sexta-feira, 6 de março de 2015

DEMOCRACIA E TV


Um canal de TV aberta que já está no ar, em breve vai ter a maior programação de todo o Brasil. Uma programação maior do que a de todas as grandes redes somadas, incluindo aí TV Globo, Band, SBT, Record. Trata-se da Rede Legislativa de TV que, ao final de 2014, já mantinha no ar as TVs de 33 câmaras municipais, além da TV Câmara Federal, TV Senado e as TVs de algumas assembleias legislativas estaduais.

A rede, que compartilha o espectro eletromagnético, permite também um compartilhamento orçamentário. Isso torna viável, para muitos municípios, a implantação da TV Câmara local, oferecendo ao morador da cidade a alternativa de assistir, pelo mesmo canal, também a TV da assembleia legislativa do estado e as TVs Câmara Federal e Senado. Como o Brasil tem mais de 5 mil municípios, dá pra imaginar o potencial de programação a ser gerada de cidade em cidade. Talvez o canal da Rede Legislativa de TV se torne o de maior programação do planeja, já que a China, que tem população e tecnologia de sobra pra passar na frente, não tem lá tanta democracia assim pra colocar no ar durante 24 horas por dia.

Pra quem acha que a audiência das casas legislativas brasileiras é pouca, o Deputado Beto Mansur, Secretário da Câmara Federal e empresário do setor na iniciativa privada, garante que a audiência é alta. Em tempos de efervescência política, a Rede Legislativa domina durante boa parte do dia.

COMPRIMINDO, CABE


O que torna viável a Rede Legislativa é a tecnologia de transmissão digital, a já famosa TV digital. Essa tecnologia permite "comprimir" o sinal e aproveitar muito mais o espectro eletromagnético.

O espectro, no caso, é uma forma de organizar as várias faixas de frequência que estão no ar. Pode parecer piada mas isso foi necessário quando as emissoras de rádio de grandes cidades americanas começaram a se multiplicar, há mais de 80 anos. O ouvinte não tinha como encontrar a emissora que queria. Daí resolveram organizar os sinais, passando para o governo esse controle da divisão em faixas e a distribuição de uma faixa para cada emissora.

Há décadas, a faixa de cada emissora de TV ocupa em torno de 6 megahertz (6 MHz) do espectro eletromagnético. Com a tecnologia de transmissão digital, numa faixa com esta mesma capacidade (6MHz) dá para transmitir até duas programações em HD, ou 8 programações em SD - que é o nível de qualidade máximo da TV analógica. No caso da Rede Legislativa eles decidiram dividir em 4 programações diferentes. Então, em cada cidade, o canal aberto pode ter programações diferentes nos subcanais 1, 2, 3 e 4. O subcanal 1 normalmente é da câmara municipal da cidade, o 2 da assembleia legislativa daquele estado, o 3 do Senado e o subcanal 4 da Câmara Federal. Mas isso pode ser trocado, de acordo com cada cidade.

COMPARTILHAR É O CAMINHO


A potência do sinal de uma emissora normalmente é suficiente para cobrir uma cidade. No caso das emissoras regionais comerciais, elas instalam as antenas repetidoras para levar o sinal até as cidades vizinhas.

Na Rede Legislativa, a câmara municipal de cada cidade já tem garantida uma faixa no espectro, no caso, um canal de 6MHz da TV aberta. A potência autorizada para a câmara municipal é suficiente para cobrir a cidade inteira. As TVs do Senado, da Câmara Federal e da Assembleia Legislativa só chegam pelo satélite. Para que qualquer aparelho de TV da cidade possa sintonizar essas programações, a emissora local, que é aberta, precisa repetir o que capta do satélite. Por isso, ela pode receber apoio orçamentário da Câmara Federal, do Senado e da assembleia estadual para manter o sinal no canal aberto.

Esse é um exemplo prático de que a tecnologia atual da TV brasileira permite uma otimização fantástica do espectro. O que torna um desperdício manter tanto espaço vazio no ar. A partir desse exemplo, o Governo Federal deveria pensar com mais carinho num pleito das emissoras comerciais, que prestaria um grande serviço aos cidadãos. As grandes redes querem disponibilizar, no espaço de geração 1-seg - para pequenas telas, como celulares e tablets - uma programação paralela, um pouco diferente.

Hoje as emissoras geram para o 1-seg a mesma programação que vai para o sinal HD. O problema é que, em pequenas telas, muitas imagens em HD não são apropriadas. Com uma programação a parte, o telespectador poderia ter um formato mais agradável para assistir pelo celular. Um esforço do governo para alterar a lei seria uma resposta democrática aos telespectadores brasileiros.

2 comentários:

  1. Quem assina este blog. Os textos são e várias mãos

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    1. Os temas são levantados junto à fontes técnicas, sites e periódicos, nacionais e internacionais, pela equipe de Engenharia da EiTV. A redação é do jornalista João Cesar Galvão - MTb 19.467 - SP.

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