sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A CONFERÊNCIA DO CLIMA E O FUTURO DA POLUIÇÃO


Talvez algum dia reconheçam que a palavra mais devastadora dessas últimas décadas está entre os vocábulos mais ingênuos e politicamente corretos do Ocidente. A tradução pode sofrer algumas variações etimológicas de um idioma pra outro mas, com certeza, em todas as nações, onde existe o atraso essa palavra será usada. Atraso pela procrastinação, pela leniência, pela apatia. A palavra é "conscientizar", em todas as suas flexões, mais a substantivação.

Aí está a COP 21, com o despropósito de trazer propostas para evitar o aquecimento global. Uau, já são 21 anos de conversa, e o que foi feito até agora? Conscientização, oras! É nessa palavra onde param todos os tipos de soluções. Juízes de Direito já apareceram até na TV, criticando, por exemplo, radares de velocidade, para substituí-los por "ações de conscientização". E o trânsito matando! Conscientizar deve ter o poder de tirar os jovens das drogas, manter as ruas limpas e conservadas, erradicar a dengue no Brasil, conduzir à Brasília os mais honestos e eficientes políticos e até baixar o peso, se você passou das medidas. Alguns revolucionários, quando chegam ao poder, pedem pro povão dar um tempo pra se conscientizar. Enquanto isso, não dá pra distribuir tudo que foi prometido, tem que esperar até que a conscientização aconteça.

Dia desses, pela TV, aparecia na Conferência do Clima uma academia cheia de jovens diplomatas, bem criados, pedalando em aparelhos. Assim eles geravam a energia, que fazia funcionar liquidificadores, que faziam suquinho de frutas! Wowm, isso é que é consciência!

O LIXO QUE NÃO PLANA NA ATMOSFERA


Entrando nos detalhes mais "técnicos" do evento, COP 21 é um nome que tem toda pompa diplomática: "Conferência das Partes na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima". Para quem pensava que o "p" de "COP" era de poluição, agora ficou claro que é de "partes". Mas em pouco tempo os dois significados podem ser uma coisa só, com o mundo mergulhado em partes eletrônicas.

Com efeito, hoje é o esgotamento de um ciclo tecnológico, que começou com a máquina a vapor, que está se esgotando de forma a comprometer o clima. Excesso de carbono na Atmosfera e o mundo pode acabar! Ou melhor, o mundo dos humanos pode acabar. O novo ciclo tecnológico tem que trazer a solução pra toda essa modernidade afinal, é a ciência que podemos ter. Mas o novo ciclo tecnológico já não esconde seus pecados.

As lâmpadas que economizam energia, a injeção eletrônica que reduz emissões, os computadores que evitam tantos deslocamentos, os vários aparelhos que garantem conforto nos ambientes, tudo isso, quando vira lixo, é estilhaçado em partes. E elas espalham metais pesados nos pontos mais contraindicados do mundo. E ainda, materiais tóxicos, radioativos, ou simplesmente não biodegradáveis. Quanto? A quantidade de lixo eletrônico que o mundo deve gerar só no ano de 2017, em toneladas, é equivalente a todo o café que a população da Terra consumiu nos últimos 8 anos somados, mais os estoques internacionais do produto. Então, quando você abrir sua gaveta e aqueles aparelhos celulares velhos escorregarem no fundo, cuidado! Você pode ser o vilão da COP 42, se não antes.

TAMBÉM NÃO É ASSIM


Tem que criticar, tem que exigir, mas convenhamos, o que está sendo feito deve ser valorizado. Seria muita rabugice dizer que a COP 21 e as ações de conscientização não servem para nada. Em Paris, o centro das discussões é como chegar aos "acordos vinculantes", ou seja, como fazer para que cada país signatário transforme em lei as decisões da COP 21. Seria um grande avanço! Quanto às ações de conscientização, se não invadirem o terreno de medidas coercitivas ou compulsórias (deixando que aconteçam), serão muito úteis. E tudo isso aponta para atitudes individuais.

Sendo assim, a conscientização de quem produz tecnologia, de quem utiliza tecnologia, pode começar pela atualização dos dados. Quanto à origem do lixo eletrônico, segue o rastro do consumo, da mesma maneira que a emissão de gases do efeito estufa. As duas maiores economias do mundo, Estados Unidos e China, geram juntas praticamente um terço de todo lixo eletrônico global. Os pobrezinhos da América Latina são responsáveis por 9% desses descartes tecnológicos e, entre os países do Continente, o Brasil é o maior gerador: 36,16% do total regional.

O lixo eletrônico, além de muito plástico, ferro, alumínio e zinco, tem chumbo, mercúrio, cromo, bário, berílio, clorofluorcarbonados, arsênico e muitos outros produtos tóxicos, perigosos. Mas tem também pequenas quantidades de ouro, platina, prata. Separar tudo isso não dá pra ser do jeito que acontece nas cooperativas de catadores. Porém, sendo bem feito, pode ser um negócio lucrativo. Portanto, quem não se conscientiza pelos riscos da poluição, tem um outro apelo pra refletir. É só você pensar, pelas vezes que já trocou de computador e, principalmente, de celular, quantas vezes mais devem se repetir essas trocas na sua vida. Ou seja, se o seu celular de hoje não for reciclado, não contribuir em nada com a cadeia de matérias primas, do que vão ser feitos os celulares que vão tocar na COP 42? Algumas partes das máquinas antigas vão ter que estar lá.

Nenhum comentário:

Postar um comentário