sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

AS FRONTEIRAS DA TECNOLOGIA




A manhã daquela segunda-feira estava chuvosa e antes das equipes saírem a campo fomos apresentados a um novo executivo da empresa: era o Gerente de Redes de Informática, que prometia dar um endereço eletrônico para cada um de nós. Na época, era uma novidade. O gerente daquele novo cargo queria impressionar a equipe. Mas só conseguiu quando estava saindo, esticando a conversa no hall de acesso. Ele disse que um e-mail enviado para o colega do lado poderia passar pelo Japão antes de chegar ao destinatário. Diante da estranheza de todos ele se empolgou e resolveu explicar, fechando a porta de vidro para faze-la de lousa.

O desespero do Dimas foi ilustrativo. Era o office boy que ficava na copiadora. Ele passou mal no churrasco da equipe no dia anterior e já tinha entrado pelo menos 3 vezes no banheiro naquele início de manhã. O único banheiro que não estava em reforma e ficava no fundo da grande sala, depois de todas as divisórias de vidro. Ele bem que tentou, mas o novo Gerente já tinha trancado a porta e ignorou a aflição que vinha de dentro daquela farda de estafeta. O Dimas desapareceu subindo a escada da superintendência e depois de alguns segundos reapareceu do outro lado, no fundo da sala. Quase deslizou pela escada metálica em espiral, por onde só descia a secretária do dono. De lá, até o banheiro foram mais alguns passos. Então eu entendi o e-mail: chegando a tempo, no local desejado, o que importa o caminho?

Parecia que a velocidade da luz iria encerrar de vez o problema com trajetos. Mas agora vem os protestos de alguns setores contra a Netflix na Europa. A Associação dos Produtores de Cinema da França protesta porque a Netflix tem a sede europeia em Amsterdã, assim não paga os impostos recolhidos dos canais franceses para subsidiar o cinema. E não é só isso. Estando presente há poucos meses nos 6 maiores países do Velho Continente, a gigante americana de streaming já mudou muita coisa naquele mercado.


PIOR PARA QUEM?

Em área física a Europa é o menor continente do mundo. Mas em termos digitais, talvez seja o maior. A Internet tem alta velocidade em cada canto da Europa. São fronteiras eletrônicas imensas no território cibernético. Para um serviço de streaming, como o Netflix, é o país das maravilhas. Os políticos europeus denunciam veementemente a invasão. Será que os cidadãos também se preocupam? As TVs a cabo da Alemanha já baixaram os preços, a maior rede suíça também. Você se incomodaria vendo tudo isso acontecer, do seu sofá?

Ah, mas tem os produtores europeus de conteúdos. Excetuando os "descendentes dos Lumière", do cinema oficial francês, parece que as coisas tendem a melhorar. A rede suíça apressou a produção de uma série de comédias. A própria Netflix, carente de produções para aquele mercado, está financiando uma série francesa baseada em um drama envolvendo poder e política. Está bancando também uma série inglesa sobre a Rainha Elisabeth e até uma comédia mexicana, sobre uma família que é dona de um time de futebol. No caso, para clientes europeus que falam espanhol. O produtor de animação francês Olivier Comte, que acabou de assinar a venda da série "Wakfu" para a Netflix, comemora a chegada da empresa americana no mercado. Ele explica que as produções de animação são caras e só podem prosperar com perspectivas globais.


MELHOR NÃO APARECER

Com todo o respeito que merecem, mais uma vez, os incomodados com a concorrência tecnológica são os atravessadores. São as grandes redes de distribuição de conteúdo que simplesmente entregam o produto no mercado e ganham dos dois lados, tanto do público como dos produtores. É claro que eles não seriam tão poderosos se não fossem igualmente importantes. Pelo menos, algum dia já foram.

O tráfego de conteúdo audiovisual já sofreu várias mudanças recentes e tende a sofrer outras em breve. Quais, ninguém sabe, o que acaba tornando a situação tragicômica. Trágico para quem esta arrecadando bilhões há anos, estando à frente das tecnologias de TV por assinatura; cômico para quem já pagou muito e agora só ouve falar em promoções e planos "smart". É o caminho natural dos produtos tecnológicos. O sinal terrestre de TV digital, por exemplo, está sub utilizado e a Internet cresce em capacidade e cobertura a cada dia.

Diante dessa realidade, a EiTV smartBox já foi lançada dentro de um conceito multitarefas. Pode receber conteúdos por streaming, sintonizar canais digitais abertos, jogos e até portais de serviços. É uma regra geral a ser observada. Essa regra tem levado a EiTV a projetar produtos para o amplo território da criatividade. Assim as inovações que chegarem vão encontrar alternativas para serem universalizadas. O mesmo conceito pode ser observado também no EiTV Cloud ou no EiTV Datacasting, entre outros produtos da empresa.

Do lado de cá da tela, a luta europeia contra a invasão Netflix é mais um dramalhão para o público acompanhar. A mídia local, que tem um alto poder de mobilização, sempre atraiu uma infinidade de amigos políticos. São eles que levam a público, com tanta encenação, essas "questões relevantes". E acabam passando pelos vários estilos: começam como dramas, atravessam a fase de poder e política e acabam sempre se revelando uma grande comédia.

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