sexta-feira, 2 de maio de 2014

A VERDADE SOBRE OS GÊNIOS


Pouca gente imagina como surgiram os gênios que as lâmpadas pulverizam no ar para se submeterem ao desejo daquele que o libertou. Mas o único mistério que a mitologia ainda esconde sobre eles é o surgimento do primeiro gênio. A partir do segundo, a regra é clara. E reúne todas as condições naturais para que os fatos estejam interligados na mais perfeita lógica.

A começar pelo perfil e competências do "libertador". Normalmente alguém muito simples, quase anônimo, de boa índole e inteligente. Mas desastrado, sem noção, o próprio ancestral do nerd, o mais antigo de que se tem notícia. Alguém perfeito para fazer uma trapalhada numa situação trivial, e mesmo assim provocar tanta surpresa.

Claro que haverá os céticos a contestarem essa crença. Não acreditam na existência de gênios capazes de realizar desejos, nem nas fadas, ou em patos e ratos que conversam com cachorros e porquinhos. Certamente não conhecem outros mundos, como o Disney World, onde essa realidade está no cotidiano de maneira tão sólida que tem até um orçamento anual: US$ 14 bilhões. Muito bem, quando se fala em cifras as coisas começam a ficar mais reais. Sim, porque até as mágicas que encantaram milhões de pessoas ao longo de tantas gerações, tem um custo. A mais recente delas na Disney custou um bilhão inteiro dos dólares que circulam por lá
(dólares reais!).

O que os incrédulos precisam entender é que mesmo diante das criações mais fantásticas existem limites. O impossível do impossível! E é aí onde foi construída a lógica da história dos gênios. Preste atenção, porque os fatos a seguir são confidenciais, se você leu até aqui por engano, por favor esqueça e avise o remetente. O primeiro gênio da história já tinha passado várias vezes por este mundo e ouvido os desejos de muitas pessoas. Eis que, logo após deixar Aladdin, foi encontrado por outro desastrado, em mais um tropeço da vida: "-Você agora é meu amo e senhor. Estou aqui para tornar realidade o seu desejo!" O libertador, quase estupefato - sim, no caso deles, demoram até pra se surpreender - coçou a cabeça, olhou fixamente para o nada e depois colocou a ponta do indicador na boca. Ficou assim, absorto, por alguns minutos, até que falou ao gênio: "-o meu desejo é saber exatamente o que eu desejo, no mais íntimo do meu querer". Um silêncio sinistro tomou o ambiente. Agora o gênio olhava para o outro lado do nada. E estupefato, declinou: "-Perdão, meu amo e senhor! Durante milênios vaguei pelo universo, atendi pedidos dos mais diversos. Normalmente dinheiro, prazeres passageiros, fama, ostentação. Mas nunca vi no semblante dos meus senhores o mais verdadeiro e sincero desejo. Ninguém sabe exatamente o que quer, foi isso que eu aprendi na minha jornada." O libertador, um tanto frustrado, queria encontrar algo a dizer. Mas o gênio continuou: "-Eis que esse será agora o seu destino. Vai assumir os meus poderes e a minha imortalidade, ouvir todos os pedidos, refletir sobre cada um deles no silêncio dessa lâmpada, até que descubra uma maneira de entender exatamente o que os humanos querem. Ou até que alguém lhe faça essa mesma pergunta novamente. Se ainda não souber responder, voltará a ser um mortal comum, como passo a ser agora".

A Disney, que conhece muito bem essa história, se prepara a cada dia para o momento em que o gênio surgir diante dela. E investe muito na inovação, em coisas surpreendentes, pra ver se descobre o que os humanos querem. Foi aí onde investiu o bilhão de sua última mágica, o MyMagic+, um sistema inédito de controle de multidões, coleta de dados e tecnologia wearable. Os superpoderes estão numa pulseira, com chips de identificação por radiofrequência (RFID), ligados a um banco de dados criptografado, com informações do turista. Com elas o cliente paga ingressos, abre a porta do apartamento no hotel, faz pagamentos para lançar como débito ou crédito. A partir do sistema pode ser feita a reserva e todo o planejamento de passeios, através de um site ou de aplicativo próprio para smartphone. O sistema pode mudar a maneira como as pessoas se divertem e gastam. Uma volta a infância, quando você escolhia livremente o que fazia, pensando só em se divertir. E seus pais se encarregavam dos pagamentos, da organização para que as coisas acontecessem do seu jeito. O MyMagic+ permite que você faça o pedido do seu almoço pela tela sensível que fica na porta daqueles imensos restaurantes dos parques da Disney. Daí é só entrar e escolher qualquer lugar. Em seguida, o garçom chega e coloca na mesa a sua refeição, sem perguntar nada, só com um sorriso. Pela sua movimentação no parque, pelas suas escolhas, o sistema pode conhecer mais você e apresentar sugestões que certamente você vai gostar.

Poderia ser a mágica perfeita, convincente. Mas agora o problema não são os céticos. Os insatisfeitos com esse tipo de mágica são gente muito séria, pessoas que questionam o avanço que esse sistema permite na sua privacidade, a intimidade que você não quer compartilhar com empresas. Afinal, é o espaço mais próximo do seu desejo, que seus pais conheciam tão bem e as empresas inovadoras tem a maior curiosidade a respeito. Os protestos contra os rastros que esse sistema registra, através de bancos de dados poderosos pode se tornar, em breve, um problema para a Disney resolver com advogados, e não com magos.

Definitivamente, inovar é fazer muitos amigos, mas também alguns inimigos. A sua chance de fazer só amigos é encontrar a lâmpada do gênio. Até lá é preciso acreditar, investir, inovar, sempre tentando compreender e aprender. Avance em direção às fantasias e tenha certeza de que, antes de encontrar um gênio em uma lâmpada, há muitas coisas excitantes a serem inventadas, que podem se tornar ótimos negócios.

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