar pessoalmente os holofotes da turma. Agora, basta falar ao seu companheiro mais íntimo – o celular – e postar numa plataforma.

ATÉ ONDE PODE IR?

A nova plataforma de vídeo deve motivar mais ainda as pessoas a postarem conteúdos audiovisuais. Porque estarão vendo coisas produzidas entre os seus conhecidos. O que valer a pena tende a conseguir, por compartilhamento, mais visibilidade, além das fronteiras dos círculos mais próximos.
Mas, por enquanto, esse não parece ser o conteúdo preferencial nos planos de Zuckerberg. Entre os primeiros canais do Facebook Watch está o Kitchen Little, mais conhecido do grande público como Testemade e a Liga de Baseball Americana. As ferramentas tecnológicas que já foram anunciadas indicam que os planos são bem mais ambiciosos. O Watch em breve vai estar nos dispositivos móveis, nos PCs e deve ganhar também um aplicativo para TV. Estaria aberta a possibilidade para a nova plataforma não ser apenas um novo YouTube, mas também um OTT, tipo Netflix.
Nos próximos meses o mercado deve especular bastante sobre a nova plataforma de vídeo da Internet. Afinal, se a Internet é um mundo cibernético, o Facebook é mais do que um continente virtual. Quase um terço da população da Terra é de usuários da rede social. Lugar para se dizer o que pensa, quais são seus valores, crenças, preferências, hábitos, círculo social, a alma e a palma. Tudo isso sob os “olhos e ouvidos” de robôs cada vez mais curiosos. O potencial comercial de uma plataforma dessas é imensurável e vai desafiar a criatividade empresarial a utiliza-la da forma mais rentável.
Porém, o que parece uma grande novidade para o público em geral, já devia fazer parte das expectativas dos concorrentes. Primeiro porque o vídeo está se tornando a linguagem da Internet. Todo conteúdo em vídeo ganha prioridade na luta pelo tão desejado click. E também porque Zuckerberg deve procurar novidades todos os dias, uma vez que ninguém sabe até onde vai a febre das redes sociais. Esse ritmo de inovações que o mundo está conhecendo mostra que o ciclo de vida de qualquer ideia passa a ser cada vez mais curto.

DA VITRINE AO “TEST DRIVE”

“-Quem tem um lápis ou uma caneta para me emprestar?” Faça essa pergunta em qualquer círculo e vai confirmar: é mais fácil uma pessoa qualquer estar com um celular do que com uma caneta. E celulares, cada vez mais, têm câmeras. Eis uma boa razão para fazer o vídeo a linguagem da Internet. Por enquanto a velocidade de conexão dificulta um pouco. Mas o avanço das tecnologias no setor vai disponibilizar bandas mais largas e compressão mais eficiente de conteúdos.
Isso está levando grandes segmentos de criação em vídeo a buscar espaços de publicação onde possam ter mais controle. Enquanto pequenas emissoras de TV anunciam seus canais no YouTube, as grandes redes, como Globo ou SBT, têm seus próprios aplicativos. Aos poucos, os palestrantes mais procurados no YouTube tendem a tomar o mesmo rumo. O custo desse tipo de tecnologia é muito acessível. Empresas com experiência em Internet e um bom conceito no mercado já disponibilizam sistemas com custo escalável. Os sistemas mais avançados permitem ao interessado adquirir o aplicativo, personalizar e contratar um espaço mínimo na nuvem para armazenar seu conteúdo audiovisual. Na medida em que aumenta a necessidade, contrata-se mais recursos na nuvem. Da mesma forma que, havendo uma eventual redução da demanda, pode-se retornar a espaços menores.
É o caso da plataforma EiTV CLOUD. As possibilidades de gerenciamento do conteúdo são muitas. Quem acessou, a que horas, se compartilhou com alguém, se gostou do conteúdo. Pode ainda abrir espaço para interagir com o seu público alvo e também permite monetizar o conteúdo. Não há limite visível para a aplicação dessa tecnologia. Treinamentos, vendas, motivação de equipes, ensino a distância, transmissão de eventos, cultos ao vivo em igrejas, uma solução que pode ser ajustada a cada tipo de necessidade.
Esses conteúdos mais qualificados devem estar entre os mais cobiçados pelas grandes plataformas, como YouTube e, em breve, o Facebook Watch. Só que nesse caso a tônica é a complementação e não a concorrência. Vai ser nessas grandes plataformas onde novos clientes e potenciais stakeholders podem ter um primeiro contato com um conteúdo novo. Mas vai ser pelo aplicativo próprio do autor/empresa que vai ser feita a aproximação.
Essa deve ser uma das razões para o surgimento de grandes plataformas. O conteúdo em vídeo tende a crescer geometricamente e sempre vai contar com essas plataformas como vitrines. A “imensa vontade de aparecer” se resolve por ali. Mas a imensa necessidade de convencer é missão para uma ferramenta exclusiva. Os aplicativos personalizados são a maneira mais eficiente de se oferecer a cada público específico novas marcas, produtos e serviços.

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